RYZEN 9 3950X em uma A320! O que acontece quando você economiza na placa-mãe?

Fizemos a combinação totalmente desbalanceada para mostrar o impacto na performance
Por Diego Kerber 16/11/2019 18:21 | atualizado 16/11/2019 18:45 Comentários Reportar erro

Em mais um daqueles artigos de coisas que a gente faz só pra ver o que acontece, mas que definitivamente não recomendamos fazer, experimentamos desbalancear totalmente o equilíbrio entre o processador e a placa-mãe. E a linha Ryzen talvez seja a mais impressionante para se fazer isso.

A plataforma AM4 é a mais impressionante que já vimos na variedade de configurações

Por conta do suporte por muitos anos do soquete AM4, e o crescimento expressivo na contagem de núcleos ao longo desse período, esse soquete comporta desde processadores dual-core até modelos com 16 núcleos e 32 threads! É uma escalonabilidade sem precedentes em um segmento mainstream, e que faz com que o "monstrão" Ryzen 9 3950X encaixe em uma placa-mãe projetada anos atrás, com um chipset que na pior da hipóteses teria no máximo 8 núcleos, quando foi concebida.

O mesmo soquete que cabe um CPU de 16 núcleos, temos também dual-cores

Já que temos essa janela tão impressionante, decidimos fazer um teste extremo. Colocamos o mais novo lançamento de CPUs da AMD para rodar em uma placa-mãe A320, ou seja, o chipset mais básico disponível. Na teoria, o ideal não é ir além de um Ryzen 3 para essa mainboard, já que ela tem estruturas bastante básicas de alimentação. O que vamos fazer aqui é colocar 4x mais núcleos que isso.

Para experimento insano, colocamos em ação a Asus A320M-K/BR, uma placa que costuma aparecer muito em vídeos aqui por ser a placa... do PC com orçamento até R$ 1.5 mil! Ou seja, sem dificuldades o Ryzen 9 3950X vai custar algo como até 3x mais que esse orçamento inteiro!

Site oficial da Asus A320M-K/BR
Conteúdos do PC de até R$ 1,5 mil

Pra nossa surpresa, o sistema foi capaz de iniciar. Nem era para isso ser possível, de acordo com tabelas mostradas pela própria AMD na época de apresentação dos Ryzen 3000 e X570:

Mas como já aconteceu em vários momentos, as fabricantes parecem ter certa liberdade em ignorar algumas recomendações e bagunçar um tanto o ecossistema, dando compatibilidade entre componentes que não deveriam funcionar

Ligou, mas os efeitos já são evidentes assim que abrimos o CPU-Z:

Apenas quatro núcleos estão ativos. Basicamente, nosso Ryzen 9 acordou um Ryzen 3! Sem suporte para os Ryzen 3000 na placa A320, inclusive com essa placa no AGESA 1.0.0.3, já podemos considerar um milagre que esse sistema tenha sequer ligado.

Só de ter ligado já foi impressionante

Não é a primeira vez que vemos um processador sendo limitado por conta da placa-mãe. A linha K da Intel não tem capacidade de overclock se não for combinada com uma placa da linha Z, assim como os Ryzen também ficam bloqueados para OC se usados em uma placa A320.

Bom, já que viemos tão longe, porque não consolidar essa patuscada toda rodando testes? Assim temos um verdadeiro retrato do "você não devia ter feito mas fez igual".

Em situações que múltiplos núcleos não fazem tanta diferença, como em alguns games, até que os resultados não são ruins, mas em aplicações de renderização dá pra ficar totalmente deprimido com a perda de desempenho do Ryzen 9 operando em uma placa-mãe incompatível. 

Esse experimento totalmente é um tanto drástico, mas mostra uma questão relevante: equilibre o seu sistema, mesmo quando alguns componentes não parecem impactar tão diretamente no desempenho. A placa-mãe precisa ter a estrutura para comportar as necessidades de energia e recursos do CPU.

O experimento foi divertido, mas confirma que o ideal é buscar um equilíbrio entre os componentes de seu PC

Normalmente não é algo difícil. Um processador de entrada se vira bem em uma plataforma de entrada, enquanto um processador potente demanda ao menos algo intermediário. Um caso como o Ryzen 9 3950X, porém, não há dúvidas. Melhor  partira para um placa topo de linha para garantir que vai extrair todo seu potencial. Outras situações como uso de overclock ou cargas de trabalho intensas pro longo períodos também demandam uma mainboard mais robusta. A estabilidade adicional será um diferencial importante em um render de horas a fio.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".

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