ANÁLISE: Razer Viper - O melhor mouse da Razer até hoje

O melhor que há em tecnologia para mouses, em um dos melhores mouses do mercado
Por Wellington Diesel 20/09/2019 13:00 | atualizado 21/09/2019 01:14 comentários Reportar erro

Mouses leves são uma grande tendência do mercado, junto com cabos mais leves e flexíveis chamados "paracord", um destes sendo o Glorious Model O, que também faremos análise em breve:

Mas, como já devem ter notado, há uma característica comum em todos estes mouses: buracos na carcaça para reduzir peso, algo que pode desagradar muita gente em termos de visual.

Há uma característica comum nestes novos mouses ultra-leves: buracos

Será que não há como deixar um mouse leve sem que a seção de comentários encha de gente gritando "tripofobia"?

Sim, e a resposta é o Razer Viper, um mouse realmente ambidestro (com botões na direita, canhotos agradecem!) que pesa apenas 69 gramas, basicamente o mesmo que o Glorious Model O, mas sem nenhum furo visível e com um melhor balanço de peso, além de usar os novos Razer Optical Switches para os botões esquerdo e direito, e um novo cabo "estilo paracord".

E como será que o Razer Viper conseguiu chegar a este peso sem a ajuda de uma furadeira? Quais são seus novos recursos? Esses "Razer Optical Switches" são bons mesmo ou é só mais marketing igual os switches com "durabilidade de 50 milhões de cliques"? Ele realmente é bom? Como se compara com o Glorious Model O?

É o que veremos a seguir.

Construção Externa

O Razer Viper é um mouse que pesa apenas 69 gramas, fazendo ele encaixar na categoria "ultra-leves", junto a concorrentes como o Glorious Model O, Finalmouse Air58, Gwolves Skoll e vários outros que estão surgindo no mercado agora.

E dentre estes, se você quer um mouse ultra-leve mas não curte o visual "cheio de buracos" de concorrentes, o Razer Viper acaba sendo uma escolha mais agradável, combinando um visual que consegue ser "moderno" e "clean" ao mesmo tempo.

Medindo 126.7 x 66 x 37.8mm, o Razer Viper é um mouse de tamanho entre "médio" e "grande", com dimensões parecidas com o ZOWIE FK1 (embora um pouco menor em comprimento) e o Glorious Model O.

O Viper é um mouse ambidestro um pouco comprido mas baixo em altura, extremamente agradável para as pegadas Claw e Fingertip, especialmente para pessoas com mãos grandes.


Ele pode até ser usado por pessoas com mãos menores para a pegada Palm (especialmente mulheres e crianças), mas esta pegada não é o foco dele, ele teria que ser um pouco mais alto para isso (como é o ZOWIE FK1+).

O Razer Viper utiliza o mesmo plástico fosco de alta qualidade que é utilizado em mouses como o Razer DeathAdder Elite e Razer Naga Trinity.

É um plástico similar ao utilizado para double-injection em keycaps de teclados, não possui nenhum acabamento adicional e aparenta ser extremamente resistente contra desgastes ocasionados pelo uso, vai demorar bastante para que o mouse comece a ficar com marcas de dedos ou "gordura" (que na verdade são causadas pelo polimento do plástico).

Até o logotipo da Razer fica quase invisível sem os LEDs ligados, dando ao mouse um visual extremamente "clean".

Aproveitando também para falar sobre os cliques principais, o Razer Viper utiliza os novos switches Razer Optical Mouse Switch, que são baseados em tecnologia da Light Strike, mas não são remarcações. Porém, assim como os LK Optical para mouses, eles possuem uma resposta um pouco mais "rígida" do que switches OMRON convencionais.

Quem já utilizou o SteelSeries Rival 300, sabe exatamente o que eu estou falando, um clique mais "seco", que requer um pouquinho de força a mais do que switches OMRON normalmente precisam.

Os cliques mais rígidos significam que vou conseguir clicar menos?

Não exatamente, eu até pensei o mesmo, até que tentei clicar feito um louco com o Logitech G900 (que possui os melhores cliques entre todos os mouses que já testei) e o Razer Viper, e acabei tendo quase o mesmo resultado nos dois. Só é algo "diferente", não é algo pior.

Lembrando também que a resposta dos cliques de mouses tende a melhorar com o uso. Por exemplo, quando tirei o Logitech G903 da caixa e comparei com o Logitech G900, a resposta dos cliques não estava tão agradável quando o modelo usado. Cliques de mouses vão literalmente "amortecendo" com o tempo e uso.

Nas laterais do Razer Viper encontramos grips de borracha, similares aos do Razer DeathAdder Elite. Eles proporcionam uma excelente aderência ao mouse

Mas, confesso que eu pessoalmente não sou fã de materiais como este nas laterais, pois ao longo prazo isso tende a descolar e/ou desgastar, prejudicando a durabilidade do mouse, mas só o tempo poderá dizer...

Há relatos de mouses como o Razer DeathAdder Elite descolando em suas laterais, mas não vi casos de desgaste até agora.

Outro detalhe a ser observado, são os botões laterais, os quais no Razer Viper ficam inseridos "dentro" do corpo do mouse, ao invés de ficarem expostos como são na maioria dos concorrentes. E o mais interessante, é que há botões nas duas laterais, sendo o único mouse ultra-leve "realmente ambidestro". Canhotos agradecem.

A Razer aparenta ter projetado os botões assim para evitar que destros pressionem os botões de canhotos acidentalmente e vice-versa, e realmente isso não ocorre nele.

Por estarem dentro do corpo do mouse, estes botões são um pouco mais difíceis para pressionar do que em alguns outros mouses, mas nada impossível ou desagradável, e a resposta dos switches deles é boa.

Embaixo do mouse encontramos dois grandes pés de teflon bem distribuídos, oferecendo um ótimo deslize ao mouse em quase qualquer mousepad.

Um detalhe interessante é que agora parte dos mouses da Razer parecem ser feitos em Taiwan. A razão é bem clara: os EUA dobraram o imposto de importação sobre produtos da China, e essa nova taxa não incide sobre produtos de Taiwan.

Também há o botão de troca de DPI, o qual na maioria dos mouses do mercado está no topo dele, próximo ao scroll, mas aqui está embaixo do mouse. E por qual razão fariam isso?

Bom, é difícil defender esta questão, pois o mouse possui uma PCB secundária para os botões laterais e colocar então um botão no topo não acrescentaria muito peso...

O que talvez aconteceria, é que isto afetaria o balanço de peso do mouse. A Razer teve todo um cuidado para fazer uma PCB muito diferente do normal, distribuir componentes e usar peças modificadas para terem baixo peso e deixar o peso do mouse centralizado. Talvez um botão de DPI no topo acabaria afetando este equilíbrio.

"Tirar o botão de DPI do topo do mouse é bom ou ruim?"

Só você leitor pode dizer. Se você altera DPIs constantemente, talvez você pode aprender a usar os botões da lateral direita para fazer isso. Talvez a falta vai atrapalhar. Ou talvez você nunca usava o botão de DPI.

Enfim, a construção externa do Razer Viper é exemplar. A única coisa que ainda é uma incógnita é a qualidade das borrachas laterais e da cola aplicada nas mesmas. A borracha de mouses como o Razer DeathAdder Elite não costuma desgastar facilmente, mas não faltam relatos dela estar descolando. Espero que já tenham resolvido estes problemas no Razer Viper, mas só o tempo vai dizer...

Mas, como será que a Razer conseguiu fazer esse mouse ficar tão leve se não há buracos por fora? A resposta para isto está na construção interna, mas primeiro vamos adentrar a questão do cabo "estilo paracord".

Cabo "estilo paracord"

Agora chegando a um grande diferencial deste mouse, o cabo. O Razer Viper utiliza um cabo "estilo paracord", o qual a Razer chama de "Razer Speedflex Cable".

Este também é o primeiro mouse com este tipo de cabo que estamos fazendo análise (embora temos outros esperando análise).

E como são cabos "paracord" (que eu vou chamar de "paracord caseiro") e cabos "estilo paracord"? Bom, é melhor tentar explicar em vídeo:

Resumindo o vídeo, cabos "estilo paracord" não possuem uma camada de borracha, utilizam uma capa de nylon mais leve e flexível, fios internos mais flexíveis e uma proteção eletromagnética mais flexível. Pensem em um cadarço de tênis bastante leve e flexível, é bem parecido.

Já cabos "paracord caseiros" foram os primeiros a existir, o criador da ideia tendo sido o membro do fórum Overclock.net chamado "CeeSA" em 2015, inclusive este é um dos primeiros vídeos mostrando os cabos:

Cabos "paracord caseiros", fazem tudo o que cabos "estilo paracord" fazem, mas também removem as proteções eletromagnéticas que cabos de mouses são obrigados a utilizarem devido a padrões internacionais, por isso você só encontra o "paracord caseiro" em mouses customizados por usuários, empresas não podem vender mouses assim.

Cabos "paracord caseiros" são ainda mais leves e flexíveis do que cabos "estilo paracord", embora não muito. Trocar um pelo outro, já não gera muita diferença. Agora, se você possui um mouse com um cabo de nylon pesado e pouco flexível (ex: G502, G Pro, G403), vale muito a pena trocar o cabo por um "paracord caseiro".

Cabos paracord tornam o fio do seu mouse tão leve e flexível, que parece que você está usando um mouse wireless

Inclusive colocamos um destes cabos no mouse Pichau P701, o qual será feita análise em breve, e também no Logitech G900, a diferença comparado ao péssimo cabo do G900 é tanto, que você nem nota quando está usando ele no modo wireless ou com este cabo paracord.


Em ordem: Razer Viper, Pichau P701 modificado com cabo paracord caseiro e Glorious Model O


Razer Viper e um Logitech G900 com cabo paracord caseiro

O impacto do cabo paracord é tanto, que não noto diferença entre o G900 via wireless ou pelo cabo paracord

O resultado, tanto nos cabos "estilo paracord", quanto nos "paracord caseiro", é que o cabo do mouse se torna tão leve e flexível, que a impressão é que você esteja utilizando um mouse sem fio.

E como o cabo do Razer Viper se compara, tanto com cabos "paracord" caseiros e cabos "estilo paracord" de concorrentes?


Pichau P701 (paracord caseiro), Razer Viper (estilo paracord), Glorious Model O (estilo paracord), Logitech G900 (paracord caseiro)

Não tão bem quanto eu esperava. O cabo "Razer Speedflex" é certamente muito melhor do que cabos de nylon normais ou cabos de borracha, ele é muito mais flexível e mais leve do que maioria dos cabos de mouses que estão no mercado e se você combinar ele com um mouse bungee ou algo para deixar o cabo mais alto, a experiência será a mesma que um mouse wireless.

Mas é comparando com outros cabos paracord caseiros e estilo paracord, que ele não impressiona.

A Razer parece ter comprimido a malha de nylon demais para fazer o cabo ter a mesma aparência de cabos comuns, ao invés de ser mais "achatado e flexível" como é em outros cabos paracord e estilo paracord.

Um possível resultado desta decisão da Razer, é que talvez o Razer SpeedFlex seja mais resistente contra mau uso do que cabos paracord e cabos estilo paracord de concorrentes.

Em um mouse bungee, eu quase não noto diferença entre os cabos de cada um destes mouses e o Razer SpeedFlex se prova um ótimo cabo, mas comparando estes cabos lado a lado, nota-se que o Razer SpeedFlex não é tão leve e flexível quanto outros.

Enfim, o Razer SpeedFlex parece ser um ótimo cabo e é muito superior ao que maioria dos mouses do mercado possuem, mas não entendi bem a razão pela qual ele é um pouco menos flexível e um pouco mais pesado do que outros cabos estilo paracord.

Será mesmo para que ele tenha "melhor resistência contra mau uso", ou será que a Razer ainda não aprendeu fazer cabos estilo paracord tão bem quanto os concorrentes? Eu não tenho a resposta para esta pergunta.

Mas paracord não tem nenhum ponto negativo?

Sim, não são tão resistentes contra mau uso quanto cabos de nylon normais, mas não ao ponto que venham a quebrar durante uso, transporte ou algo do tipo.

Basta apenas ter o mínimo de cuidado e atenção para o cabo e não há o que se preocupar, evite "esmagar o cabo" (ex: passar por um buraco muito fino na mesa) e que coisas (ex: cadeira passar por cima), animais ou pessoas danifiquem ele.

Construção Interna

Como fazer um mouse ultra-leve sem buracos por fora? Simples, enchendo ele de buracos por dentro.

Agora falando sério, reduzir o peso de um mouse na estrutura interna não é apenas "encher de buracos", e sim saber como e onde pode-se remover plástico sem prejudicar a integridade de suas peças, razão pela qual há toda essa estrutura na parte interna do Razer Viper, a qual realmente me impressionou quando eu o abri:

A estrutura interna feita para reduzir o peso do Razer Viper, é impressionante

O que a Razer fez, foi utilizar uma  capa bastante fina de plástico, mas utilizar "paredes de plástico" para manter a integridade e diversos desses recortes hexagonais para diminuir ainda mais o peso do plástico.

Mas não apenas a capa inferior foi trabalhada afim de reduzir o peso, a capa superior também:

Enquanto que em outros mouses estas seriam peças sólidas, há recortes por toda a capa secundária do Razer Viper, algumas linhas recortadas diminuindo peso, quadrados recortados... E há ainda mais recortes embaixo dessas peças, mas decidi não abrir completamente por medo de danificar o mouse.

Outro detalhe extremamente importante, foi a PCB, a placa lógica onde está os componentes. Ao invés de fazer uma placa "quadrada" como maioria dos concorrentes fazem, a Razer projetou ela afim que o peso seja bem distribuído pelo mouse, diferente de concorrentes da FinalMouse e Glorious onde metade do mouse é oco e o peso fica quase todo na frente.

Diferente de outros mouses ultra-leves que possuem peso focado na frente, o peso do Razer Viper é centralizado

Eu já abri centenas de mouses e nunca vi algo tão complexo quanto o que foi feito no interior do Razer Viper.

Mas enfim, vamos aos componentes internos:

A primeira coisa que devemos notar, é que o scroll é oco, assim como é no concorrente Logitech G Pro Wireless, é um dos poucos mouses com este tipo de scroll e isto é feito para reduzir peso.

Na imagem, temos os switches ópticos, os quais vamos entrar em detalhes mais abaixo. Há também o codificador de scroll da Kailh, o qual é extremamente fácil para trocar e conseguir para trocar na Internet, é o mesmo que o Razer Mamba 5G.

O botão do scroll é um tactile square sem nenhuma marca escrita, o que não é o melhor na minha opinião, mas é aceitável, provavelmente foi utilizado para diminuir peso e deixar esse peso centralizado.

Os botões laterais por sua vez são ChangeFeng Red, que são switches com ótima durabilidade para botões laterais, mas não posso chamar eles de "High-End".

Já o botão de DPI é um botão SMD metálico.

Enfim, a construção interna do Razer Viper é excelente, é um mouse que demonstra que com um bom projeto e nas mãos de uma empresa que sabe trabalhar bem com plásticos e moldes, um mouse não precisa estar cheio de furos para se tornar ultra-leve.

A complexidade do design interno é impressionante, o peso é extremamente balanceado ao invés de focado na parte frontal como maioria dos mouses ultra-leves são, e todos os componentes são de excelente ou ótima qualidade.

Mas, ainda não discutimos sobre o grande diferencial dele, os switches ópticos.

Switches Ópticos

E chegando ao "diferencial" do Razer Viper, "switches ópticos", os quais ela chama de "Razer Optical Mouse Switches", e são claramente baseados em patentes da Light Strike (LK), mas não são remarcações dela.

Eles são os mesmos switches que os presentes no Redragon King Cobra? Não, a tecnologia é a mesma, mas o funcionamento é diferente, os plásticos utilizados aparentam ser de melhor qualidade e os Razer Optical Mouse Switches são "hot-swap", pode-se trocar eles apenas desencaixando as pernas, enquanto os LK Optical de mouses são soldados.



Switches LK Optical do Redragon King Cobra

Legendei o vídeo promocional da Razer, o qual explica bem o assunto e uma das razões para switches convencionais terem o famoso problema de "double-click".

E o vídeo abaixo mostra como estes Razer Optical Mouse Switches funcionam ao vivo:

Um detalhe extremamente interessante do Razer Optical Mouse Switch, é que assim como muitos outros switches ópticos de teclados, ele é removível.

O sensor fotossensível (sensor de luz) e o LED infravermelho ficam instalados na PCB do mouse, e não dentro do próprio switch como são em mouses com switches LK Optical.

Por isto, é possível remover ele apenas desencaixando suas pernas.



E embora este sistema seja incompatível com OMRONs, então atualmente não há como o próprio usuário consertar estes switches se eles quebrarem, assim que estes switches se tornarem disponíveis no mercado, o reparo será muito fácil.

O funcionamento deste switch é basicamente o mesmo que switches convencionais para mouses, mas ao invés de dois contatos se encostarem ao pressionar, o mecanismo do switch empurra uma peça de plástico para baixo, liberando a luz (você pode ver isso no vídeo acima).

Não há nenhuma identificação de fabricante nestes switches, a única coisa escrita é "A22" no topo da carcaça do switch.

Então switches ópticos são melhores que os normais pois vão durar 70 milhões de cliques, contra 50 milhões dos outros?

Não, estes "70 milhões de cliques" não estão bem corretos, a durabilidade de um switch óptico não deveria ser representada por "milhões de cliques" e sim pela vida útil do LED Infravermelho utilizado, a qual deveria ser calculada em "milhares de horas".

Aliás, até os "50 milhões", "20 milhões" e "10 milhões" de outros mouses com switches OMRON estão incorretos devido à alimentação elétrica incorreta que maioria dos mouses gamer modernos aplicam a estes switches, além do fato destes números serem testados em situações diferentes de como acaba sendo na prática.

Há um excelente vídeo feito por Alex Kenis aprofundando sobre o assunto, mas como este vídeo é de uma hora e quinze minutos, vou tentar "resumir um pouco".

Muitos switches em mouses gamer modernos não estão operando nas condições ideais, operando com intensidade de corrente e tensão elétrica bem abaixo das recomendadas para os switches, especialmente pelas controladoras de mouses gamer modernos trabalharem em 3.3v devido ao menor consumo de energia. O ideal para o funcionamento do switch OMRON D2FC-F-7N é 1 mA @ 5V, e não é isto que muitos mouses utilizam.


Intensidade de corrente e tensão elétrica aplicada aos switches OMRON D2FC-F-7N em diferentes mouses
Fonte: Failing switch problem: Omron vs the modern mouse circuit

Por não estarem operando em condições ideais, um dos resultados é que estes switches acabam tendo uma vida útil reduzida em comparação com os "10", "20" ou "50" milhões que dizem ter, então o problema já começa aqui nas próprias especificações, o OMRON D2FC-F-7N é o switch errado para mouses gamer modernos e só continua sendo usado devido à familiaridade que jogadores possuem com ele.

Além disto, switches OMRON D2FC-F-7N são designs que desgastam com o uso intenso e apresentam problemas quando é aplicado força demais, quando o plástico do mouse já aplica pressão sobre ele para facilitar o clique (por isso que o Logitech G900 / G903 dá tanto problema de "double-click") ou quando o pedaço de plástico que pressiona o switch não está bem centralizado.

Há formas de amenizar este desgaste, tal como utilizando o mesmo tipo de material de alta qualidade em ambos os contatos e separando as peças do switch ao invés de usar uma única, como é o caso do OMRON D2F-01F, mas isso gera maior custo e obviamente ninguém quer gastar mais para ter algo mais durável (sarcasmo).


Switch OMRON D2F-01F
Fonte: Failing switch problem: Omron vs the modern mouse circuit

Nos populares switches OMRON D2FC-F-7N, o desgaste e uso intenso por jogos, em conjunto com a utilização de materiais e um design de contato inadequado, gera estes danos aos contatos (imagem abaixo), que ao "rasparem" com os outros contatos ao clicar, faz o sinal ficar oscilando entre "ligado" e "desligado", perdendo contato com esta superfície o tempo todo após o clique, "tremendo" por estar raspando, e causando problemas.



Switches OMRON D2FC-F-7N desgastados
Fonte: Failing switch problem: Omron vs the modern mouse circuit

Estes contatos raspando na superfície desgastada, gerarão problemas como double-click ou chatter (quando você clica, segura e o mouse solta o botão sozinho, problema que está acontecendo com o meu Logitech G900), como podem ver na direita desta imagem.


Esquerda: Switch LK Optical. Direita: Switch mecânico.

Para evitar que estas falhas do switch sejam reconhecidas como cliques, é aplicado um atraso no reconhecimento do sinal, para que o sinal só seja reconhecido depois de estabilizar. Este é o debounce delay e ele pode variar de acordo com fabricante, modelo de mouse ou até ser ajustável no software de alguns.

Quanto maior este atraso, mais tempo o clique leva até ser reconhecido, mas menores as chances do problema de "double-click" ocorrer. Mas, como já sabem, todo "gamer" odeia a palavra "atraso no clique", então muitas empresas ajustam isso de acordo com a vontade do público.

Quanto menor este atraso, maiores as chances de um "double-click" ser reconhecido, especialmente porquê o tempo que os contatos do mouse ficam "tremendo", tende a aumentar com o uso e desgaste do switch, hoje 8ms de debounce pode ser o suficiente, no próximo mês pode não ser o ideal e o mouse apresentar o problema.

Por isso que eu gosto muito quando mouses e teclados oferecem debounce time ajustável, embora entendo que infelizmente parte do público vai colocar no valor mínimo (ex: 5ms), ter problemas em pouco tempo ou logo após tirar o produto da caixa, ativar o RMA e recusar a solução de "aumentar o debounce" pois isto "geraria atraso na resposta em jogos", sendo que 5ms a mais de atraso certamente faria ele perder partidas no Fortnite (sarcasmo).

"Calma aí wetto, eu não entendi quase nada"

A durabilidade de "milhões de cliques" é uma besteira de marketing, vários fatores tornam estes números incorretos, especialmente em mouses com switches OMRON.

OK, o importante é que você entenda: estes números de durabilidade de switches são besteira de marketing e não refletem a real durabilidade na prática, que dependerá de inúmeros fatores, muitos dos quais não existiriam se o switch realmente fosse "projetado para utilização em mouses para jogos".

Maioria dos problemas dos OMRONs, não existem nesses switches ópticos, então eles não são só marketing

E quase todos estes problemas não existem no LK Optical / Razer Optical Switch, então esse novo switch não é só marketing.

Mas claro, a Razer não vai atacar estes pontos no material publicitário pois... Ela ainda vende mouses com OMRON D2FC-F-7N e suas variantes.

"Volte ao assunto wetto, qual é então a durabilidade dos Razer Optical Switches, quantas horas vão durar?"

Não se sabe. LEDs infravermelhos de baixa potência como os que são utilizados no Razer Viper, simplesmente não costumam queimar, o máximo que podemos calcular é quantos milhões de cliques até que os plásticos responsáveis pelo clique comecem desgastar, o que talvez seja o número representado por estes "70 milhões".

Mas, a Razer não informa nada sobre como os testes foram feitos, quais peças falharam após este período, se os testes foram realizados com um shell de plástico em cima... Nada.

O correto e credível, seria se a Razer falasse algo como, por exemplo:

  • Certificado para 70 milhões de cliques até falha mecânica, ou 60.000 horas de uso contínuo (6.8 anos) - EXEMPLO, ESTES NÚMEROS NÃO SÃO REAIS

O que se sabe porém, é que na questão de curto prazo, algo em torno de 3~6 anos, que é o que período que maioria dos usuários utilizam um mouse até que troquem para um novo, não há sombra de dúvida que switches ópticos são mais duráveis do que switches mecânicos, especialmente por não apresentarem o "double-click", que é o maior problema que switches de mouses enfrentam atualmente.

Em curto prazo, switches ópticos são melhores do que mecânicos. Em longo prazo, não se sabe.

O que não se sabe, é a durabilidade ao longo prazo, será que em 8+ anos estes switches ainda estarão funcionando ou o LED terá queimado? Um switch mecânico, com ou sem double-click, provavelmente vai estar funcionando em 10 anos desde que não esteja danificado, mas e um switch óptico?

Esta é uma tecnologia nova, a Light Strike (LK) introduziu ela em 2014 e desde então ela vem sendo implementada em diversos teclados e mouses, tendo sido copiada ou modificada por diversas outras empresas, e por incrível que pareça, são extremamente raros os casos de problemas com switches ópticos (com exceção do Gamdias Hermes P2 RGB, mas esse foi mal projetado).

Ao mesmo tempo, será que a durabilidade para longo prazo importa para algo que troca-se a cada 3~6 anos? Será que outras peças (ex: codificador do scroll, botão do meio, laterais, skatez, LEDs RGB...) não vão ter problemas bem antes dos switches ópticos? Provavelmente. Talvez eu só estou fazendo tempestade em copo d'água...

Switches ópticos resolvem completamente todos os problemas de curto prazo (3~6 anos) comparados a switches mecânicos, mas não se sabe quanto a problemas de longo prazo (8+ anos).

Desempenho e Recursos

O Razer Viper utiliza o sensor Pixart PMW 3390, e não há muitas informações sobre ele, se realmente algo melhorou algo significativo em comparação com o 3389 e muito menos qual a diferença entre ele e o 3391.

O que se sabe é que este sensor e seu irmão 3391 estão sendo utilizados em alguns novos mouses sem fio e estão apresentando uma maior duração de bateria do que mouses com os sensores 3360 e 3389 apresentavam, então parece que a grande diferença é que estes novos sensores possuem uma maior eficiência de energia.

E isso é importante, pois afinal de contas já existe e está prestes a ser anunciado o Razer Viper Wireless.

Vamos aos testes, primeiro temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente, ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizá-lo, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados do Razer Viper no mousepad RISE M4A1, em 1000 Hz:

E ele apresenta um resultado perfeito. É normal as bolinhas estarem fora da linha e em direções opostas umas das outras devido à forma como o sensor trabalha. Também, é normal as "tremidas" nas extremidades, pois minha mão não apresenta um movimento constante, especialmente não quando estou mudando de direção o movimento.

O próximo teste é o teste de aceleração. O ideal sempre é que se o mouse for movido rapidamente 10cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do Razer Viper usando o mousepad RISE M4A1, em 1000 Hz:

E temos um resultado perfeito, o que é de se esperar para o Pixart PMW 3390.

Chegando ao software, não há como eu fazer uma análise profunda do Razer Synapse 3 pois ele é gigantesco, por isso vou deixar apenas os positivos e negativos:

Pontos Positivos

- Capaz de gravar e reproduzir movimentos do mouse, o que torna possível a criação de macros impossíveis em alguns concorrentes
- Compatível com o Project Aurora devido ao SDK Aberto, sendo possível sincronizar ele com periféricos de outras marcas
- Extremamente bem traduzido para PT-BR (embora as imagens mostram a interface em inglês)
- Iluminação possui integração com diversos jogos e aplicativos
- Interface prática e extremamente completa
- Possui função "HyperShift", onde ao segurar um botão, a função de todos os outros botões/scroll muda, permitindo mais botões e macros
- Possui memória interna
- Um dos melhores sistemas de macros do mercado

Pontos Negativos

- Não é possível salvar as configurações de iluminação para a memória interna

Um recurso interessante do Razer Synapse, mas que não é exclusivo dele, é o HyperShift, onde ao segurar um certo botão configurado para esta função (ex: qualquer um dos laterais), a função de todos os outros botões e do scroll mudam completamente. Segue abaixo um exemplo de configuração:

Uma boa notícia, é que desde Maio de 2019, o Razer Synapse 3 não requer mais que você registre uma conta para usar seus recursos, agora você pode clicar em "Continuar como visitante" e usar o mouse sem ter que entregar suas informações para mais uma das 5.891.838 empresas que já sabem até a cor da sua cueca. Legal.

Não é mais necessário fazer registro para usar o Synapse

A única coisa que realmente me incomoda, é que embora o mouse tenha memória interna, os perfis de iluminação não são salvos nele.

Ou seja, o mouse fica trocando de cores até que você instale e defina uma cor fixa no Synapse 3.

Um pequeno problema, mas irritante e que não deveria existir em um mouse que possui memória interna.

Conclusão

Avaliação: Razer Viper

Construção Externa
10
Construção Interna
10
Recursos e Extras
10
Preço EUA - US$ 80
8,5
Preço Sugerido Brasil - R$ 549
5

Pesando 69 gramas, tendo um tamanho entre médio e grande, e focado nas pegadas Claw e Fingertip, o Razer Viper é um mouse que combina muito do melhor em termos de tecnologia que há para mouses atualmente.

O melhor sensor, um excelente cabo "estilo paracord", o qual proporciona um fio mais leve e flexível, uma construção extremamente caprichada combinando plásticos de alta qualidade com baixo peso, possivelmente o melhor switch para mouses e componentes internos de alta qualidade, gabaritando a parte técnica da análise.

Espero que mais empresas comecem implementar switches ópticos em mouses (especialmente você, Logitech), pois além de resolverem os principais problemas de mouses atuais, há diversas razões pelas quais o OMRON D2FC-F-7N já não é mais adequado para mouses gamer modernos.

Um detalhe interessante, é que a parte mais caprichada do Viper não foi seu exterior, e sim seu interior. O trabalho que a Razer fez para diminuir o peso internamente e ainda assim manter uma estrutura balanceada e bem construída, foi impressionante.

A Razer mostrou que não é necessário um mouse estar cheio de furos para ser leve, basta saber projetar e produzir uma estrutura interna com peso reduzido, o que é muito mais difícil fazer do que encher o mouse de buracos por fora.

"Então ele é o melhor mouse do mundo e devo comprar ele?"

Calma aí, não é assim. Não existe "melhor mouse do mundo", existem diversos mouses "topo de linha" de diferentes marcas, e por mais que os recursos do Razer Viper sejam interessantes, um dos principais fatores que devem levar você a decidir entre X ou Y, é a ergonomia.

Se você gosta de mouses ambidestros de tamanho similar ao ZOWIE FK1 ou ZA12, ou especialmente se você for canhoto (é o único "ambidestro" ultra-leve que tem botões na direita), o Razer Viper é uma recomendação certa.

Já se você preferir mouses similares ao DeathAdder, Intellimouse 3.0 e outros mouses mais "altos e gordos" para colocar a mão inteira em cima, vale a pena esperar um pouco, pois tenho certeza que a Razer vai acabar lançando uma versão do DeathAdder com as mesmas melhorias que o Viper. Quando? Não sei, mas vão fazer isso.

"Razer DeathAdder 2020" tem um som futurista demais e a Razer não vai deixar essa oportunidade passar.

Custando US$ 80 (em conversão direta, R$ 324), o Razer Viper não é um mouse "Custo x Benefício", mas considerando o quão caprichado ele é, seus recursos e a qualidade da estrutura interna para chegar aos 70g sem utilizar buracos, este não é um mouse superfaturado (diferente de outros ultra-leves coloridos).

Seu maior concorrente é o Glorious Model O por US$ 50, o qual também é um mouse bastante leve com cabo "estilo paracord", e é um excelente mouse (análise em breve!), mas ele não possui switches ópticos (mas tem ajuste de debounce, o que já ajuda resolver o double-click se ocorrer!), possui um peso menos balanceado e um software inferior (mas pelo menos ele salva as cores para a memória interna).

Já no Brasil, a coisa complica. Primeiro de tudo, estamos com um dólar extremamente alto e isto é refletido em seu preço sugerido de R$ 549.

Lembrando que esta é apenas uma sugestão de preço, o preço praticado provavelmente será diferente e o mouse estará disponível no Brasil à venda nas próximas semanas. Espero que com o tempo, maior disponibilidade em lojas diferentes e caso o dólar venha a se acalmar, o mouse acabe tendo um preço mais agradável.

Se você não está atrás de um mouse ultra-leve e está interessado apenas na questão de switches ópticos, o Redragon King Cobra é uma opção muito mais acessível custando na faixa dos R$ 150~180, embora tenha algumas falhas que o Razer Viper não possui e seja inferior em alguns aspectos.

Parabenizo ambas por estarem investindo nesta tecnologia e peço que lancem mais mouses com isso.

Enfim, o Razer Viper é sem sombra de dúvidas um dos melhores mouses do mercado atual, especialmente para quem procura um mouse ambidestro leve (ou se você for canhoto!), mas se é isso que você procura, cabe a decisão entre comprar assim que for lançado nas próximas semanas, esperar até a situação do Dólar melhorar ou buscar alternativas.

Também, uma versão wireless deste mouse está prestes a ser lançada e já foi vista nas mãos de alguns jogadores, mas tenho medo do preço que será...


PRÓS
Cabo "estilo paracord" extremamente leve e maleável
Excelente construção externa
Excelente construção interna
Peso de apenas 69 gramas e bem distribuído, sem ter buracos externamente
Sensor topo de linha Pixart PMW 3390
Software extremamente completo, bem traduzido e com um dos sistemas de macros mais completos do mercado
Switches ópticos à prova de double-click e com resposta mais rápida do que convencionais
CONTRAS
Preço
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  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.