O futuro é Battle Royale? O que os números de Apex Legends, Fortnite e PUBG nos dizem

Jogos no estilo Battle Royale, ou que tenham ao menos um modo de jogo com o recurso, devem somar uma renda de mais de US$ 20 bilhões em 2019, o que representa em torno de 12% de todo o faturamento estimado para os games digitais este ano. Esses são dados sendo divulgados pelo site de pesquisas de dados SuperData, que noticiamos no último dia 9. Confira abaixo, o gráfico feito pelos pesquisadores:

Goste ou não do gênero, quando um tipo de game alcança números assim, seu impacto acaba sendo inevitável para todos os jogadores, ainda mais os fãs de jogos de tiro, como indica este outro gráfico, também organizado pelo pessoal da SuperData:

Os dados acima mostram as porcentagens de jogadores que responderam qual gênero mais jogavam antes de ter o Battle Royale como opção número um. Como seria de se esperar, a maioria vem de outros jogos de tiro. 

Vamos falar dos números dos três principais representantes do gênero na atualidade, para dar um melhor panorama da febre que se tornou esse estilo de jogo:

PlayerUnknown's Battlegrounds (PUBG)

PUBG é considerado um precursor do gênero Battle Royale. O game começou como um mod de H1Z1, para depois se tornar um standalone. PlayerUnknown, inclusive, é o apelido de Brendan Greene, o primeiro desenvolvedor do game. O título foi disponibilizado no formato de early access na Steam em março de 2017, e começou seu sucesso esmagador antes mesmo de ser considerado um produto finalizado. O jogo teve o maior pico de jogadores ativos da história da plataforma da Valve quando alcançou 1,3 milhão. Mas o game quebrou o próprio recorde, alcançando uma máxima de mais de 3 milhões de jogadores ativos, segundo o SteamDB

Atualmente esses números caíram um bom tanto, devido à concorrência. Mas, de acordo com dados de junho de 2018, o jogo ainda é o quinto game mais vendido do mundo, com 50 milhões de cópias distribuídas (Forbes). Além disso, uma estimativa do último mês de dezembro aponta que o game mantém a mesma quantidade de jogadores que Fortnite em dispositivos móveis, onde o jogo é gratuito. Segundo a produtora informou ao site The Verge, PUBG tem mais de 200 milhões de jogadores em smartphones, assim como seu principal rival, bem como a estimativa de 30 milhões de usuários ativos diariamente na plataforma.

Fortnite

Fortnite foi lançado pela Epic Games em julho de 2017 mais como uma maneira de promover sua Unreal Engine do que como uma tentativa de sucesso propriamente dito. Mas, observando a ascensão vertiginosa de PUBG, a desenvolvedora decidiu criar um modo Battle Royale para seu game também, que chegou em setembro do mesmo ano. O game, no entanto, teve uma diferença central que seria determinante em seu sucesso: ele é gratuito.

Além de poder ser baixado de graça, o jogo foi lançado imediatamente em mais plataformas, indo para o Xbox One e o PS4 junto com o PC logo no lançamento e, depois, para iOS e Android, chegando até ao Switch no ano passado.

Em comparação, PUBG chegou ao Xbox One em dezembro de 2017 e a versão para dispositivos móveis, o PUBG Mobile, foi lançado apenas na China em fevereiro de 2018, com seu lançamento mundial ocorrendo somente em março. O jogo só foi parar no PS4 em dezembro de 2018 e ainda não está no Nintendo Switch.

É por isso que o título alcançou algumas marcas incríveis, como o título de free to play mais lucrativo de 2018, com uma renda estimada de US$ 2,4 bilhões. É por isso, também, que o DJ Marshmello fez um show dentro do jogo, que resultou num pico de 10 milhões de jogadores ativos simultaneamente.

Apex Legends

Parece, no entanto, que a coroa do reinado no mundo dos Battle Royale já vai saltar de cabeça novamente. Como a tática de ser gratuito já estava funcionando para Fortnite, a ideia da EA para promover Apex Legends foi, na verdade, não promover o game. O jogo simplesmente apareceu de surpresa um dia, sem anúncios, só foi disponibilizado para download de uma vez e tomou a comunidade de gamer. Em apenas oito horas, o jogo já tinha um milhão de downloads. Um mês depois de seu lançamento, Apex Legends estava comemorando a marca de 50 milhões de jogadores. E isso tudo estando disponível apenas no PC, no PS4 e Xbox One.

Mas claro que a tática de promoção do jogo não foi apenas chegar de surpresa. O papel dos streamers na divulgação dos jogos é um dos aspectos mais importantes do sucesso arrebatador do gênero Battle Royale e isso não participou despercebido pela EA. A produtora teria investido uma nota considerável para Tyler Blevins, conhecido como "Ninja", promover o game em suas lives. O streamer é considerado um dos maiores do mundo justamente por causa de suas jogatinas com Fortnite.

E o resultado disso não se reflete apenas no número de jogadores, mas também na disputa pelo espaço nas telas das pessoas. Apex Legends conseguiu desbancar Fortnite nisso também, e hoje ocupa a posição do game com mais horas assistidas num dia na Twitch.

E o futuro?

Números assim não passam despercebidos pelas produtoras de games. Quem gosta de games de tiro, mas não é fã do Battle Royale, acaba tendo que conviver com o gênero de alguma maneira. COD: Black Ops 4 estreou seu modo Blackout e os jogadores estão esperando o update que vai trazer Firestorm para o Battlefield V, anunciado desde antes do lançamento do jogo.

Perguntar se um jogo vai ganhar um modo Battle Royale já virou um meme, mas não deixa de ser verdade. O sucesso do gênero está fazendo ele aparecer mesmo em games que não são essencialmente de tiro, como apontado pela própria SuperData no gráfico mostrado no início deste artigo. 

É um tanto difícil prever o futuro do Battle Royale, já que o gênero está tão diretamente ligado à sua hype. A popularidade do estilo está diretamente amarrada ao fato de cada game que é a febre do momento, dominando as transmissões dos principais streamers de jogos do mundo. Esse é o tipo de dinâmica que às vezes simplesmente "morre". Mas ainda é seguro prever que isso não deve acontecer em 2019 e é bom se preparar para ver o gênero e suas variáveis aparecendo em todo tipo de jogo que tenha o multiplayer como sua principal mecânica.

Fonte: SuperData
  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.