Lista Adrenaline: Momentos "lágrimas másculas" dos games

da Redação

Redação

Existe todo tipo de momento épico nos games. Momentos de tensão, de suspense, de romance e também momentos de ação extrema que fazem a Adrenaline acelerar o coração. Mas essa coluna se dedica a um tipo diferente de emoção que sentimos em alguns jogos muitos especiais. Estamos falando daqueles momentos que fazem um cisco cair em nossos olhos e, quem sabe, até arrancar algumas lÁgrimas. MÁsculas, claro. Confiram os jogos de cada um de nós e não tenham vergonha de comentar sobre os seus!

*AVISO*: Fica aqui um aviso importante para quem ainda não sacou a essas alturas: essa lista conterÁ vÁrios SPOILERS. Vamos falar dos momentos que nos emocionaram e alguns deles, inevitavelmente, serão reviravoltas e revelações importantes de alguns jogos. Depois não reclamem que não foram devidamente avisados!


A cena da girafa | The Last of Us (PS3 e PS4)

JoaoGAN (@joao_GAN)

Não. Não é a cena do prólogo de "The Last of Us" que eu escolhi para representar minha participação na lista dos momentos mais "lÁgrimas mÁsculas" dos games. Apesar da tristeza profunda com que o prólogo desse jogo se conclui, a riqueza de detalhes, de emoções, de profundidade e de significado que existe na famosa cena da girafa, na minha opinião, ganha fÁcil no quesito "pô, rapaz, caiu um cisco no meu olho aqui óh..."

Tendo jogado ou não "The Last of Us", você jÁ deve ter ouvido falar dessa cena. Depois de ter ficado mais de um mês sobrevivendo sozinha e cuidando de Joel enquanto ele se recuperava de um ferimento potencialmente fatal, vemos uma Ellie apÁtica, silenciosa e distraída, muitíssimo diferente daquela menina enérgica e boca suja com quem jÁ tínhamos nos acostumado. É nítido que a violência e o medo que essa garota experienciou para sobreviver pode ter causado ferimentos graves não no seu corpo, mas em seu psicológico. Eis então que entram as girafas.

Ellie nunca viu uma girafa. Muitas vezes o jogador pode se esquecer que a menina cresceu num mundo sem televisão, sem internet e com pouquíssimo acesso a livros. A visão do bicho impressiona a pequena heroína de tal maneira que é impossível não se contagiar pelo momento. Sua alegria genuína e empolgação faz você pensar inevitavelmente "essa é a Ellie que eu conheço!" e é impossível deixar de sorrir.

Essa aparentemente simples girafa não pode ser subestimada. Sua presença ali coloca Ellie de volta em contato com sua própria inocência. Ela lembra à pequena sobrevivente e ao jogador de que ela ainda é apenas uma menina. Depois de todo o cenÁrio de inconsolÁvel desolação, das histórias absurdamente tristes que presenciamos durante a jornada dos heróis neste game, essa girafa torna-se um animal impressionante, e até o jogador sente como se estivesse vendo um bicho assim pela primeira vez. Uma simples girafa nos lembra de que vivemos num mundo incrível e do porquê vale a pena lutar pra sobreviver. E quando, logo depois, Ellie diz que "não pode tudo ter sido em vão", Joel não responde nada, mas o jogador jÁ sabe. Não foi em vão, Ellie. Não foi mesmo.


Zulf caído na estrada | Bastion (PS3, Xbox 360, PC, iOS, Mac, Linux)

Diego Kerber (@kerberdiego)

Tudo é dor e tristeza no mundo de "Bastion". A Calamidade arrasou impiedosamente toda a realidade, deixando "o Garoto" (seu avatar neste mundo) com a dura missão de se reerguer dos escombros do que sobrou, equipado com apenas seu martelo de confiança. Não, esta não é a parte que me tocou no jogo, mas preciso deste contexto para chegar lÁ.

Com seu avanço pelo que restou do armageddon, você descobre que a maioria das pessoas simplesmente foi dizimada pela Calamidade. Mas temos alguns sobreviventes, e alguns se juntam ao seu grupo: o Forasteiro, narrador da história; Zia, a cantora e Zulf, o educado e pacifista cidadão de Ura. E a cena que "me pegou" foi com este último personagem.

Zulf sai de seu grupo ao descobrir que a Calamidade era, na verdade, uma arma criada para destruir sua então pacífica Ura, e que deu errado e destruiu o mundo. Furioso com esta informação, se junta a seus conterrâneos para um plano de vingança e acaba se tornando um opositor de Kid e sua reconstrução do mundo através do Bastion. O refinado e pacifista Zulf, no passado seu amigo, se torna seu inimigo mergulhado em puro rancor.

Mas as coisas dão erradas em seus planos, e Zulf é então traído por sua nação. E neste momento que você o encontra, caído na estrada, deixado para morrer após ser agredido. E o jogo te dÁ duas escolhas: deixar seu ex-amigo ali ou, largar suas armas, ficar indefeso e, lentamente, carregÁ-lo de volta para o Bastion. Para os misericordiosos sem rancor no coração, surge a cena que fez um cisco cair em meu olho. Não é à toa que o Kid tem dificuldade de se levantar depois.

 


Mas nada para se preocupar, porém.

Assim que o Bastion for restaurado... vai ficar tudo bem.


Deixando o Lee para trÁs | The Walking Dead (PC, PS3, Xbox 360, PS Vita, iOS, Android, Mac e Linux)

Luiz Fernando Menezes (@luizfnmenezes)

Antes de contar como eu chorei que nem uma menininha deixei escorrer lÁgrimas masculinas, preciso contar a minha relação com "The Walking Dead" da Telltale Games. A primeira vez que vi um vídeo sobre ele, não quis jogar por puro preconceito: nunca iria perder meu tempo jogando um game de texto no qual a única coisa que você faz é responder! Até parece! "Como essa m@#$* ganhou Jogo do Ano?", eu dizia.

Mas... como o mundo dÁ voltas, acabei comprando o jogo um ano depois do lançamento do primeiro episódio da série interativa. E, cara, eu paguei a língua. Mas eu paguei a língua bonito. "The Walking Dead" é um dos melhores jogos que eu jÁ joguei, seja pela sua forma em episódios, seja pelo seu envolvimento único ou seja pelo seu roteiro majestoso. Ele é simplesmente perfeito.

Agora vamos à cena: eu sei que é clichê, todo mundo cita ela como uma das partes mais tristes da história dos games, mas, novamente, ela tem que aparecer na lista. É praticamente impossível não chorar no final da primeira temporada. Você controla o Lee por toda a série, faz suas escolhas, se torna o personagem. Quando ele é mordido por um zumbi você jÁ fica baqueado, mas ainda tem esperanças quando decepam o braço dele: "vai, Lee, você não vai morrer, você consegue!" era o pensamento de todo mundo. Porém, todo mundo, no fundo no fundo, sabia que ele ia passar desta para a melhor.

O problema é que ninguém esperava que o final fosse daquele jeito: você, digo, Lee e Clementine sozinhos numa sala fechada. A cor da pele jÁ estÁ fria, os olhos amarelos, a música jÁ prevê o desastre; Clementine começa a abrir o bico (quem não sabe, essa expressão significa "chorar")... jÁ estava triste, mas a equipe da Telltale é genial e não podia deixar "apenas" assim: aparece na tela a última escolha da primeira temporada.

"Atire em mim" ou "Vai embora, Clementine" 

Aí f* tudo. Aí é para acabar. Aí é jogo baixo. Eles te dão quase um minuto para escolher, enquanto Clem implora para Lee não morrer. É uma tortura psicológica magistral. Sério, quem não jogou, jogue. É sensacional. Não importa a escolha, Clem e Lee nunca mais verão um ao outro. Ou você deixa ele lÁ para virar zumbi ou não deixa que isso aconteça. É lindo, ao mesmo tempo que é horrível. 

Depois de sofrer com a emoção, dei um tiro na cabeça do Lee. E chorei.

Morte de Sarah | The Last of Us (PS3 e PS4)
Andrei Longen (@Long3n)

"The Last of Us" é fodÁstico do começo ao fim: na minha opinião, é o melhor jogo do Playstation 3 (e PS4) e definitivamente estÁ entre os melhores da sétima geração de consoles. Um jogo que te faz criar conexões emocionais extremamente fortes e consequentemente te faz chorar em menos de 15 minutos de partida jamais deve ser considerado por menos do que ele realmente significa como uma obra de arte eletrônica. 

Jamais vou esquecer quando Sarah, a garotinha que controlamos logo no início da aventura e filha de Joel, o protagonista, é assassinada brutalmente por um militar. Mas o que exatamente me levou às lÁgrimas nesta parte nem foi a morte propriamente dita de Sarah, mas as causas que levaram isso a acontecer de maneira tão inesperada, brutal e leviana, numa situação rebaixada à menos do que a importância de qualquer tipo de conceito de valorização da vida humana.

Tudo se resume à forma como o jogador é introduzido e conduzido brilhantemente ao universo pós-apocalíptico da trama a partir da perspectiva inocente, indefesa e vulnerÁvel de uma garotinha com 12 anos de idade cujo pai é solteiro, estÁ desempregado, tem vÁrios problemas para resolver e recém havia ganhado dela um relógio de presente de aniversÁrio. A relação entre os dois estÁ ali transparecida, em poucas ações e diÁlogos curtos, porém altamente significativos, no amor incondicional de um pai por uma filha.

Algo que colabora absurdamente nesse envolvimento mÁximo do jogador (eu) com o enredo são as atuações de Troy Baker e Hana Hayes, os atores que interpretam Joel e Sarah, respectivamente. O trabalho é tão espetacular que é realmente possível sentir a agonia, o desespero e as tremidas das vozes no embargo do choro abafado nos diÁlogos que não se encontra outra alternativa a não ser apenas continuar acompanhando os acontecimentos desoladores e absorvendo o impacto devastador das cenas, pois jÁ se adquiriu a certeza de que aquilo a que se estÁ assistindo é único e se tornarÁ referência às futuras narrativas nos games.

E olha que tudo isso o que descrevi acima estÁ apenas nos primeiros 15 minutos do jogo. Por isso, não é a toa que "The Last of Us" ganhou mais de 200 prêmios Jogo do Ano em 2013 e é constantemente citado como exemplo de construção de histórias em mídias eletrônicas convergentes cujo foco é a cinematografia e o relacionamento de personagens críveis, marcantes e humanos, embora tudo não passe de bilhões de pixels trabalhando de forma contínua e harmoniosa. 


O complexo final onde você morre | Bioshock Infinite (PC, Xbox 360 e PS3)
Carlos Estrella (@carlos_estrella)


"Nós nadamos em diferentes oceanos, mas sempre acabamos na mesma praia"

Com personagens muito bem construídos e um roteiro cheio de reviravoltas, "Bioshock Infinite" estÁ repleto de emoções e momentos marcantes por quase toda a campanha. Mas é só no final que o game realmente explode o seu cérebro, com um dos maiores plot twists da história dos videogames. E mais do que isso: também é neste momento que Infinite mais emociona.

São tantas coisas que acontecem na última meia hora de jogo que fica impossível explicar sem fazer um texto do tamanho de uma dissertação de mestrado. Depois de passar por uma batalha de proporções épicas, você entra numa viagem por diferentes momentos que são importantes para a história do jogo.

Em cada nova porta em que se entra, surge um universo paralelo onde você vive, em primeira pessoa, momentos que fazem o enredo chegar onde chegou. Nesse caminho, você descobre que Elizabeth é, na verdade Anna, a filha de Booker. E mais do que isso: é revelado que o próprio Booker, protagonista do game (e o personagem com quem jogamos) é também Comstock, o vilão do jogo.

A última porta a ser aberta revela o mesmo local onde Booker jÁ havia recusado ser batizado. Mas, desta vez, o universo onde estamos é aquele em que ele aceita o bastimo, tornando-se Comstock. Para impedir que isso aconteça, vÁrias Elizabeths surgem, vindas de diferentes universos paralelos. O game termina com Booker finalmente entendendo que ele próprio é o vilão que combateu por tanto tempo, e aceita o que tem de ser feito. Então três das Elizabeths o seguram pelos braços e o afogam, enquanto a trilha sonora se intensifica.

 

Ver o seu personagem morrer de vez dentro da história de um game jÁ é algo bastante tocante. Mas quando ele é assassinado pela própria filha, que se mantém sem nenhuma expressão durante todo o tempo (por saber que era o certo a se fazer), as coisas se intensificam. É um final tão complexo que é preciso parar um pouco, respirar e entender o que aconteceu. Durante este processo, é difícil não deixar escapar algum suor pelos olhos.

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