eGPU em notebooks: fizemos no modo gambiarra e mostramos como fica a performance pra vocês!

Uma geração de produtos com docks externos chegou ao mercado, enfim implementando um sonho de alguns consumidores: a possibilidade de utilizar o potencial de uma placa de vídeo de desktop em seus notebooks, quando em casa. A ideia não é nova, mas enfim parece que será levada a sério por fabricantes como Razer e Alienware. O problema é que essa tecnologia está muito restrita a essas marcas, com um número bastante limitado de notebooks compatíveis e, pior, muitas vezes operando apenas com padrões proprietários.

Aceleramos um notebook com uma GTX 1080 externa: veja a performance do amplificador gráfico da Alienware!

Para quem quer implementar uma eGPU (external GPU, ou em tradução livre uma GPU externa) sem ficar preso a esses padrões, tem um jeitinho: acessórios disponíveis em sites internacionais (principalmente chineses) trazem a possibilidade de usar uma placa de vídeo em praticamente qualquer notebook. Quer dizer, na maioria dos casos. Vamos encarar essa gambiarra e mostrar pra vocês os caminho das pedras!

Venda do adaptador eGPU (sem fonte) na Gearbest

Gadget da gambiarra

EXP GDC é o acessório que iremos utilizar para essa empreitada. Ele opera com a conexão mini-PCIe, sendo que há outros modelos com ExpressCard (foto abaixo), uma conexão praticamente inexistente hoje em dia em notebooks. O mini-PCIe, por sua vez, está presente em praticamente todos os aparelhos, mas com um inconveniente: não é acessível da parte de fora, o que significa que para utilizá-la, obrigatoriamente temos que abrir o notebook.


Com ExpressCard dava para conectar novas placas sem abrir o notebook, mas essa tecnologia caiu em desuso

Utilizamos para nossos testes o Avell B155, modelo equipado com um chip gráfico Geforce GTX 850M. Já de cara vamos encontrar um problema e tanto: como acontece em praticamente qualquer aparelho, o slot mini PCIExpress é acessível apenas abrindo o notebook, e o segundo problema já fica evidente logo na sequência: esse slot já é utilizado, nesse e também na maioria dos notebooks, por uma placa de WiFi/Bluetooth. Além de precisar abrí-lo, o Avell vai ficar sem as tecnologias de conexão wireless enquanto usamos a eGPU.


Apesar de muito parecidas, não confunda a conexão mSATA (da esquerda) com a conexão mini PCIExpress

Começamos mal. Além ser obrigatório abrir o notebook, perdemos o WiFi e o Bluetooth pra poder usar a placa externa

Outro inconveniente é a restrição de linhas PCI. Em uma conexão mini PCIExpress nós temos apenas uma linha (lane) disponível (PCIExpress x1), bem longe do ideal para placas de vídeo que costumam recomendar x8 ou ate x16! Isso significa que temos um sério gargalo na comunicação da placa de vídeo com os demais componentes do PC. Falando em outros componentes do PC, outro gargalo: processadores de notebook costumam ser mais modestos que os modelos de desktop, o que significa que mesmo um Core i7, por exemplo, em alguns modelos pode ser apenas dual-core. Mesmo quando possuem a mesma quantidade de núcleos, as CPUs nos laptops costumam operar em clocks mais tímidos que os vistos em computadores tradicionais.

Dois gargalos sérios: processador de notebook é menos potente e a conexão mini PCIe só entrega X1

Conexão mini PCIExpress que vai no notebook (esquerda) e HDMI (!?) que vai no dock

 

Tentando não limitar muito nossos testes, o notebook da Avell desse utilizado conta com especificações bastante avançadas:

- CPU Intel Core i7 4710MQ
- 16GB de memória RAM (2x8GB)
 

E para comparar os resultados, quatro placas (duas Nvidia e duas AMD) em patamares diferentes de desempenho:

- PNY GeForce GTX 750 Ti 2GB - Análise
- PowerColor Radeon RX 460 2GB Red Dragon
- AMD Radeon RX 480 8GB - Análise
- Gigabyte GeForce GTX 1080 G1 Gaming 8GB - Análise

Testes

 

Na nossa primeira rodada de testes já percebemos um padrão: colocar placas mais potentes trazem melhores resultados, mas fica evidente que progressivamente os vários gargalos dessa gambiarra vão causando perdas cada vez maiores de performance. Enquanto a GTX 750Ti e a RX 460 perdem 9 e 10% de seu desempenho respectivamente, comparado a resultado que entregavam em nosso PC de benchmarks (que usa os componentes mais poderosos disponíveis e, portanto, são nosso referencial de performance máxima dessas placas), colocar as mais potentes RX 480 e GTX 1080 vai tornando a discrepância cada vez maior, chegando a 22 e 54 %, respectivamente.

Será que o mesmo continuará acontecendo nos jogos?

O padrão que identificamos no 3DMark ficou ainda mais evidente nos games: as placas mais básicas sentem menos a perda de desempenho, porém placas potentes perdem muito de sua capacidade por conta dos múltiplos gargalos desse setup. Lembrando que temos um bom Core i7 e 16GB de RAM nesse modelo que utilizamos nos testes, então outros notebooks tem potencial para restringir ainda mais a capacidade das placas de vídeo. Games que se mostram mais exigentes em CPU (GTA e Deus EX) são os que mais "sentem" o impacto da nossa gâmbia.

Quanto mais potente a placa, mais performance é perdida nessa gambiarra

Conclusão

E aí, vale a pena? É bem complicado se levarmos em consideração todo o trabalho que é preparar essas configuração. A mobilidade é totalmente sabotada, e é preciso ficar abrindo e fechando o notebook toda vez que for ligar o dock. Pode fazer sentido em um aparelho que não é muito movido, mas caso você leve o seu computador para muitos lugares tende a se irritar com o processo de ficar encaixando e desencaixando sua placa wireless toda vez.

Outro fator importante é a performance. Foi possível ganhar desempenho nos jogos, mas é importante destacar que as placas não alcançam seu potencial completo. Com certeza a melhor pedida é partir para modelos de entrada, como a GTX 750 Ti e RX 460, que perderam 10% de seu potencial, pois os modelos mais parrudos chegaram a ter quedas acima dos 50%. Em termos de quadros por segundo, dá para jogar bem (exceção de Deus EX em que a coisa desandou) mas investir mais dinheiro na placa de vídeo traz cada vez menos resultado.

E falando em custos, o acessório em si custa na casa dos R$ 300 nos mercado livres da vida, enquanto sites internacionais cobram US$ 30. É importante destacar que o kit não inclui a fonte, o que encarece ainda mais esse conjunto, chegando a US$ 78 se você já comprar com uma fonte. O acessório também não inclui a placa de vídeo, algo que irá variar de acordo com o modelo que você decidir. Em nossos testes, temos o preço da GTX 750 Ti, RX 460, RX 480 e GTX 1080 na casa dos R$ 500, R$ 600, R$ 1.400 e R$ 3.200. Considerando todos esses custos, adquirir o notebook com uma placa de vídeo interna dedicada parece mais sensato, até mesmo em termos de performance. Olha como fica a performance se colocamos a Nvidia GeForce GTX 960M presente no Dell 15 Gaming para disputar com as placas de entrada (notebook com preço na casa dos R$ 5 mil) e um modelo Avell com GTX 1070 para "brigar" com as placas de alto desempenho (preço na casa dos R$ 8 mil):

Até dá para fazer mais barato com esse método, mas ainda é mais vantagem comprar um notebook com uma boa GPU interna dedicada

Fazendo as contas, é possível fazer combinações de bons notebooks com processadores Core i7 (existem modelos abaixo dos R$ 3 mil) com placas de vídeo e com esse acessório e conseguir resultados capazes de bater um notebook com placa de vídeo dedicada gastando menos, porém as margens não são grandes e o risco de encontrar gargalos é grande, principalmente devido a conexão mini PCIe. Tudo isso somado ao incômodo de precisar conectar e desconectar tudo cada vez que for levar o notebook para outro lugar torna a ideia inviável, exceto para você que tem um notebook muito parado em algum lugar e quer turbinar esse aparelho com mais potencial para os games. Nesses casos, uma placa de vídeo de entrada/intermediária pode ser uma boa pedida para tornar seu note capaz de encarar games mais leves ou rodando em FullHD com qualidade baixa/intermediária.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".