Créditos: Divulgação/Wallmart

Wallmart vai remover as propagandas de jogos violentos, mas continua a vender armas

Após uma série de tiroteios, a varejista não quer mais anúncios com conteúdos violentos

Quase uma semana depois do tiroteio no Wallmart de El Paso, Texas, a rede de supermercados lançou um memorando instruindo funcionários a retirar propagandas com conteúdos relacionados a violência. O documento deixa bem claro a retirada de testes públicos de games do Xbox e Playstation que possuem essas características, além de filmes e campeonatos de caça.

Para quem infelizmente já está acostumado com notícias de atentados nos Estados Unidos, e já se esqueceu de El Paso, o tiroteio, ocorrido no dia 03 de agosto, deixou mais de 20 mortos, e foi apenas três dias depois do assassinato de dois gerentes de um Wallmart em Mississipi. Já no dia quatro, um novo tiroteio em Dayton, Ohio, deixou 10 mortos e mais de 20 feridos.

A decisão de banir o conteúdo violento em lojas, apesar de vender rifles, vem de uma forma bem conveniente após políticos estadunidenses, como o presidente Donald Trump e o vice-governador do Texas, Dan Patrick, culparem parcialmente a indústria dos videogames pelos tiroteios corriqueiros no país. 

"Temos que acabar com a glorificação da violência em nossa sociedade. Isso inclui os terríveis videogames que agora são comuns. Hoje em dia é muito fácil para que um jovem perturbado se envolva em uma cultura que celebra a violência", afirmou Donald Trump. Novamente os videogames são usados como bode expiatório por representantes da sociedade que, por ignorância ou má-fé, insistem em um "malabarismo retórico" quando não querem identificar as soluções para os problemas do país.

Além de não existir suporte acadêmico suficiente para sustentar a tese de que essa mídia aumenta o número de crimes com armas de fogo, diversos estudos apontam o contrário. Neste ano, por exemplo, o periódico científico Royal Open Science publicou um estudo realizado pelo Departamento de Psicologia Experimental de Oxford, junto com o Instituto de Internet da universidade, sobre como videogames violentos não devem ser associados aos comportamentos agressivos de adolescentes. O estudo foi realizado com 1004 britânicos, e está disponível neste link infelizmente não foi traduzido para o português.

Já a agência de notícias Vox produziu um pequeno gráfico, que ilustra o lucro médio da indústria de videogames por pessoa em diversos países, comparando com o número estimado de mortes por crimes com armas de fogo a cada 100.000 habitantes.

O Wallmart mudou sua filosofia com a venda de armas de fogo três vezes. A primeira foi em 1993, quando parou de comercializar pistolas. Em 2015 a varejista deixou de vender fuzis semiautomáticos, e, logo depois de um atentado em 2018, aumentou a idade mínima dos compradores para 21 anos.

A imagem deste tweet viralizou em 2018, e o Wallmart teve que se desculpar por ter uma vitrine de armas com a frase: "Domine o ano escolar como um herói". Além deste memorando questionável, a empresa já afirmou que continuará a comercializar armas após as tragédias.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: IGN, CNBC, Ap News, Vox
  • Redator: Tadeu Antonio M. de Souza

    Tadeu Antonio M. de Souza

    Sou apenas um jovem jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina que nasceu, cresceu e ficou amargo no World of Warcraft. Amo games de todos os gêneros; mas, se quiser me ver irritado, jogue algo competitivo comigo. Por crescer com este hobby, acompanhando personalidades como Jhon Bain, sempre procuro defender o consumidor e pequenos desenvolvedores.

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