ANÁLISE: Avell G1750 RTX

Notebook tem tudo que se pode querer em um notebook gamer, mas por um alto preço
Por Diego Kerber 27/03/2019 18:58 | atualizado 04/10/2019 16:18 comentários Reportar erro

O Avell G1750 RTX é um notebook de alta performance voltado para gamers ou consumidores que precisam de componentes potentes. Entre os destaques do produto está o uso de dois chips GeForce de nova geração, as placas da série 20, e processadores Intel de oitava geração.

Site oficial do Avell G1750 RTX

Principais especificações:

- NVIDIA GeForce RTX 2060 (6GB GDDR6)
- Intel Core i7-8750H Coffee Lake, 12MB Cache (2.2 GHz até 4.1 GHz com Turbo Boost)
- TELA: IPS 17.3 polegadas; Borda fina com taxa de frequência de 144Hz; resolução Full HD
- 16GB RAM DDR4
- SSD M.2 480GB
- Intel Dual Band Wireless-AC 9560 + Bluetooth
- Teclado mecânico Retroiluminado (RGB) Padrão ABNT2
- GARANTIA: 3 anos em mão-de-obra e de 1 ano em peças.
- Preço: R$ 8.999,10 à vista

Design


Belo visual, bons acabamentos e design compacto

O visual dos notebooks da Avell evoluiu muito desde os primeiros modelos que testamos. Mesmo não se tratando de um projeto próprio, o G1750 traz um belo visual, com uso de um acabamento emborrachado na região de apoio dos pulsos e metal na tampa superior. O design usa um formato que vai afunilando na parte da frente, resultando em um notebook que inclusive aparenta ser mais fino do que realmente é. As bordas estreitas em torno da tela fazem com que seu porte pareça ainda menor, e mesmo tendo uma tela de 17 polegadas, tem tamanho de notebooks com tela de 15,6".

As bordas finas em torno da tela e o design fino e leve
fazem nem parecer um notebook de 17 polegadas

As linhas bastante sóbrias e discretas são balanceadas pelo sistema de luzes do teclado e na base do notebook. Elas são totalmente customizáveis, e dessa forma você pode ir desde um estilo arrojado e bastante colorido até um padrão discreto, deixando esse notebook quase com um visual de um modelo convencional.

A tela é o destaque, com ótima qualidade de cores,
contrastes e alta taxa de atualização

Sem nenhuma dúvida a tela é o grande destaque no visual desse notebook. A saturação de cor está em excelentes patamares, e a combinação dela com o ótimo nível de brilho da tela, acabamento fosco antirreflexo e a pouquíssima distorção da imagem independente do ângulo que é vista, faz dessa tela uma das melhores que testamos em notebooks recentemente.

Outro ponto importante de se destacar é que ela opera na frequência de 144Hz, diferencial bastante relevante para gamers de Esports. Pra não dizer que gabaritou por aqui, só ficou devendo ser compatível com G-Sync para fechar todos os números do "bingo gamer".

O teclado usa a segunda geração da tecnologia de teclas mecânicas dos notebooks  Avell, e tem como principal destaque um excelente feedback com um nível de ruído bastante discreto. Apesar de não chegar ao nível de qualidade dos teclados mecânicos de desktop, com muito mais espaço para o deslocamento das teclas, atualmente o meu tipo de teclado favorito para jogar em um notebook são esses equipados nos notebooks da empresa, por trazer um excelente balanço entre portabilidade, baixa produção de ruído e responsividade. Também é legal destacar que temos aqui um teclado no padrão ABNT-2, algo que às vezes passa batido por fabricantes de modelos high-end de notebooks.

Outro aspecto que é relevante destacar é a facilidade de se abrir esse modelo e fazer ações como limpeza ou upgrades. Basta retirar os parafusos da parte de baixo para que toda a tampa inferior seja removida, dando acesso amplo a vários dos componentes. Abrindo o notebook, também fica evidente o excelente potencial de upgrades, com memórias RAM, um slot 2,5" e dois slots M.2, bem acessíveis, tudo a poucos parafusos de distância de serem substituídos.

É fácil abrir o G1750 RTX e há bastante potencial de upgrades nesse modelo

Desempenho


Bom desempenho em atividades gerais

Com chips potentes tanto em CPU quanto em GPU, a expectativa é por alta performance, e é o que esse modelo entrega. Iniciando por uma bateria de testes mais genérica, com performance em aplicações como render e processamento, o Core i7 mostra a força dos novos modelos Intel com seis núcleos, e entrega níveis de desempenho bastante elevados.

Nessas situações, acionar o modo gaming trouxe um impacto considerável na performance, porém usá-lo também mudou consideravelmente o perfil de produção de ruído. Enquanto o modo Office quase não aciona as fans, as ventoinhas ficam bastante ruidosas no modo de alta performance. Mas, ao mesmo tempo, o retorno em desempenho é perceptível.

 

Esports


Performance para jogar tudo

Com um processador de alto desempenho e um chip gráfico potente, o Avell RTX segura um bom nível de desempenho, entregando taxas de quadros capazes de garantir uma boa competitividade nesses games que são exigentes nesse aspecto.

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: em jogos competitivos o ideal é buscar a taxa mais alta de quadros, de preferência acima dos 100fps 

Counter Strike: Global Ofensive
O game competitivo é baseado em DirectX 9 e apesar das baixas exigências de performance na parte da placa de vídeo, por se tratar de um Esport, o ideal é alcançar altíssimas taxas de quadros, algo que traz alta carga tanto a CPU quanto GPU.


DoTA 2
Também baseado em DirectX 9, DoTA 2 é um game competitivo que exige alta taxa de quadros, algo que traz uma carga de trabalho difícil de se lidar, especialmente para o processador.


Fortnite
Game altamente popular, o Fortnite fez sua enorme base de jogadores graças ao multiplayer massivo no estilo Battle Royale, sendo um desafio tanto para a performance do chip gráfico quanto para o processador.


Games pesados

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: acima de 60fps é o ideal para monitores que operam nessa frequência. Quanto mais próximo dos 30fps, pior vai ficando a fluidez e, abaixo dos 30, o jogo começa a ficar "não jogável."

 

The Division 2 - DX12
O game da Ubisoft conta com mapas amplos e complexos, com uma ferramenta de benchmarks interna do jogo que facilita os testes. O motor gráfico Snowdrop atua muito bem entregando alta qualidade gráfica e sendo bastante desafiador para o hardware. O game opera tanto em DirectX 11 quanto 12, com bons resultados na API mais recente, então optamos por rodar os testes na versão mais nova do software da Microsoft.


Assassin´s Creed Odyssey
O game de mundo aberto da Ubisoft é muito exigente no hardware, tanto na complexidade das cidades e seu estresse para o processador quanto os detalhes dos modelos e sua carga na placa de vídeo. Em geral, esse é um game que beneficia bastante as placas GeForce, penalizando bastante as placas Radeon mesmo meses após o lançamento e com a chegada de novos drivers.


 

Battlefield V
O game desenvolvido pela DICE segue como uma referência de qualidade gráfica, operando tanto na API DirectX 12 quando 11. O jogo também se tornou um marco nos games para PC ao ser o primeiro a introduzir a técnica de Ray Tracing híbrido da Nvidia através das placas RTX.


Resident Evil 2 Remake
O remake do grande clássico de terror trouxe uma excelente repaginada no visual do game, com grande destaque para a qualidade gráfica e um nível alto de exigência quando o assunto é memória de vídeo. 

Vale a pena jogar no Ultra? A diferença de qualidade
e performance quando se joga "no talo"

Mesmo em games muito pesados, o notebook não se sai mal, entregando altas taxas de quadros em FullHD mesmo na configuração Ultra. E como verificamos em nosso gameplay em vídeo, até o QuadHD em qualidade Alta pode ser arriscado em alguns títulos. Nos títulos mais pesados, porém, é inviável tentar buscar algo na casa dos 100fps para tentar tirar proveito da alta taxa de atualização, e considerando que boa parte deles são single-player, faz mais sentido mirar em 60fps e subir a qualidade gráfica para obter gráficos melhores.

Por trazer um chip RTX, isso quer dizer que nesse notebook é possível usar as novas tecnologias Turing como Ray Tracing e o DLSS. Em nosso primeiro gameplay com o notebook, o RT não se saiu bem em Battlefield V, porém ele recebeu melhorias consideráveis e em nossos testes estava viável jogar na casa dos 60fps fazendo ajustes na qualidade gráfica.

Gameplay em vídeo

Aquecimento e ruído

O Avell G1750 RTX possui um sistema duplo de resfriamento, com duas fans lidando com o aquecimento do processador e do chip gráfico. A performance térmica do notebook está dentro da média do segmento high-end de notebooks, com os chips Intel quase batendo no teto dos 100ºC (infelizmente algo que é quase normal), enquanto o chip GeForce atingiu picos bastante controlados, com temperaturas em bons patamares e que garantem que a RTX 2060 consegue manter suas frequências altas e consequentemente alto desempenho.

Falando agora da parte de produção de ruído, o G1750 RTX se sai bem, ficando na casa dos 43 decibéis (dB) nos momentos em que está sob alta carga. Acionar o modo Office impacta notavelmente na produção de ruído, porém no gráfico acabaria empatando com o resultado no modo performance, já que também chegou a essa casa dos 43dB em pontos mais específicos. Porém, ao longo do teste foi perceptível que a maior parte do tempo ele puxou a produção de barulho para a casa dos 40 decibéis, um excelente patamar, bastante silencioso para os padrões de um notebook gamer. Sempre é bom lembrar que esse modo Office reduz o barulho que o notebook gera em detrimento do desempenho, como podem conferir em testes lá na parte sobre desempenho.

Autonomia

Tela de 17 polegadas, componentes de alto desempenho e notebook com perfil fino são a fórmula para "dar errado" a duração de bateria. Apesar de todos esses fatores atrapalhando, o G1750 RTX não se saiu mal, entregando pouco mais de 3 horas de bateria em seu modo mais econômico, com brilho de tela reduzido e desligando a retroiluminação do teclado.

Esse é o melhor cenário, e se você fizer um uso mais pesado do notebook essa duração pode ser reduzida consideravelmente. E se está pensando em jogar, melhor não esquecer da fonte, pois além da bateria durar muito pouco, há uma notável queda de desempenho por conta da alimentação mais limitada através da bateria. Falando na fonte, também é legal elogiar o porte dela, que é compacta assim como o notebook.

O Avell G1750 RTX é um produto bastante caro, o que cria uma pressão bastante grande na qualidade do produto, e junto sobe muito nosso nível de exigência. E, felizmente para a Avell, ele entrega. Em praticamente todos os aspectos relevantes, ele se sai de forma excepcional.

A começar pelo design, mesmo sendo um notebook gamer ele é consideravelmente leve e compacto, principalmente se considerarmos que possui uma tela de 17 polegadas, 2,5kg é um excelente peso para um dispositivo com essas características. A tela está entre uma das melhores que já testamos, com muita saturação de cor, contrastes em excelente nível e bom patamar de luminescência. A taxa de atualização de 144Hz já impacta no uso cotidiano, e nos games faz muita diferença especialmente para quem pretende jogar de forma competitiva. Também deixo um destaque para o teclado, que está acima do nível de qualidade da maioria dos modelos disponíveis no Brasil.

Na parte de performance, a RTX 2060 entregou um desempenho um pouco superior ao da GTX 1070 que equipa o Avell G1750 FOX, com as duas se alternando de posição ao longo dos testes. Além do chip gráfico, há outro fator que influencia esses resultados, e que será tópico de um artigo futuro.

É um notebook com desempenho para rodar qualquer jogo em qualidade Alta ou Ultra com excelentes taxas de quadros, e com performance no CPU para não deixar o dono na mão quando precisar trabalhar com edição de fotos, vídeos ou render em 3D.

O G1750 RTX consegue rodar qualquer game em alta taxa de
quadros e com ótima qualidade gráfica

Quando a discussão vem para aquecimento e ruído, felizmente o projeto compacto não tornou inviável para o G1750 RTX manter os chips em boas temperaturas e com alta performance, e a possibilidade de alternar entre o modo desempenho e o modo silencioso com apenas um botão é uma excelente adição, nesse aspecto. Pena que em um notebook compacto não tem como fazer milagre em relação a bateria, então esse não é um modelo para ficar fora da tomada por muito tempo.

O custo é elevado, mas vale o investimento

Por fim, é indiscutível que o valor na casa dos 8 mil reais não é barato, e com certeza dá para você montar um desktop com mais desempenho por menos (como sempre tem alguém pra apontar nos comentários, apesar de não serem o mesmo tipo de produto e a comparação direta ser injusta). Mas se você está disposto a desembolsar o valor necessário, esse notebook tem uma combinação excepcional de performance, portabilidade, teclado mecânico e tela 144Hz com belíssima imagem, que definitivamente compensam o seu custo.

Conclusão

 

Avaliação: ANÁLISE: Avell G1750 RTX

Design
10
Tela
10
Performance
9,5
Autonomia
8,0
Preço
8,0

 

PRÓS
Belíssima tela
Design compacto e leve para um notebook de 17 polegadas
Performance para games em alto/ultra 1080p ou até QuadHD
Bom desempenho em atividades profissionais
Boa quantidade de slots para HD e SSDs M.2
CONTRAS
Alto custo
Duração de bateria apenas aceitável
Ecossistema de aplicações RTX ainda está em desenvolvimento
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".