Parem de criticar os switches da Kailh em teclados mecânicos

Ao pessoal que não conheça quem é a Kailh, este artigo não é um "Publieditorial" (publicação paga) ou algo do tipo.

Estou escrevendo este artigo simplesmente por eu (wetto) ser responsável por parte da má fama que a Kailh possui, quando fiz críticas fiz à marca no passado, que já não são mais válidas. Mas, infelizmente, muita gente ainda acha que a Kailh continue sendo uma empresa de baixa qualidade.

Enfim, antes de começarmos, vamos dar um pouco de contexto.

"Dongguan Kaihua Electronic Co., Ltd.", mais conhecida por sua sub-marca "Kailh" é uma empresa bastante famosa no ramo de teclados mecânicos, embora por más razões.

A Kailh foi a primeira empresa a fazer cópias dos switches Cherry MX após o ano 2000, tendo início de sua produção em torno de 2011 e 2012. Ela foi pioneira nos clones dos switches Cherry MX e abriu o caminho para diversas outras, tal como a Outemu, Gateron e Greetech.

A Kailh também foi a responsável pelos primeiros teclados mecânicos com capacidade para sistema de iluminação RGB em 2012, ao modificar o design da Cherry, que não permitia este tipo de LED.

Após isso, a Cherry só correu atrás do prejuízo anunciando seus switches RGB, meio ano após a Kailh já ter protótipos funcionais com essa tecnologia.

Mas então, o que fez a Kailh ter um nome tão queimado? Seus primeiros switches eram ruins, e a impressão mais forte no público é sempre a primeira.

Além dos problemas com os switches Kailh Yellow, o primeiro switch para teclados mecânicos da marca e que foi rapidamente descontinuado, os switches da Kailh sofriam com problemas de inconsistência e falhas no acionamento.

A minha unidade do Tesoro Lobera Supreme, o primeiro teclado mecânico RGB do mercado, tem teclas que precisam ser pressionadas mais fundo do que outras para acionarem, além da tecla Windows falhar esporadicamente.

Mas, ao longo dos anos, a Kailh foi mudando isso, melhorando a qualidade de seus materiais e o principal, aperfeiçoando o controle de qualidade para que seus switches tenham consistência e não apresentem falhas como no passado.

Se testarmos os switches Kailh de 2012 e os switches de 2015, 2016 e 2017 é visível que há uma diferença absurda em termos de qualidade.

Em nossas análises, os teclados Patriot Viper V760, Tt eSports Poseidon Z RGB e PCYES Nemesis RGB não apresentaram nenhum dos problemas que havia no Tesoro Lobera Supreme.

Hoje a Kailh é uma das empresas que mais investem em novas tecnologias para teclados mecânicos, enquanto a Cherry não faz quase nada.

Só de switches low-profile, ela lançou recentemente 2 designs exclusivos que são sensacionais, inclusive vou analisar um deles em um teclado que receberei em breve:


Há também seus "Kailh BOX", que possuem um design encapsulado para tornar estes resistentes a líquidos e poeira, além de switches do tipo Speed por preços muito mais competitivos que os da Cherry.

Mas, ainda assim, parte do público, evidenciado pelos comentários das nossas últimas análises de teclados com switches Kailh, continua achando que ela seja uma marca ruim, quando ela compete de igual para igual com marcas como a Gateron e é até mais cara do que a Outemu.

Por mais que eu queira que a Kailh troque de nome, não parece que isso vai acontecer, então o que deve ser feito é uma reeducação.

Quase uma década atrás, "celular chinês barato" era sinônimo de "MP10", ou seja, de porcaria. Hoje, temos marcas como a Xiaomi, Huawei, Meizu e OnePlus dando uma surra em vários "dinossauros" que pararam no tempo.

Os switches da Kailh também já deixaram de ser sinônimo de má qualidade e estão extremamente competitivos no mercado atual, oferecendo inovação e melhores preços do que o "dinossauro" chamado Cherry.

A Kailh hoje é outra empresa, com diversos projetos próprios e tecnologias exclusivas que valem à pena conferir, mas que ainda paga o preço de sua antiga má fama, mesmo já não merecendo isso.

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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

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