O dia do Backup - A história do procedimento e como fazer o seu

Data comemorativa é algo que, definitivamente, não falta. Dia internacional da Língua Materna (12 de março), Dia Nacional do Cego (26 de julho), Dia do Armistício (11 de novembro)... A lista é extensa, e quando cruzamos isto com a cultura nerd, sugem o dia do Π (ou se preferir, do Pi) e datas como o Dia do Orgulho Nerd, comemorado em 25 de maio (data da première do primeiro filme da série Star Wars). No dia 25 é celebrado, também, o Dia da Toalha. "Selo Nerd de Qualidade" para quem souber o porquê (e se não souber, tudo bem, não entre em pânico).



Agora, se você cruzar datas comemorativas com nerds e com um pouco de auto-ajuda, temos o Dia Mundial do Backup, uma data criada para lembrar as pessoas da importância de tornar seus arquivos mais estimados "redundantes no mundo". A ideia, que surgiu no Reddit, ganhou força, e hoje tem até site oficial: http://www.worldbackupday.net/.

Inspirados por este objetivo nobre, nós aqui do Adrenaline decidimos criar uma coluna em homenagem a este dia, que ocorreu nesta quinta-feira (31/03). Afinal, mesmo que a "comemoração" jÁ tenha passado, todo dia é dia de fazer backup, não é mesmo? Vamos, então, dar uma volta pela história dos backups (ou, pelo menos, as partes que alguém fez cópia para a posteridade) e também falar um pouco das opções para quem quer fazer cópias de segurança dos conteúdos importantes de seu computador.

{break::Dos cartões perfurados aos HDs}A história do backup estÁ diretamente ligada à dos dispositivos de armazenamento e, portanto, às próprias origens da computação. Na década de 50, quando pesquisadores desenvolviam os primeiros computadores digitais da história, a forma predominante de guardar arquivos consistia nos cartões perfurados.

A origem desses cartões é ainda mais distante: os primeiros surgiram em no século XIX. Em 8 de janeiro de 1889, o doutor Herman Hollerith patenteou uma mÁquina elétrica para processamento de dados, equipamento que serviu como um artifício para realizar o censo nos Estados Unidos. Utilizando cartões perfurados com informações coletadas entre os entrevistados, a mÁquina de Hollerith criava tabulações automaticamente através dos impulsos elétricos que atuavam em cada perfuração. 



Até os anos 50, os equipamentos utilizaram os cartões perfurados para armazenar dados, uma vez que não existiam discos rígidos. Esses cartões também podiam ser guardados como cópias de reserva para restaurar dados perdidos. No entanto, não pense que esse método foi extinto.

Apesar de ter mais de um século de idade, o cartão perfurado foi "o astro" das eleições presidenciais americanas, em 2000. O partido democrata pediu a recontagem de votos no estado da Flórida, por considerar alto o número de votos anulados no estado. A justificativa do ocorrido: os cartões perfurados apresentaram problemas de leitura, por conta de uma falha na hora que foram perfurados. Em alguns casos, o papel continuou com pedaços presos após a perfuragem. Aí, não teve outro jeito: a contagem foi manual, e custou aproximadamente um milhão de dólares. Entre idas e vindas, com vÁrios recursos de ambos os partidos, o candidato democrata Al Gore aceitou a derrota para o republicano George W. Bush.



Apesar de estar em uso até hoje, o papel perfurado não impediu que surgissem outros meios de armazenar informações. Na década de 60, surgiram as fitas magnéticas, muito mais rÁpidas e eficientes: um rolo de fita poderia guardar informações equivalentes a dez mil cartões perfurados. Com um custo bem mais baixo em relação aos cartões, a tecnologia se tornou muito popular até meados dos anos 80 e também foi pioneira no processo de backup como conhecemos hoje.



Esse método, assim como o dos cartões perfurados, não morreu. Apesar de não estar presente em computadores domésticos, é a solução adotada por algumas mÁquinas de grande porte. Ao longo dos anos, foram desenvolvidos 36 formatos de fitas magnéticas, sendo que hoje existem modelos capazes de armazenar mais de 3 terabytes de dados sem compressão.


Drive moderno de fitas magnéticas da StorageTec


Paralelamente, a IBM desenvolvia os primeiros discos rígidos em 1956, com 5MB de espaço de armazenamento. O HD era parte integrante de um equipamento completo chamado IBM 350 RAMAC e tinha o tamanho aproximado de dois refrigeradores. A tecnologia, na época, ainda era cara e os discos eram grande demais e com pouco espaço de armazenamento, o que inviabilizava seu uso como solução de backup de segurança.


O primeiro disco rígido do mercado e...


...o sistema completo do qual fazia parte


A boa notícia é que o recurso foi rapidamente aprimorado ao longo dos anos e acabou por se tornar o padrão da indústria dos computadores pessoais assim que eles começaram a surgir no início dos anos 80. Em 1982, a Hitachi desenvolveu o primeiro HD com mais de 1GB de espaço. Hoje, nossos pendrives têm capacidades maiores do que essa, e HDs externos, bem como gavetas (cases) para HDs estão se popularizando como soluções rÁpidas, portÁteis e seguras de backup.

{break::Guardando arquivos no bolso}Com o tempo, levar arquivos por aí para copiar para o PC de um amigo, por exemplo, deixou de ser um absurdo com a invenção, em 1971, do disquete. Desenvolvidos pela IBM, os primeiros ainda não eram tão pequenos a ponto de caber no bolso: tinham oito polegadas. Além disso, não podiam ser regravados e tinham apenas 79,7KB de espaço disponível. Mas jÁ representaram uma boa evolução se comparados aos imensos e pesados discos rígidos ou aos rolos e mais rolos de fita magnética.


Praticamente o "LP dos disquetes"


Novos padrões surgiram depois. Em 1973, um disquete com as mesmas 8 polegadas jÁ era regravÁvel e armazenava 237KB de dados. Três anos depois, diversas empresas passaram a produzir os modelos de 5 ¼ polegadas que chegavam a ter até 1,2MB de espaço. E sabe como os engenheiros da Wang Laboratories, inventores dessa versão, determinaram o tamanho físico do disquete? Conversando em um bar. Discutindo sobre qual seria o tamanho ideal para a nova mídia, um deles apontou para um guardanapo de apoiar bebida e disse "mais ou menos desse jeito."



O disquete que ficou popular mesmo foi o de 3½ , criado pela Sony em 1981, com 400Kb. Pequeninhos o suficiente para caber em qualquer lugar, tornaram-se uma alternativa prÁtica, barata e conveniente para usuÁrios domésticos e gerentes de pequenas corporações realizarem suas cópias de segurança. Em 1987, o padrão ganhou 1,44MB de espaço, formato que foi bastante utilizado ao longo dos anos 90.

Alguns "superdisquetes" também surgiram nesse período. Eis aí a origem do Zip Drive, introduzido pela Iomega em 1994. Tratava-se, basicamente, de um drive para "disquetões", que podia ser interno ou externo. Esse método tornou-se muito eficiente para backups por unir a conveniência do tamanho dos discos (similares aos de 3½ , porém com uma carcaça mais robusta, o que tornava o modelo convencional incompatível com o Zip Drive) à alta capacidade de armazenamento, que chegava aos 700MB.



Mesmo com a evolução desta mídia, ela hoje é muito rara, tudo por conta de outra que surgiu mais ou menos no mesmo período do Zip Drive. Seu computador pode não ter um drive de disquete, mas é bem provÁvel que tenha o dispositivo necessÁrio para ler a próxima mídia da qual vamos falar.

{break::Mídias ópticas}A primeira das mídias ópticas foi o CD,  inventada muito antes dos Zip Drives, pela Sony e a Philips. Em 1979 a empresa jÁ fazia demonstrações rodando arquivos de Áudio, e em 1983 começaria a venda de players. Como mídia de armazenamento, porém, ainda iria uns bons anos para ganhar mercado, até o início dos anos 90, quando gradativamente os CDs gravÁveis (os CD-R) e, principalmente, as unidades gravadoras de CD caseiras, começaram a se popularizar.


O primeiro CD player do mundo, fabricado pela Philips


O CD é composto por quatro camadas, com a superior (onde é impressa as artes do CD), uma camada reflexiva de alumínio (esta faz o feixe de luz da leitora refletir), uma camada de acrílico (onde são gravados os dados) e, por fim, uma camada plÁstica (esta é a que você risca, e acaba estragando seu CD). A leitora lança feixes de luz, que são refletidos nos locais onde o acrílico foi perfurado. Locais que refletem devolvem o valor "1", enquanto os que não refletem são o "0", formando assim o código binÁrio. A leitora corre a mídia, enquanto o CD é girado para a leitura. Por isto o processo é sensível a trepidações, especialmente durante a gravação de dados.



Com 12 centímetros de diâmetro, na maioria dos casos, possui em torno de 700MB de espaço, muito acima dos 1,44MB dos disquetes e bem próximo das capacidade dos Zip Drives. Tornaria-se a mídia removível mais popular, especialmente por ser a sucessora do formato LP, como forma de distribuição de produtos da indústria musical. Como backup, ainda demoraria para se massificar, pelo alto custo das unidades gravadoras e das mídias. A partir da metade dos anos 90, a queda dos preços tornaria o CD uma opção acessível de backup, e empurrando os disquetes para o esquecimento.

Na sequência, viriam mídias ópticas com mais capacidade de dados, com o aumento do número de camadas, e maior compressão dos pontos de leitura. Inicialmente haviam dois grupos de empresas desenvolvendo tecnologias diferentes: o Multimedia Compact Disc (MMCD) e o Super Density Disc (SD).


DVD with lasers.


Com a pressão criada por diversos grupos, reclamando a falta de um padrão, por fim surgiria o DVD através de uma união entre os dois grupos desenvolvedores. Com memória de 4,7 GB na versão single-layer, e 8,5 GB na dual-layer. Com mais espaço, e o barateamento das mídias e das unidades gravadoras, os DVDs substituíram o CD como mídia óptica para backup. Dentro de um único disco, é possível armazenar os dados equivalentes a 90 milhões de cartões perfurados, seis mil disquetes e 4,5 mil fitas magnéticas em cassete.

O formato de mídia óptica mais moderno no mercado é o Blu-ray, que venceu o HD DVD na disputa pela "sucessão" do DVD. Com 25GB em mídias de uma camada, e 50GB nos discos dual-layer, ainda não é popular como mídia de backup, pelo alto custo de unidades gravadoras e dos discos. Hoje, tem como principal uso servir de forma de distribuição de filmes em FullHD, jÁ que o disco do blu-ray comporta até 4 horas de vídeo nesta qualidade. Como herança de "seu avô", o CD, os discos de blu-ray, assim como os DVDs, tem 12 centímetros de diâmetro.

Também como os CDs, blu-rays e DVDs não são mídias onde a armazenagem dos dados é Ágil. É preciso gravar os dados em processos menos versÁteis que o "copiar e colar" dos tempos do disquete. Também são sensíveis a movimentos bruscos durante a gravação dos dados, o que pode causar a perda dos dados de todo o disco. Por isto, surgiu um outro típo de mídia mais versÁtil, com a agilidade dos velhos disquetes. E mais recentemente surge outra que, pelo menos você, não vê mídia alguma.

{break::Uma nova geração: pendrives e nuvem}Os prÁticos pen drives, que começaram a ganhar o mercado próximo da virada do milênio, utilizam uma tecnologia inventada em 1980 pela Toshiba: a memória Flash. Comparado ao HD e as mídias ópticas (nem vamos por mais os cartões perfurados na discussão) ela é mais rÁpida, tem menor tempo latência (você acessa seus arquivos mais rÁpido) e é muito mais durÁvel, jÁ que não é preciso rotacionar a mídia para efetuar a leitura.

A tecnologia estÁ presente em outras mídias de armazenamento como os SSD, e para quem tem curiosidade de como funciona o processo de gravação dos dados, pode acessar esta pÁgina em que explicamos como operam. Diferente dos discos ópticos que são sensíveis a calor, luz e danos, e também os HDDs que possuem uma vida útil limitada pelo constante movimento de rotação dos discos internos, os pen drives tem longa duração, podendo passar de 10 anos de acordo com os cuidados do usuÁrio.

Isto acontece porque o que determina a durabilidade destes dispositivos é o número de ciclos de gravação feitos nos espaços de memória. Normalmente, um pen drive dura no mínimo 100 mil ciclos, com algumas marcas prometendo chegar a um milhão, até começar a se deteriorar. Passando deste número de ciclos, a unidade passa a  perder os espaços para alocar aquivos progressivamente até, por fim, corromper completamente.

Os pen drives podem ser uma boa opção para backup, graças a boa durabilidade caso não seja alterado constantemente os dados alocados. O limitador, nestes casos, é a memória. Estes aparelhos possuem espaços variados de armazenamento, podendo ser encontrados com até 256GB de memória. Se você precisa armazenar mais dados, precisarÁ de outra mídia. Mas tem o caso daqueles que não querem precisar de mídia nenhuma.


Backup "na Nuvem"

O Cloud Computing virou a palavra da moda, nos últimos tempos. Mérito da progressiva evolução das conexões à internet (levando o Brasil da era das conexões péssima para a era do "muito ruim"), cada vez mais serviços são deslocados para servidores. A grande vantagem de backups deste estilo é que, aproveitando a metÁfora, seus dados parecem ir "para os ares", jÁ que não é preciso HDD, pen drive, CD ou cartãozinho perfurado para guardar seus dados.

Apesar de não estarem visíveis aos usuÁrios, o Cloud Backup também usa mídias de armazenamento, para guardar os seus arquivos. Estes serviços mantem centrais de com uma quantidade gigantesca de memória, para guardar dados de diversas pessoas. Costumam ser compostos por centenas de HDDs, mantidos em condições de umidade e temperatura controlados, com cópias extra dos conteúdos em outros discos rígidos (ou seja, o backup dos seus backups).

Tudo isto traz muitas vantagens para o usuÁrio, com a economia resultante de não precisar investir em uma mídia para o backup, nem no armazenamento adequado, como temperatura, umidade e exposição à luz, de sua cópia. Em contrapartida, você se torna dependente do serviço, e esta sob risco, caso a empresa que a mantém seu backup perca seus arquivos. Outro ponto é a necessidade de uma conexão à internet, e dependendo do volume de dados, o tempo para transferência dos dados pode ser muito alto para enviar ou baixar novamente seus arquivos do servidor.

{break::Faça o seu Backup}Como mostramos ao longo do artigo, são vÁrias as opções para armazenar um backup de seus arquivos importantes. Seja qual for a mídia escolhida, é indispensÁvel manter uma cópia de seus dados.

Tudo para evitar casos como o que aconteceu com o serviço de encurtamento de links, o Migre.me. Em setembro do ano passado, o encurtador brasileiro parou de funcionar, devido a uma manutenção do servidor onde era hospedado. Após o procedimento, o site não voltava ao ar, porque a empresa não localizava os arquivos do Migre.me. O backup não foi encontrado, pois ficava no mesmo local que o original. Deu-se a tragédia.


A legenda ameaçadora alerta: faça backups, ou esta história pode se tornar a sua.

Vamos então listar aqui algumas opções de programas para backups, para você proteger seus arquivos estimados em, por favor, algum lugar que não seja onde estão os originais.

Entre as opções para fazer o backup, o próprio Windows 7 possui um programa para realizar o procedimento. O aplicativo evolui bastante em relação ao presente no Vista, e pode servir para usuÁrio bÁsicos até alguns mais avançados. Nesta pÁgina hÁ um tutorial de como configurar o Windows para realizar o backup em uma mídia externa, ou em outro computador da rede.

Existem também outras opções de aplicativos para fazer os backups, com metodologias mais complexas do que o simples "seleciona tudo, copia e cola em outro lugar". Procedimentos como backups incrementais e diferenciais estão em softwares como o Nero BackItUp & Burn, gratuito para 15 dias de teste. Paragon também é uma opção, sendo que existe a versão paga e uma gratuita.

Para quem busca uma alternativa grÁtis, hÁ programas como o Cobian, um programa completo com vÁrias funcionalidades, entre elas a de não custar nada. Temos também um representante tupiniquim, o InfBackup, bastante simples e direto, com possibilidade de agendar os procedimentos.

Alguns dos programas listados jÁ possuem esta função, mas para aqueles que querem criar um "espelho" de seu HD, fazendo constantemente uma cópia idêntica de um disco rígido, o programa Drive Dumper é especializado neste processo, inclusive buscando reparar arquivos danificiados ao fazer a cópia. Você também pode ver este artigo com mais alguns programas que "clonam" seu HD, entre eles o conceituado Norton Ghost.

Backup na Nuvem

As opções de backup em servidores é uma saída interessante para quem busca armazenar seus arquivos mas não quer comprar e manter uma mídia. Na maioria dos casos, cobram uma mensalidade pelo serviço, sendo possível encontrar algumas opções gratuitas como o IDrive e o Spideroak, limitados a 5GB e 2GB de espaço, respectivamente.

Para quem quer conhecer mais opções, tem este artigo interessante comparando vÁrios destes serviços, além dos que citamos acima.


Agora, meus caros, é decidir qual é a melhor forma de fazer o backup, e qual a mídia mais adequada a suas necessidades. O importante é que você deve fazer as cópias de segurança dos arquivos que, se desaparecerem, vão lhe trazer muitos incômodos. Nem que seja preciso fazer a cópia em cartões perfurados.

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