Análise: Gears 5 - jogo extremamente bem executado justifica sozinho a assinatura do Game Pass

Excelente gameplay, campanha e vários modos multiplayer fazem o jogo brilhar

O Gears of War 5, ou melhor, agora com o nome minimalista de Gears 5, é a continuação do novo ciclo iniciado em Gears of War 4, tirando o protagonismo de Marcus Fenix e dando espaço para uma nova geração "mostrar a que veio". Nesse jogo acaba o nepotismo, então o foco sai de JD Fenix, filho de Marcus, e temos um eixo mais direcionado para Kait Diaz e sua jornada pessoal de auto-descobrimento que ao mesmo tempo serve de fio condutor para uma parte relevante da narrativa.

É a vez de Kait ganhar os holofotes no novo Gears

O game mantém vários elementos estruturais centrais do gameplay que caracteriza a série Gears, mas adiciona novas camadas de possibilidades com a introdução de um gameplay mais complexo para o robozinho assistente voador Jack, além de encorpara o multiplayer com novos e também tradicionais modos. Vamos ver mais detalhes no restante da análise.

A plataforma utilizada para testes foi o PC, jogando tanto com o controle quanto com mouse e teclado. Experimentamos a campanha jogando sozinho ou no cooperativo, testando a dificuldade tanto no normal quanto no insano.

Ambientação e Gráficos

Os gráficos em Gears estão excelentes, e rodando de forma muito otimizada no PC

Nesse games os gráficos já chegam deixam excelentes impressões já de cara. Basta iniciar a campanha para ver gráficos deslumbrantes, com cenários densamente detalhados, personagens muito bem projetados e excelentes efeitos de luz e física. Definitivamente é um jogo belíssimo e que mostra capricho no desenvolvimento, e cada canto do cenário foi criado com dedicação e detalhamento.

Outro fator determinante para a qualidade da experiência, nesse caso com a campanha, é o excelente trabalho com os protagonistas e com as cutscenes. Os personagens tem um trabalho magnífico e seus rostos são bastante carregados de expressividade, entregando suas emoções de forma clara e natural ao longo dos diálogos, algo valorizado por closes bem utilizados. Falando nisso, o trabalho de câmera nas cutscenes está ótimo, com movimentos e enquadramentos que contribuem para dar mais carga emocional a momentos críticos da narrativa.

O ponto em que o jogo não acertou foram as animações dos personagens durante o combate. A desenvolvedora tirou toda a expressividade dos personagens nas lutas, tornando os personagens praticamente indiferentes a tomar tiros ou pancadas, com exceção de leves resmungos. Estranho ver a desenvolvedora tirar o peso das animações nas lutas, considerando especialmente que falamos de um jogo que é para maiores de 18 anos, então não está tentando tirar alguma violência mais explícita de cena. O vídeo abaixo dá uma ideia desse efeito:

Falando do enredo, apesar de um ou outro desfecho meio previsível, a campanha rola de forma excelente. A narrativa é construída em um ritmo muito interessante, intercalando momentos de maior ação e emoção com partes mais lentas e introspectivas, algo que cria uma boa cadência e termina como sendo uma história bem contada. O gameplay também contribui para esse ritmo, como já vamos comentar na próxima parte da análise.

A impressão geral é que Gears 5 é um jogo polido e extremamente bem-executado, com os visuais do game sendo um fator importante para essa imersão na narrativa ou no gameplay no multijogador. Os raros momentos que vi o game "escorregar" foram eventuais bugs, como disparos em um cenário vindo de uma arma invisível, e outras curiosidades como o motor de física "bugando com força" e lançando pra estratosfera uma arma que era para ter só quicado no chão. Saudades daquela munição que ela tinha e eu precisava.  

Jogabilidade

Gears 5 mantém elementos centrais da franquia no gameplay e usa eles como fundação para melhorias. Um dos pontos altos do jogo é a agilidade, com o personagem se movendo de forma muito mais fluida e interagindo melhor com o cenário. Porém, o jogo segue com uma mobilidade pesada dos Gears e suas armaduras, e eventualmente tive dificuldades para fazer de forma ágil alguns movimentos.

Isso é sentido especialmente quando você joga no modo Insano, e que um hit pode ser o suficiente para morrer para alguns dos inimigos. O jogo mantém a interação tradicional que agrupa no botão "A" vários comandos essenciais, como correr (segurando), pegar cobertura (apertar) ou rolar (apertar duas vezes). Essa mecânica foi um prato cheio para eu eventualmente pegar cobertura quando devia correr, ou só correr quando queria rolar. 

 

Em geral, essa organização funciona bem no controle, e é um gameplay que funciona bem boa parte do tempo, com uma mecânica mais que consolidada por bons motivos. Porém para quem está no teclado e mouse ela tem coisas que não fazem tanto sentido, afinal temos muito mais possibilidades de botões e já até temos alguns comandos consagrados, como correr no shift. E aí vem uma coisa que me incomodou bastante: é possível configurar um novo botão para corrida, porém a mecânica de rolar e de cover estão presas a apenas um botão mesmo no PC. Isso para mim não faz sentido, e preferia dedicar um botão exclusivamente para cada coisa e escapar desse eventual problema que tive de errar a instrução.

O gameplay está bastante consistente e divertido de jogar

O jogo se saiu muito bem nos tiroteios, mantendo uma mecânica bastante robusta que se torna o fator central para o gameplay, especialmente nos modos multijogador. As armas trazem boa variedade de estratégias e possibilidades de combate no cenário, e a mecânica de pegar cobertura está bastante consistente, tornando bastante prazeroso jogar o game. 

O jogo alterna em partes mais lineares e partes em mundo semi-aberto

Em Gears 5 há períodos em que o jogo sai do formato linear e abre chance para um "pequeno mundo aberto" onde o jogador pode explorar mais o mapa, encontrar mais informações sobre os eventos e o mundo do jogo e realizar algumas missões paralelas. Eu achei muito acertado esse interlúdios, pois criam momentos de exploração e muitas vezes estão atrelados a trechos mais investigativos e de descobrimento do jogo, que combinam muito mais com essa mecânica exploratória. No resto do tempo, temos a trajetória linear que privilegia a ação e dão um ritmo desenfreado que a série Gears costuma trazer, e acredito que essas duas mecânicas opostas criam um contraste que acaba por valorizar a ambas.

O jogo tem um excelente balanceamento de dificuldade, deixando inclusive que cada jogador defina a dificuldade que quer jogar, algo bastante democrático e que deixa até mesmo jogadores com níveis de habilidade diferente jogarem juntos. O principal efeito da troca de dificuldade é uma mudança no dano que o jogador sofre ao ser atingido, e no Insano você chega ao extremo de sair da cobertura por um instante errado ser o suficiente para ser fatal, já que nessa dificuldade não há mais a mecânica de outro jogador "te levantar" e você voltar a ação. É game over na hora.

Um dos destaques dessa edição é a inclusão de mais capacidades para Jack, o robôzinho "pau pra toda obra" que acompanha o time. Além dele ajudar o time com múltiplas ações táticas, ele pode ser controlado por um jogador trazendo uma variedade maior do que se só ser um dos Gears descendo bala nos Swarms ao longo da ação.

Áudio

Gears 5 merece vários elogios quando o assunto é áudio. Os tiros, explosões, gritos dos Swarm, tudo isso é executado com excelente nível de qualidade, e valorizam as cenas de muita ação. Quando não está tudo explodindo (ou as vezes até quando tá explodindo) boas trilhas dão ritmo a ação ou adicionam expressividade à diálogos e cutscenes. 

O trabalho de dublagem em português brasileiros merece muitos elogios

Algo que estou cheio de elogios é a dublagem. Além de estar localizada no português brasileiro, temos aqui um serviço impecável, com muito profissionalismo e que adiciona muito ao game. É um dos jogos que não vejo motivo nenhum por optar por jogar na língua estrangeira que foi originalmente produzido, pois o serviço de localização garantiu que os diálogos e cenas não perderam a mensagem nem a expressividade na tradução e na atuação dos atores.

Conclusão

Gears 5 está entre os melhores lançamentos recentes. Ele não é perfeito, porém em todos os aspectos de sua execução temos um excelente jogo que pode ser facilmente recomendável para fãs da franquia e até para aqueles que ignoravam ela até ontem.

Avaliação: Gears of War 5

História e Ambientação
9,5
Jogabilidade
9,5
Gráficos
10
Áudio
10
Multiplayer
9,5

Um dos motivos que me dá essa segurança em indicar esse jogo é que ele possui conteúdo para praticamente qualquer perfil de gamer. Quem prefere a campanha solitária e uma história para ficar imerso, esse game tem uma interessante narrativa que, se as vezes pode ser um tanto manjada, é muito bem contada e satisfatória de acompanhar.

Para quem prefere o multiplayer e uma vibe mais competitiva, o jogo trouxe um bom conjunto de cenários e possibilidades no versus e dá pra gastar um bom tempo enfrentando outros jogadores em uma experiência muito beneficiada pela jogabilidade eficiente e divertida.

A grande quantidade e variedade de conteúdos tornam esse jogo uma recomendação para qualquer gamer

E pra quem curte mesmo um bom co-op, aí sim que não falta o que fazer por aqui. Desde jogar a campanha em conjunto com "um ou dois parça" até os modos horda e fuga temos uma quantidade considerável de horas para serem gastas com amigos e muita RoIP (reclamações over IP) de que alguém fez alguma burrada e matou o time. É mesmo diversão garantida em múltiplos modos e que sozinha justifica pagar o Game Pass, na minha opinião.


PRÓS
Mecânica consistente e divertida
Belíssimos gráficos
Campanha bem desenvolvida
Intercala bem mapas lineares e abertos
Vários modos interessantes no multiplayer
Bem otimizado e rodando muito bem no PC
CONTRAS
Alguns controles poderiam dar mais opções para quem joga no teclado
Alguns desfechos previsíveis
Animações de combate anti-climáticas
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".