Do que é capaz a arquitetura Maxwell em notebooks? Veja a performance dos novos chips da Nvidia

A geração Maxwell de GPUs da Nvidia fez sua estreia nos modelos GTX 750 e 750Ti, que trouxeram um salto em otimização, com menos consumo, menos aquecimento e mais performance. Por mais que este tipo de evolução traga benefícios para os computadores de mesa, estas características são muito mais interessantes em outro ramo: os notebooks.

Por hora, apenas os chips de entrada da linha GTX 800M foram desenvolvidos na arquitetura Maxwell. As GPUs GTX 850M e GTX 860M (o segundo chip, em alguns modelos) virão com esta nova tecnologia, e nós testamos estes dois processadores grÁficos que equipam, respectivamente, os modelos  MSI GE60 Apache e Avell G1511 Max.

Artigo: Veja os novos recursos da geração 800 para notebooks da Nvidia 

Um detalhe importante: o modelo GTX 860M pode ser encontrado em duas arquiteturas: a nova e também na anterior, a Kepler. Por mais que seja discutível termos um mesmo nome para dois produtos distintos, a Nvidia promete uma performance próxima para os dois modelos. Porém, a nova arquitetura traz seus benefícios: o chip GTX 860M Maxwell  consegue o mesmo nível de desempenho com METADE dos núcleos CUDA que a versão Kepler, com um total de 640 versus 1.152 presentes na arquitetura mais antiga. O menor aquecimento e consumo de energia também garante uma frequência de operação mais alta, com 1.029 MHz de clock, contra os 797 MHz do chip GTX 860M Kepler.

Dito isso, vamos aos nossos benchmarks!

Benchmarks sintéticos 

Abrimos a série com testes sintéticos, através do 3DMark.

Neste primeiro benchmark, temos duas características bem diferentes: o teste Cloud Gate é muito mais leve, enquanto o Fire Strike é extremamente exigente, explorando ao mÁximo todos os recursos do DirectX 11 e, em praticamente todos os notebooks que jÁ testamos, roda com poucos quadros por segundo. Nestas duas situações, temos resultados diferentes: quando o teste é menos exigente, as placas de entrada com a arquitetura Maxwell equilibram o jogo com a topo de linha de duas gerações atrÁs, a GTX 680M. O chip mais parrudo da série 600 mostra mesmo seu valor quando colocamos algo extremamente pesado para ser executado. Aí, ela entrega quase 70% mais desempenho.

Na comparação direta entre o chip GTX 660M vs GTX 860M, dÁ para perceber um salto de quase 100%. Ou seja: comparado ao chip equivalente de duas gerações atrÁs, a GTX 860M consegue o dobro de desempenho.

No comparativo com a rival AMD, o topo de linha da geração passada – a Radeon HD 8970M – estÁ no mesmo patamar que estas placas com o chip Maxwell. 

Testes com jogos 

Na segunda rodada, vamos para algo mais prÁtico, afinal o que queremos mesmo que estas GPUs façam é rodar nossos games. Confira abaixo a performance nas franquias Tomb Raider e Bioshock.

Novamente os chips Maxwell GTX 850M e 860M passam raspando da "antiga topo de linha" GTX 680M, dependendo da situação. Com o game em alta qualidade e em Full HD, as GPUs de entrada foram capazes de alcançar um desempenho muito semelhante em Tomb Raider. A mesma situação dos benchmarks sintéticos também se repetiram aqui: quando forçamos mais, colocando tudo no ULTRA, a 680M abre mais vantagem. Mas hÁ um detalhe importante, com uma média de 40FPS, os chips Maxwell conseguem entregar uma peformance suficente para jogar Bioshock Infinite "no talo". Gamers mais sensatos, que dão mais importância para a fluidez dos jogos em detrimento da qualidade grÁfica, conseguirão rodar games em qualidade alta, em FullHD e com uma média próxima a 50FPS.

Na disputa com a rival AMD, os chips de entrada Maxwell voltam a brigar de forma equilibrada com a GPU topo de linha Radeon da geração passada, com diferenças de desempenho abaixo dos 5%. 

No comparativo com o chip Kepler de duas gerações atrÁs, a GTX 860M volta a entregar até o dobro de performance, quando exigimos mais dos componentes. Em nosso teste com o Bioshock, a diferença chega a um patamar que podemos afirmar que a GeForce GTX 860M pode rodar Bioshock Infinite "no talo", enquanto a GeForce GTX 660M, não

É sempre bom lembrar que FPS médios são apenas uma referência de performance. Diferentes jogadores, em diferentes games, podem considerar mais que suficiente uma média de FPS na casa dos 30 quadros por segundo para uma jogabilidade fluída, enquanto outra situação pode ser completamente desconfortÁvel se não ficar próximo dos 60. 

Conclusão

A geração Maxwell traz inovações importantes no consumo de energia, aquecimento e performance por watt consumido. Estes benefícios causam um impacto menor nos desktops, e poderão usufruir principalmente da vantagem de poder economizar na fonte para o sistema. Nos notebooks gamers, nós temos uma evolução em aspectos CRUCIAIS nestes aparelhos: o aquecimento é o principal responsÁvel pelos designs pouco compactos destes aparelhos, enquanto o consumo é o que torna a autonomia sofrível, e praticamente força os gamers a manterem seus aparelhos na tomada, na hora de jogar. 

Veja o Videocast com Ziebert, da Nvidia, explicando a arquitetura Maxwell

Diferente do que fazemos nos desktops, em notebooks não conseguimos uma comparação justa de consumo, pois cada sistema possui suas características, e é difícil comparar a autonomia com incertezas de que a diferença medida pode ser causada por outros fatores - como projetos de placas-mãe diferenciados, sistemas de resfriamento mais complexos, telas de diferentes tecnologias -  no lugar das mudanças na eficiência do chip grÁfico. Precisaríamos de dois notebooks idênticos, exceto na GPU, para garantir a acuidade deste teste.

De acordo com nossos testes, donos das novas placas Maxwell da Nvidia podem esperar por games em FullHD, em alta qualidade, e com FPS médio de 60 quadros por segundo. O famoso "rodar no talo", porém, irÁ trazer o desempenho para a zona dos 30 a 40FPS médios, que poderão ser confortÁveis para alguns jogadores, mas que aqueles que primam pela fluidez possivelmente irão evitar.

Comparado às gerações passadas, o salto da GTX 660M para 860M gira próximo a duas vezes, e em alguns momentos temos um equilíbrio com o chip GTX680M. Porém, quando somos mais exigentes, o topo de linha da geração 600M ainda mostra seu valor, e possui uma boa vantagem frente aos chips GTX 850M e GTX 860M. Na comparação com a rival, as GPUs Maxwell ficam em equilíbrio com o topo de linha da geração passada, o chip  Radeon HD 8970M.

Estes são ótimos resultados se considerarmos que falamos de placas de entrada da linha GTX, o que significa que veremos estes chips em notebooks relativamente leves, para o perfil de um notebook gamer, e também não tão caros, novamente dentro da realidade do mercado brasileiro de laptops para jogos. 

[+update:] Seguindo pedidos nos comentÁrios, estamos adicionando os notebooks utilizados como referência de cada placa, e também um benchmark em que adicionamos placas de desktop, para dar uma perspectiva da diferença entre as GPUs de PC e para notebooks.

AMD Radeon HD 8970 = MSI GX70
Nvidia GeForce GTX 660M = Lenovo Ideapad Y580
Nvidia GeForce GTX 680M = Avell G1511 = (Com apenas uma GTX 680M ativa)

Também fizemos uma correção no título do artigo. Valeu pelo aviso, David!

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".

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