Zen2: memórias até 5100MHz no ar, CPU até 5.3GHz e software de overclock no Windows

A AMD falou sobre as capacidades de sua nova geração de processadores Ryzen, e um dos recursos mais interessastes (e que foi um importante tópico nas primeiras gerações Zen) é a questão das velocidades das memórias e principalmente a evolução da performance em games, muito dependentes de uma memória cache mais eficiente. O enfoque é tão grande na performance para jogos que a empresa vai até mudar a nomenclatura, chamando o L3 cache de "gamecache".

Essa evoluções na performance do cache fazem com que a empresa entregue uma performance comparável com os melhores hardwares da rival, a Intel, inclusive encostando no Core i9-9900K, modelo que segundo a Intel é o mais rápido do mundo para jogos.

De acordo com a AMD, esse aumento no cache trouxe reduções significativas nas latências e benefícios em performance que serão superiores ao uso de memórias mais rápidas. As frequências das memórias, por sinal, foi um tema bastante caro a AMD nas primeiras gerações Zen, seja pelo impacto em desempenho, seja pela dificuldade de atingir valores mais altos devido a vinculação entre o funcionamento do Infinity Fabric (tecnologia da AMD que interconecta as várias estruturas dos chips Ryzen) e a velocidade das memórias.

A AMD parece estar bem mais confiante na capacidade de entregar frequências de memórias mais altas na nova geração Ryzen, inclusive afirmando que em testes internos já foi capaz de alcançar até 5100MHz com resfriamento a ar em uma MSI MEG X570 Godlike. Na prática, porém, a empresa precisou realizar uma dissociação entre o Infinity Fabric e as memórias, com esse componente operando em uma proporção 2:1 quando a memória ultrapassar os 3733MHz. O resultado é que, na prática, faz mais sentido subir as frequências até onde a proporção segue no 1:1 para reduzir as latências, e a empresa julga que o ponte ideal de performance é encontrado nos 3600MHz. A promessa que será fácil chegar até os 4200MHz, com perfis XMP operando sem dificuldades.

A AMD também tomou duas medidas para facilitar o overclock do sistema pelo consumidor. A primeira é unificar alguns textos e interfaces na BIOS, para que o processo de overclock seja mais parecido independente da fabricante. Outro são melhorias no AMD Ryzen Overdrive, software que roda no Windows e que além de permitir o overclock do processador e várias configurações das memórias também agora vai permitir definir configurações de memórias, como frequência e ajuste de timmings. Outro recurso que será herdado dos modelos Threadripper é o Precision Boost Overdrive (PBO), que será capaz de subir as frequências em até 200MHz de forma automatizada.

Uma das principais vantagens do PBO é que ele não fixa as frequências, ele ainda usa o Precision Boost para verificar temperatura, consumo e demanda para alterar a frequência em tempo real, sendo mais eficiente e econômico. O que o PBO faz é criar um "offset" de até 200MHz que torna esse ajuste de frequências mais agressivo. O AMD Ryzen Master chegará em breve e é compatível com todos os processadores Ryzen, porém alguns recursos são limitados a nova geração, como é o caso do PBO que só está disponível em modelos Ryzen 3000.

Durante o AMD Tech Day foram feitas algumas demonstrações de overclock do mais novo modelo, o Ryzen 9 3950X, e a equipe da empresa foi capaz de colocar todos os 16 núcleos dessa CPU em 5.3GHz, um ganho considerável acima do boost padrão de fábrica que é de 4.7GHz e em apenas um núcleo. Para alcançar isso, porém, foram usadas técnicas de entusiastas, como o uso de resfriamento com nitrogênio líquido e as tensões elétricas na casa dos 1.7v, muito elevadas para um uso prolongado do sistema. O resultado foram alguns novos recordes em testes sintéticos, batendo as marcas alcançadas por outros modelos de 16 núcleos como Threadrippers ou Intel Core.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".

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