ANÁLISE: Avell G1750 MUV

Alta performance para games e trabalho, mas não dura quase nada fora da tomada

[+update]: Foram adicionados os testes com bateria.

A linha MUV é um conjunto de notebooks de alta performance da Avell, composta por especificações robustas e focadas no público gamer. Recebemos para testar um modelo dos mais básicos da linha, mas ao mesmo tempo um dos mais interessante, por vir equipado com o chip GTX 1650. A linha 50 das GeForces tem sido uma das melhores para notebooks gamers por trazer preços mais competitivos, por se tratar do chip de entrada GeForce, mas o mesmo tempo um nível bom de desempenho.

Além do chip Nvidia, esse modelo também é o primeiro que testamos com a 9ª geração de processadores Intel Core. O modelo é um dos mais potentes disponíveis nessa família de produtos, então vai ser interessante ver até onde essa combinação de hardwares potentes vai chegar.

Principais especificações:

- Intel Core i7-9750H
- Nvidia GeForce GTX 1650 4GB VRAM
- 2x8GB DDR4 2666MHz
- 512GB SSD M.2
- Preço: R$ 6.899

Design


Visual neutro e eficiente

O Avell MUV traz um design bastante básico, com linhas discretas na tampa e o logo da empresa, enquanto o teclado se destaca principalmente pelo uso de LEDs RGB customizáveis. Recebemos um modelo com a cor prata que é bonito, mas que destaca bastante arranhados e marca com o tempo de uso, então talvez ficar com a cor padrão seja uma melhor alternativa.

A tela de resolução FullHD e tecnologia LCD IPS tem excelentes níveis de cores, constastes e principalmente pouquíssima distorção da imagem independente do ângulo que você olha para a tela. Apesar de não fazer frente aos modelos 144Hz que equipam os modelos mais caros da marca, a vivacidade das cores tornam essa tela bem interessante tanto para o consumo de vídeos quanto jogar.

O MUV é um notebook com um balanço intermediário de porte e performance. Não tenta ser um modelo ultrafino, mas também não chega a ser excessivamente pesado e espesso. Isso é bom por evitar problemas como produção de ruído excessiva como já vimos em modelos da empresa muito finos, mas ao mesmo tempo não se tornou grande demais para ser transportado com facilidade. Ele possui um total de duas fans, uma para o CPU e outra para o GPU.

Falando em reparabilidade e possibilidade de upgrades, modelos da Avell costumam se sair bem nesse critério e o G1750 MUV mantém esse histórico. Após remover múltiplos parafusos da base, a tampa inferior inteira sai e dá acesso a praticamente todos os componentes. Com dois slots para memórias, dois slots para SSD M.2 e mais um slot 2,5", tem muito espaço aqui para aumentar a quantidade de armazenamento e mudar a configuração de RAM, as duas principais alterações que fazem sentido em um notebook. Com a boa quantidade de RAM e o SSD de 512GB já incluso no produto, o mais interessante seria incluir um HD ou mais um SSD para expandir a memória interna.

Desempenho


Bom desempenho em atividades gerais

O Avell G1750 MUV vem bem "municiado" de hardwares, mesmo nessa versão mais básica que testamos. O chip gráfico GTX 1650, surpreendentemente, é mais parrudo nos notebooks que nos desktops, com uma quantidade maior de núcleos CUDA que seu homônimo em computadores de mesa. O Core i7-9750H é um poderoso processador com seis núcleos e 12 threads, capaz de alcançar até 4.5GHz, especificações bem potentes.

É importante destacar que esse modelo possui um botão para troca de perfil, podendo ser usado no "OC", para mais desempenho, "Gaming" e por fim "Office", trocas que progressivamente reduzem os clocks de operação dos chips mas que ao mesmo tempo tornam o notebook mais silencioso. Usamos o modo "OC", exceto em alguns testes que será indicado qual modo foi usado.

Esports


Performance para jogar tudo

Com um processador bastante potente e gráficos de sobra para esse gênero, que costuma não focar nos gráficos e sim na competitividade, esse notebook sobra e muito para os games nesse estilo.

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: em jogos competitivos o ideal é buscar a taxa mais alta de quadros, de preferência acima dos 100fps 

Counter Strike: Global Ofensive
O game competitivo é baseado em DirectX 9 e apesar das baixas exigências de performance na parte da placa de vídeo, por se tratar de um Esport, o ideal é alcançar altíssimas taxas de quadros, algo que traz alta carga tanto a CPU quanto GPU.


DoTA 2
Também baseado em DirectX 9, DoTA 2 é um game competitivo que exige alta taxa de quadros, algo que traz uma carga de trabalho difícil de se lidar, especialmente para o processador.


Fortnite
Game altamente popular, o Fortnite fez sua enorme base de jogadores graças ao multiplayer massivo no estilo Battle Royale, sendo um desafio tanto para a performance do chip gráfico quanto para o processador.


Games pesados

Em games pesados a GTX 1650 sente um pouco o impacto de gráficos mais complexos, mas ainda consegue entregar alta qualidade. O Ultra pode ser excessivo em algumas franquias, mas reduzir o pre-set para o alto costuma resolver a maioria dos cenários.

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: acima de 60fps é o ideal para monitores que operam nessa frequência. Quanto mais próximo dos 30fps, pior vai ficando a fluidez e, abaixo dos 30, o jogo começa a ficar "não jogável."

 

The Division 2 - DX12
O game da Ubisoft conta com mapas amplos e complexos, com uma ferramenta de benchmarks interna do jogo que facilita os testes. O motor gráfico Snowdrop atua muito bem entregando alta qualidade gráfica e sendo bastante desafiador para o hardware. O game opera tanto em DirectX 11 quanto 12, com bons resultados na API mais recente, então optamos por rodar os testes na versão mais nova do software da Microsoft.


Assassin´s Creed Odyssey
O game de mundo aberto da Ubisoft é muito exigente no hardware, tanto na complexidade das cidades e seu estresse para o processador quanto os detalhes dos modelos e sua carga na placa de vídeo. Em geral, esse é um game que beneficia bastante as placas GeForce, penalizando bastante as placas Radeon mesmo meses após o lançamento e com a chegada de novos drivers.


 

Battlefield V
O game desenvolvido pela DICE segue como uma referência de qualidade gráfica, operando tanto na API DirectX 12 quando 11. O jogo também se tornou um marco nos games para PC ao ser o primeiro a introduzir a técnica de Ray Tracing híbrido da Nvidia através das placas RTX.


Resident Evil 2 Remake
O remake do grande clássico de terror trouxe uma excelente repaginada no visual do game, com grande destaque para a qualidade gráfica e um nível alto de exigência quando o assunto é memória de vídeo. 

Vale a pena jogar no Ultra? A diferença de qualidade
e performance quando se joga "no talo"

Gameplay em vídeo

Autonomia

Quando o assunto é ficar longe da tomada, normalmente os notebooks de alta performance "passam vergonha". Com hardwares potentes e gastões, eles tem dificuldades em economizar energia, e raramente se destacam nesse aspecto. E o Avell MUV não apenas mantém a tradição: ele é um dos piores que testamos. Fiz questão de colocar uma quantidade bastante ampla de modelos testados para deixar isso bastante claro.

Em nosso testes com o PCMark 8, que alterna navegar na internet, abrir documentos, rodar vídeos e uma renderização 3D, de forma alternada até descarregar, tivemos o resultado de apenas 1h40min. Esse resultados é péssimo mesmo para os padrões dos notebooks high-end. Mesmo economizando muito energia baixando o brilho de tela, colocando no modo econômico de performance e desligando a retroiluminação do teclado, é bem provável que ele não segure nem 2h mesmo de atividades leves.

Aquecimento e ruído

O Avell tem um recurso muito interessante para as questões de aquecimento e ruído. Um botão de atalho alterna entre três perfis de desempenho (OC, Gaming e Office) que modifica o perfil de fans e frequências de operação de chip gráfico e processador. O resultado são um espectro de performance e produção de ruído, com o notebook indo desde um estilo mais silencioso chegando a até ganhos expressivos de desempenho mas, em troca, fans bastante agressivas e barulhentas.

Ainda atualizaremos a análise com o gráfico comparativo de nível de ruído. Em nossa experiência, o notebook é bastante discreto no modo Office, mas já se torna ruidoso no modo Gaming e o modo Turbo já passa a ser realmente incômodo. Considerando o bom nível de desempenho mesmo no modo mais comedido, eu recomendaria o modo Office pra maioria das situações. Ela dá conta do recado na maioria dos casos, e mantém o notebook bem mais silencioso

O Avell G1750 MUV é um dos melhores notebooks que já testamos em termos de desempenho. Por trazer o chip Intel Core de nova geração, apresentou alguns dos melhores resultados em nossa bateria de testes, com o destaque para o atual recorde em tempo de renderização de vídeo, atividade bastante dependente de um bom processador.

Mas a GTX 1650 também não decepcionou. O chip gráfico não apenas é capaz de manter um patamar de desempenho parecido com a placa de vídeo para desktops: por contar com mais núcleos CUDA que a versão de computadores de mesa, em alguns casos o notebook com GTX 1650 é melhor que o desktop com a GTX 1650

O notebook é capaz de rodar games pesados em qualidade alta

Na prática temos um notebook que sobra com muita folga para games do tipo Esports, entregando taxas de quadros próximo aos 100fps, enquanto todos os games mais pesados podem ser jogados, boa parte em qualidade Ultra ou Alta com taxas de quadros próximos aos 60fps. A margem é tanta que o notebook pode confortavelmente realizar o streaming enquanto joga, algo que fizemos no gameplay abaixo. É importante destacar que por conta da conexão usada, há uma falta de fluidez na imagem, porém de acordo com o Streamlabs não foi perdido nenhum frame e o gameplay (pelo menos na minha ponta) foi um sólido 60fps, mesmo usando o modo Office.

Para quem está pensando em streaming, o ideal é investir um pouco mais e partir para uma placa como a GTX 1660 ou 1660 Ti pois a GTX 1650 não possui suporte ao NVENC de nova geração, usando a tecnologia da Volta, menos eficiente e também com resultados inferiores, já que o destaque da tecnologia de compressão da geração Turing é, além de ganho de desempenho, a redução de artefatos na imagem.

Um fator que não deve ser desprezado é a autonomia. Com um notebook que vem com o nome MUV e que se propõe a portabilidade, uma duração de bateria tão fraca é algo bastante contraditório. Mesmo considerando que os gamers vão sempre manter o notebook conectado na energia para extrair performance, essa duração ruim na bateria é um contra pesado para profissionais que querem um notebook que entregue desempenho quando precisar de poder de processamento, mas também autonomia quando estiver em deslocamento.

Com bom CPU, bom GPU e um SSD que torna esse notebook um modelo muito eficiente no cotidiano, seu grande problema é o preço. Custando na casa dos R$ 6.8 mil, ele é consideravelmente mais caros que modelos gamers de outras empresas, com modelos i7 de 8ª geração e GTX 1050 Ti sendo encontrado na casa dos R$ 4.7 mil. Mesmo considerando os bons ganhos de desempenho da GTX 1650 sobre a 1050 Ti, que faz games que antes rodavam no Médio possam ser configurados no Alto ou Ultra, esse salto de quase 2 mil reais é algo que pode não interessar a muitos consumidores.

Conclusão

 

Avaliação: ANÁLISE: Avell G1750 MUV

Design
9
Tela
9
Performance
9
Preço
7
Autonomia
5.0

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".