8 anos de evolução da GeForce: da GTX 480 a RTX 2080 testadas!

Já faz um tempinho que a gente analisa placas de vídeo, e com os testes da nova geração de placas da Nvidia por aqui, decidimos dar uma olhada em nossos arcabouços e outros depósitos esquecidos aqui do Adrenaline atrás de placas mais antigas. Retirando a poeira de alguns modelos e literalmente remontando alguns, conseguimos levantar mais de oito anos de modelos Nvidia. Alguém aí afim de um comparativo? Será que as placas antigas ainda sevem para algo hoje em dia? Vamos descobrir!

Os modelos testados são quase todos os projetos referência da própria Nvidia. A exceção é a GTX 580, que só temos disponível atualmente na versão Lightning Xtreme Edition da MSI. Para tornar mais justo o comparativo, mexemos na frequência para que ela opere nos valores do modelo referência. 

 
GTX 480
 
GTX 580
 
GTX 680
 
GTX 780
 
GTX 980
 
GTX 1080
 
RTX 2080
                           
Lançamento 2010   2010   2012   2013   2014   2016   2018
                           
Microarquitetura Fermi   Fermi
2.0
  Kepler   Kepler   Maxwell
2.0
  Pascal   Turing
                           
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Curiosidades

Alguns destaques ao longo dessa trajetória dos modelos referência:

- Nós conseguiríamos voltar ainda mais duas gerações nesse comparativo, já que temos por aqui uma GTX 280 (2008) e uma 9800 GTX (2008). Mas aí uma coisa ia complicar nossa vida: elas não tem suporte a DirectX 11! Com suporte apenas ao DX10, não tem como colocá-las na disputa em nenhum game ou software da bateria de testes...

- A placa mais antiga que vamos achar análise no Adrenaline é a 8800 GTX, postada lá no fórum em 2009, postada pelo usuário "The Godfather". Ele fez o comparativo de desempenho com a ATi X1950 XTX, e dessa geração nós temos sim uma placa aqui e já até usamos em um vídeo a um tempinho atrás.

- A GTX 480, a primeira placa do comparativo, é a mais problemática de todas, apresentando alto consumo e bastante aquecimento. Não é a toa que a GTX 580 vem logo na sequência, no mesmo ano, fazendo vários refinamentos nesse aspecto.

- O sistema referência se saía tão mal na GTX 480 que não é à toa que temos um artigo mostrando a troca por um sistema de outra empresa.  

- Entre os destaques da GTX 480 estava o suporte ao software de conversão de vídeo Badaboom. Seu destaque é que ele usava a GPU ao invés do processador para tornar o processo mais ágil.

- Na época das GTX 400, uma das tecnologias que a Nvidia tentou emplacar foi o 3D vision, uma tecnologia de 3D estereoscópico que... bem, obviamente não pegou. A gente até tem análise desses óculos aqui no Adrenaline. Outra tecnologia bastante destacada era o PhysX, tecnologia de processamento de física nos jogos incorporada as placas da Nvidia depois da compra da AGEIA em 2008. Eu lembro essa tecnologia como recurso que fazia o Mafia II travar no meu PC com a Radeon HD 6850.

- A GTX 680 é a primeira a reduzir dos 40 aos 28 nanômetros, e a empresa ficaria usando por 4 anos essa litografia nas Geforces.

- A GTX 780 é a primeira a mudar a carcaça do plástico para o acabamento metálico, que hoje é o padrão das placas referência e Founders Edition.

- Não existe a série 800, assim como não existe a série 300 da GeForce GTX. Só existem alguns chips 800M, voltados a notebooks.

- A GTX 980 representa o maior salto em eficiência energética, tanto que é o modelo que derruba o TDP dos 250W da GTX 780 para 165W. 

- Por conta da maior eficiência energética, a série 900 é a primeira em que temos modelos de chips gráficos idênticos em desktops e notebooks, algo que se torna norma na série 10.

- A série 10 introduz as Founders Edition, placas com design da própria Nvidia, lançadas antes de modelos customizados e com um custo mais elevado. 

- A RTX 2080 traz dois marcos: é a primeira a introduzir duas novas estruturas, os RT Cores e os Tensor Cores, um especializado em acelerar processos do Ray Tracing e outro em matrizes, algo importante para o Deep Learning.

- A RTX também é a primeira a usar um sistema mais robusto de resfriamento, com duas ventoinhas e excelentes níveis de produção de ruído e aquecimento. Isso novamente empurrar os preços para valores mais altos.

Sistema utilizado

Utilizamos uma máquina topo de linha baseada em uma mainboard ASUS X99 String Gaming com processador Intel Core i7-6950X e 32GB de memórias através de 4 módulos de 8GB em quad-channel e frequência de 3000MHz. A ideia é evitar que o sistema seja um limitador para o desempenho das placas de vídeo testadas.

Abaixo algumas fotos da placa instalada no sistema utilizado para os testes.

Mais abaixo, os detalhes da máquina, sistema operacional, drivers e softwares/games utilizados nos testes.

Máquina utilizada nos testes:
- Processador Intel Core i7-6950X - Análise
- Placa-mãe Asus X99 Strix - Análise
- Kit de memórias Kingston HyperX Predator DDR4 32GB 3000Hz (4x8GB) - Análise
- SSD Kingston HyperX Savage 240GB - Análise
- SSHD Seagate 2TB SATA3 - Site oficial
- Sistema de refrigeração liquida Thermaltake Water 3.0 Riing RGB 280 - Site oficial
- Fonte de energia Thermaltake Toughpower DPS G RGB 850W Gold - Site oficial
- Gabinete Thermaltake Core P3 - Site oficial
- Monitor Samsung U28E590D 4K 60Hz - Site oficial

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 Pro 64 Bits Creators Update
- NVIDIA GeForce 411.51 / 391.35

Aplicativos/Games:
- 3DMark (DX11/DX12)
- Assassin´s Creed Origins (DX11)
- Battlefield 1 (DX11)
- Grand Theft Auto 5 (DX11)
- Middle-Earth Shador of War (DX11)
- Project Cars 2 (DX11)
- Shadow of Tomb Raider (DX12)
- The Division (DX12)
- The Witcher 3 (DX11)

GPU-Z
Abaixo a tela principal do GPU-Z mostrando algumas das principais características técnicas de cada um dos modelos, sendo a primeira da nova RTX 2080 e depois das demais placas:

OBS.: Destacamos que a GTX 580 é um modelo overclockado da MSI, para os testes simplesmente fizemos um underclock a fim da placa entregar o mesmo desempenho de um modelo com clocks referência.


Consumo de energia


Também fizemos testes de consumo de energia com todas as placas comparadas. Todos os testes foram feitos em cima da máquina utilizada na análise, o que dá a noção exata do que cada VGA consome. Vale destacar que o valor é o consumo total da máquina e não apenas da placa de vídeo. Dessa forma, comparações com testes de outros sites podem dar resultados bem diferentes.

Para o teste de carga, rodamos o 3DMark - aplicativo que exige um pouco mais do sistema e da placa de vídeo do que grande maioria dos games.

OBS.: No teste rodando o aplicativo 3DMark, consideramos 10W como margem de erro, devido a variação que acontece testando uma mesma placa.


Temperatura


Iniciamos nossa bateria de testes com um critério muito importante: a temperatura do chip, tanto em modo ocioso como em uso contínuo.

Para o teste da placa em uso, medimos o pico de temperatura durante os testes do 3DMark rodando em modo contínuo.

OBS.: As temperaturas podem variar bastante de acordo com a região do país, sistema onde a placa está instalada e teste utilizado.


3DMark


Começamos pelos testes sintéticos, utilizando aplicativos específicos para medir o desempenho das placas.

3DMark
Rodamos a versão mais recente do aplicativo da Futuremark com três testes, o Fire Strike em modo normal e também em modo 4K além do novo Time Spy baseado em API DirectX 12. Abaixo, os resultados:

Abaixo o novo teste Time Spy que roda sobre a API DirectX 12:


Testes em games


Agora vamos ao que realmente importa: os testes de desempenho em alguns dos principais games do mercado.

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: acima de 60fps é o ideal para monitores que operam nessa frequência. Quanto mais próximo dos 30fps, pior vai ficando a fluidez e, abaixo dos 30, o jogo começa a ficar "não jogável"


Assassin´s Creed Origins
Assassin's Creed Origins representa o retorno da importante franquia após uma pausa de dois anos. O jogo desenvolvido pela Ubisoft Montreal utiliza o motor gráfico AnvilNext 2.0 e é baseada em DX11, com belos gráficos que representam um desafio e tanto para placas de vídeo. Por conta da complexidade das cidades e vilarejos o jogo também não facilita a vida dos processadores, que passam trabalho para lidar com tanta arquitetura e também pessoas ativas pelo mapa.


Battlefield 1
Como um dos games com a melhor qualidade gráfica já lançados, não teria como deixar ele de fora de nossa bateria de testes. Sendo assim, abaixo estão o comportamento das placas rodando o novo game da DICE.


Grand Theft Auto V
GTA V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques ótima qualidade gráfica. Confiram abaixo o comportamento das placas rodando o game:


Middle-Earth Shadow of War
Desenvolvido pela Monolith Productions e distribuído pela Warner Bros. Entertainment, Shadow of War é a continuação do bem-sucedido Sombras de Mordor, game que se destacou por uma excelente otimização.  Seu motor gráfico é o LithTech, e o jogo roda em DX11.


Project Cars 2
O game de corrida é desenvolvido pela Slightly Mad Studios e traz entre seus principais destaques a LiveTrack 3.0, um motor gráfico que promete interações realistas com condições climáticas, algo que é utilizado em nosso teste ao simular uma tempestade durante a corrida. O game é baseado em DX11 e está disponível no PC, Xbox One e Playstation 4.


Shadow of Tomb Raider
O mais recente game da franquia da Lara Croft, Shadow of Tomb Raider traz ótimos gráficos, prometendo muito das placas de vídeo, mesmo os modelos de alta performance. O game também tem suporte a DirectX 12 e será um dos primeiros a suportar a tecnologia Ray Tracing.


Tom Clancy's The Division
O game da Ubisoft é uma proposta bastante ambiciosa de criar uma Nova Iorque "viva" em partidas com multiplayer totalmente online. The Division usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, e precisa lidar com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela, com destaque para a neve que ocasionalmente cai em alguns momentos. Com suporte a DX12 adicionado posteriormente, utilizamos essa API para nossa bateria de testes.


The Witcher 3 Wild Hunt
The Witcher 3 chegou como nova referência em qualidade gráfica para PC, sendo um dos games mais interessantes da atualidade para medir desempenho de placas de vídeo. O game é baseado em DX11.


Compilando nossos resultados dá para ver o longo caminho que as placas Geforce fizeram. Em alguns games, é "forçar a barra" tentar colocar as GTX 480 e 580 no mesmo gráfico que as demais placas, já que em alguns casos nem foi possível rodar os testes, em outros as duas placas não conseguiram nem alcançar a média de 30fps. O 1.5GB de memória com certeza tem um papel importante no "estrangulamento" desses dois modelos.

Olhando no aspecto consumo de energia, o grande destaque foi a evolução da GTX 980. A placa da série 900 só consumiu mais que as GPUs da série 600 e anteriores, modelos que contam com a metade do número de transistores. Tanto a série 10 quanto a série 20 subiram um pouco o consumo, mas graças ao ganho de desempenho maior que essa diferença elas conseguiram entregar uma relação performance por watt consumido superior, sendo assim mais eficientes.

Falando em performance, o maior salto aconteceu entre a GTX 980 e 1080, com ganhos geralmente situados entre 40 a 70%. O menor ganho aconteceu entre a GTX 480 e 580 pois além de serem lançadas em um curto intervalo de tempo, elas estão sendo esmagadas por sua baixa quantidade de memória. Na época que publicamos a review da GTX 580, e que a bateria de testes era obviamente bem mais compatível com o desempenho dessas GPUs, o ganho foi de modestos 15 a 20%. Se olharmos a disputa entre a GTX 480 e a RTX 2080, falamos de diferenças acima dos 1000%, em alguns casos.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".

  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh