Créditos: Capcom

BGS 2019: Project Resistance tem boas ideias, mas não inova no gênero de sobrevivência

Game da franquia Resident Evil mistura mecânicas de diversos jogos e cria seu próprio multiplayer assimétrico
Por Lucas Alvaro Araujo 20/10/2019 23:41 | atualizado 20/10/2019 23:45 Comentários Reportar erro

Há um tempo a Capcom revelou que está trabalhando em um novo jogo da franquia Resident Evil com foco no multiplayer. Não demorou muito para que o intitulado Project REsistance ganhasse uma certa “notoriedade” entre a comunidade e, de cara, fosse associado ao fracasso de vendas (e críticas) Umbrella Corps.

Então, depois de aparecer com uma demonstração na Tokyo Game Show e ganhar um beta fechado no começo do mês, foi a vez da Brasil Game Show 2019 receber a versão jogável em alguns estandes da feira para satisfazer a curiosidade dos fãs qualquer outra pessoa que tivesse o mínimo de interesse neste projeto. 

Tivemos a oportunidade de jogar alguns minutos do modo principal que teremos no jogo, mas, infelizmente, é preciso dar uma notícia não muito agradável para quem está ansioso com o game; confira nossas primeiras impressões.

Antes de falar sobre as coisas negativas do jogo é importante afirmar que Project Resistance não é um novo Umbrella Corps - pelo menos não na vontade de arriscar alguns conceitos interessantes que garantem um certo potencial.

O game segue uma linha similar a jogos de sobrevivência como Dead by Daylight e Friday the 13th: The Game, onde a galera controlando os humanos devem fugir das criaturas e encontrar uma saída para escapar do cenário antes de serem mortos. 

Diferente da tentativa anterior da Capcom de criar um multiplayer, ao invés de 4 jogadores no modo online, as partidas são compostas por 5 jogadores, sendo um deles o vilão “MasterMind” que acompanha a tentativa de fuga dos sobreviventes por uma rede de câmeras de segurança - e é aí que está a diferença e a grande sacada do jogo. 

Fonte: Daily Star

No começo essa escolha de deixar o vilão acompanhando os outros jogadores por câmeras me lembrou muito Five Nights at Freddy's, mas com um toque a mais de estratégia, já que, para impedir que os personagens fujam dos cenários, quem controla o MasterMind conta com uma gama de monstros para serem distribuídas pelo cenário.

As criaturas são bem variadas e, dentre elas, temos as opções de colocar zumbies (e todas as duas variantes), Cerberus, Lickers e muitos outros. Além disso, ele pode assumir o papel de um desses monstros para atacar com mais efetividade os sobreviventes e tentar atrapalhar sua busca pelos itens necessários para abrir as portas de fuga da sala em questão. 

Por sua vez, os quatro sobreviventes precisam buscar itens espalhados no cenários lutando contra as criaturas e armadilhas colocadas no cenários pelo vilão. A missão principal dos jogadores é achar os itens-chave que vão abrir as portas para um novo estágio sem que o seu tempo acabe. 

Fonte: Capcom Germany

A ideia de Project REsistance não é inovadora em muitos aspectos, mas é bacana. Para que os sobreviventes consigam passar os desafios é preciso que eles combinem suas habilidades especiais únicas de Melee, Hacker, Tank e Healer para ter sucesso. 

As duas protagonistas femininas (January e Valerie) são extremamente importantes para sua estratégia. Uma delas é capaz de desligar as câmeras de segurança, deixando um ponto cego para o MasterMind, e a outra consegue curar os companheiros. Portanto, saber controlá-las é extremamente importante para que você vença como sobrevivente. 

Já os personagens masculinos (Tyrone e Samuel) têm habilidades de contato e, na teoria, são capazes de derrubar os inimigo com mais facilidade. O problema é que os inimigos muitas vezes parecem ser mais fortes e resistentes que os sobreviventes, demorando muito para morrer de vez. 

Uma outra coisa que atrapalha o combate corpo-a-corpo é a maneira “travada” como os personagens se movem e dificultam que eles têm em acertar os inimigos que estão próximos. Esse problema se torna mais frustrante por conta do desbalanceamento de jogo. 

Os inimigos são bem mais fortes que o sobrevivente e, mesmo que não tenham tanta vida assim, seus ataques são capazes de tirar uma quantidade considerável de vida. Isso fica ainda mais evidente quando o MasterMind entra em ação invocando o Mister X para ser controlado pelo jogador.

O grandão tem diversos golpes extremamente fortes e apelativos que, quando encaixados em sequência, não dão oportunidade para os outros jogadores escaparem. 

Felizmente, o Mister X não pode ser invocado em qualquer momento e dura apenas pouco tempo em campo antes de desaparecer.  

Não chegamos a ver muitos bugs na demo, porém, o game está com muitos problemas de controles que deixam a experiência de todos os jogadores um pouco frustrante - tanto aqueles que controlam os quatro personagens quanto para quem assume os vilões.

Os problemas de câmera são os mais comuns por conta dos cenários estreitos e podem te fazer perder um tempo precioso no relógio que servem para determinar o sucesso da sua escapatória.

Vale lembrar que jogamos a versão beta do jogo que ainda está em seus estágios iniciais de desenvolvimento. A demonstração fechada feita recentemente serviu justamente para que a Capcom pegasse os comentários dos jogadores para investir em melhorias, então ainda não podemos definir se Project Resistance será bom ou ruim, vai depender muito do que for feito com esses problemas citados.Particularmente, acredito que falta um certo atrativo para que os jogadores dos títulos principais de Resident Evil tenham algum interesse no game que não inova no seu conceito de multiplayer assimétrico.

Geralmente, os jogos onde um jogador controla o vilão e o resto os outros devem fugir dele, quem controla o "monstro" se diverte bem mais. Esse não é o caso aqui. Vamos torcer para sejam feitas melhorias e os desenvolvedores aproveitem o potencial que o jogo tem sem seu gênero. 

Resident Evil: Project Resistance ainda não tem data de lançamento, mas terá versões para Playstation 4 e Xbox One.

  • Redator: Lucas Alvaro Araujo

    Lucas Alvaro Araujo

    Lucas Alvaro virou jornalista pelo amor aos games e o desejo de escrever seus próprios roteiros para jogos com nota máxima no Metacritic. Apesar de ter atuado como designer e desenvolvedor de jogos durante dois anos, a paixão pela redação o trouxe para "os bastidores", onde está adquirindo experiência e aprendizado nos mais diversos segmentos da tecnologia. E é dessa forma que pretende se tornar especialista na área e descobrir o que fazer quando os robôs começarem a dominar o mundo.

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