Vale a pena jogar em ultrawide? Vou precisar de uma placa de vídeo nova?

A experiência mais imersiva e com mais espaço de tela é bem interessante, mas e o desempenho?
Por Diego Kerber 05/06/2019 21:21 | atualizado 31/10/2019 17:35 Comentários Reportar erro

Por muito tempo o formato 16:9, conhecido como widescreen, vem dominando os monitores dos PCs gamers. De acordo com dados do Steam, os sistemas com monitores ultrawide (somando as resolução 2560 x 1080 e 3440 x 1440) são pouco mais de 1% dos setups dos gamers. Com tão pouca gente apostando nessas telas mais "alongadas", faz sentido ter um PC com esse tipo de monitor? E, para quem decidiu que sim, o quanto a mais de hardware será preciso para dar conta desses pixels a mais na tela? Nesse artigo vamos tentar resolver essas e outras questões!

Vídeo

Vale a pena?

Aumentar a tela dos 16:9 para os 21:9 aumenta o campo de visão nas laterais. O primeiro fator para considerarmos é a qualidade de nossa visão nesse espaço adicional de tela, e a verdade é que não vamos ter um aproveitamento com o mesmo grau de eficiência que o centro da tela, e o motivo é que nossa visão degrada rapidamente na medida que consideramos um ângulo mais aberto em relação ao ponto central da visão.

Nossa visão tem o máximo de precisão em um campo bastante limitado de 3 a 5º, com 20º sendo eficientes para leitura, 40º para reconhecimento de símbolos, 60º para cores. Até 120º temos ambos os olhos atuando, e abrindo mais que isso, já passamos a ter um objeto apenas no campo de visão de um dos olhos, e uma imagem bastante limitada.

É óbvio que a cabeça do gamer não é fixa, e movemos os olhos e até mesmo giramos a cabeça enquanto jogamos, mas o interessante é que mesmo considerando que você fique completamente fixo no ponto central, a área adicionada pelo ultrawide ainda incorpora imagens em uma área do campo de visão que estará no campo binocular, ou seja, que ambos os olhos enxergam e, principalmente, mesmo que não incorporem mais uma visão nítida do objeto e até mesmo suas cores, ainda será possível para o gamer "perceber" que algo se moveu ou apareceu nessa área adicional da tela.

Mesmo sendo menos eficiente, ainda "vemos"
informações captadas pelos cantos de nossos olhos

Não é a toa que há games competitivos que não permitem que jogadores usem a proporção 21:9, pois justamente ela amplia seu campo de visão. Isso pode fazer com que você perceba a aproximação de um inimigo alguns milissegundos mais cedo, ou até mesmo perceber outro jogador em um local que no monitor 16:9 nem seria exibido.

Uma boa forma de testar isso é usar seu monitor ou TV de casa. Mantenha seu olhar fixo no centro da tela, e use a mão como referência, partindo do centro do campo visual até as bordas. Você notará que rapidamente vai degradando a qualidade com que você enxerga os detalhes, e em situações mais extremas, você nem vai mais conseguir entender suar formas., Porém o movimento ainda vai ser processador por sua mente, e vai dar pra saber que "tem algo se movendo ali" em ângulos bastante abertos, até enfim desaparecer em definitivo em alguma altura entre os 180º a 220º, na maioria das pessoas.

Análise: BenQ Zowie XL2546

Mas não é só na parte competitiva que é relevante esse espaço a mais nas laterais. O ultrawide aumenta a imersão já que, obviamente, ele aumenta o quanto do que você enxerga é parte do jogo. Nós testamos recentemente um monitor, o BenQ Zowie XL2546, que trazia um curioso acessório para ajudar nisso: duas abas pretas para "bloquear" mais do mundo real, nas laterais do campo de visão. Um monitor ultrawide vai além de esconder mais do mundo real, ele preenche ainda mais seu campo de visão com o game. Outro ponto importante de destacar: é nos monitores que vejo o maior sentido em uma tela curva, já que a curvatura otimiza esse posicionamento do conteúdo em torno do usuário.

Ultrawide é excelente para maior imersão

E para trabalho?

Para trabalhar, a tela ultrawide também acaba sendo mais eficiente por um simples motivo: quanto maior o tamanho da tela e mais pixels disponíveis, mais espaço a pessoa tem para trabalhar. Alguns softwares inclusive ajudam o consumidor a dividir as áreas de um monitor mais largo, como dá pra ver nesse vídeo abaixo:

Então no campo de produtividade, entre comprar um monitor mais largo ou usar um mais largo, fica por conta do consumidor definir sua preferência. Há quem prefira compartimentalizar (um monitor principal, outro com vídeos ou redes sociais, por exemplo), há os que vão preferir essa realidade "sem fronteiras" de um monitor mais longo.

Mais tela é também mais espaço para trabalhar

Mas sem dúvidas temos vantagens em um monitor ultrawide frente ao formato tradicional. Com mais pixels e mais área de display, esses 33% mais monitor são suficientes para encaixar mais alguma coisa bastante vertical, ou para dividir no meio a tela com dois conteúdos que terão bastante espaço. Dependendo de sua rotina de trabalho ou uso do computador, isso faz diferença.

Performance

Colocamos em ação um sistema de altíssimo desempenho, alternando entre resolução 16:9 e 21:9 tanto em QuadHD (1440p) quanto FullHD (1080p). Fizemos o teste com os seguintes hardwares:

 

Para os testes usamos três games: Battlefield V, Shadow of the Tomb Raider e Forza Horizon. Tivemos os seguintes resultados:

Apesar de variações, dá para notar um certo padrão: a queda de desempenho é próximo de 15% quando trocamos do 16:9 para o 21:9, algo bem positivo se considerarmos que adicionamos 33% mais pixels na tela. Isso também não significa um impacto gigantesco em performance na prática, com a experiência não sendo muito diferente já que não são tantos quadros por segundo a menos.

Para compensar essa diferença, e manter o nível de desempenho, fica difícil dar uma sugestão direta como "comprar uma placa um nível acima", se comparado com o que seria necessário para o 16:9. Isso acontece porque tanto AMD quanto Nvidia tem diferenças inconstantes em seus line-ups, com saltos como acontece entre a GTX 1650 para a GTX 1660, por exemplo, mas diferenças modestas como a RX 580 para RX 590.

Tentamos um segundo caminho: ao invés de comprar um hardware mais potente, quanta qualidade é preciso reduzir para recuperar esse desempenho perdido? Tentamos dois cenários: baixar o pre-set completo do Ultra para o Alto, e tentamos só retirar um filtro, no caso a oclusão de ambiente.

O resultado é que baixar o pre-set inteiro pode ser até exagero, dependendo do jogo. Em geral ajustes menores devem ser suficientes, então esses 15% de perda de desempenho não necessitam de mudanças muito drásticas nos ajustes gráficos, sendo que o jogador pode nem notar a diferença da qualidade final depois de reduzir um pouco dessa qualidade, mas com certeza deve notar o campo maior de visão que terá nessa proporção adicional de tela.

Veredito

Apesar de não ser popular, o formato 21:9 não sofre daqueles maus crônicos de produtos de nicho, como combinações de placas, em que muitas desenvolvedoras e softwares simplesmente não trazem suporte. Ao longo de nossos testes todas as principais franquias recentes tem suporte ao ultrawide, seja no lançamento, seja adicionado posteriormente. Algumas exceções acabam sendo corrigidas via mods, mas no geral você só vai ter coisas pontuais, como cutscenes, ainda limitadas ao 16:9. 

A experiência da tela ultrawide é bem interessante, e compensa a necessidade de um pouco mais de desempenho

Do ponto de vista da necessidade do upgrade de hardware, o impacto é bastante baixo. A perda de 15% pode quase nem ser sentida pelo jogador dependendo do nível de desempenho que o sistema está rodando, e em compensação a imersão muito maior de ter um campo de visão "mais povoado" pelo game com certeza compensam essa perda.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".