ANÁLISE: ROG Zephyrus S - um notebook de R$ 25.000 vale a pena?

Projeto impressionante da ROG coloca uma RTX 2080 em 1,5cm, mas provavelmente não cabe na carteira
Por Diego Kerber 23/10/2019 20:00 | atualizado 29/10/2019 17:30 comentários Reportar erro

O Zephyrus S é um notebook gamer topo de linha da ROG, divisão da Asus focada nos produtos mais caros e de especificações mais impressionantes da empresa taiwanesa. Ele já se destaca nas especificações, ao juntar chips muito poderosos como um Intel Core i7 de 9ª geração com uma RTX 2080, tudo em um chassi de pouco mais de 1,5cm de espessura e pesando 2,1kg!

Principais especificações:

- Nvidia GeForce RTX 2080 8GB de VRAM GDDR6
- Intel Core i7-9750H
- Tela de 15,6" 240Hz 3ms 100% sRGB
- Teclado retroiluminado com RGB customizável via Aura Sync e teclado numérico integrado no touchpad
- 2x8GB DDR4 2666MHz
- 1TB SSD PCIe NVMe
- Preço: R$ 25.000

Design

O design do Zephyrus é um feito de engenharia computacional. Para conseguir dar conta do aquecimento de chips potentes como o Core i7 de 9ª geração e uma GeForce RTX 2080, a Asus precisou mexer bastante nesse projeto, e o resultado é um notebook bastante diferente do convencional. A primeira mudança é algo que vemos em outros modelos high-end premium: o teclado desce, e todo o topo fica dedicado a circular ar. Isso é eficiente por dois principais motivos: facilita vazar todo o chassi para criar mais entradas e saídas de ar, ao mesmo tempo que concentra o aquecimento para uma área mais distante do usuário, tornado o uso mais confortável.

Com o espaço restante, a empresa fez tudo que pode para não perder recursos. Então o touchpad foi deslocado para a direita, algo que no começo é estranho, mas não leva muito tempo de adaptação para se acostumar. Sem lugar para um teclado numérico, o jeito foi integrar o numpad dentro do touchpad, função que é ativada por um botão dedicado logo acima dele e que acende luzes indicando onde estão os números.

O teclado do Zephyrus precisa lidar com uma situação ingrata: por estar em um modelo muito fino, não tem como ter um grande feedback através do deslocamento das teclas, e considerando as limitações de espaço, a Asus equipou este modelo com um bom teclado, retroiluminado com customização LED RGB e, algo até um tanto raro para esse segmento super premium, com o layout ABNT-2.

Na luta por espaço, há dois elementos importantes que ficaram de fora. O primeiro é comum em notebooks muito finos, que é a porta de internet, algo bastante importante para gamers, já que a conexão com fio é a que tem a melhor estabilidade e menores latências. A outra ausência é péssima para quem deseja essa máquina para trabalhar (e ela tem potencial, como verão na parte de performance) que é a falta de um slot para cartão SD, algo que faz diferença para quem trabalha com audiovisual e quer a facilidade de "espetar" o cartão de sua filmadora ou câmera e copiar os arquivos de forma ágil.

Desempenho

Com chips poderosos tanto no processamento quanto nos gráficos, não é uma surpresa vermos o ROG Zephyrus aparecendo próximo do topo de nossos gráficos de performance. Começando com os testes sintéticos e softwares de produtividade, ele não chega a ocupar o topo devido as restrições do processador em termos de energia e principalmente aquecimento frente a modelos mais parrudos, mas como fica evidente nos gráficos, ele fica bem perto deles.

Esports

Com um processador bastante potente e gráficos de sobra para esse gênero, que costuma não focar nos gráficos e sim na competitividade, esse notebook sobra e muito para os games nesse estilo.

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: em jogos competitivos o ideal é buscar a taxa mais alta de quadros, de preferência acima dos 100fps 

Counter Strike: Global Ofensive
O game competitivo é baseado em DirectX 9 e apesar das baixas exigências de performance na parte da placa de vídeo, por se tratar de um eSport, o ideal é alcançar altíssimas taxas de quadros, algo que traz alta carga tanto a CPU quanto GPU.


DoTA 2
Também baseado em DirectX 9, DoTA 2 é um game competitivo que exige alta taxa de quadros, algo que traz uma carga de trabalho difícil de se lidar, especialmente para o processador.


Fortnite
Game altamente popular, o Fortnite fez sua enorme base de jogadores graças ao multiplayer massivo no estilo Battle Royale, sendo um desafio tanto para a performance do chip gráfico quanto para o processador.


Games pesados

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: acima de 60fps é o ideal para monitores que operam nessa frequência. Quanto mais próximo dos 30fps, pior vai ficando a fluidez e, abaixo dos 30, o jogo começa a ficar "não jogável."

 

The Division 2 - DX12
O game da Ubisoft conta com mapas amplos e complexos, com uma ferramenta de benchmarks interna do jogo que facilita os testes. O motor gráfico Snowdrop atua muito bem entregando alta qualidade gráfica e sendo bastante desafiador para o hardware. O game opera tanto em DirectX 11 quanto 12, com bons resultados na API mais recente, então optamos por rodar os testes na versão mais nova do software da Microsoft.


Assassin´s Creed Odyssey
O game de mundo aberto da Ubisoft é muito exigente no hardware, tanto na complexidade das cidades e seu estresse para o processador quanto os detalhes dos modelos e sua carga na placa de vídeo. Em geral, esse é um game que beneficia bastante as placas GeForce, penalizando bastante as placas Radeon mesmo meses após o lançamento e com a chegada de novos drivers.


 

Battlefield V
O game desenvolvido pela DICE segue como uma referência de qualidade gráfica, operando tanto na API DirectX 12 quando 11. O jogo também se tornou um marco nos games para PC ao ser o primeiro a introduzir a técnica de Ray Tracing híbrido da Nvidia através das placas RTX.


Resident Evil 2 Remake
O remake do grande clássico de terror trouxe uma excelente repaginada no visual do game, com grande destaque para a qualidade gráfica e um nível alto de exigência quando o assunto é memória de vídeo. 

Ao longo da bateria de testes dá para ver o Zephyrus variando sua posição, e é fácil entender porque isso acontece. Quando o jogo tem sua carga em chip gráfico, a RTX 2080 presente nesse notebook brilha, abrindo ampla margem para o mais potente que já havíamos testado, o Avell RTX com uma RTX 2060. Isso é visível em RE2 Remake e Assassin's Creed Odyssey. Mas quando a carga vai para CPU, em caras como o Fortnite e Counter Strike, é onde o Zephyrus se destaca menos.

O Zephyrus traz uma das performance mais altas em games pesados

O Zephyrus tem alguns resultados impressionantes. Ele atinge algo próximo dos 100fps em jogos pesados em FullHD, e é o primeiro a chegar na casa de 60fps médios em Assassin's Creed Odyssey no Ultra, mérito do alto poder de fogo da RTX 2080. Para games competitivos ele ainda está no topo da lista, mas não fica tão acima de outros modelos, inclusive alguns bem mais baratos. Para esses casos, se você está de olho em games do tipo eSports, em geral não precisa do "poder de fogo" de uma RTX 2080, só precisa focar em um processador potente e uma placa de video intermediária.

Autonomia

Com hardwares tão potentes, tela de alta taxa de atualização e pouco espaço para colocar uma bateria, um dos fatores mais preocupantes sobre o Zephyrus é sua capacidade de ficar longe da tomada, e felizmente esse modelo foi uma grata surpresa: ele não ficou longe de outros notebooks do segmento, apesar de todas suas restrições de espaço.

Em nossos testes, ele consegue atingir um total de 5h38min de acordo com estimativas do PCMark 10 nos testes de autonomia, usando o modo Office, onde ele roda alguns apps de edição de texto, navegação na web e chamadas de vídeo, todas atividades leves.Para jogar ou editar vídeos, porém, é bom estar preparado para logo procurar uma tomada, já que ele não irá segurar por períodos maiores que 1 hora uma alta carga de trabalho sem ter uma fonte de energia.

Aquecimento e ruído

Para dar conta de tantos chips potentes em um espaço tão restrito, o Zephyrus tem uma estrutura de resfriamento bastante impressionante, e em nossos testes, ele entrega temperaturas capazes de rivalizar com a operação de outros notebooks gamers bem mais pesados e espessos que ele.

Algo que me agradou muito no Zephyrus é que ele tem bons perfis pré-definidos. O modo silencioso puxar as frequências para baixo, especialmente do processador Intel Core, para reduzir o aquecimento e viabilizar uma operação silenciosa. Em contrapartida, dá pra acionar o Turbo e colocar frequências e rotações de ventoinhas no limite e com isso empurrar a performance para o máximo possível.

O impacto em desempenho é mais sensível em situações em que o processador é mais demandado, como dá para perceber em alguns testes dessa análise, onde variamos entre os modos Silencioso e Turbo. Em vários games dá pra deixar o notebook silencioso e ainda atingir bons níveis de performance, e se nenhum ajuste está no balanço ideal para você, dá para usar o software de personalização da ROG e mudar essa configuração e outros fatores como o sistema de iluminação do teclado.

Gameplay em vídeo

Conclusão

A linha ROG é composta pelos melhores produtos que a Asus é capaz de criar, e o Zephyrus S é um excelente exemplo disso. Ele tenta juntar coisas muito difíceis: portabilidade e performance extrema. Essa mistura traz inevitáveis efeitos colaterais, pois é preciso balancear aquecimento dos componentes com espaço disponível para resfriá-los, e quase sempre alguma das pontas desse equilíbrio acaba prejudicada.

Avaliação: ANÁLISE: ROG Zephyrus S - um notebook de R$ 25.000 vale a pena?

Design
9,5
Tela
10
Performance
10
Preço
3,0
Autonomia
8,0

Nesse notebook temos um dos balanços mais impressionantes desses dois elementos. Ele espreme tudo que deu nos pouco mais de 1,5cm de altura e 2,1kg disponíveis nesse chassi, e consegue entregar um nível de desempenho bastante elevado dos seus chips potentes apesar de todas essas restrições. O resultado é um Core i7 em um nível de performance bem próximo ao visto em notebooks bem mais espessos, e um chip gráfico RTX 2080 entregando alta taxa de quadros, superando os 100fps no ultra/1080p e tendo potencial para encarar QuadHD sem problemas.

Além do design e desempenho, a Asus costuma "pegar pesado" quando o assunto é especificações, e por isso o Zephyrus também tem uma tela de 240Hz com apenas 3ms de tempo de resposta e 100% da gama de cores sRGB e com suporte a HDR, teclado retroiluminado com sistema RGB personalizável, 16GB de RAM e 1TB (!) de armazenamento em SSD NVMe. É muito difícil achar problemas nessa máquina, com performance elevadíssima tanto em games quanto aplicativos profissionais.

Mas é claro que não existe produto perfeito, e os problemas acontecem nas limitações do design, começando pela falta de uma porta para cartões SD, algo que tem potencial de irritar quem trabalha com audiovisual, e também a ausência de uma porta ethernet, um problema para para buscar o máximo de performance em partidas online. Até dá para usar as portas USB para ligar dongles com essas conexões, mas quando a portabilidade é alcançada com esse tipo de penduricalhos se fazendo necessários, então ela falhou.

E claro, o grande problema inerente desse perfil de produto, com o estado da arte de uma tecnologia. Ele é MUITO CARO. Mesmo considerando os componentes usados, para alcançar as características e o projeto usado pela Asus, ele é múltiplas vezes mais caros que outros modelos equipados com o chip RTX 2080. O resultado é um dos notebooks mais impressionantes que já testamos, mas que obviamente só é recomendável para o consumidor que pode ignorar completamente a quantidade de zeros do seu preço.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".