Entenda o que é o #GamerGate e o que você tem a ver com isso: Choose your destiny

Chegamos à terceira e última parte do nosso artigo (novela) sobre o #GamerGate. Quem perdeu as duas primeiras pode acessÁ-las aqui (Parte 1: A Depression Quest de Zoe Quinn) e aqui (Parte 2: Anita Sarkeesian vs. GamerGate). Agora que entendemos melhor o contexto em que essa hashtag começou a ser utilizada, estÁ na hora de explorarmos as suas consequências.

Como salientamos antes, o GamerGate, em si, é apenas uma hashtag e qualquer um pode usar. Isso vale tanto para tweets misóginos e ofensivos, como para tweets que realmente questionam a qualidade do jornalismo de games, ou para onde a cultura dos jogos se encaminha. E como qualquer outra hashtag, ele surge devagar, vira uma febre e, eventualmente, vai sumir. Por que o #GamerGate, então, ganhou proporções maiores? Por causa de suas consequências na vida real.

A desenvolvedora do game indie Revolution 60 e fundadora do pequeno estúdio Giant Spacekat, Brianna Wu tweetou um meme que tirava sarro do movimento no início deste mês. Essa foi a resposta que ela recebeu.

A moça e seu marido chegaram a deixar sua casa escoltados pela polícia. Além das ameaças de violência física, houve ataques consumados, na forma do famoso doxxing, a prÁtica de divulgar na internet informações particulares sobre a pessoa. Felicia Day, atriz norte-americana, foi vítima da mesma prÁtica minutos após se pronunciar sobre o #GamerGate.

Mas existe gente contra o movimento que age de maneira tão questionÁvel quanto. Abaixo, um exemplo de um usuÁrio se deu ao trabalho de criar uma conta fake no 4chan só pra instigar mais posicionamentos contra o #GamerGate.

JÁ hÁ algum tempo, o 4chan passou a banir todo o conteúdo relacionado ao movimento que migrou para o fórum 8chan.co/gg. Em uma passada rÁpida pela pÁgina inicial do site é possível ver que muitos membros se posicionam fortemente contra o assédio e banem qualquer usuÁrio que use desse meio ou que realize doxxing.

Muitos partidÁrios do #GamerGate têm se levantado contra o assédio de feministas, a favor da inclusividade e querem direcionar a discussão unicamente para a ética no jornalismo de games e o fortalecimento da "identidade gamer".

Mas esses usuÁrios aparecem menos. O #GamerGate, em sua própria concepção, não pode nunca ser organizado, nem ter uma lista de regras para seus usuÁrios seguirem. Isso tem gerado a desqualificação completa do movimento, jÁ que seus partidÁrios mais misóginos e violentos conseguem chamar mais a atenção na internet porque um tweet ameaçando alguém de estupro causa mais espanto do que um tweet pedindo por mais imparcialidade no jornalismo de games. De qualquer forma, por bem ou por mal, o movimento conseguiu chamar a atenção das pessoas para a questão ética do jornalismo e é sempre bom lembrar ao público gamer que notícias e anÁlises devem sempre ser recebidas com um senso crítico e posicionamento pessoal.

E o que você tem a ver com isso?

Seja a favor ou contra o movimento, posicione-se com os anti-feministas ou com os guerreiros da ética, o fato é que o barulho que o #GamerGate vem fazendo não pode ser ignorado. E não serÁ ignorado pelas desenvolvedoras. Posicionamentos que pedem por mais inclusão nos futuros lançamentos talvez influenciem nos jogos que por aí virão. 

O #GamerGate uma hora vai passar, mas as discussões sobre a cultura dos jogos só tendem a crescer. É impossível moldar o mundo sob a visão que se julga mais confortÁvel, as coisas vêm aos pacotes, elas têm consequências. Não se pode esperar que sua mãe pare de chamar seus games de "joguinho" sem levar em consideração a importância e o impacto que eles têm na cultura. Para termos mega produções e verdadeiras obras-primas em forma de jogos interativos, é necessÁrio aceitar também a magnitude que projetos assim ganham e tudo que toma um espaço maior na vida das pessoas eventualmente serÁ debatido sob um ponto de vista sócio-cultural. Games são cultura ou são joguinhos? Choose your destiny.

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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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