ANÁLISE de BORDERLANDS 3 - Mais armas malucas, mais explosões e MUITO MAIS GRITARIA

Mudanças sutis melhoram a jogatina, mas a busca pelo loot continua bem mais divertida com amigos

Depois de fazer os fãs esperarem por alguns anos, Borderlands enfim faz seu retorno na série principal com o lançamento de Borderlands 3. O game traz novos vilões, armas ainda mais malucas, planetas desconhecidos e "caça-arcas" recém chegados. Isso mesmo: "caça-arcas", porque dessa vez o game tem seus textos e legendas localizados em português brasileiro, e assim são chamados os icônicos Vault Hunters da série. Será que toda a espera valeu a pena? Confira nossa análise para saber!

História e Ambientação

Borderlands 3 se passa imediatamente depois do 2, o que soa óbvio, mas num mundo cheio de prequels e até pre-sequels - como aconteceu nessa série - a informação ainda é digna de ser mencionada. Lilith agora é a líder dos Crimson Raiders, conhecida pelo povo como "Firehawk". Ela recruta um novo Vault Hunter (ou caça-arcas) para ajudar seu grupo, e esse novo herói quem vai escolher é o jogador. As opções são três classes mais ou menos novas e uma realmente inédita, mas vamos nos aprofundar nisso na parte de Jogabilidade.

O motivo de Lilith estar precisando de reforços é porque os Crimson Raiders estão enfrentando uma nova grande ameaça, os Gêmeos Calypso, que começaram um culto chamado "Filhos da Arca" (FDA ou, em inglês, COV) que reúne todo tipo de bandido maluco disposto a servir fanaticamente aos irmãos Tyreen e Troy. Eles se auto-intitulam deuses e estão atrás dos grandes poderes escondidos nas Arcas.

A campanha do jogo segue então o formato de "corrida" contra os adversários. Os heróis e os vilões competem para ver quem alcança primeiro o próximo item que vai ajudar a encontrar a próxima Arca. Esse tipo de história é um clássico e que funciona muito bem para colocar os protagonistas e antagonistas em constante conflito, mas acredito que talvez não seja a melhor escolha para um game de RPG e mundo aberto. O número imenso de side quests pra fazer, muitas delas apenas cômicas e sem importância, acaba esvaziando a sensação de urgência e imersão que o jogador normalmente teria jogando apenas a campanha e tentando chegar às Arcas antes dos Calypso.

Mas, claro, muitos dos jogadores que são fãs de Borderlands não se apaixonaram pela série por causa de imersão ou uma história muito bem amarrada. Os principais apelos do game, na parte de enredo, é a variedade e construção de personagens e a comédia do texto do jogo. E nesse aspecto, temos a boa e velha fórmula Borderlands de sempre. Alguns dos personagens são muito interessantes e divertidos, outros completamente ignoráveis e alguns absurdamente irritantes que deveriam ser lançados no espaço em direção à uma estrela em colapso.

A campanha é bem interessante, mas o destaque ainda está nas pequenas histórias

Até por esse estilo de uma grande variedade de personagens e pequenas histórias, a parte que mais gosto em todos os Borderlands, incluindo o terceiro, são as missões paralelas. São bem trabalhadas e contam histórias extras no jogo, algumas bem engraçadas, algumas esquecíveis, mas uma ou outra realmente profunda e até emocionante. Aqui, na minha opinião, é onde a série mais brilha e com Borderlands 3 isso não é diferente.

Falando dos aspectos cômicos do enredo, Borderlands 3, assim como os outros games da franquia, tem aquele estilo de humor PPS: "piadas por segundo". É uma enxurrada quase constante de piadas, trocadilhos e histórias tentando fazer o jogador rir. E é óbvio que não dá pra acertar sempre quando você está fazendo piadas constantemente, algumas acabam saindo sem graça e outras até chatas. A questão aqui é exclusivamente do jogador, se ele gosta ou não desse "ritmo" de anedotas.

Jogabilidade

Para quem não conhece, Borderlands se descreve como "looter shooter". É um FPS com foco em conseguir novos e melhores equipamentos o tempo todo, principalmente as armas. Em Borderlands 3 temos exatamente a mesma mecânica, mas com algumas mudanças sutis que tornam a experiência geral do gameplay consideravelmente melhor neste jogo.

O gameplay está bem mais satisfatório em BL 3

A movimentação do personagem é mais fluida, é possível explorar melhor o cenário com a mecânica de se puxar pra cima e os tiros das armas têm uma sensação mais satisfatória, não dando mais uma impressão de que a bala se movimenta devagar como acontecia em Borderlands 2, por exemplo. Além disso, o loot do jogo parece estar um pouco mais generoso, não demorando tanto para oferecer armas de níveis mais elevados de raridade com efeitos mais interessantes - e divertidos -  de serem usados. Também vale mencionar aqui que muitas das armas contam com dois modos de tiro, o que aumenta não só a variedade que cada arma oferece, mas também a possibilidade de algumas mecânicas diferenciadas, como a pistola inteligente da Atlas. Num modo de tiro ela "rastreia" o inimigo e no outro são os tiros normais que passam a perseguir o alvo, muito divertido de usar.

As novas classes também estão muito interessantes, principalmente o Fl4k, quem traz mais novidades e rapidamente se tornou um favorito da galera. O game tenta também entregar mais habilidades que o jogador possa usar de maneira integrada durante o gameplay, não apenas uma espécie de "especial" que só pode ser usado muito de vez em quando - dependendo da classe, é claro. A variedade dos personagens contribui muito para o "fator replay" do game também, o que tornaria muito importante ser possível pular as cutscenes iniciais do jogo.

Toda a experiência de Borderlands 3, assim como os jogos anteriores da série, é feita de maneira que possa ser apreciada tanto jogando sozinho como com amigos. Mas, também como os jogos anteriores da série, não tem jeito... Fica bem melhor com amigos. Isso é do estilo do game, que recompensa os jogadores por explorar mais os cenários atrás de loot e por repetir missões para fazer um farming básico de itens de vez em quando. Essas são as duas mecânicas mais recorrentes do jogo e onde você vai gastar mais tempo, então realmente fica mais legal tendo um amigo pra conversar.

Falando no aspecto multiplayer, Borderlands 3 também introduz um mecanismo interessante para jogadores de níveis bem diferentes poderem aproveitar uma partida equilibrada para os dois. É como se os inimigos numa mesma jogada tivessem níveis diferentes ao mesmo tempo, dependendo de qual jogador atira neles ou recebe o dano deles. Além disso, o loot que eles liberam é diferente para cada um, com o nível de acordo. Isso é bem legal pra quem já destrinchou o game antes de um amigo conseguir comprar, porque ainda dá para jogarem juntos sem ficar um tédio para um dos dois. Pra quem prefere a mecânica clássica, sem esse ajuste, também tem a opção de não nivelar o gameplay - e poder escolher é sempre bem-vindo.

O jogo é divertido sozinho, mas atinge todo seu potencial com amigos

Na parte de jogabilidade vale muito mencionar também que o novo game se constrói em volta de uma mecânica de viajar para diferentes planetas, com a "hub" do game sendo uma nave, o Santuário. Isso oferece muito potencial para a variedade de cenários e inimigos, que começa não muito bem usado, mas depois se expande para opções mais interessantes. Ainda assim, gostaria de ter visto uma variedade mais ousada nos diferentes planetas, que realmente fizessem o jogador sentir uma nova loucura a cada novo mundo para se explorar.

Gráficos

Os gráficos de Borderlands 3 seguem o mesmo estilo "cartunesco" em cel shading que consagrou a série e obviamente seria mantido no novo jogo. Existe uma certa limitação em termos técnicos do que se pode esperar de gráficos feitos nesse estilo, mas dá pra ver que a equipe teve bastante capricho em tentar entregar melhorias onde elas fossem possíveis. Os efeitos de tiros das armas, a qualidade da logística de colisões de objetos e, principalmente, a direção de arte do game merecem destaque e elogios.

Provavelmente uma variedade maior nos inimigos também seria mais interessante. Para um jogo deste tamanho, ter inimigos com mais diferenças numa mesma classe ajuda não só na imersão, mas na própria sensação de diversidade do gameplay. Isso já foi muito melhorado em relação ao Borderlands 2, mas ainda há espaço para ir além.

O que não posso deixar de mencionar foram os problemas técnicos do game em seu lançamento. Aparentemente o split-screen estava praticamente injogável nos consoles e, no PC, muitos sistemas tiveram problemas. No meu setup, que conta com Ryzen 5 1600, uma GTX 1070 e 8GB de RAM, não encontrei muitos problemas de performance, apenas alguns engasgos aqui ou ali. A pior parte mesmo foi tentar jogar em ultrawide, que fica maravilhoso no gameplay, mas estraga todas as cutscenes, cortando a tela de maneira errada.

Infelizmente, devido à nossa extensa cobertura da BGS 2019, esta análise acabou atrasando, e já saíram alguns patches para trazer melhorias ao game, que não tive a chance de testar se realmente funcionaram.

Áudio

O áudio de Borderlands 3 é a parte onde encontrei mais problemas no jogo, mas aqui pesa bastante a experiência pessoal. A dublagem para a maioria dos personagens é literalmente feita aos berros e isso fica cansativo bem rápido. Dá a impressão que 90% dos inimigos são basicamente o mesmo cara: um louco gritando no seu ouvido. 

Mas claro que, por mais que isso esteja muito presente no game, não é essa a única forma de dublagem que aparece no jogo. Temos também ótimas performance de excelentes atores aqui e uma decisão muito bem implementada de finalmente fazer os protagonistas falarem ao longo do game. Isso acrescenta muito para a personalidade deles, além de deleitar os ouvidos dos jogadores que optarem pelo Fl4k, personagem brilhantemente dublado por SungWon Cho, também conhecido como ProZD.

Claro que não podemos ignorar a trilha sonora do game e os efeitos sonoros, que são ótimos, mas é isso que já nos acostumamos a esperar de um game com este nível de investimento. Novamente temos The Heavy emprestando seu talento para a abertura do game e mais algumas músicas ao longo do jogo que realmente se destacam e acrescentam à imersão. Os efeitos sonoros não merecem tanto destaque quanto as músicas, mas funcionam bem e, para algumas armas específicas, oferecem uma camada extra de diversão e uma sensação maior de poder quando atiramos.

Conclusão

Borderlands 3 é o game que os fãs da série estavam esperando e isso significa duas coisas. A primeira é que podemos considerar o título imperdível para jogadores veteranos - uns pequenos ajustes no gameplay e uma leve melhoria na mobilidade dos personagens já fizeram toda a diferença na experiência final dos tiroteios, que ficou mais satisfatória do que nunca. O loot também parece estar um pouco mais generoso, empolgando mais o jogador que não demora tanto a conseguir novas armas bem inusitadas.

A segunda coisa que deve ser levada em consideração é que, sendo um jogo feito especialmente para seu público cativo, se você já não era fã de Borderlands, provavelmente não é o terceiro que vai mudar sua opinião. As mecânicas centrais são basicamente as mesmas e o jogo mantém seu principal objetivo: a busca pelo loot.

Borderlands 3 é o jogo que os fãs da série estavam esperando

E vale mencionar também que o game realmente atinge todo o seu potencial para quem tiver a chance de jogar com amigos. Só não recomendamos o split-screen antes das otimizações serem finalizadas...


  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.