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ANÁLISE: Metro: Exodus

Jogo ganha ao arriscar trechos em mundo aberto, mas perde um pouco de sua essência no processo

Depois de se aprofundar nos conflitos dos metrôs de Moscou em Last Light, a franquia Metro se arrisca saindo de sua fórmula tanto em termos de narrativa quanto de gameplay. Metro Exodus deixa para trás o inevitável design linear das estações de transporte público para explorar o mundo exterior, levando o jogador a, pela primeira vez, explorar localidades fora das estações de Moscou. Vamos ver se vale a pena embarcar nessa jornada no restante da análise!

Análise: Metro Last Light

História

Metro Exodus se passa após os eventos de Last Light, e mais uma vez o game não faz conexões com o final que o jogador obteve no jogo anterior (em Last Light meu final matou Artyom, em 2033 salvei os dark ones). O enredo novamente tem Artyom como protagonista, agora obcecado em tentar encontrar algum sinal de vida fora dos metrôs de Moscou, saindo em expedições para a perigosa superfície da cidade tentando captar sinais de rádio vindo de outros sobreviventes. 

Uma série de eventos acaba desencadeando a saída do protagonista e de seus companheiros da Ordem, que precisam deixar o metrô e tentar contato com sobreviventes do mundo exterior ao mesmo tempo que buscam algum lugar que não tenha sido destruído pela guerra nuclear de 2013 e tentando entender o real estágio em que essa "Terceira Guerra Mundial" está. 

Ao longo do caminho, Artyom e seus companheiros da Ordem se deparam com o que restou da humanidade do lado de fora, com todas as limitações e escassezes típicas de uma história pós-apocalíptica nuclear. Aqui o jogo não consegue escapar de alguns clichês do gênero, com sociedades isoladas e cada uma com alguma deturpação do que seria aceitável para os nossos padrões de "pessoas que não tomaram ogivas nucleares na cabeça". Aqui há uma certa repetição nas estruturas: você tem uma vila ou sociedade distópica, um "freedom fighter" que vai lhe encontrar no caminho e lhe ajudar em algum problema impedindo a excursão de avançar.

O mundo externo é bem menos interessante que os metrôs de Moscou

Não é que seja ruim, a execução dessas aventuras está em boa qualidade e há desfechos interessantes, mas a campanha tem um enredo em um formato "mais batido", diferente das complexas e curiosas relações de facções nos metrôs de Moscou, e suas complicadas interligações. Agora não tem como não ficar a sensação de trechos que lembram em excesso outras narrativas semelhantes, com outras obras e games como Mad Max ou até estruturas narrativas que vemos muito usadas em Far Cry

Mas nem tudo é retrocesso quando o assunto é a história. Com uma jornada pela frente, o jogo se aprofunda muito mais e entrega de forma muito mais eficiente uma relação de proximidade com os membros da Ordem e demais agregados que são "jogados pra dentro" do trem na medida que o grupo avança pela Rússia pós-apocalíptica. É um formato que não tem muito erro: a cada missão realizada você volta para a base e vê como estão seus companheiros, desde suas preocupações até eventuais missões paralelas e pedidos especiais que eles possuem. 

Há um melhor desenvolvimento de personagens em Exodus

E são esses relacionamentos que se tornam o principal "motor" do jogo. Você começa a se importar com as preocupações e sonhos dos membros do time. Em especial a relação complicada de Artyom com seu sogro e o líder da Ordem, Muller, e a relação com Anna, esposa de Artyom, criam interesse em ver a história progredir para descobrirmos o desfecho, além do próprio destino dessa caravana.

Gráficos

A parte visual tem sido um dos elementos mais marcantes da série Metro, e mais uma vez temos um game capaz "de entortar PCs". Os requerimentos estão muito acima da média, e há um motivo: os gráficos estão entre os melhores disponíveis, com mapas bastante detalhados e densos, cheios de objetos, texturas, sujeira e especialmente destroços. A complexidade das cenas e a variação delas são impressionantes, e colocam esse jogo na vanguarda nesse aspecto, com localidades que vão desde as tradicionais linhas de metrô sombrias até desertos, pântanos e florestas do mundo externo, todas executadas em mapas complexos e bastante interessantes.

Os gráficos de Metro Exodus estão entre os melhores disponíveis

O game faz excelente uso dos contrastes entre sombra e luz, forçando o jogador andar em locais escuros com auxílio de uma lanterna ou lidar com o sol se pondo e atrapalhando a visibilidade. Variações climáticas como tempestades de areia, neblina, chuva e neve trazem muita vivacidade para a ambientação do jogo.

Talvez o grande salto em qualidade da franquia aconteceu nos personagens. Enquanto Metro 2033 tinha sérios problemas de expressões faciais nos personagens, passando por Last Light com esse quesito dentro da média, em Exodus os personagens enfim têm um trabalho muito melhor em transmitir suas emoções através de sua movimentação, tanto corporal quanto detalhes como sorrisos, caras franzidas ou olhares apáticos. Essa evolução é outro fator que contribuiu para essa maior afinidade que o jogador sente com os companheiros de viagem. 

Os monstros acompanham o nível de qualidade do restante do jogo, com seu visual feioso e bastante caprichado, algo que fica bastante evidente especialmente quando um decide saltar sobre você e forçar uma ação rápida para se salvar. Em partes algo que atrapalha uma maior apreciação da qualidade gráfica desse jogo seja sua temática, já que praticamente tudo em Metro Exodus é um misto de destruição e sujeira. Mas é a mais bela destruição e sujeira que você vai ver em um game da atualidade.

Para os gamers de PC, Metro Exodus traz alguns diferenciais relevantes. O principal deles é incorporar as tecnologias RTX, fazendo uso das placas série 20 da Nvidia tanto para o uso do Ray Tracing quanto o DLSS. Vamos nos aprofundar mais nesse assunto em artigo específico. Relevante destacar que as capturas feitas para essa análise não usam essas tecnologias específicas, então a qualidade gráfica exibida nessa análise está ao alcance de todos os gamers (com hardware potente o bastante para rodá-la).

Artigo: Metro Exodus chega DLSS e Ray Tracing: veja a diferença gráfica e desempenho em todas as RTXs

Gameplay

É na jogabilidade que Metro Exodus traz alguns de seus melhores acertos. O jogo mantém algumas premissas dos antecessores, como armamentos com munições escassas, equipamentos cheios de gambiarras e eventuais pausas para recarregar a lanterna, limpar a máscara ou trocar o filtro, além de um gameplay que induz o jogador a preferia a abordagem stealth para reduzir gastos de recursos e aumentar as chances de sobrevivência. 

Mapas abertos também introduzem novas mecânicas

As diferenças começam a surgir no mapa. Agora ao invés de eternos corredores, a saída para o mundo externo traz mapas muito mais amplos, com muita possibilidade de exploração pelo jogador e inclusive é uma das coisas mais interessantes do jogo, já que a complexidade dos mapas tornam divertido "ir lá dar uma olhada" em uma construção. Cada uma das grandes localidades trazem uma série de missões paralelas, e muitas podem envolver trivialidades como achar um violão ou buscar um ursinho de pelúcia para membros da expedição. 

A exploração ganhou importância para a captação de recursos. Além de encontrar os itens em si, como munição, filtros para a máscara de gás, e kits médicos, o jogador pode encontrar subsídios para montar mais itens. Aqui a desenvolvedora não entrou tão a fundo no gerenciamento do crafting, algo que me infernizou em Fallout 76 com uma infinidade de tralha para buscar e peso para controlar. A abordagem é bem mais simples com basicamente materiais "sólidos" e "químicos", e fazer balas ou curas é baseado em custo desses dois elementos, não tomando muito o tempo do jogador que pode se concentrar em avançar na história e na busca pelo mapa.

Outro elemento que mudou foi o reparo e melhoria das armas. Agora Artyom precisa limpar seus equipamentos sazonalmente, pois sujeira pode reduzir a eficiência das armas e até mesmo fazer com que elas emperrem. Para realizar a manutenção é preciso encontrar uma bancada de trabalho onde além desse conserto, é possível instalar modificações na arma alterando a forma como ela opera e possibilita ao jogador deixar seu equipamento mais adequado ao seu estilo de jogar. Até o relógio do jogador pode ganhar novas funcionalidades ao longo do jogo.

Um importante fator adicionado ao game com essa saída para a superfície é que fatores ambientais passaram a importar. Tempestades de areia ou outras variações no clima podem reduzir a visibilidade e tornar difícil um tiroteio de longa distância. A passagem do dia também se torna relevante, já que durante o dia há menos monstros vagando por aí, enquanto à noite é mais fácil realizar as missões sem ser detectado por humanos, facilitando muito uma abordagem stealth.

O jogo apresentou eventualmente alguns bugs durante nosso gameplay, com monstros errando o caminho para chegar ao jogador e inclusive chefes que entraram em um loop correndo em círculos em torno do mapa sem parar, até serem interrompidos por tiros. Não chega níveis problemáticos, mas eventualmente dá pra ver algo estranho acontecendo ou animações e ações "não encaixando". 

Áudio

Metro sempre apostou nos longos períodos com "som de nada" povoando os fones e caixas de som dos gamers. com aqueles ruídos neutros de ar passando ou criaturas rastejando na medida que o jogador avançava pelos túneis do metrô. Agora com maior variedade de cenários, os sons são mais variados, mas a aposta segue principalmente em deixar apenas ruídos do ambiente na maior parte do gameplay.

O áudio tem um fator importante no gameplay, já que em muitas das lutas ouvir passos dos inimigos (humanos ou monstros) é indispensável para uma luta eficiente. É interessante ouvir os NPCs gritando sua posição, buscando alertar uns aos outros e que acaba servindo para o jogador ficar ciente que é melhor procurar outro lugar para se posicionar. Também dá pra ouvir muito "papo furado" tanto de inimigos quanto de sua equipe e assim ficar mais imerso no mundo do game. Aqui o único problema é que eventualmente ele "buga"e houve trechos em que todos os NPCs inimigos ficaram falando descontroladamente, e também há uma certa repetição excessiva de algumas frases.

O jogo tem um bom trabalho na dublagem dos personagens em sua versão em inglês, a que foi usada na análise, e infelizmente não temos as vozes em nossa língua. Em compensação, o game está totalmente traduzido e também inclui legendas em português brasileiro com um bom trabalho, inclusive lidando bem com expressões específicas do inglês e achando um equivalente em português ou mesmo pegando cacoetes de personagens, como o jeito excessivamente formal de Muller de se comunicar.

A 4A Games decidiu ousar mais com a franquia e deixar sua fórmula do gameplay extremamente linear, e o resultado é positivo. Ao adicionar mapas amplos, agora há um fator de exploração no game, e que adicionou mais esse fator para os gamers que curtem revirar os ambientes para achar colecionáveis ou segredos. Essa nova fórmula pode desagradar justamente os jogadores que gostavam dessa característica que era tão marcante nos jogos anteriores, com mapas claustrofóbicos e lineares, deixando o foco para a narrativa mais controlada.

Graças ao uso do "sandbox com moderação", ou seja, o jogo não se tornou um mundo aberto completo, ele ainda consegue manter a densa narrativa que marca o game, não dispersando em excesso e a exploração do mapa ou missões paralelas podem ser completamente ignoradas pelo jogador, algo que faz sentido para quem está interessado só na história, mas que é um desperdício para quem gosta do gameplay. Não está nem melhor, nem pior que a fórmula anterior, já que ganha no aspecto exploração, mas nenhum desses novos mapas conseguiram atingir o grau de expressividade que as complexas relações das comunidades que coabitam os metrôs de Moscou traz após dois games aprofundando essa sociedade.

A exploração do mundo exterior trouxe novidades ao gameplay, mas perde a ambientação dos metrôs de Moscou, marcantes para a franquia

Fãs de um bom FPS e que gostam de ser desafiados com falta de recursos, ou que estão buscando um game muito centrado na narrativa e querem um tom mais sombrio e quase depressivo na narrativa, Metro Exodus é um excelente jogo que irá atender essas demandas e é uma pedida certa especialmente para os gamers que gostaram dos anteriores, porém estão prontos para novidades.

Conclusão

 

Avaliação: ANÁLISE: Metro: Exodus

História
8.0
Jogabilidade
9.0
Gráficos
10
Áudio
9.5

PRÓS
Excelente ambientação
Mecânica de stealth e de tiroteios divertida
Gráficos de alta qualidade
Mais liberdade de exploração em mapas abertos
CONTRAS
Eventuais bugs
Histórias um tanto "manjadas" no mundo exterior
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube