ANÁLISE: Lenovo Ideapad 330s AMD

Notebook aproveita mal o processador Ryzen por falta de RAM e SSD

O Lenovo Ideapad 330S é um notebook voltado para o uso cotidiano. Ele une um design fino, leve e bonito, enquanto deixa a performance por conta da AMD com chips Ryzen no processamento, gráficos Vega integrados e também Radeon dedicados, dependendo do modelo. Testamos a versão mais básica, equipada com 4GB de RAM, Ryzen 5 2500U e um HD de 1TB, configuração que é vendia por R$ 2.400

Site oficial do modelo testado

Principais especificações:

- HD 15.6” (1366x768) Antirreflexo
- AMD Ryzen 5 2500U
- 4GB de RAM 2400MHz
- 1TB HD 5400 RPM
- 35,8 x 24,4 x 2,09 cm
- 1,87 kg
- Preço: R$ 2.399

Design


Fino e leve

O Ideapad 330S foi construído para ser um notebook prático para o dia-a-dia, com design compacto, fino e leve. Seu visual me agradou muito, com as partes em plástico e em metal bem encaixadas e trazendo a sensação de um notebook bastante uníssono e bem construído. Ele usa um acabamento fosco na cor azul, e um resultado é um bonito modelo que ao mesmo tempo não é muito chamativo.

A Lenovo caprichou nas bordas, deixando bem finas em torno da tela e também do teclado, que é bem integrado ao corpo do aparelho. O resultado é um notebook que muito compacto mesmo tendo uma tela de 15,6", e um teclado completo com direito a teclado numérico na lateral. Só foi preciso "espremer" as setas para tudo caber. O touchpad tem uma boa área e tem precisão regular, enquanto o teclado não tem muito feedback, devido ao baixo deslocamento das teclas ao escrever, mas que não chega a ser ruim.

As bordas finas em torno da tela tornam o 330S um notebook fino, leve e compacto, excelente para ser carregado no cotidiano

A tela possui o recurso antirreflexo e infelizmente tem um forte economia na resolução: assim como muitos notebooks no país, ele opera em 1366x768, pouca coisa acima do HD. Apesar da definição muito melhor de uma tela FullHD, a resolução do Ideapad 330S é aceitável, entregando uma imagem suficiente para uso cotidiano, mas que obviamente não vai trazer a qualidade de um display com maior quantidade de pixels. As cores e contrastes são regulares, e há uma distorção da imagem dependendo do ângulo em que a tela é observada, mas não chega a comprometer a experiência. Novamente, isso faz parte de algumas economias feitas nesse modelo.

A parte de upgrades é bastante amigável nesse modelo. Depois de remover a tampa inferior, há uma segunda estrutura de proteção metálica que precisa ser removida, e após isso você tem acesso ao segundo slot de memória RAM (a primeira memória está soldada na placa-mãe), um slot M.2, ao HD de 2,5" e também às estruturas de resfriamento e outros componentes. Não é difícil abrir e trocar várias dessas peças, ou realizar limpezas e manutenções nelas.

Desempenho


Ryzen comprometido por pouca RAM

A economia mais dura desse modelo acontece na memória RAM. A versão mais básica chega com apenas 4GB, uma quantidade que, categoricamente, nem devia ser mais disponibilizada em notebooks para se considerar aceitável o uso. Nossa primeira bateria de testes e impressões ao usá-lo trazem exatamente isso: um modelo lento, com dificuldades em alternar entre aplicativos e que demora tempo demais para realizar funções, tornando o uso próximo do irritante.

Com apenas 4GB de RAM, a versão mais barata do
Ideapad 330S chega a ser irritante de tão lenta

Aproveitamos para dar uma conferida no impacto que o upgrade de RAM traz ao modelo, tanto para verificar um pouco da experiência que a versão com 8GB traz quanto para verificar o quanto da funcionalidade estava sendo comprometida por essa economia excessiva de memória. E a descoberta não é nenhuma surpresa: colocando um módulo de 8GB e subindo a configuração para 12GB, o resultado é um salto gigantesco em performance, tanto abrindo e alternando entre aplicativos de forma muito mais rápida, quanto executando os apps de forma muito mais eficiente.

Um detalhe importante: não temos muitos notebooks de baixa tensão em nossos testes, então o comparativo inclui um modelo da Dell com um Core i7-8550U. Essa CPU é consideravelmente mais cara, com o próprio Ideapad tendo versões com ela e custando R$ 3,5 mil versus os R$ 2,3 mil do modelo testado. Porém, considerando que é o único hardware no mesmo perfil, um processador de baixo consumo para dispositivos mais leves, incluímos ele nos testes.

Mas quem conhece um pouco de gráficos integrados ou já viu esse nosso artigo sobre upgrade de RAM, sabe que ter mais memória disponível traz saltos para o desempenho dos gráficos integrados. Colocando uma memória adicional, o que viabiliza o dual-channel (duas vias ao invés de só uma na comunicação da RAM e da CPU) e deixando mais memória disponível para os gráficos Vega 8, o resultado é um salto que chega a ser MONSTRUOSO de performance em alguns cenários.

O salto de performance em games mostra o quanto a Lenovo comprometeu
completamente o potencial de seu produto por economia tola em RAM

Esports


Performance para jogar tudo

Com um processador bastante potente e gráficos de sobra para esse gênero, que costuma não focar nos gráficos e sim na competitividade, esse notebook sobra e muito para os games nesse estilo.

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: em jogos competitivos o ideal é buscar a taxa mais alta de quadros, de preferência acima dos 100fps 

Counter Strike: Global Ofensive
O game competitivo é baseado em DirectX 9 e apesar das baixas exigências de performance na parte da placa de vídeo, por se tratar de um Esport, o ideal é alcançar altíssimas taxas de quadros, algo que traz alta carga tanto a CPU quanto GPU.


DoTA 2
Também baseado em DirectX 9, DoTA 2 é um game competitivo que exige alta taxa de quadros, algo que traz uma carga de trabalho difícil de se lidar, especialmente para o processador.


Fortnite
Game altamente popular, o Fortnite fez sua enorme base de jogadores graças ao multiplayer massivo no estilo Battle Royale, sendo um desafio tanto para a performance do chip gráfico quanto para o processador.

Em games, existem duas realidades. Na sua configuração de fábrica, o Ideapad 330S não serve para jogar, mesmo franquias leves não atingem boa taxa de quadros e apresentam sérios problemas de stuttering, aqueles micro-travamentos que acabam com a fluidez dos movimentos, em boa medida causados por falta de memória.

O 330S está a um update de memórias de
ser um bom notebook para jogos leves

Após a atualização na memória, porém, as coisas mudam bastante. Seu desempenho sobe consideravelmente e passamos a conseguir jogar diversas franquias em HD e qualidade baixa ou até mesmo alta, se o jogo for mais leve. Mesmo não tendo como missão principal rodar jogos, temos aqui um desempenho suficiente para "brincar" com alguns games menos exigentes, com excelente estabilidade em alguns deles, como vamos mostrar em um vídeo em breve.

Autonomia, aquecimento e ruído

Na parte de duração de bateria, o Ideapad 330s apresentou um resultado "OK". Ele conseguiu ficar 3h11min fora da tomada no modo Home do PCMark 8, um resultado bom considerando que é alternado entre atividades leves como chamadas por vídeo e navegação na web com alguns trabalhos mais pesados como renderização 3D. O resultado fica acima da média de muitos notebooks testados por aqui, porém considerando que é um modelo de baixo consumo, queria ver uma vantagem maior comparado a modelos gamers.

O Lenovo 330S mira no baixo consumo e aquecimento, para ser um bom notebook de uso cotidiano, por isso traz uma configuração moderada, com apenas uma fan para dissipar calor e pouca alimentação de energia. Se por uma ponta limita do desempenho, essas características são bem-vindas quando o assunto é aquecimento e consumo de energia. O Lenovo tem um ruído muito discreto mesmo quando está fazendo atividades muito pesadas, como rodar games ou renderizar vídeos.


O ar entra pelas aberturas na parte inferior e é projetado abaixo da tela

Na ponta do aquecimento, o hardware discreto e a configuração ajudam, e o 330S tem temperaturas bem discretas de operação. Rodando o 3DMark ele não ultrapassou os 73ºC "no pacote", sensor de temperatura que temos acesso devido a configuração que une CPU e GPU desse processador. Mesmo em games, como dá para ver no nosso gameplay com ele, as temperaturas costumam se situar abaixo disso.

Gameplay em vídeo

É uma pena ver um uso tão equivocado do Ryzen na primeira chance que temos de ver ele em ação em um notebook. A expectativa era evidente até na notícia aqui no Adrena sobre a parceria entre a Lenovo e a AMD, com uma grande quantidade de acessos e comentários. O problema é que ambas as configurações disponíveis há coisas que me incomodam. 

Na versão mais barata, com o Ryzen 5 2500U, a falta de um SSD tira muito da agilidade do produto, enquanto os 4GB de RAM jogam uma pá de cal em qualquer chance de ter um notebook com bom desempenho. Quando olhamos para o mais potente, parte do problema é resolvido com mais RAM (8GB), um processador um pouco mais potente que também é bem-vindo e... um chip gráfico dedicado. Ao invés de um SSD, que sem dúvida nenhuma faria muito mais diferença, a Lenovo inclui uma RX 540, um chip pouca coisa mais potente que o Vega já embutido no CPU Ryzen. Na prática, o produto aumentou em 750 reais para ter os muito necessários 8GB de RAM em dual-channel e umas frequências levemente mais altas do Ryzen 7 e uma GPU Vega um pouco mais potente.

No restante ele tem vários pontos positivos. Ele é compacto, fino e leve, sendo muito eficiente como um notebook para uso cotidiano, mas esses deslizes nas configurações tiram muito do apelo do produto. Eu não consigo recomendar a versão mais barata por falta de hardware, e a mais potente encarece muito o produto e começa a encontrar concorrentes mais interessantes. O produto que eu recomendaria não existe, então acaba fazendo sentido apenas uma coisa: comprar o modelo mais barato, fazer um upgrade com SSD e RAM e assim realmente atingir o potencial de eficiência que esse modelo pode alcançar. Infelizmente, não é algo que dá para indicar para um usuário com pouca experiência, mesmo considerando a facilidade de abrir esse modelo.

As configurações da Lenovo usam mal o Ryzen 5, e só consigo recomendar esse modelo se você irá fazer o upgrade com mais RAM e um SSD, no futuro.

Conclusão

 

Avaliação: Lenovo Ideapad 330s AMD

Design
9.0
Tela
7.0
Performance
5.0
Preço
8.0
Autonomia
8.0

PRÓS
Design bonito, fino e leve
Teclado completo e no padrão ABTN-2
Bordas finas em torno da tela
Baixo custo
Fácil de abrir e fazer upgrades de RAM e SSD
CONTRA
4GB de RAM não são mais toleráveis
Grande perda de performance do chip Ryzen devido a falta de memória
HD bastante lento e demora para iniciar o sistema e abrir programas
Tela HD
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".