ANÁLISE: Intel Core i5-9400F

Bom CPU em games, mas muito caro e limitado em tecnologias comparado a rivais

O Intel Core i5-9400F é um processador do segmento intermediário de CPUs domésticas da Intel, voltado ao consumidor que quer um bom balanço entre performance e custo, com um processador que abre mão de capacidades como o overclock ou tecnologias como o hyperthread, mas que mantém recursos importantes como os seis núcleos de processamento. A linha F tem o diferencial de não incluir gráficos integrados, o que significa que é preciso usar uma placa de vídeo dedicada para gerar as imagens e tornar possível usar o PC. Essa linha F representa uma mudança na estratégia da Intel, que vinha incluindo seus HD Graphics em praticamente todos os modelos exceto CPUs muito entusiastas.

Análise Intel Core i5-9600K
Análise AMD Ryzen 5 2600X

No exterior o Core i5 9400F é vendido por US$ 199, valor semelhante ao cobrado em seu antecessor 8400 (que tinha gráficos integrados). Ele também chega na disputa com o Ryzen 5 2600, vendido originalmente por US$ 199 e que através de promoções hoje custa 169 dólares. No Brasil a coisa muda bastante de figura. Com custo na casa de R$ 1.1 mil, ele está bem acima dos R$ 700~899 cobrados no Ryzen 5 2600 e bem perto do valor do Ryzen 5 2600X.

Link para modelos Core i5 na TeraByte

Especificações técnicas

Comparativo


Intel Core i5-9400F

Intel Core i5-9600K

AMD Ryzen 5 2600

AMD Ryzen 5 2600X

Preços

Preço no lançamentoU$ 182,00 U$ 262,00 U$ 199,00 U$ 229,00
Preço atualizadoU$ 182,00 U$ 262,00 R$ 799,00 R$ 1.100,00

Especificações

Canais de memóriadual-channel dual-channel dual-channel dual-channel
Conjunto de instruções64-bit 64-bit 64-bit 64-bit
Multiplicador desbloquadoNão Sim Sim Sim
Número de núcleos6 6 6 6
Processo de fabricação14nm 14nm 12nm 12nm
SocketLGA1151 Serie 300 LGA1151 Serie Z370/Z390 AM4 AM4
Threads6 6 12 12
CodinomeCoffee Lake Coffee Lake S Pinnacle Ridge Pinnacle Ridge
TDP65 95 65 95
Cache L39 9 19 19
Clock2900 3700 3400 3600
Clock (Turbo)4100 4600 3900 4200
Memórias suportadasDDR4 DDR4 DDR4 DDR4
PCI Express3.0 3.0 3.0 3.0
Canais PCI Express16 24 24 24

Vídeo Integrado

Monitores suportadosSEM V͍DEO INTEGRADO 3
GPUIntel HD Graphics 630 SEM V͍DEO INTEGRADO SEM V͍DEO INTEGRADO
Clock1200
DirectX12

Características Gerais

Acompanha cooler?Sim Não Sim, Wraith Stealth Sim, Wraith Spire

Tecnologias Intel Coffee Lake S

Ainda sem reduzir a litografia, a novidade da nona geração Intel Core fica por conta de mais um refinamento em cima da tecnologia de 14 nanômetros, chamado de 14nm++ pela Intel. A principal vantagem dessa melhoria foi a capacidade de trazer mais núcleos aos processadores mantendo o mesmo nível de aquecimento e consumo.

Essa mudança mostra seus impactos principalmente na série Core i7, que agora contam com oito núcleos. Curiosamente a empresa criou um modelo com Hyperthread e outro sem, sendo o Core i7-9700K o modelo com oito núcleos e oito threads e o 9900K um modelo com configuração 8/16, colocando ele em concorrência direta com os modelos Ryzen 7, que contam com configurações semelhantes.

O Core i5-9400F não chega a tirar nenhum benefício marcante dessas novidades, ficando na mesma contagem de núcleos (6 físicios e 6 lógicos). Seu incremento comparado ao 8400 é de apenas 100MHz no clock base e no boost, subindo para 2.9GHz e 4.1GHz, respectivamente, uma mudança modesta demais para impactar de forma notável no desempenho. Sua grande mudança acaba sendo mesmo abrir mão dos gráficos integrados que estavam presentes no 8400 e estão no 9400, com o restante das especificações se mantendo semelhante.


Fotos


Os processadores Intel Cores de 9ª geração são compatíveis com todas as mainboards com chipset série 300, porém é necessário atualização de BIOS em modelos diferentes do Z390, já que estamos falando de processadores novos. É importante destacar também que apesar dos modelos de 8ª e 9ª geração também utilizarem o soquete LGA 1151, esse é uma versão diferente do soquete de mesmo nome utilizado para os processadores de 6ª e 7ª geração, apesar do encaixe ser o mesmo.

CPUs Intel Core de 9ª geração funcionam em qualquer placas-mãe com chipset série 300,
mas é necessário atualizar a BIOS de mainboards diferente dos modelos Z390

Logo ao lado colocamos seu antecessor, o Core i5-8400, onde fica evidente o formato idêntico. Inclusive nunca diremos qual é qual quando estão com os conectores para cima, deixando esse mistério para a eternidade.


Sistema utilizado
Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes, antes algumas fotos do sistema testado:

Máquinas utilizadas nos testes:
Todas os sistemas utilizaram componentes com mesmas características técnicas para os testes, com exceção da placa-mãe que varia de acordo com a plataforma, veja a configuração utilizada:

- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce RTX 2080 Ti FE [análise]
- Placa-mãe: Gigabyte Z390 Aorus Master
- Memórias: 16 GB G.Skill Trident Z RGB @ 3200MHz (2x8GB) [site oficial]
- SSD: Kingston Savage 240GB Sata 6Gb/s [análise]
- HD: Seagate Barracuda 2TB 7200RPM Sata 6Gb/s [site oficial]
- Cooler: Noctua NH-U12S [site oficial]
- Fonte de energia (PSU): Thermaltake Toughpower 850W GOLD [site oficial]

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits com Updates
- GeForce 419.xx

Aplicativos/Games:
- Blender [site oficial]
- CineBench R15 [site oficial]
- x264 Full HD Benchmark [download]
- HWBot x265 Benchmark [site oficial]
- V-Ray [site oficial]
- wPrime 1.55 [site oficial]
- WinRAR 5.61 [site oficial]

- 3DMark (DX11)
- Assassin´s Creed Odyssey (DX11)
- Battlefield 1 (DX11)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- The Division (DX12)
- The Witcher 3 (DX11)

CPU-Z/AIDA64
Através do CPU-Z e AIDA64 vemos algumas informações técnicas do processador, como modelo, clocks, número de núcleos e threads etc. Lembramos ainda que ele não é um modelo da linha "K", logo não pode ser overclockável, como estamos usando uma mainboard Z390, conseguimos colocar as memórias em suas frequências máquinas, se fosse um modelo da linha H ou B teríamos limitações nesse sentido também, diferente da AMD.


Consumo de energia


Fizemos os testes de consumo de energia do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe e placa de vídeo, podendo variar consideravelmente de um sistema para outro com configurações semelhantes.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:


Temperatura


Começamos pelos testes de temperatura, como o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando nenhuma tarefa além das tradicionais do sistema.

Rodando o wPrime
Quando colocamos os sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

"A temperatura varia de acordo com o programa utilizado, mesmo o wPrime estressando todos os núcleos sendo uma boa opção para ver o comportamento desse cenário, alguns programas podem exigir ainda mais do processador e consequentemente esquentar mais o mesmo, como exemplo citamos o Blender."


Testes sintéticos


Abaixo temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador analisado com outros modelos do mercado e fazendo exatamente os mesmos testes.

Alguns testes podem tirar maior proveito de CPUs com clocks mais altos,
independente da arquitetura e do número de núcleos/threads,
já outros podem tirar mais proveito de mais núcleos/threads

AIDA64 Latency
O software AIDA64 tem vários testes de performance, separamos um que mostra um cenário diferente dos demais, a velocidade de latência das memórias, que quanto menor o resultado, melhor.

Blender
O aplicativo Blender é voltado a profissionais de edição de filmes e para manipulação de objetos 3D, sendo um bom teste real de como o sistema se comporta nesse tipo de cenário.

V-Ray
O teste V-Ray Benchmark utilizado consiste no resultado de renderização do CPU, quanto menor for, melhor é o desempenho.

CineBENCH R15
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core também:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

HWBOT x265 Benchmark 2.0
Agora outro teste de conversão de vídeo, mas com o codec h265 e testes em FullHD e 4K:

Adobe Premiere CC
Mais um teste de renderização de vídeo, em um cenário real renderizando um vídeo com o Adobe Premiere CC 2018 sem uso de GPU:

7-Zip
O software de compactação 7-Zip se tornou um dos mais populares do mundo por se tratar de um aplicativo de código aberto, possuindo também um benchmark interno que vem sendo muito utilizado para métrica de performance, abaixo o desempenho dos sistemas com ele:

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, mas por enquanto com a placa de vídeo dedicada.


Teste em games


Agora vamos para os games, selecionamos alguns dos principais títulos do mercado para mostrar como os processadores se comportam utilizando configurações semelhantes, sendo sempre a mesma placa de vídeo, uma RTX 2080 Ti Founders Edition, e 16GB de RAM através de 2 módulos de 8GB com frequência de 3200MHz.

Assassin´s Creed Odyssey
O game da Ubisoft baseado na tecnologia DirectX 11 é uma referência de software que demanda alto desempenho tanto do chip gráfico quanto do processador resultado do mapa amplo e complexo recriando a região da Grécia Antiga.


Battlefield 1
Como um dos games com a melhor qualidade gráfica já lançados, agora o Battlefield 1 faz parte de nossa bateria de testes. Abaixo o comportamento dos sistemas rodando o game da DICE.


GTA V
Grand Theft Auto V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques boa qualidade gráfica. Ele é um dos games que mais faz uso do CPU, sendo um ótimo teste para ver o comportamento e diferença entre esse componente. Confiram abaixo os resultados nesse game:


The Division - DX12
O game da Ubisoft é uma proposta bastante ambiciosa de criar uma Nova Iorque "viva" em partidas com multiplayer totalmente online. The Division usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, e precisa lidar com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela, com destaque para a neve que ocasionalmente cai em alguns momentos. Ele é nosso escolhido para o teste sobre a API DX12.


The Witcher 3
The Witcher 3 foi lançado como referência em qualidade gráfica para PC, sendo um dos games mais interessantes da atualidade para medir desempenho de placas de vídeo e processador. Nesse teste temos um cenário diferente do que usamos em análises de placas de vídeo, visando forçar mais o processador. Abaixo os resultados dos sistemas comparados:

Gameplay

O Core i5-9400F é um bom processador para quem está focando em games, porém os elogios param por aqui. Com seis núcleos e threads e boa performance por thread, ele consegue atender bem a demanda de games, que já tem exigido algo melhor que um quad-core para atingir boa estabilidade e taxa de quadros.

Link para modelos Core i5 na TeraByte

O 9400F se sai bem em games, mas fica limitado em aplicações profissionais

Mas basta sair dessa descrição, ele esbarra em várias limitações. Para taxas mais altas de quadros, precisaria de clocks mais altos, o que não possui e nem pode chegar via overclock. Para aplicações profissionais, com render 3D ou edição de fotos e vídeos, por exemplo, está limitado aos seis threads por não possuir hyperthread. 

Reduções são normais em um line-up de produtos, e o hyperthread ou overclock ficar de fora dos i5 "não K" já é um clássico da Intel, o problema é o contraste. A AMD povoou esse segmento com processadores que além de contar com muito mais threads por permitir dois núcleos lógicos por núcleo físico, liberar o overclock (até em chipsets que não são o mais caro) o contraste faz esse i5 parecer pior. 

Por preços semelhantes e até menores a AMD oferece mais threads e overclock

Apesar de não trazer a solda e ficar no criticado TIM usado em gerações anteriores, na prática isso não foi um problema em nossos testes. Com clocks mais modestos, ele não atinge temperaturas altas, e mesmo em nosso gameplay que usamos o coolerbox, aquecimento não foi algo relevante.

Talvez a questão mais relevante seja: qual a vantagem para o consumidor dessa linha F. Os gráficos integrados não são um requisito para quem está pensando em montar uma máquina para jogar ou que já tinha em mente incluir uma placa de vídeo, mas os gráficos integrados sempre podem se mostrar úteis para quem não pretende usar gráficos dedicados ou eventualmente precise ficar sem placa de vídeo. Cortar um recurso do produto não seria um problema se houvesse alguma contrapartida.

A saída dos gráficos integrados não trouxeram
uma redução perceptível no preço

Do ponto de vista técnico, temperatura ou consumo não se alteram com a saída da iGPU. Também não há benefícios notáveis na performance de processamento, Isso nos leva a última possibilidade: preço. Sem os gráficos integrados, a redução poderiam impactar no preço, mas novamente não é o que acontece. Os preços tanto no exterior quanto no Brasil ficam em patamares semelhantes ao do antecessor que possuíam especificações bem próximas e também os gráficos integrados.

Dessa forma, mesmo com o bom desempenho em jogos, fica difícil recomendar o Core i5-9400F. Com um preço acima do praticado nos rivais da AMD que trazem também bom desempenho em jogos, se viram melhor em aplicações profissionais e que limitam menos os recursos do processador, modelos como o Ryzen 5 2600 parecem uma opção bem mais atrativa, inclusive custando menos.

Conclusão

 

Avaliação: Intel Core i5-9400F

Tecnologias
7.0
Performance
8.0
Preço / R$ 1,1 mil
7.0

PRÓS
Alta performance em games
Excelente performance em single-thread
Baixo aquecimento
CONTRA
Sem hyperthreading
Sem gráficos integrados
Desvantagem em aplicações multi-thread
Preço mais alto que rivais Ryzen
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".

  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh