SSD Crucial P1 tem especificações semelhantes ao Intel Serie 660p, mas é mais barato

Os SSDs Crucial P1 e Intel Serie 660p são praticamente idênticos, o preço define a escolha
Por Fabio Feyh 27/11/2019 11:37 | atualizado 27/11/2019 13:51 comentários Reportar erro

A pedido de nossos leitores, hoje a análise é do SSD Crucial P1 em seu modelo de maior capacidade, 1TB - a linha ainda possui um modelo com capacidade de 500GB. Esses SSDs se destacaram no mercado nacional pelo bom preço, se tratando de um modelo M.2 NVMe com tempos de leitura/escrita intermediários, bem semelhantes ao Intel Serie 660p.

Site oficial Crucial P1
Link de compra de SSDs NVMe na Pichau

O Crucial P1 utiliza o controlador SMI 2263, exatamente o mesmo do Intel Serie 660p. As memórias também são QLC com velocidades de leitura e escrita sequencia de 2.000MB/s e 1 1.700MB/s respectivamente, com classificação de resistência de 200 TBW e 5 anos de garantia. Todas as especificações estão dentro da média para esse perfil de produto. Seu custo por aqui gira na casa de R$400 para o modelo de 500GB e, por volta de R$700 para o modelo de 1TB, que foi analisado (pesquisa feita dia 27/11/2019). Esse valor fica um pouco abaixo dos modelos de mesma capacidade da linha Intel 660p.

Crucial é uma marca da Micron, empresa gigante do ramo de memórias


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Especificações

Abaixo uma imagem mostrando algumas das principais características dos dois modelos de capacidade da linha P1 da Crucial, com melhores especificações para o modelo analisado de 1TB. Como já destacado acima, os modelos da linha P1 são muito parecidos com os modelos da linha Serie 660p da Intel, com mesmo controlador e tipos de memória.

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Comparativo

Abaixo tabela comparativa entre o SSD analisado com alguns outros modelos do mercado:

Comparativo

Crucial P1 M.2 NVMe SSDTeam Group MP34 NVMe SSDWD Blue SN500 NVMe SSDIntel Serie 660p NVMe SSD

Preços

Preço no lançamentoU$ 100,00 U$ 65,00 R$ 330,00 R$ 850,00
Preço atualizadoU$ 100,00 U$ 65,00 R$ 330,00 R$ 685,00

Características

Capacidade500GB, 1TB(cadastrada), 2TB 256GB, 512GB(cadastrada), 1TB 250GB (cadastrada), 500GB 512GB, 1TB(cadastrada), 2TB
InterfacePCIe 3.0 x4 - NVMe 1.3 PCIe 3.0 x4 - NVMe 1.3 PCIe 3.0 x2 - NVMe 1.3 PCIe 3.0 x4 - NVMe 1.3
Tipo de ConexãoM.2 2280 M.2 2280 M.2 2280 M.2 2280
ControladorSMI 2263 Phison E12 WD SMI 2263
Tipo das memóriasMicron 64L 3D QLC Toshiba BiCS3 TLC NAND SanDisk 64-layer 3D TLC 3D2 QLC
Leitura Sequencial2000 MB/s3000 MB/s1700 MB/s1800 MB/s
Escrita Sequencial1700 MB/s1700 MB/s1300 MB/s1800 MB/s
Leitura Aleatória170.000 IOPS190.000 IOPS210.000 IOPS150.000 IOPS
Escrita Aleatória240.000 IOPS160.000 IOPS170.000 IOPS220.000 IOPS
Classificação de resistência200 TBW800 TBW150 TBW200 TBW
Garantia5 anos 3 anos 5 anos 5 anos
Site oficialLinkLinkLinkLink


Memórias SLC, MLC, TLC e QLC

As memórias instaladas no SSD são importantes, pois elas afetam a velocidade e o tempo de vida dos dados armazenados.

Atualmente, temos quatro tipos comuns de memórias NAND utilizadas em SSDs. Sendo as memórias TLC e QLC as mais recentes e, especialmente essa última, que tem possibilitado a popularização dos SSDs por permitir a indústria colocar modelos com alta capacidade no mercado, a preços mais competitivos.

SLC (Single-Level Cell): as primeiras memórias armazenando um único bit de dados por célula, sendo uma memória muito rápida e de alta duração. Porém, por não ser muito densa em quantidade de dados, é uma solução mais cara.

MLC (Multi-Layer Cell): surgiram em seguida como uma alternativa mais densa visando um preço mais atrativo, porém são mais lentas. Como alternativa para os SSDs continuarem com desempenho, algumas empresas adicionam pequenos cache em memórias SLC atuando como buffers de gravação. As memórias MLC estão caindo em desuso com a chegada das TLC, por questão de preço.

TLC (Triple-Level Cell): estão presentes em uma série de SSDs. Conseguem ser ainda mais densas e com preços mais atrativos, mas pecam novamente na velocidade. Para se tornarem opções que justifiquem seu uso, precisam de buffers a fim de trazer ganhos práticos sobre os HDs. Esse tipo de memória para quem usa o computador em situações rotineiras como aplicações de trabalho e navegar na internet é suficiente. Não é uma solução recomendada apenas se o uso for para aplicações profissionais com grande trafego de dados (as soluções MLC são as mais recomendadas para esse perfil de usuário).

QLC (Quad-Level Cell): são as memórias mais recentes lançadas na indústria. O conceito sempre segue a mesma lógica: maior densidade para armazenar mais dados em menor espaço físico a fim de tornar o preço por MB menor, sempre tentando entregar um desempenho satisfatório através de alguma solução que contorne a perda de desempenho, quase sempre com cache dinâmico via SLC. Os modelos com alta capacidade mais baratos do mercado tem usado esse tipo de memória atualmente e tendem a ganhar cada vez mais espaço, porque entregam o benefício de um SSD com preço mais atrativo dos que as demais soluções.

Empresas como WD e Toshiba já trabalham em uma nova geração de memórias NAND chamada PLC, seguindo o mesmo conceito das memórias acima, mais densas e consequentemente mais lentas, provavelmente novamente usando memórias cache dinâmico SLC para acelerar, e no final ficando mais baratas que as QLC.


Tecnologias NVMe, SATA, PCIe 3.0 e 4.0

NVMe
Os SSDs mais recentes usam muito o termo NVMe no nome, materiais de marketing, caixas etc, porque esse é o protocolo utilizado pelos modelos mais atuais. Essa "tecnologia", combinada com outras características técnicas, possibilita que os SSDs alcancem velocidades de leitura e escrita bem mais rápidas que protocolos anteriores, como o SATA.

Resumidamente, se você quer um produto com tecnologia mais recente e naturalmente mais rápido, ele deve ser baseado em NVMe. Mas, tem um porém: computadores mais antigos (e não estou falando de modelos de 5 ou 6 anos atrás, mas até mesmo de 1 ou 2 anos) podem não suportar essa tecnologia, então é importante verificar antes se a sua placa-mãe ou notebook tem o suporte para esse padrão. Lembro ainda que SSDs NVMe podem ser baseados em dois tipos de formatos: M.2 (esses bem pequenos e finos) ou através de uma placa dedicada PCI-Express (modelo Corsair Neutron NX500 de nossos testes).

PCIe 3.0 e 4.0
Outra especificação importante em SSDs mais recentes é a velocidade do barramento PCI-Express. A grosso modo, a "estrada" por onde os dados trafegam. Até o primeiro semestre de 2019, os modelos mais rápidos eram baseados em PCIe 3.0, mas esse ano, com o lançamento dos processadores Ryzen 3000 e placas-mãe com chipset X570 da AMD, tivemos a chegada do PCIe 4.0, que já em seus primeiros modelos alcançam velocidades de 5.000 MB/s.

Para resumir, quanto mais rápido for o barramento PCI-Express, maior será a velocidade de trafego disponível, mas para isso além do barramento o produto conectado também precisa ter suporte a tecnologia.


O que é TBW?

TBW, leia-se "terabytes gravados", é a medida utilizada para gerar uma estimativa de tempo de vida do SSD. Quanto maior o TBW, mais quantidade de dados gravados ele vai suportar. Em estimativas médias e genéricas, um SSD com 150TBW pode durar cerca de 10 anos quando se trata de leitura/gravação.

Dados médios: 100TBW = gravação de 50GB+ por dia durante 5 anos

Esse dado depende e varia bastante entre modelos e marcas de SSDs, além de ser diretamente relacionado ao tipo de memória utilizada (ex.: TLC ou QLC), então é importante ficar de olho para ver se ele atende o que você busca. Um SSD com 100TBW permitirá gravar, em média, pouco mais de 50GB por dia durante 5 anos, o que é mais do que suficiente para usuários comuns. Outro detalhe é que é comum drives de capacidade maior possuírem TBW mais alto, já que a tendência de quem busca maior capacidade é trabalhar com maior número de dados.

Os aplicativos fornecidos pelo fabricante normalmente informam como está o estado atual do TBW do SSD, mas existem outros software que fazem isso independente da marca, dando vários detalhes dos drives do sistema. Um desse softwares é o CrystalDiskMark, que pode ser baixado clicando aqui.


Fotos

O SSD é baseado em formato M.2 de tamanho 2280 (22 mm de largura e 80mm de comprimento) com visual semelhante a maioria dos modelos nesse formato, apenas o PCB com o chip do controlador, memórias e um selo protetor sobre parte dos componentes informando detalhes sobre o drive

Nas fotos abaixo colocamos o P1 ao lado de um Intel 660p e do WD Blue SN500.


Sistema utilizado

Antes dos testes, configuração do sistema utilizado, além de uma foto do SSD instalado na plataforma de testes. Optamos por esse conector por ser uma posição tradicional e que está disponível em muitos modelos, inclusive em Mini-ITX, sendo assim é um cenário mais comum para tomar como base o teste de temperatura.

Máquina utilizada nos testes
- Mainboard Gigabyte X570 AORUS Master [análise]
- Processador AMD Ryzen 9 3900X [análise]
- Placa de vídeo NVIDIA GeForce RTX 2080[análise]
- Memórias G.Skill TridentZ RGB 16GB (2x8GB) [site oficial]
- SSD Gigabyte AORUS PCIe 4.0 1TB [site oficial]
- Fonte Thermaltake Toughpower 850W Gold [site oficial]

O SISTEMA NÃO RODA NENHUM ANTI VÍRUS OU
APLICATIVO QUE POSSA INTERFERIR NOS TESTES

Sistema Operacional e Drivers
- Windows 10 Pro 64 Bits

Aplicativos/Games:
- AS SSD Benchmark 2.x
- ATTO Benchmark 4.x
- Battlefield V (DX12)
- BootRacer 7.x
- CrystalDiskMark 6.x
- DiskBench


Firmware

Abaixo algumas imagens do aplicativo Storage Executive da Crucial utilizado para gerenciar seus SSDs. Para download da versão mais atual clique aqui.

Como a maioria dos aplicativos semelhantes, ele é responsável pelo gerenciamento do SSD, passando detalhes do SSD e update de firmware.

Nas imagens abaixo mostramos o processo de update do fimware, muito simples e rápido, sem nenhum problema de segurança pro usuário.

Abaixo, tela do Crystal Disk Info com alguns detalhes técnicos do SSD analisado, em seguida gráficos comparativos.


Temperatura

Lembram que em reviews de SSD baseados em conexão Sata que os mesmos praticamente não geram calor, com o SSD aumentando pouco a temperatura quando em uso forçado? Em SSDs de conexão M.2 isso pode mudar bastante, não sendo nenhum absurdo que modelos alcancem 60º, 70º quando em operação, apesar dos modelos mais recentes ficarem com temperaturas abaixo de 60º graus em média.

A temperatura vai depender do controlador, memórias e especialmente onde o SSD ficará instalado, se direto na mainboard ou em uma placa dedicada vertical, se embaixo de uma placa de vídeo ou sobre um dissipador.

Trocar a conexão M.2 do drive na placa-mãe
pode resultar em mudança superior a 10º

É importante destacar que em nossos testes não utilizamos nenhum dissipador ou solução que possa interferir a favor do SSD no quesito temperatura se isso não vier com o SSD, visando ter um cenário real para quem compra. Das três conexões M.2 existente na mainboard que utilizamos, colocamos ele na conexão acima da placa de vídeo e próxima ao processar, por se tratar de um local comum em vários modelos que trazem apenas uma conexão, inclusive placas em formato Mini-ITX.


Testes sintéticos

AS SSD Benchmark
Começamos nossos testes com o AS SSD Benchmark, software específico para testes de drives SSD, HD etc.

O aplicativo faz uma série de testes em diversas situações de leitura e escrita e, no final, gera uma pontuação com a média entre todos os testes. Confiram abaixo:

ATTO Disk Benchmark
Outro famoso aplicativo para teste de desempenho de unidades de armazenamento é o ATTO. Vejam abaixo o comportamento dos modelos comparados:

OFFTOPIC: Abaixo o gráfico de número 11.000 utilizado em um conteúdo no Adrenaline

CrystalDiskMark
Com o aplicativo CrystalDiskMark versão 6, outro muito famoso para testes de drives, optamos por utilizar dois resultados indicados pelos próprios desenvolvedores, o teste "SeqQ32T1" e p "4KiB Q32T1". Abaixo, os scores em modo leitura e escrita:


Testes práticos

Carregando um game (Battlefield V)
Outro teste interessante é o carregamento de um game. Para isso, utilizamos o Battlefield V com teste em cima do mesmo mapa que utilizamos em boa parte de nossas reviews de placas de vídeo. O conceito do teste foi simples: medir o tempo que levou da hora que clicamos até a hora em que o gameplay começa, porém executamos o teste e depois novamente carregamos o mesmo mapa na sequencia para ver como é o comportamento após o sistema já ter o mapa "pre carregado" na memória.

A segunda vez que se carrega um mesmo mapa
demora o mesmo tempo em um SSD ou em um HD

Tempo de BOOT (Windows 10 Pro 64 bits)
Com o software BootRacer, medimos o tempo necessário para inicializar o sistema operacional, um dos principais atrativos de drives SSD.

O teste consiste no melhor resultado após três boots seguidos do sistema, considerando o tempo total até finalizar na área de trabalho com o score informado pelo aplicativo, por isso é mais lento do que o boot até mostrar a tela da área de trabalho.


Cópia de arquivo - SSD NVMe
Abaixo, os testes de desempenho em cópia utilizando um SSD padrão NVMe de alto desempenho para enviar e também receber, sendo assim tiramos o fator limitador de velocidade de um drive mais lento como aconteceria com um HD padrão Sata3, já que o SSD utilizado, um Gigabyte AORUS PCIe 4.0, tem velocidade de leitura de até 5.000 MB/s e escrita de 4.400MB/s.

O teste utiliza o aplicativo DiskBench para o processo.

Para o cenário ideal em cópia ambos os drives precisam ser rápidos

Drive analisado para SSD Gigabyte AORUS PCIe 4.0 NVMe M.2 1TB (leitura)
Neste teste copiamos os arquivos do drive analisado para um SSD NVMe de alto desempenho. Este seria o teste de leitura, já que ele não escreve nada no drive analisado.

Gigabyte AORUS PCIe 4.0 NVMe M.2 1TB para drive analisado (escrita)
Invertendo o processo, agora copiamos os arquivos do AORUD Gen4 para o drive analisado, consistindo em um teste prático de escrita, já que os dados estão sendo gravados no drive. 


Conclusão

Não tem como analisar um SSD da linha Crucial P1 e não comparar com a linha Intel Serie 660p. Afinal, ambos os modelos tem características muitos semelhantes, como mesmo controlador e memórias, essas últimas com pequenas diferenças na leitura/escrita, mas o próprio TBW é o mesmo para ambos.

Linha Crucial P1 tem especificações semelhantes a Intel Serie 660p

Se tratando das velocidades, o Crucial P1 de 1TB tem 2.000MB/s de leitura sequencial e 1.700MB/s de escrita, bons números para um SSD intermediário no formato M.2 com protocolo NVMe. Novamente, muito próximos aos modelos 660p de maior capacidade, na casa de 1.800MB/s para leitura e escrita. Na prática, não será possível notar nenhuma diferença, algo que já é difícil entre modelos com velocidade e características bem diferentes, imagina quando muito próximos.

Testamos o modelo de 1TB, que tem como destaque velocidade de gravação sequencia e leitura aleatória consideravelmente acima. Além disso, o TBW é o dobro do modelo de 500GB, algo que é comum em SSDs. Quase sempre, os modelos de maior capacidade oferecem especificações melhores, mesmo dentro da mesma linha, como já relatado.

SSD tem bom preço e é boa opção para ficar de olho na Black Friday

No Brasil, o Crucial P1 de 1TB é encontrado por valores pouco abaixo de R$700, e o modelo de 500GB abaixo de R$400. Mas, além do preço final dele, o que você deve ficar de olho é na "disputa" com os modelos Intel Serie 660p de mesma capacidade. Em minhas pesquisas, em todos os casos achei os modelos da Crucial custando menos, com diferenças que não são pequenas, em alguns casos chegam a 20%. Curiosamente, fora do país ele custa mais do que o 660p.

Lembro que ele não compete com os modelos de desempenho superior, como o Team Group MP34 que analisamos faz pouco tempo, esse com tempos de leitura e escrita mais altos, além de um TBW muito melhor. Agora, como já cansamos de falar, tempos de leitura e escrita muito altos não são notados na maioria dos casos de uso, acaba sendo apenas um simples dado para a maioria dos usuários.

PRÓS
Bons tempos de leitura e escrita
Preço competitivo para o perfil de produto
CONTRAS
N/A
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.