Stadia está a uma conexão de internet decente de aposentar consoles e PCs

Vida Digital

Diego Kerber

Com o lançamento que já estava caindo de maduro desde que a Google começou os testes com o Project Stream, enfim a empresa mostrou na GDC o Stadia, seu serviço de streaming de jogos. O lançamento se saiu muito bem em vários aspectos, principalmente porque ele praticamente deixa os consumidores sem motivos para manterem uma plataforma dedicada para jogos em casa, como um console ou um PC.

Stadia traz games para qualquer dispositivo
e tem mais desempenho que os consoles

A sequência de vantagens é esmagadora. Você não vai precisar instalar e atualizar os jogos, eles estão lá prontinhos no servidor para qualquer momento que você decidir que quer jogar. Não existe sincronizar seu save na nuvem, ele já está lá. Vai jogar em outro lugar? Não precisa mover tela, TV, gabinete, console, cabos... qualquer coisa que mostre pixels, exiba imagens e rode o Chrome já está pronto para rodar o game.

Problema de trapaças? Com o software totalmente controlado pela desenvolvedora, em um servidor, não tem como modificar os arquivos e tentar passar a perna nos outros. O multiplayer fica ainda mais facilitado com a comunicação sendo otimizada entre os dispositivos nos servidores da própria Google, e o Battle Royale vai das centenas para os milhares de jogadores. O streaming para outros jogadores também fica ainda mais fácil, afinal já está acontecendo o envio do vídeo pela internet, jogar sozinho ou jogar transmitindo é só uma questão de pra quantas telas será mandado o vídeo.

Não é só fazer o que já está aí. A promessa é trazer mais capacidades. Seu game está na nuvem, porque não salvar o estágio exato que seu gameplay está e compartilhar na rede, para que outros jogadores possam tentar encarar a situação crítica que você se enfiou? E se está emperrado em uma fase, é só chamar o Google Assistente para ele buscar o vídeo mais relevante mostrando como passar a fase.

Stadia Controller: como o controle da Google
promete driblar o lag ao jogar na nuvem

Com tudo no papel parecendo tão melhor (ainda falta conhecermos como será o modelo de negócios da Google. Assinatura? Compra os jogos em separado?) não parece existir qualquer motivo para você ter um PC ou um console. Mas aí você liga o jogo e as coisas mudam de figura. Os comandos demoram para responder, a tela fica bastante "pixelizada" ou o jogo simplesmente fecha na sua frente porque caiu. O que está acontecendo?

]

Só existe uma coisa que pode realmente sabotar os planos da Google: a velocidade da internet (além de um eventual protecionismo de empresas de consoles tradicionais defendendo o mercado, luta que a gente sabe que só adia o inevitável). A empresa tem um know-how que ninguém duvida, passando por infraestrutura de rede, softwares e capacidade de gerenciar quantidades absurdas de dados em tempo-real. Mas a empresa também está abraçando um desafio que é impiedoso, pois em um game basta alguns milissegundos de atraso para uma curva ser errada, um inimigo lhe abater ou um Game Over pular na sua tela. Nos jogos não existe "buffering".

E no Brasil, algo que tem potencial de dar errado ganha dimensões de catástrofe. Com uma qualidade de conexão que é ruim mesmo em grandes centros urbanos, fica difícil imaginar uma largura de banda e principalmente uma latência eficientes o bastante. Do jeito que as coisas andam aqui, até estourar a franquia de internet pode ser um problema a ser considerado.

A barreira tecnológica da velocidade da internet é o ponto crucial do Stadia

Apesar de parecer um clichê, o mais provável é que a nova tecnologia não vá destruir a atual, pois nada vai bater a baixa latência de ter um hardware rodando o game a centímetros de distância da tela. Porém se as barreiras de internet forem superadas, ou melhor, chegarem em um nível aceitável o bastante para uma boa experiência de gameplay, o Stadia tem potencial para tornar o grupo de pessoas que possuem um sistema para rodar os jogos em sua casa em um nicho. Estão prontos para ter o Google tendo controle total sobre outro aspecto de sua vida?

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".