ANÁLISE: Ducky One 2 Mini RGB

Um pequeno grande teclado

O Ducky One 2 Mini é um teclado com tamanho reduzido, se encaixando na categoria "60%", o que significa que ele não possui o numérico separado, teclas dedicadas para navegação, nem as teclas de função (F1, F2, F3...).

O termo "60%" em si é só um termo de conveniência criado pela própria comunidade de teclados mecânicos, isso não quer dizer que teclados assim devem ter necessariamente 60% das teclas ou 60% do tamanho de um teclado normal, é apenas o nome popular desse "estilo" de teclado. Não quebrem a cabeça tentando decorar o que é o que.

Além do popular TKL (tenkeyless, sem numérico, o teclado da direita na imagem), existem também vários outros layouts no mercado, 65%, 75% (o menor da imagem), "90%" (o teclado do meio)... E há também outros "tamanhos", mas não há muito consenso sobre a porcentagem de alguns teclados "diferentes" pois não há ciência por trás destes números.


HyperX Alloy FPS (100%, Full-Size), Ducky One TKL RGB ( TKL), CM MasterKeys Pro M (90%), Matias Secure Pro (75%)

Mas não se enganem pelo seu tamanho, o Ducky One 2 Mini é um teclado extremamente completo em recursos, muito mais do que grande maioria dos teclados maiores, até mesmo seu irmão Ducky Shine 7.

Veremos mais sobre isso abaixo.

Construção Externa

O Ducky One 2 Mini é um teclado bem simples em termos de visual, temos a capa frontal em um plástico grosso, aparentemente de boa qualidade, enquanto a case inferior é feita em um plástico leve com acabamento glossy, que não aparenta ser nada de mais.



O Ducky One 2 Mini pesa 590 gramas, sendo relativamente leve para um teclado 60% Cherry, o que acrescenta para o quesito portabilidade. Deste peso, 137 gramas são a sua case e 353 gramas a PCB e switches (sem keycaps).

Em seu verso encontramos vários pés de borracha que mantém o teclado bastante seguro no lugar e há os pés de ajuste, sendo que há duas opções, permitindo assim três níveis de ajuste para o teclado. Ambos os ajustes são emborrachados.

O teclado utiliza um cabo USB-C de borracha e não há nada de especial nele. O conector é facilmente acessado pela sua traseira e nela também consta a marca e modelo do teclado:


A case do Ducky One 2 Mini poderia ser feita em um material diferente, mas isto acabaria aumentando o seu preço e o peso adicional seria negativo para sua portabilidade. Nem todo mundo acha necessário que o teclado também possa ser usado como arma branca.

Mas, se quiserem, o Ducky One 2 Mini é compatível com várias cases para teclados 60%, incluindo esta de alumínio ou esta em acrílico para que o RGB do teclado fique mais evidente.

"Ah, mas esse teclado tem poucas teclas, como vou usar isso?"

Simples, o teclado possui uma FN Layer, ou seja, segurando a tecla FN você tem acesso a uma nova camada de teclas:

"Mas eu não quero apertar o FN para apertar o Delete ou usar as Setas!"

Sim! Você tem razão! Por isso é importante que um teclado 60% seja programável, não apenas nas teclas principais, mas também as combinações com a tecla FN, o que é o caso do Ducky One 2 Mini.

A partir disso, eu pude fazer este layout que mais me agradou, trocando as teclas Win Direito, Alt Direito, Ctrl Direito e Shift Direito pelas Setas, trocando a tecla ESC pelo Acento Grave e Til, e a Contrabarra pelo Delete.

Também, configurei para que a tecla ESC seja acessível pressionando FN + ESC e para que a Contrabarra seja possível pressionando FN + Contrabarra:

E aí está algo chave para um teclado 60% ser útil ou não: customização

Um bom teclado 60% deve permitir que você ajuste ele para que teclas que você use pouco, sejam substituídas por teclas mais utilizadas. Ele deve permitir que você crie as combinações que quiser, para que a FN Layer seja útil.

Um bom teclado 60%, deve permitir que você possa customizar a função de suas teclas

Alguns dos melhores teclados 60% do mercado, chegam ao ponto de serem baseados no firmware open-source QMK, permitindo um nível de customização absurdo, até maior do que o nível de customização do Ducky One 2 Mini.

Ainda assim, não vou dizer que o layout 60% é o que mais me agrada, pessoalmente ainda considero o 65% como sendo o layout "ideal", pois não sacrifica as teclas de navegação e ainda possui a tecla Delete separada.

As únicas teclas que precisam do FN para serem acessadas, são as teclas de função (F1, F2, F3...), o mais importante já está no próprio teclado e ele não precisa de configurações adicionais (com exceção da troca do ESC pelo Grave e Til, que nós brasileiros usamos muito).

Mas, diferente do desastre que foi o Motospeed CK61, o Ducky One 2 Mini conseguiu me convencer que é sim possível usar um teclado 60% sem problema algum desde que ele seja customizável.

Seguindo, o Ducky One 2 Mini utiliza keycaps em PBT Double-Shot, o mesmo material que é utilizado por teclados mais recentes da Ducky. E o que seria isto?

PBT é um tipo de plástico mais rígido, com uma superfície um pouco mais rugosa (mas pouco mesmo) e mais resistente a desgastes de polimento do que plástico ABS, embora é importante lembrar que existem diferentes níveis de qualidade, tanto no ABS quanto no PBT.

Keycaps ABS não são todas iguais, existem keycaps ABS boas, mas a grande maioria das keycaps ABS de teclados mecânicos populares, são de baixa qualidade, especialmente nos modelos iluminados. A sensação de digitar em um bom conjunto de keycaps PBT, é muito mais agradável ao tato do que um conjunto de keycaps ABS de baixa qualidade.


Keycaps do ZOWIE Celeritas II

Agora, antes de falar o que seria Double-Shot, seria interessante falar sobre o processo de impressão Laser, que é utilizado por maior parte do mercado de teclados iluminados.

Este é o processo de criação de keycaps Laser:


E qual o problema do Laser? Dois basicamente.

O primeiro, é o próprio aspecto da tinta de keycaps Laser translucentes (que permitem passar luz), a qual dependendo a tinta, pode degradar bastante com umidade, de acordo com o uso, etc... Além de ser um material menos agradável ao tato que o Double-Shot ou Dye-Sub:


Teclado HyperX Alloy FPS (o novo modelo RGB não apresenta tal problema)

Isto afeta principalmente teclados produzidos pela iOne (Razer, HyperX, Tesoro, Logitech...), especialmente lotes anteriores a metade de 2018, quando o método de impressão foi trocado. Em lotes mais recentes e em teclados da Solid Year (Corsair, Cooler Master, Roccat...), este problema não é tão grande.

O segundo, é o desgaste. Tanto keycaps Laser, Double-Shot ou Dye-Sub, podem sofrer desgaste, sendo que o mais normal é que a tecla fique com aspecto de "gordura", pois o seu dedo acaba polindo o material até ele ficar brilhoso.

Algumas destas, especialmente keycaps Double-Shot ou Dye-Sub de alta qualidade, são mais resistentes a isto, mas keycaps Laser também podem sofrer outro desgaste: o desgaste da própria tinta.


Teclado Mionix Zibal 60

Isto já não é mais tão comum em teclados recentes, mas infelizmente há casos de teclados Havit KB-366L e Sharkoon SGK1, SGK2 e SGK3 apresentando este problema, embora as fabricantes jurem de pés juntos que seja apenas um problema de lotes específicos e que lotes recentes não apresentam tal problema:



Sharkoon SGK2 e Sharkoon SGK3

Double-Shot, também chamado de Double Injection, é o processo quando duas peças de plástico são prensadas para fazer o caractere. Não existe "tinta", portanto não há como desgastar a tecla ao ponto da legenda sumir.

E assim como outros teclados recentes da Ducky, o Ducky One 2 Mini acompanha um removedor de keycaps algumas keycaps extras para troca, incluindo até algumas keycaps para teclas que ele não possui pois o mesmo pacote é usado em todos os teclados da Ducky:

Estas são keycaps não translúcidos (a luz não passa através delas) porém também feitas em PBT Double-Shot, ou seja, são de alta qualidade. As cores em cada teclado são aleatórias, então o seu teclado pode acabar não vindo com estas keycaps verdes igual ao nosso.

Outro extra que o teclado acompanha é esta keycap com desenho de uma raposa, a qual é bastante bonita e dá um bom charme ao teclado no escuro:

Porém, essa keycap é feita em plástico ABS com impressão Laser. Ou seja, a qualidade é extremamente inferior às originais e a sensação ao tato de encostar nela enquanto o restante do teclado utiliza materiais de alta qualidade, é simplesmente nojento. Ela é horrível, mas não culpo a Ducky, pois provavelmente não é possível fazer desenhos complexos como o desta raposa usando o método de impressão Double-Shot.

A única finalidade desta keycap é para tirar fotos. Apenas algo para bonito, pois no uso é muito inferior à original.

Enfim, a construção externa do Ducky One 2 Mini é extremamente bem feita, keycaps de alta qualidade, uma case que faz o serviço e deixa ele bastante leve, conector removível USB-C. Embora o teclado não tenha uma construção inteiramente em alumínio ou algo do tipo como alguns concorrentes podem ter, o uso desse tipo de material na verdade não acrescenta à qualidade do teclado, apenas ao seu peso.

O Ducky One 2 Mini foi projetado para ser um teclado portátil e sua construção externa não possui falha alguma, portanto gabaritando este segmento.

Construção Interna

Infelizmente devido à nova case, o Ducky One 2 Mini não é tão fácil para abrir quanto alguns outros teclados da marca, agora é necessário remover as keycaps ao invés de apenas retirar parafusos embaixo dele. Felizmente há apenas 6 parafusos.

Estes buracos dos parafusos são visíveis enquanto a iluminação está ligada e a impressão que me dá quando os vejo, especialmente o que está no meio do teclado, é que há alguma "sujeira" embaixo das teclas, até porquê normalmente é o caso quando vejo pontos escuros embaixo de teclados iluminados.

Além disto, o teclado possui frestas nas suas laterais, característica causada pelo corpo dos teclados Ducky One 2, seu irmão full-size também possui o mesmo problema. Combine isso com os buracos dos parafusos e temos um design que ajuda o acúmulo de sujeiras e pó dentro do teclado.

A razão para o Ducky One 2 Mini ter estes parafusos desta forma e nestes lugares, é para que ele seja compatível com cases no estilo do GH60, incluindo esta de alumínio ou esta de acrílico transparente:


Mas, para outros usuários que não possuem interesse em trocar a case, esse design só ajuda a coletar sujeira, então confesso que não sou fã disso e iria preferir que o teclado tivesse frestas fechadas e sem estes buracos de parafusos. Este é o estado do teclado por dentro com apenas um mês de uso e com bastante cuidado:

Mas felizmente é fácil abrir o teclado e limpar. Entendo que a Ducky tentou criar um design que facilitasse a troca de case, mas ela deveria pelo menos ter feito algo quanto às frestas nas laterais da linha de teclados Ducky One 2, que são as maiores frestas que já vi em um teclado até agora.

Enfim, continuando temos agora a PCB do teclado:

O Ducky One 2 Mini foi projetado para suportar layouts ANSI (americano) e ISO (europeus), mas não suporta o layout JIS (Japonês) pois as controladoras estão nas partes onde estariam os encaixes para os switches, e nem ABNT2 pois o logo da Ducky está onde estaria o nosso "?".

As soldas do Ducky One 2 Mini são bem feitas, com um pouco de resíduo de limpeza e o brilho característico de soldas bem feitas. Não encontrei nenhuma solda mal feita em todo o teclado.

Os LEDs são LEDs SMD 3528 RGB, e são muito fáceis de substituir, mais do que em maioria dos teclados do mercado. Para substituir, basta comprar LEDs 3528 RGB, retirar a solda das pernas do LED antigo, cuidar a posição dele, entortar as pernas do novo LED, tomar cuidado para não inverter e soldar o LED novo.

As controladoras de LEDs são três controladores MBI5042GP, as mesmas que usadas em muitos outros teclados mecânicos que possuem um sistema de iluminação complexo, tal como os teclados Razer Blackwidow Chroma.

No coração do teclado temos uma MCU Nuvoton NUC123SD, baseada no processador Cortex M0, capaz de alcançar até 72 MHz, com 68 KB de ROM e 20 KB de SRAM.

Enfim, a construção interna do Ducky One 2 Mini é bem feita, as soldas são bem feitas, tudo é extremamente organizado e caprichado e a única coisa que não gostei, foi o design de case removível, especialmente as frestas nas laterais.

Sei que o motivo para isso é para permitir que usuários possam trocar a case por outra feita em alumínio ou outros materiais, mas creio que algo poderia ter sido feito especialmente quanto às frestas...

Recursos e Extras

E chegamos à parte mais extensa desta análise

Os recursos do Ducky One 2 Mini são:

  • Seis perfis internos, um "padrão" e cinco configuráveis
  • DIP Switches para configurações
  • Layer principal configurável
  • FN Layer configurável
  • FN + CTRL Layer configurável
  • 9 efeitos de iluminação
  • Duas Camadas de iluminação separadas, cada uma com efeito estático ou respiração
  • Modo Mouse
  • Ajuste de De-Bounce
  • Mini-games no próprio teclado

É uma quantia enorme de recursos para um teclado tão pequeno, mas é isto que torna ele tão interessante. Vamos discutir cada um deles abaixo:

Perfis Internos

Apertando FN + ALT + 1, 2, 3, 4, 5 ou 6, é possível selecionar os perfis do teclado, onde podemos configurar as funções de cada tecla ou da FN Layer.

No Perfil 1 (Default) que vem por padrão com o teclado, não é possível trocar a função de qualquer tecla, mas nos outros perfis quase tudo pode ser customizado.

Estes perfis são exclusivamente para a configuração de teclas. Configurações gerais (ex: de-bounce), efeitos de iluminação e camadas de iluminação, são compartilhados entre todos os perfis, então infelizmente você não pode ter a "bandeira do Brasil" no Perfil 2 e outras cores em outros perfis como era possível no Ducky Shine 5 por exemplo.

Cada uma das macros e binds feitas em um perfil, ficam salvas apenas nele. Mas, efeitos de iluminação e camadas de iluminação, são compartilhados entre todos os perfis

DIP Switches

Os DIP Switches são simplesmente estas chaves posicionadas na parte traseira do teclado:

O que cada um faz? O DIP 1 e DIP 2 alteram a posição da tecla FN.

Já o DIP 3 troca a tecla Caps Lock pela tecla FN, o que pode facilitar muito a execução de alguns comandos e macros sem ter que tirar a mão de cima do mouse.

E o DIP 4, simplesmente troca o modo de Anti-ghosting do teclado, trocando de 6-Key Rollover (seis teclas podem ser pressionadas no máximo) por N-Key Rollover (todas as teclas podem ser pressionadas).

O modo 6KRO é o aconselhado, pois além do NKRO não fazer nenhuma diferença na prática, também causa problemas de compatibilidade com certas BIOS de alguns computadores e também com alguns sistemas operacionais.

Layers Configuráveis

Já expliquei sobre as FN Layers na parte da construção externa, mas agora vamos adentrar um pouco mais nelas e explicar como configurar.

Primeiro, para entrarmos no modo de configuração, deve-se segurar FN + ALT + TAB por três segundos. Para selecionar a tecla que queremos configurar, basta pressionar ela. Para terminar a gravação, pressione FN + ALT. Para fechar o modo de configuração, FN + ALT + TAB.

Segue abaixo um tutorial para as macros, embora quero deixar avisado que eu não recomendo tentar configurar as macros no escuro como eu fiz neste vídeo:

O Ducky One 2 Mini possui três camadas de teclas que são quase 100% configuráveis, primeiro temos a camada de teclas normais (o Caps Lock não pode ser configurado, mas você pode trocar ele por FN):

A camada das teclas via FN também é configurável, se alguma das funções padrões não lhe agradar, você pode substituir ela e todas as teclas em branco também são configuráveis (menos o Caps Lock, os dois ALT e CTRL):

E por último há a camada FN + CTRL, que é um pouco difícil de pressionar, mas que também é configurável e já vem "branca" de fábrica por padrão, todas estas teclas em branco (menos os CTRL e Caps Lock) podem ser configuradas.

Ou seja, juntando as três camadas, o Ducky One 2 Mini possui 172 teclas configuráveis. Aliemos isto aos cinco perfis customizáveis e podemos dizer que o Ducky One 2 Mini possui 860 teclas customizáveis.

Em cada perfil o Ducky One 2 Mini possui 172 teclas customizáveis

O Ducky One 2 Mini é capaz de gravar o atraso entre teclas e também combinações de teclas (ex: CTRL + SHIFT + D) para as suas macros.

Mas, há um limite de 24 caracteres (incluindo espaço) para cada macro, o que pode não ser o suficiente para os scripts que alguns programadores podem precisar.

Efeitos de Iluminação

O Ducky One 2 Mini possui 9 efeitos de iluminação diferentes, o que pode não parecer muito, mas todos foram bem projetados

  1. Modo Onda RGB
  2. Ciclo de Cores
  3. Chuva RGB (teclas aleatórias acendem e apagam simulando "chuva")
  4. Explosão Reativa RGB (ao apertar uma tecla, uma onda de luzes espalha ao redor)
  5. Modo Reativo RGB (a tecla acende ao pressionar e apaga lentamente)
  6. Modo Reativo Single-Color (a tecla acende ao pressionar e apaga lentamente)
  7. Respiração Single-Color (lentamente a cor irá se acender com brilho no máximo e apagar lentamente de novo)
  8. Modo Estático (a cor fica parada na cor que você escolher)
  9. Modo Radar
  10. Desligado

Dos quais você pode escolher as cores apenas dos modos 6, 7, 8 e 9. Nos outros modos você pode apenas ajustar a velocidade, apertando FN + ALT + J para diminuir a velocidade ou FN + ALT + L para aumentar a velocidade.

Pode-se escolher as cores de duas formas, apertando FN + ALT + Z, X ou C ou então pressionando FN + ALT + Espaço para usar a paleta de cores. Vemos alguns destes efeitos e configurações no vídeo alguns parágrafos abaixo.

Camadas de Iluminação

Pressionando FN + ALT + G (camada 1) ou FN + ALT + B (camada 2) é possível ligar uma camada de cores independente e que ficam acima da camada de efeitos principal.

Combinando diferentes camadas com efeitos na camada principal, é possível criar efeitos complexos, similares ao que é possível no software de teclados de marcas como Corsair, Logitech, Razer ou SteelSeries, além de efeitos muito mais complexos do que é possível no software de algumas outras marcas.

Segue abaixo a demonstração e tutorial de configuração:

Modo Mouse

O Ducky One 2 Mini pode funcionar como mouse, e a utilização é muito fácil. Para mover o mouse, basta segurar FN e depois usar o WASD. FN + Q é o botão esquerdo. FN + E é o botão direito. Para usar o scroll, pressione FN + R ou FN + F.

O movimento é bastante "robótico" e não substitui um mouse quando é necessário precisão, mas pode ser útil para quem não precisa utilizar o mouse o tempo todo, para acessar algumas BIOS, etc...

Ajuste de De-bounce

Segurando FN + ALT + Y, U, I ou O durante 3 segundos, podemos ajustar o De-Bounce das teclas.

De-bounce é um atraso benéfico colocado para impedir que acionamentos falsos sejam reconhecidos. Quanto menor ele, menos a tecla demora para ser reconhecida pelo computador, mas-

"ENTÃO VOU TIRAR O DE-BOUNCE, COLOCAR O ATRASO NO MÍNIMO PRA FICAR MELHOR PARA MEUS JOGOS!!!!"

CALMA! Deixa eu terminar de explicar!

O de-bounce é apenas um atraso inserido para que a controladora espere até que os metais de contato parem de tremer, impedindo que contatos falsos sejam reconhecidos.

Com o tempo, a intensidade e a duração das "tremidas" aumenta, e quando esta duração for maior que o de-bounce, aparece o famoso problema de "double-click", embora esta não seja a única razão pela qual ele pode aparecer.

Quando o tempo de de-bounce é menor que o período no qual os contatos do switch tremem, aparece o double-click

"Show de bola! Então dá pra consertar fácil o problema de double-click no meu Ducky One 2 Mini se acontecer... Por que outros teclados e mouses não tem isso?"

Simples, pelo risco de que pessoas coloquem no menor valor para que "tenham o melhor desempenho em jogos" e acabem tendo problemas em pouco tempo. E ao invés de aumentar o atraso, estas pessoas vão acionar o RMA.

Um recurso que deveria diminuir a incidência de RMA, pode acabar aumentando ela devido à ignorância humana, devido ao pensamento de que "todo atraso é ruim", sem buscar saber as razões para este atraso.

Mas respondendo a pergunta, há sim alguns teclados e mouses que possuem a opção para ajustar isso, exemplos são o Tt eSports Ventus R e os teclados Galax XANOVA Pulsar e Magnetar, embora seja raro:

Caso você queira realmente evitar o atraso do De-Bounce e não ter risco de double-click, sugiro ir atrás de teclados com switches ópticos, embora na prática eu realmente não consigo notar vantagens, fora que switches ópticos atualmente são bastante limitados em variedade.

E como curiosidade, se colocarmos em 5ms, o nosso Ducky One 2 Mini apresenta double-click nas teclas U e Espaço. Se aumentarmos para 10ms (padrão), o problema some completamente.

Mini-Games

Os mini-games presentes no Ducky One 2 Mini são todos besteiras, nenhum é bem feito e o menos pior deles, "campo minado", deveria ser mais complexo, mostrando cores diferentes de acordo com quantas bombas há ao redor da tecla que você pressionou, permitindo marcar bombas, etc...

Os modos "gambling" são simplesmente "cara ou coroa" com 2 ou 4 escolhas, além de serem uma boa receita para alguém ter um ataque epilético. Segue abaixo um vídeo de demonstração, mas nem assistam pois é perda de tempo. PERIGO DE EPILEPSIA NO VÍDEO!

Como isso é só uma "besteira", não considero o fato de serem "ruins" como algo para colocar nos "contras" deste teclado.

Conclusão

 

Avaliação: Ducky One 2 Mini RGB

Construção Externa
9.5
Construção Interna
10
Recursos e Extras
10
Preço - R$ 500
7.5

O Ducky One 2 Mini é um pequeno teclado, mas não se enganem, entre os teclados 60% RGB disponíveis no mercado atualmente, é um dos mais completos em termos de recursos e qualidade.

Keycaps em PBT Double-Shot, 6 perfis internos, sendo 5 perfis editáveis e a quantia de configurações via hardware que podem ser feitas é absurda.

O sistema de macros e binds via hardware foi bem projetado, a iluminação RGB é caprichada e os switches Cherry MX são de alta qualidade, embora a Ducky deveria diversificar e usar outros switches também.

Aliás, se este teclado utilizasse engates hot-swap da Kailh (que permitem a troca de switches sem solda), com certeza não ficaria devendo nada para alguns outros teclados topo de linha e isso agregaria muito valor a ele. Uma boa ideia para um possível "Ducky One 3 Mini".

Chegando ao preço, o Ducky One 2 Mini, ao contrário do que seu tamanho indica, não é um teclado com preço reduzido, custando na faixa dos R$ 500 aqui no Brasil e em torno de R$ 400 em alguns sites de importação.

Embora este seja de fato um valor elevado, ele é justificado pelo nível de qualidade do teclado, pelos seus switches, pelas suas keycaps em PBT Double-Shot, pelo sistema de iluminação RGB mais caprichado do que quase qualquer concorrente e pela imensa gama de recursos que ele possui.

Acima do Ducky One 2 Mini, apenas teclados custom (feitos manualmente, muitas vezes sob especificações do próprio comprador) e/ou teclados consideravelmente mais caros, muitos dos quais podem não possuir todos os seus recursos, especialmente no que condiz ao seu sistema RGB, múltiplos perfis e configuração via hardware.

Então, por mais que o Ducky One 2 Mini seja de fato um teclado com um preço elevado, ele consegue justificar seu valor por ser um teclado topo de linha.

PRÓS
Duas camadas de Iluminação configuráveis
FN Layer e FN + CTRL Layer configuráveis
Iluminação RGB mais forte e caprichada do que maioria dos teclados da categoria
Keycaps em plástico PBT com impressão Double-Shot
Permite o ajuste de De-bouce, o que pode consertar o problema de "double-click" caso ocorrer
Seis perfis internos, cinco dos quais são customizáveis
Switches Cherry MX
Um total de 860 teclas customizáveis, 172 teclas customizáveis por perfil
CONTRA
Cada macro permite apenas 24 caracteres, o que impossibilita que textos ou comandos compridos sejam salvos como macros
Design de case substituível acaba auxiliando o acúmulo de pó e sujeira no interior do teclado
Embora seja extremamente completo, para parte dos usuários as configurações por hardware podem não ser tão práticas quanto um software, mas este não é o público alvo do teclado
Preço
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.