Ficha Técnica Comprar

ANÁLISE DE NEED FOR SPEED HEAT - EA acelera na direção certa, mas ainda dá derrapadas

Com história risivelmente fraca, novo NFS traz gameplay divertido e aponta futuro promissor para a franquia
Por Mateus Mognon 20/11/2019 19:00 | atualizado 20/11/2019 19:51 comentários Reportar erro

Após emplacar grandes clássicos na década passada, a franquia Need for Speed não tem sido a estrela mais brilhante do catálogo de jogos da Eletronic Arts e a Ghost Games foi incumbida, durante os últimos anos, de transformar a série de corrida em um sucesso novamente. Com o reboot de 2015 e Payback não se saindo tão bem quanto o esperado, a aposta da vez é NFS Heat. Com um tom mais jovial e os potentes gráficos do motor Frostbite, o título traz uma cidade inspirada em Miami que serve como palco de eventos automobilísticos e desavenças policiais entre pilotos e as forças da lei. O título também investe pesado na customização e vem sem loot boxes ou microtransações, mesmo sendo uma produção com um selo da EA Games.

Será que o título consegue reviver os tempos áureos da franquia e merece o seu tempo? Confira na nossa análise!

História

Quando o assunto são games de corrida arcade, os jogadores nunca esperam algo tão grandioso no quesito história, mas como a EA emplacou grandes clássicos como Need for Speed Most Wanted na década passada, é possível criar expectativas em cima da parte narrativa da série. A Ghost Games tentou, sem muito sucesso, reviver essa fama em seus últimos jogos, mas baixou um pouco a bola em Need for Speed Heat. E isso não é uma coisa ruim, acredite: a história do novo jogo é bem pé no chão e entrega a prometida trama entre polícia e corredores ilegais, além de se integrar muito bem à jogabilidade. 

NFS Heat tem enredo pé no chão, mas não se esforça para entregar uma narrativa de qualidade

O problema, porém, é que NFS Heat não se esforça para entregar uma narrativa de qualidade, conta com muitas soluções preguiçosas, cai em clichês e possui momentos que chegam a ser risíveis de tão ruins. Com isso, temos um game que consegue fazer jus aos clássicos títulos da franquia quando está nas pistas, mas acaba derrapando na história (o que também já é bem comum na série, convenhamos). 

A história de Need for Speed Heat se passa em Palm City, uma cidade fictícia inspirada em Miami que é a capital internacional das corridas: durante o dia, o local hospeda as competições do evento Speedhunters Showdown, enquanto a noite vira palco para as disputas ilegais e rinhas com a polícia. O jogador incorpora um corredor que veio tentar o sonho de viver das pistas, e isso é tudo que temos de "background" para o protagonista.

Desta vez, a Ghost Games trouxe um sistema de personalização de personagem que permite escolher entre avatares pré-definidos e customizá-los com vestimentas, dando um pouco mais de liberdade para o usuário. Após o jogador escolher sua faceta, nosso herói chega na cidade e logo de cara conhece os irmãos Rivera, que são estrelas em ascensão nesse mundo cheio de velocidade, e também são a porta de entrada para os clichês da narrativa. Enquanto Lucas é o irmão mais velho responsável que cuida de uma oficina e lida com os evento oficiais, Ana é a caçula revoltada que sonha em entrar para A Liga, a organização de corridas ilegais de Palm City.

Do outro lado do ringue, temos como antagonistas as forças policiais, segmento em que o time de roteiristas pago pela EA também não economizou nos lugares comuns: o principal vilão da trama é o chefe de polícia Frank Mercer, um tira malvadão e com tendências corruptas que comanda uma polêmica força-tarefa que combate carros de corrida no maior pólo de velocidade do mundo. Seu fiel escudeiro é Danny Shaw, um policial bonitão, meio tonto, cheio de frases prontas e que é tão malvado, mas tão malvado que joga lixo no chão quando sai de lanchonetes. Por fim, o time de polícias também conta com a oficial Eva Torres, uma motoqueira com estilo de Rosa Diaz, da série Blooklyn Nine-Nine, que está ali para trazer um pouco de equilíbrio para a chapa dos "bad cops".

Enquanto esse amontoado de clichês ainda podia ser utilizado em uma trama policial mais elaborada, a pressa com que a história é contada acaba tornando os personagens mais rasos do que já parecem e torna a narrativa apenas um guia para a progressão inicial no game. Considerando que jogos como o icônico Need for Speed Most Wanted de 2005 conseguiram marcar época com a temática policial, é decepcionante ver o pano de fundo de NFS Heat não ter seu potencial máximo. O próprio enredo até mostra, em suas cenas iniciais, alguns dilemas que poderiam ser aprofundados durante a trama, mas a história não deixa a superficialidade da temática, o que acaba, no fim das contas, deixando tudo meio sem personalidade.

De qualquer forma, a presença de uma história branda não é de todo ruim, principalmente após as reviravoltas mirabolantes adotadas na construção da história de Payback. A campanha principal do novo Need for Speed é perfeitamente integrada ao sistema de progressão, traz certos momentos mais contemplativos e funciona muito bem para apresentar os variados modos de jogo e coletáveis oferecidos no mundo aberto. 

A campanha funciona bem como forma de apresentação do gameplay

No quesito apresentação do mundo aberto, o destaque fica por conta dos personagens secundários, que trazem especialidades em cada tipo de corrida e garantem um breve pano de fundo para cada competição. Além de funcionar como combustível para colocar a jogabilidade para andar, a campanha também merece pontos pela diversidade: a Ghost Games teve atenção na hora de retratar o clima de Miami em Palm City, trazendo muitas referências latinas durante a narrativa. Por fim, também não podemos deixar de mencionar a presença de fan service, que de vez em quando leva o termo bem ao pé da letra e é bastante gratuito, e a abertura deixada no final que pode facilmente levar para uma sequência. Se isso acontecer, vamos torcer para a desenvolvedora continuar na vibe atual e dar um pouco mais de atenção ao roteiro. Mas ainda é cedo para pensar nisso, então vamos falar do que realmente agrada em NFS Heat: o gameplay.

Jogabilidade

Quando deixamos de olhar para a história e damos atenção ao gameplay, Need for Speed Heat brilha tanto quanto os neons que dominam a escuridão de Palm City. Ao invés de adotar um ciclo dinâmico, a desenvolvedora resolveu separar o dia e a noite em seu mundo aberto, e todo o sistema de progressão funciona com base na mecânica: enquanto o sol brilha, o jogador disputa em corridas oficiais como circuitos e sprints em pistas semi-fechadas, exibições de drifts, competições off-road e exibições de tempo com ranking online. O clima de "Forza Horizon" é tão grande que a polícia só vai te incomodar se você realmente for chato com as viaturas.

No cair da noite, porém, a coisa muda de figura: as corridas se tornam ilegais e os encontros com a polícia são constantes. Durante as competições, o jogador eventualmente dá de cara com as viaturas, isso se a participação da polícia não for proposital, como é o caso de certos eventos que dão recompensas mais pomposas. Em sua versão noturna, o título também consegue fazer algo que a EA quer há tempos: trazer o sentimento presente em jogos como Need for Speed Underground 2 e Most Wanted. Com um sistema de customização robusto, Heat permite "envenenar" os mais de 120 carros presentes no game desde as cores até o barulho do escapamento.


Um detalhe importante é que a Ghost Games tornou gratuito algumas opções de customização, como troca de cores e uso de adesivos. A novidade faz parte do esforço da empresa de promover o aplicativo Studio, que permite customizar automóveis no celular e exportar os designs para o jogo, e também o sistema de compartilhamento de visuais online. O resultado é extremamente satisfatório, pois além de permitir que a galera criativa tenha bastante munição para adornar os carangos, também dá mais opções para os jogadores mais focados nas corridas. Se você só quer queimar pneu nas pistas com o controle na mão, é possível simplesmente baixar um visual maneiro para o carro ou então fazer a personalização quando estão longe do PC/console, por meio do smartphone.

Progressão estimulante e livre de loot boxes

Outro ponto que merece aclamação em Need for Speed Heat é a ausência do polêmico sistema de loot boxes presente em Need for Speed Payback. Agora, a progressão é feita com base na grana que o jogador arrecada nas competições oficiais durante o dia e a reputação que monta durante a noite (detalhe: também não existem microtransações para fazer compras com dinheiro real). Em sua contraparte diurna, o jogo está longe de ser um Forza Horizon 4, mas as competições oferecidas garantem uma experiência satisfatória na busca por dinheiro para realizar tanagens e comprar novas peças. Aqui brilham os já mencionados personagens secundários da história, que apresentam competições como as corridas off-road, que não ganham tanto destaque, mas conseguem ser divertidas e quebrar o clima de só botar para quebrar no asfalto.

Ao chegar na garagem, o jogador pode utilizar o dinheiro para customizar as diferentes categorias de partes do veículo. Agora os automóveis não são divididos em castas e todo modelo pode ser adaptado para corridas no asfalto, drifts ou modalidades off-road. Como os próprios desenvolvedores ressaltam, porém, ter um carro para cada categoria acaba ajudando nas competições, principalmente ao jogar online, onde o clima de competição é ainda mais acirrado -- isso se você não montar uma Crew com amigos e apenas sair para aproveitar o mundo aberto em grupo.

Como o foco de Need for Speed é totalmente no arcade, a Ghost Games deixou o sistema de upgrades bem simples, com marcações e símbolos que indicam o poder e função de cada peça. Com isso, quem só quer montar um possante bem forte e cair nas pistas não precisa esquentar muito a cabeça. O menu também permite fazer modificações de certas peças fora da oficina, o que é uma mão na roda (com o perdão do trocadilho) para quem usa apenas um carro para diferentes tipos de corrida. Todos os desafios também trazem o nível e um infográfico exibindo qual o tipo de veículo indicado para a competição.

Outro ponto importante presente em Need for Speed Heat é o menu para customização de direção. Apesar de não ser fã de drifts como exibição, eu adoro fazer curvas com o carro deslizando, algo que não é uma preferência entre muitos jogadores. Need for Speed Heat traz opções de fácil acesso que podem ser abertos durante o gameplay, permitindo alterar rapidamente o controle de tração e até botão para o drift, garantindo mais rapidez na hora de adaptar a dirigibilidade. Esse menu também permite acessar missões temporárias e desafios extras, que dão mais objetivos para serem cumpridos no mundo aberto.

Uma noite que brilha

Saindo dos eventos legalizados, a diversão para quem é fã das antigas da franquia acontece mesmo depois do pôr do sol. As corridas seguem a fórmula tradicional de sprints, circuitos e drifts em áreas abertas, mas tudo isso com um "tempero" especial: a polícia. E, desta vez, não temos um script para seguir durante as perseguições, como acontecia em NFS Payback.

As competições noturnas têm como principal "moeda" a reputação, que é basicamente a experiência para subir de nível. O diferencial do sistema fica por conta do nível de pressão da polícia, que se torna um multiplicador de XP. Ou seja, quanto mais você se arrisca nos embates contra as forças da lei, mais rápido sobe de nível para acessar corridas, carros e peças de customização. Mas, caso seja pego, quase todo o progresso da noite vai por água abaixo. 

Apesar de simples, o sistema de pressão policial estimula o jogador a se arriscar

Os carros em Need for Speed Heat possuem uma barra de vida que marca o dano sofrido e o jogo te oferece três consertos em postos de gasolina na noite, além de um kit extra que pode ser desbloqueado no decorrer da campanha. Essa combinação de fatores permite estender bastante as perseguições e corridas noturnas, adicionando um toque de estratégia para o sistema de reputação. Durante minhas 22 horas no game, não faltaram momentos em que eu queria ter mais uma rixa com a polícia para conseguir pontos extras e passar de nível mais rápido, mas o estado deplorável da minha carruagem poderia mandar quase todos os ganhos da noite para os ares com poucas colisões.

Gastar os consertos de forma cautelosa pode te ajudar a subir de nível mais rápido.

O que acaba sendo decepcionante no sistema de polícia de Need for Speed Heat é a ausência dos clássicos Pursuit Breakers, objetos e construções que podiam ser utilizados para destruir carros inimigos durante as perseguições. Tirando os níveis de pressão mais altos, que possuem algumas firulas extras como blindados e inibidores, boa parte das perseguições acaba se resumindo em um bate-bate entre jogador e um amontoado de viaturas. E isso não acontece por limitações técnicas: o mundo aberto criado pela Ghost Games conta com muitos objetos destrutíveis, de vez em quando até demais. Em alguns casos, veículos pesados que ficam parados no mapa podem ser destruídos sem esforço, mas não causam dano para os policiais próximos. Esse "mundo de papelão" até pode gerar problemas durante as corridas, quando o usuário acha que certos objetos podem ser quebrados, mas, na hora da colisão, isso não acontece.

Ainda assim, os combates de bate-bate também possuem seus pontos positivos. O mundo aberto de Heat conta com diversos colecionáveis que rendem reputação, incluindo saltos que podem ser utilizados para despistar os policiais. Além disso, apesar de os trailers darem bastante destaque para a parte urbana de Palm City, a região em que o game se passa também conta com cenários variados em seu interior, e que podem ser usados para despistar os tiras, como uma estação de lançamento de foguetes e pistas off-road nas montanhas. Uma pena que o estúdio não seguiu os moldes de Hot Pursuit e também colocou missões para o jogador assumir o papel de polícia, o que também daria uma dose extra de gameplay bem interessante.

Gráficos e Áudio

Além do gameplay divertido e que traz grandes melhorias em relação aos antecessores recentes, Need for Speed Heat também entrega uma experiêncai visual de qualidade com os gráficos entregues pela Frostbite. O nível de detalhes está bastante similar ao que tivemos em Payback, mas o novo título entrega melhores efeitos de reflexos. A presença de ambientes com diferentes iluminações durante a noite e a chuva também garantem um visual que rende belas screenshots no modo de fotografia. Outro ponto que merece destaque são os danos na pintura causados por colisões, um detalhe que pode ser considerado pequeno, mas mostra o cuidado da equipe da Ghost Games com a estética dos veículos.

Na parte de história, a Ghost deixou de lado as táticas utilizadas anteriormente e temos custscenes que acompanham os gráficos in-game. O resultado é uma experiência que sacrifica um pouco da aparência, mas garante uma experiência mais equilibrada e contínua na hora de contar a história, além de combinar com a customização de personagem. Um detalhe que poderia ter sido melhor é o suporte para telas Ultrawide nas cenas da campanha. Enquanto a experiência em displays 21:9 durante o gameplay funciona perfeitamente, o próprio jogo deixa escapar durante as transições que seria possível implementar a tecnologia nas custscenes. De qualquer forma, é apenas um pormenor dentro de um projeto que se mantém no nível gráfico esperado de uma produção AAA. 

Ouça a trilha sonora completa do game aqui

Quando o assunto é áudio, a principal derrapada do novo Need for Speed é a ausência de dublagem em português brasileiro, algo que já se tornou padrão na indústria. Ainda assim, as vozes utilizadas no game em seu idioma original combinam com os personagens, dando bastante ênfase para o toque latino da obra. Falando nisso, a parte musical do título é cheia de trabalhos vindos da nossa região do globo. A trilha sonora original , inclusive, é feita pelo brasileiro Pedro Bromfman, que trabalhou na parte de áudio da série Narcos e conseguiu traduzir bem o clima tropical de NFS Heat para o áudio.


Você pode até ajustar o timbre do escapamento do seu veículo em NFS Heat

As 58 faixas que compõe as playlists de dia e noite não chegam a ter músicas que vão marcar como Riders On The Storm, mas temos produções atuais que grudam na cabeça, como é o caso da música brasileira Coisa Boa e faixa Levantate, que combina muito bem com a vibe do jogo. Por último e não menos importante, vale destacar também que o trabalho de áudio nos carros foi de alto nível e o ronco dos motores é bem realista e ajuda a oferecer uma sensação de velocidade, algo já esperado de um produto com alto orçamento e marcas licenciadas. As opções de personalização, inclusive, permitem até configurar o barulho do escapamento, o que mostra atenção da Ghost Games nesse quesito.

Conclusão

Depois de dois lançamentos com qualidade duvidosa na atual geração, a Ghost Games finalmente acertou a mão em alguns aspectos com Need for Speed Heat. Cheio de referências aos clássicos da franquia, o jogo consegue reviver o sentimento que tínhamos nos bons e velhos tempos de Underground 2 com seu sistema de customização e corridas noturnas, ao mesmo tempo que traz um toque muito bem vindo de Forza Horizon nas modalidades diurnas. A substituição das loot boxes por um novo sistema de progressão também merece aplausos. Na parte da história, porém, a produção é uma facada no coração de quem esperava ver um policial tão icônico quanto o Sargento Cross. A jogabilidade contra a polícia de Palm City é um baita diferencial e serve como estimulo para a progressão, mas ainda deixa a desejar. 

Mesmo com deslizes, NFS Heat aponta um futuro promissor para a franquia

Para quem está em busca de um jogo de corrida focado na folia e que possui perseguções policiais, NFS Heat é a melhor pedida atualmente, principalmente se estiver em promoção. Alguns aspectos do gameplay e a história podem afastar jogadores mais exigentes e, se você está em dúvida, vale a pena aproveitar a demonstração de 10 horas do Origin e EA Access. Inclusive, é certo dizer que o título entrará em ambos os serviços integralmente no futuro, e será uma grande adição ao Vault da Eletronic Arts. Mesmo aos trancos e barrancos, o game merece o prêmio de melhor título da franquia para a atual geração, apesar de a competição não ser tão grande, pra falar a verdade.

Segundo canta o poeta D Smoke no reality show Ritmo + Flow, "a dor é um investimento necessário para o crescimento", e o verso se aplica muito bem a situação da desenvolvedora atual de Need for Speed: depois de tantas cabeçadas, a Ghost finalmente está fazendo progresso. Agora é torcer para essa fase de evolução continuar nos próximos jogos para, quem sabe, finalmente termos um título atual da série mostrando que dá pra contar uma história maneira na base da gasolina. E como o Heat termina com uma bela abertura para continuidade, não podemos descartar a possibilidade de uma sequência no futuro.


RECOMENDA? SIM Mesmo com deslizes, NFS Heat é o melhor jogo da franquia nos últimos tempos
PRÓS
Novo sistema de progressão com corridas oficiais e ilegais
Ausência de loot boxes
Variedade de carros e customização 
Ambientação noturna com feeling de Underground 2
CONTRAS
História da campanha fraca
Cenários destrutíveis até demais
Ausência de Pursuit Breakers
Sem dublagem em português
  • Redator: Mateus Mognon

    Mateus Mognon

    Mateus Mognon é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Vencedor do prêmio SET Universitário na Categoria Reportagem Digital, atua nos sites do grupo Adrenaline desde 2014. Atualmente, colabora para os veículos com notícias, análises e artigos envolvendo tecnologia e games.