Game, Prosa & Texto: Falamos com devs brasileiros sobre o nosso espaço no mundo dos games!

Entrevistas com criadores de jogos como Minoria, Override e Out of Space!
Por João Gabriel Nogueira 29/09/2019 19:13 | atualizado 29/09/2019 19:14 Comentários Reportar erro

O Game, Prosa & Texto retorna trazendo um assunto que há muito é pedido pelos nossos usuários: mais espaço para games do Brasil. Para atender aos pedidos e nos aprofundar neste universo que temos dentro de nossa própria casa, trazemos uma transmissão especial e entrevistas com alguns desenvolvedores brasileiros relevantes no mercado de jogos, tanto nacional como internacional.

A ideia deste artigo e do Game & Prosa da semana é falar sobre três experiências diferentes no circuito de desenvolvimento de jogos. Temos o exemplo de um criador que começou completamente independente e se tornou um "cidadão do mundo", o Guilherme "rdein" Martins; temos também Lucas Carvalho e Rafael Gatti, fudadores de um estúdio bem sucedido o suficiente para despertar o interesse de uma produtora internacional e ser comprado, resultando no Modus Games Brazil; e conversamos ainda com Vítor Malcher Ferreira, da Behold Studios, um exemplo de uma equipe que segue fazendo jogos no Brasil de maneira independente.

Quando era tudo mato

Guilherme "rdein" Martins começou a criar jogos quando tinha 12 anos, se levarmos em conta seus primeiros projetos no RPG Maker, que ele mesmo considera terríveis. O criador da série de jogos Momodora e fundador do estúdio Bombservice considera que seu primeiro jogo de verdade foi o primeiro Momodora, lançado em 2012, quando ele tinha apenas 17 anos.

Depois daquele primeiro game, sua prática foi se aperfeiçoando, com o lançamento de continuações até chegar em seu título mais recente, Minoria, o sucessor espiritual de Momodora e a atual estrela do JoGANdo até zerar.

Chamando a atenção dos gringos

O estúdio Balance Inc. foi fundado em 2011 em Brasília por uma iniciativa de colegas de faculdade. Apenas seis desenvolvedores se reuniram e começaram a "colocar a mão na massa" na criação de jogos mobile. Depois de alguns lançamentos e projetos que não chegaram às lojas, o pessoal do estúdio expandiu suas ambições com Override: Mech City Brawl, que já até mostramos aqui no Adrenaline em um de nossos gameplays.

O trabalho do estúdio foi tão interessante que até chamou a atenção da Modus Games, que decidiu comprar a pequena empresa e mudar seu nome para Modus Games Brazil. A mesma equipe foi mantida e dois de seus fundadores - Lucas Carvalho e Rafael Gatti - reservaram um pouco de seu tempo para conversar com a gente numa entrevista.

Fidelidade às raízes

A Behold Studios foi incubada na Universidade de Brasília e passou por um processo interessante. A empresa começou como um grupo menor e com um propósito bem diferente do atual, trabalhando com encomendas de outras companhias e projetos do gênero. Segundo Vítor Malcher, o estúdio basicamente passou por um processo de "renascimento" para se voltar para a criação de games e projetos que realmente interessavam seus criadores.

A ideia por trás da Behold agora é trabalhar com produtos autorais e ajudar no mercado nacional de games. Eles tentam dar um "toque de Brasil" em seus lançamentos e no seu canal do YouTube os devs chegam a publicar vídeos e lives comentando sobre a vida de desenvolvedor, suas alegrias e dificuldades, o que é muito interessante.

Brasil, mostra a sua cara

Neste artigo tentei trazer três experiências bem diferentes da vida de brasileiros que tentaram se aventurar no mundo da criação de jogos. O que as três tinham em comum? Tiveram que correr atrás.

O mercado de desenvolvimento de games no Brasil está crescendo, mas ainda está longe de poder ser considerado grande ou relevante. Muitos dos estúdios, ainda pequenos, dependem de investimento, seja do governo ou através de projetos de crowdfunding, para fazer seus games. Assim, não é fácil ter vagas em empresas já estabelecidas para novos interessados.

O jeito para se aventurar na área, segundo os relatos de nossas entrevistas, é realmente "dar a cara a tapa". Tentar se aventurar na criação dos games, participar de Game Jams, conhecer outros desenvolvedores, fazer contatos. Resumindo, arregaçar as mangas e dar murro em ponta de faca até ela entortar.

É possível que você acabe chamando a atenção da comunidade sozinho e se torne o próximo Rdein, ou que encontre outros aspirantes a desenvolvedor e crie sua própria Behold Studios ou Balance Inc. O importante é tentar e aproveitar este momento do mercado onde você vai encontrar muitos outros devs prontos para ajudar e acolher mais uma pessoa tentando aumentar a comunidade.

  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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