Projeto Ara: Pode o smartphone modular do Google revolucionar a indústria?

Para quem anda meio "desligado" no mundo da tecnologia, os engenheiros da Motorola (na época a companhia pertencia ao Google) revelaram em meados do ano passado, um projeto bastante ousado: a construção de um smartphone modular, que permitiria a atualização de partes do aparelho ao "gosto" do cliente, ou seja, a mesma filosofia empregada nos computadores.

Aos que ainda "torcem o nariz" para o Projeto Ara, achando que tudo não passa de "oba oba", fica uma observação: o Google acabou de apresentar detalhes do smartphone modular, composto de um endoesqueleto e módulos de hardware intercambiÁveis. Além disso, a equipe de engenheiros e projetistas do projeto disponibilizaram o primeiro Kit de Desenvolvedores de Módulo (da sigla em inglês MDK), que possibilita uma visão mais aprofundada dos componentes técnicos do aparelho. Além disso, a companhia anunciou que a primeira conferência para desenvolvedores do Projeto Ara acontecerÁ nesta semana.


(Paul Eremenko, chefe do Projeto Ara, mostrando um dos módulos/bloco do futuro smartphone. Imagem do MIT's Technology Review Journal )

De acordo com o MDK, o "corpo" do aparelho, ou seja, o endoesqueleto (chamado "endo") virÁ em 3 tamanhos diferentes. O maior serÁ composto por uma Área correspondente de 4x7 blocos, enquanto que o intermediÁrio terÁ 3x6 e o menor 2x5.

Ainda segundo o Kit de Desenvolvedores de Módulo, serÁ possível adicionar mais de uma bateria simultaneamente, além de poder trocar uma bateria descarregada por uma nova sem descarregar o aparelho.

Voltando ao conceito principal do Ara, se por um lado a filosofia de upgrade se mostrou muito eficiente para a indústria e salutar para o mercado ao longo da história – ainda que pareça vir sofrendo desgaste nos últimos anos, aparentemente por conta da estagnação tecnológico de alguns segmentos – por outro, a ideia de permitir que o consumidor tenha o poder de atualizar o seu smartphone pode "sacudir" toda a indústria dos celulares.

Caso o Projeto Ara tenha êxito, gigantes do setor, como é o caso da Samsung, a própria Motorola (agora pertencente à Lenovo), LG, dentre outras, poderão ficar em sérios apuros. O motivo é óbvio: a "obsolescência programada" dos aparelhos chegarÁ ao fim (ou pelo menos em parte), visto que não serÁ mais necessÁrio o usuÁrio ficar trocando de aparelho de tempos em tempos (e cada vez mais esse espaço de tempo vem reduzindo) a fim de se manter atualizado nas tecnologias.

Se o Google deseja mesmo que o Projeto Ara tenha êxito, ela deverÁ trabalhar como nunca para que o smartphone popular seja viÁvel economicamente. Ainda que a promessa seja de um aparelho barato (na casa dos US$ 50), a companhia não poderÁ se descuidar do principal: o preço e variedade dos módulos com os diferentes tipos de hardware. De nada adiantarÁ o cliente pagar US$ 50 por um celular bÁsico, mas ter de desembolsar "rios de dinheiro" para tornar o seu "basicão" em um smartphone de "ponta".

Outro ponto refere-se à logística. A ideia de um aparelho modular implica em amplos canais de comercialização dos componentes. Novamente, de nada adiantarÁ o usuÁrio levar para casa um aparelho simples, mas que seja difícil de se conseguir os módulos de atualização.

Um terceiro ponto refere-se ao software, mas neste caso, por ser detentora de um dos principais sistemas operacionais do mercado, o Google não terÁ nenhum problema em oferecer um eficiente sistema de atualização do SO, uma vez que a filosofia de "upgrade" implica que o consumidor ficarÁ com o smartphone modular por muito tempo. E sabemos que não hÁ nada mais irritante do que ter um bom hardware com um software desatualizado.

Na eventual hipótese de sucesso comercial (cogita-se que o aparelho entre em produção comercial em meados de 2015), o Google poderÁ forçar a concorrência a rever toda a sua filosofia de trabalho, além de promover uma guinada em como se fabrica, distribui e comercializa smartphones em todo o mundo.

Assuntos
  • Redator: Filipe Braga

    Filipe Braga

    Filipe Braga é um cearense extremamente simpático formado em Ciências da Computação e apaixonado por computadores e tecnologia em geral. Também participa de reviews de hardware, especialmente placas de vídeo, processadores e placas mãe.

Quem você acha que merece o GOTY do The Game Awards?