ANÁLISE: Motospeed K96 Optical

Uma das melhores escolhas para quem prioriza durabilidade acima de RGB

O Motospeed K96, é uma versão mais simples do Motospeed CK107, com menos recursos, sem RGB, nem software. Sua iluminação é fixa na cor "branco frio" (Cool White).

O que pode parecer estranho ao público é que o Motospeed CK107 pode ser encontrado na faixa dos R$ 300, o que é apenas um pouco a mais do que o Motospeed K96. Embora para alguns o RGB e o software do CK107 possam fazer com que pareça mais atrativo, o Motospeed K96 tem uma carta na manga, o seu principal diferencial: switches ópticos.

Mas no que isso afeta o teclado? Como o Motospeed K96 se compara a concorrentes? E vale a pena comprar ele quando há teclados RGB na mesma faixa de preço?

É o que veremos a seguir.

Construção Externa

O Motospeed K96 é um teclado extremamente simples em seu visual, uma case prata, iluminação Cool White (branco frio, um branco puxado para azul) e nenhum adesivo, detalhe chamativo ou algo do tipo na sua parte superior, o que é estranho vindo da Motospeed.


A simplicidade dele me lembra muito a finada linha de teclados CM Quick Fire, que passou por mudanças para ficar com um visual bastante parecido com o dele.

Mas isso não quer dizer que o Motospeed K96 não tenha detalhes visuais. Na sua lateral é possível ver o logo da Motospeed e, do outro lado, o modelo do teclado.


Por baixo temos o mesmo estilo de design que o Motospeed CK98, inclusive tendo os mesmos pés de borracha nos mesmos locais. As borrachas são grandes, os pés de inclinação também são emborrachados e mantêm o teclado firme no lugar.

A case do Motospeed K96 não é nada impressionante, apenas uma case de plástico de boa qualidade (mas nada excepcional) que faz o seu serviço, o que é o esperado de um teclado desta faixa de preço.

As keycaps do Motospeed K96 são da mesma fabricante das keycaps que ela vinha utilizando até então, mas há um diferencial: a fonte está diferente.


Além da fonte não ser uma fonte "gamer exagerada" como é comum da marca, até mesmo as teclas multimídia, que são impressas pela própria fabricante do teclado usando um infill branco (que ao vivo parece ser corretivo), são bem mais discretas do que é normal para estes teclados, os desenhos são pequenos e acabam não prejudicando a estética dele, diferente do que ocorre por exemplo, com o Havit KB432L da segunda imagem:


Estas são keycaps ABS Double-Shot, e a grande vantagem deste tipo de acabamento é que ele é completamente à prova de desgastes, pois não existe tinta para desgastar, são duas peças de plástico prensadas, diferente do acabamento dos concorrentes Sharkoon SGK1, SGK2 e SGK3 que é tinta...

O Motospeed K96 é um teclado extremamente simples, e sua simplicidade é seu ponto forte. Um visual bastante elegante, sendo menos "gamer" e mais "profissional" do que outros teclados da marca. O Motospeed K96 possui uma qualidade extremamente respeitável na sua construção externa, ainda mais para o preço.

Construção Interna

Teclados com switches ópticos podem acabar sendo muito mais difíceis para abrir do que outros, o que certamente é o caso do Motospeed K96. Para abri-lo, é necessário remover a capa frontal, remover cada um dos 104 switches, remover todos os estabilizadores e só então você terá aceso à placa do teclado. Na traseira da PCB, a única coisa que veremos é o encaixe do cabo.

Mas, antes de fazer tudo isso e arrancar meus cabelos com o tanto de serviço que dá para fazer isso e remontar tudo de novo, notei um detalhe interessante: a placa do K96 é a mesma que o K99, inclusive é dito "K99" embaixo da barra de espaço do teclado.

Este fato é corroborado pelo encaixe para os LEDs RGB que são colocados ao redor da case do Motospeed K96:

Então, com a devida autorização, falei com o pessoal da Periféricos High End para utilizar as fotos internas da análise do Motospeed K99, já que esta é a mesma placa, e para surpresa de poucos, é extremamente parecida com a do Motospeed CK98 o qual já analisamos, inclusive utilizando a mesma controladora WTU 01:

Teclados com switches ópticos diminuem a ocorrência de problemas por soldas devido ao fato de todas estas serem soldas SMD (basicamente "colando" um componente na placa com solda) ao invés de soldas Through-Hole (onde é necessário colocar o componente através de buracos e soldar).

Todo o processo é automatizado e ocorre por máquinas especializadas, sendo que um dos problemas para teclados mecânicos, é quando as soldas Through-Hole não forem bem feitas, o que pode resultar em switches ou LEDs falhando.


Foto por Joel_E_B @ Sparkfun.com

Por isso, em teoria teclados ópticos são menos propensos a terem problemas com soldas do que teclados mecânicos convencionais, mas tudo isso também depende do controle de qualidade da fabricante, área na qual a Motospeed já fez vários deslizes.

Até agora, todos os teclados ópticos da Motospeed os quais analisei ou vi em análises, possuíam construção interna impecável e espero que a marca mantenha este nível de qualidade.

Switches Ópticos LK Optical

Primeiro, gostaria de explicar ao público o funcionamento de um switch óptico. Pensem naqueles "lasers de segurança" que são vistos em filmes, o funcionamento é basicamente o inverso disso:

Ao pressionar a tecla, uma peça desce liberando a luz para atravessar ao outro lado, entrando em contato com o sensor fotossensível e ativando a tecla. Simples.

Se você quiser entender mais sobre switches ópticos, recomendo ler este artigo: Teclados: o que são switches ópticos, como funcionam - e o que as empresas não explicam.

Ou seja, em todo e qualquer switch óptico, sempre haverá:

  1. Emissor de luz
  2. Sensor fotossensível (capaz de detectar a luz)

O que na verdade não é tão simples, são switches mecânicos que seu mouse e alguns teclados utilizam. Em switches mecânicos comuns, seja em teclados, mouses, eletrônicos ou o que for, há um efeito chamado "bounce", ocasionado pela flexibilidade do metal utilizado para a ativação. Este efeito pode variar de acordo com a qualidade dos materiais utilizados e também com o tempo e intensidade de uso.

Imaginem que exista um "trampolim" no interior de cada switch, e quando este trampolim começa a tremer demais após pular, seja por materiais de baixa qualidade ou pelo uso intenso, ele causa o "double-click".

Quando as "tremidas" após você pular se tornarem fortes demais, o "trampolim" pode pensar que você pulou duas ou mais vezes, quando na verdade pulou apenas uma. Este é o problema de "double-click".

Para evitar este problema, é aplicado um atraso chamado "debounce time", que ignora acionamentos durante um pequeno período de tempo (apenas alguns milissegundos). Todo switch mecânico tem isso.

Voltemos aos switches ópticos. Eles não utilizam peças que possam apresentar o "bounce", por isso são todos por natureza "à prova de double-click". Também, não é necessário o "debounce-time" nestes switches, então eles acabam sendo também "mais rápidos" em seu acionamento.

Pela sua simplicidade, é impossível ter o problema de "double-click" em switches ópticos


Sinal de um switch óptico na esquerda, sinal de um switch mecânico na direita

A simplicidade do switch óptico é o que permite que ele tenha estas vantagens. Também, por ser um sistema mais "encapsulado" que switches mecânicos comuns, eles também apresentam uma maior resistência contra poeira, e quando bem projetados e em conjunto com uma backplate especialmente projetada para isso, alguns também podem apresentar resistência contra líquidos.

Notem porém, que há switches mecânicos que também são capazes de ter estas resistências contra poeira e líquidos, os Kailh Box sendo um exemplo.

Agora chegamos finalmente ao switch LK Optical, ou melhor dito, Light Strike MJ 1.7, variante lançada em 2015 e que possui como diferencial sob seus antecessores e sucessores, o fato de ser um switch removível. É o único da Light Strike com esta característica.

Esta é a variante do Light Strike que está sendo utilizada por maioria das empresas que começaram a usar switches da marca, possivelmente porquê o MJ 2.0 possui um formato complicado para trabalhar, e os MJ 3.0/MJ 4.0 embora tenham diversas vantagens, sejam mais caros.

O switch Light Strike MJ 1.7 utiliza um LED infravermelho e um sensor fotossensível que são encaixados na parte inferior do switch para seu funcionamento, diferente do MJ 1.0 onde este sistema estava dentro do próprio switch.

Na imagem abaixo, "IR16" é o emissor de luz, enquanto "PT16" é o sensor fotossensível.

Quando a tecla é pressionada, um plástico que bloqueava a passagem de luz desce, permitindo que seja captada pelo sensor fotossensível. Simples.

Então, como é digitar em switches Light Strike MJ 1.7 Orange? Bastante parecido com o Kailh Box White, lembra a Cherry MX Blue, mas o switch em si é mais fluído, é "mais leve", o feedback tátil não é acentuado igual a MX Blue, e embora isso pareça ser ruim, não é, pelo contrário, é uma experiência bastante prazerosa de digitação. Mas, opiniões sobre switches são bastante subjetivas, então considere que sua opinião poderá ser diferente da minha.

A razão para a resposta ser tão parecida com a Kailh Box White é devido ao fato do sistema de acionamento e clique serem separados da mola principal, assim como também é o caso do Box White. Estes são os componentes do switch:

Na direita temos a mola principal e o stem, todo switch baseado em Cherry MX apresenta estas peças. No meio temos a carcaça do switch, enquanto na esquerda, temos o diferencial deste switch.

Ao contrário de outros switches baseados em Cherry, o Light Strike MJ 1.7 apresenta duas molas, sendo a segunda uma pequena mola com a função de exercer pressão sob esta peça de plástico, e quando pressionamos a tecla, a pressão se torna forte o suficiente para forçar este plástico para baixo, criando o clique e liberando a luz para o sensor fotossensível.



E esta é a similaridade que ele possui com o Kailh Box, pois o sistema de clique é independente da mola principal do switch, realmente muito interessante.

Outras características deste switch, é que o barulho é similar ao da MX Blue e ele possui um certo "wobble", é um pouco "frouxo" devido ao seu design removível, até mais que outros switches ópticos como o Co-Gain OKS. Isto não afeta a usabilidade, mas pode dar a "impressão" que seja inferior em construção a outros switches, quando não é.

Este switch é resistente a poeira, mas não é resistente a "respingos", diferente dos switches Light Strike MJ 2.0/3.0/4.0 que possuem esta característica, mas a resistência a respingos também pode ser alcançada de outras formas, tal como fazendo proteções ao redor do switch, vide Corsair K68.

Agora, algo polêmico é a questão da "durabilidade" destes switches. A Bloody e a Motospeed prometem uma durabilidade de "100 milhões de cliques", mas como discutimos no artigo referente a switches ópticos, esta métrica está errada, um switch óptico dura até o emissor de luz queimar ou o sensor fotossensível deixar de funcionar.

A durabilidade de um switch óptico deveria ser medida em horas, não em pressionamentos, deveria dizer algo do tipo "projetado para durar no mínimo 60.000 horas contínuas de uso".

No caso do LK Optical é usado um emissor de luz infravermelha de baixa potência e que gera uma quantia ínfima de calor, diferente do switch óptico Co-Gain OKS que usa LEDs RGB, então a durabilidade parece realmente ser muito boa, mas quando avaliarmos a questão de longo prazo, não consigo ter certeza se switches ópticos ainda estarão funcionando após um período de, por exemplo, 20 anos de uso.

Se o teclado está ligado, os emissores dos switches ópticos estão ligados e há algum desgaste, mesmo que ínfimo, independente se você estiver usando ele ou não.

Claro, poucos manterão o mesmo teclado por um período de tempo tão grande, mas o argumento de algumas pessoas contrárias à tecnologia óptica é que enquanto switches mecânicos de alta qualidade possivelmente ainda estarão funcionando após 20 anos de uso, switches ópticos poderão estar com falhas em seus sensores ou com emissores queimados, o que faz algum sentido, mas na minha opinião, não ter double-click ainda é mais vantajoso.

Outro argumento mais sensato, é que se o emissor ou o sensor fotossensível queimar, você não encontrará eles facilmente à venda para fazer a reposição, diferente de switches mecânicos comuns.

Por esta razão, aconselho que o público sempre opte por marcas que já são conhecidas neste mercado, tal como a Light Strike e Flaretech, as quais já possuem alguns anos de experiência e confiabilidade. Ou então opte por switches ópticos onde estas peças estejam embutidas em seu interior, o que facilita a troca caso você consiga comprar os switches.

Enfim, os switches Light Strike foram os primeiros switches ópticos do mercado e são alguns dos melhores, e fico muito feliz de ver esta tecnologia em teclados além dos modelos da Bloody.

Recursos e Extras

O Motospeed K96 é extremamente simples em seus recursos, há apenas alguns botões multimídia e por alguma razão bizarra o F4 aumenta e o volume e o F5 diminui o volume.

Além destas não serem teclas adequadas, pois não fazem muito sentido (teria sentido se fosse, por exemplo, F1 e F2), a função das duas está invertida, o que não é muito agradável para acostumar.

O teclado possui alguns efeitos de iluminação extremamente simples ativados pressionando FN + Print Screen, sendo eles:

  • Cor estática
  • Respiração (o teclado inteiro liga e apaga)
  • Reativo (a tecla que você pressionar, vai acender e apagar lentamente em seguida)
  • Reativo inverso (a tecla que você pressionar, vai apagar e acender lentamente em seguida)
  • Ondas reativo (ao pressionar uma tecla, uma onda acenderá teclas ao redor dela)
  • Vai-e-vem (pense no jogo da cobrinha, mas faça cada linha do teclado ter uma "cobrinha" e cada uma em uma direção inversa da outra)
  • Pass-through (há um "vulto" passando atrás da iluminação das teclas, apagando elas)

A iluminação do Motospeed K96 é na cor "Cool White", um branco bastante puxado para o azul, o qual acaba combinando extremamente bem com sua case prata.

Mas, o estranho é que ela é um pouco mais fraca que o normal para teclados mecânicos. Não é algo que "atrapalhe", pois ainda é um brilho confortável e bastante visível no escuro, mas é um detalhe curioso.

Ela não é de forma nenhuma "apagada" como a iluminação de alguns teclados de membrana pois há LEDs individuais em cada tecla, mas não chega no mesmo nível dos LEDs ofuscantes de concorrentes como o CM MasterKeys Pro M, Corsair K63 ou Logitech G610.

Porém, diferente destes outros três, os quais eu não suporto utilizar no brilho máximo, o máximo do Motospeed K96 é bastante agradável, então não considero isso um "ponto negativo" pois o brilho é o suficiente.

Conclusão

 

Avaliação: Motospeed K96 Optical

Construção Externa
9
Recursos e Extras
7
Preço - R$ 230
10
Construção Interna
10

O Motospeed K96 é basicamente o que o Motospeed CK98 Optical deveria ter sido, um teclado extremamente "simples", buscando ter apenas dois diferenciais: seus switches ópticos e seu preço.

Entre todos os teclados com switches ópticos no Brasil, não há concorrente mais barato que o Motospeed K96 e os seus switches LK Optical são de alta qualidade, além de serem à prova do problema de "double-click" que tanto assombra outros teclados da mesma faixa de preço.

Há claro, concorrentes com mais recursos na mesma faixa de preço, mas você vai ter que escolher entre um teclado com um switch de alta qualidade à prova de double-click, ou então uma roleta-russa RGB que pode ter problemas depois de um tempo. Ou pagar mais por um teclado RGB com bons switches.

Existem teclados com switches ópticos com RGB no Brasil, mas infelizmente o mais barato custa quase três vezes o preço do Motospeed K96, então se você está interessado por esta tecnologia, vale a pena deixar o RGB de lado.

Para quem não se importa com firulas e quer apenas um dos teclados mais duráveis dessa faixa de preço, o Motospeed K96 é uma excelente escolha.

Nota: Este teclado foi enviado para análise pela Black Falcon Store.

PRÓS
Ótima construção externa
Entre teclados com switches ópticos no Brasil, possui o melhor Custo x Benefício
Keycaps Double-Shot
Switches ópticos à prova de double-click
Switches ópticos de alta qualidade LK Optical
CONTRA
Disponível apenas na variante com sistema de cliques, a qual faz barulho, o que pode (ou não) ser um problema
Poucos recursos adicionais
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.