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Análise: Trine 4 - belíssimo game reencontra o caminho ao retornar para seu estilo clássico

Jogo volta as origens e entrega um gameplay divertido e gráficos cativantes
Por Diego Kerber 08/10/2019 23:02 | atualizado 08/10/2019 23:11 comentários Reportar erro

A série Trine já se consolidou com seu formato em um estilo "conto de fadas", gameplay no estilo puzzles e gráficos deslumbrantes, porém o terceiro game da franquia parece ter tirado o game do eixos ao sair do tradicional side scrolling em 2,5D. Em Trine 4, o game parece de volta aos trilhos, e o resultado é excelente.

Trine voltou para a fórmula original: um belo jogo de puzzles em side-scrolling

Começando pelos gráficos, como sempre Trine causa uma primeira impressão rapidamente. Os cenário são belamente trabalhados, com muita vivacidade a todos os elementos na tela e uma estética muito chamativa e colorida. O tom está bem acertado, com essas belas paisagens combinando com a narrativa e o clima fantástico da história contada. Mesmo no Nintendo Switch (plataforma usada nos testes) e todas suas limitações técnicas, o jogo ainda assim está muito bonito.

A narrativa também se sobressai com uma história bastante lúdica, que praticamente parece recitada de um livro infantil. Novamente o trio de heróis tradicional da série, composto por um paladino, uma ladina e um mago precisam salvar o dia, e a história é recheada de personagens cativantes que vão sendo encontrados ao longo do caminho, com vários encontros e desfechos interessantes. Ao longo da jornada, o bate-papo entre os personagens e as intervenções do narrador compõem esse estilo bastante característico da série, algo muito bem casado com as trilhas sonoras 

O gameplay está de volta ao estilo 2,5D, com os personagens se complementando para realização dos quebra-cabeças que vão surgindo. Zoya escala lugares, prende objetos com sua corda e congela ou derrete coisas com suas flechas especiais. O mago Amadeus cria objetos e manipula outros com telecinesia. O cavaleiro Pontius é a força bruta do grupo, quebrando, arremessando e movendo coisas. A interação entre os personagens e a necessidade de combinar suas habilidades são o elemento central do gameplay, algo que pode ser jogando sozinho e alternando entre os protagonistas ou até em 4 jogadores em uma bela de uma bagunça cooperativa.

O jogo volta ao gameplay tradicional, e voltar as origens faz muito bem a Trine

O avanço pelos mapas é feito através da solução desses puzzles, com muitas das resoluções envolvendo criatividade e até um pouco de equilíbrio na hora de empilhar objetos. Trine 4 está com uma física menos realista que jogos anteriores, com plataformas ficando fixas no ar, por exemplo. No começo deu um pouco de saudade dos difíceis equilíbrios de games anteriores, mas acredito que a mudança tornou o gameplay mais prazeroso, com menos irritação por causa daquela ponte que caiu por mínima coisa desalinhada.

Além dos puzzles, outros dois segmentos que se destacam são as lutas e também os "chefões". As lutas tem um molde bastante claro e é muitas vezes repetido ao longo do jogo. Você chega no lugar, fica trancado em uma área restrita, bate nos monstros e é liberado. Apesar de um ou outro inimigo que é melhor enfrentado com flechas específicas, por exemplo, esse é o trecho menos interessante e que acaba se resolvendo, na maioria dos casos, com você "fuzilando" o botão de porrada com o Pontius até não sobrar nada na tela.

As lutas com chefes tem uma variedade maior e muitas das vezes não tem relação com simplesmente bater, e sim encontrar o ponto fraco e realizar a ação correta na hora correta. Em alguns momentos isso pode ser um tanto frustrante, especialmente em algumas lutas em que a janela em que o inimigo fica vulnerável é meio curta, mas gostei de uma boa parte dos confrontos.

O maior problema com o game, possivelmente, foi não ter sido ousado nos desafios. O resultado é um game que dificilmente se torna um desafio para o jogador, e a maioria das telas não precisaram mais do que poucos segundos para serem decifradas, no meu caso. Acho que algumas fases mais complexas, ao menos em partes extras e com itens não obrigatórios, poderiam trazer um desafio extra para quem está afim de "quebra mais a cabeça". Para quem detesta ficar emperrado, não tem problema: dá para definir que o jogo apresente dicas de como passar de um cenário após uma quantidade predeterminada de minutos. 

Jogar em mais jogadores também é viável, mas na minha experiência isso torna tudo mais bagunçado, então dá para dar algumas risadas das trapalhadas (acidentais e propositais) do trabalho em conjunto, mas particularmente gostei muito de jogar sozinho a campanha e e relaxar enquanto tentava resolver os desafios que vão surgindo e conhecer o desfecho da história.

Trine é um jogo cativante e leve, que irá divertir quem gosta de puzzles (não muito difíceis)

Trine 4 voltou com sucesso a sua forma original, e sua volta as raízes apagam a péssima impressão que o game anterior causou, tornando esse jogo uma recomendação fácil. Seu ponto forte é a leveza de sua temática e de seu gameplay, já que cada puzzle pode ser resolvido em coisa de poucos minutos, então ele se encaixa muito fácil na rotina e pode ser jogado em doses homeopáticas, excelente para se divertir com algo mais descompromissado que algum game competitivo ou algum single-player que se leve muito a sério ou temática mais densa.


PRÓS
Belos gráficos
Gameplay e puzzles interessantes
Leve e divertido
Pode ser jogado em várias pessoas
CONTRAS
Combates repetitivos e pouco desafiantes
Puzzles excessivamente fáceis a maior parte do tempo
Assuntos
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".