ANÁLISE: Onimusha: Warlords

Capcom faz pouco pelo game, que tem sorte de se garantir sozinho

O clássico game do Playstation 2 faz o seu retorno, e para a alegria do pessoal que não tem um console da Sony, a Capcom foi bastante abrangente no lançamento desse remaster de Onimusha: Warlords. O game recebeu melhorias gráficas, suporte a telas 16:9 e trilha sonora com novidades para desembarcar no Xbox One, Playstation 4, Nintendo Switch e no PC. Será que vale a pena conhecer ou revisitar esse clássico?

Remaster traz melhorias gráficas discretas do game clássico

Um elemento interessante de destacar é que não joguei a versão original desse jogo, então tenho a vantagem de não ter o efeito nostalgia "poluindo minha opinião" sobre ele. A primeira surpresa ao começar a jogar esse game é como suas mecânicas não envelheceram tão mal. O ritmo dos combates de espada é ágil e pede respostas rápidas do jogador, enquanto o cenário com câmeras fixas, algo bem marcante dessa época, é meio truncado mas não o suficiente para sabotar a experiência. As vezes você fica em um limbo meio chato da câmera mudando de posição com muita frequência durante uma luta, mas basta escolher um cenário para ficar até acabar o combate para que esse inconveniente passe.

Felizmente o jogador não está preso a antiga mecânica de movimentação no estilo "tanque", que até dá para você experimentar no D-Pad ou caso queira ver como é ou se, por acaso, acha que é o melhor de jogar. No analógico dá para se mover em relação a tela, porém é bom cuidar que cada vez que a câmera muda de perspectiva, você precisa mudar sua orientação. É confuso devido às várias mudanças de tela desse game, mas ainda é melhor que jogar no tradicional modo "tanque". Pequenas melhorias também podem ser vistas em detalhes como na troca de armas durante os combates, apesar que é preciso "não estar fazendo nada" para que seja possível alternar o equipamento. Só de apertar para ir para o lado, o comando de alternar entre espadas falha, por exemplo.

Controles são muito semelhantes aos originais

Se a jogabilidade não vai tão mal, os gráficos estão "na estica" e a Capcom fez pouco para ajudar. A modelagem recebeu melhorias bem como os cenários com artes fixas, porém dá para perceber diferenças de qualidade entre esses dois elementos. Onde o visual se sai pior são as cutscenes, que conseguem parecer pior que o gameplay, e a modelagem dos rostos dos personagens. Ambos esses elementos envelheceram muito mal e a empresa poderia ter colocado "um pouco mais de amor" para ao menos devolver alguma vivacidade aos modelos e às cenas cinematográficas. 

Os puzzles seguem o formato original, com vários quebra-cabeças interessantes ao longo de sua exploração pelo castelo onde se passa o game. Tentar passar por salas com armadilha ou abrir uma caixa com um desafio diferente ajuda a quebrar o marasmo de ficar descendo a porrada em demônios, uma tela após a outra.

Faltou um trabalho de modernizar o jogo, que ficou praticamente igual à experiência original de 2001

Faltou por parte da Capcom tentar modernizar alguns elementos básicos do jogo. Não dá para pular diálogos nem cutscenes, os saves são feitos em estruturas fixas que nem sempre estão bem posicionadas uma em relação a outra e para piorar problemas clássicos não foram resolvidos, como aquele puzzle da sala enchendo d'água que vem depois de outros dois puzzles e duas cutscenes. Eu tive que refazer 3 vezes esse último pra dar conta e já estava de saco cheio de rever os desafios anteriores e as mesmas cenas para chegar lá. Engraçado é ver o pessoal reclamando desse trecho como o mais chato do jogo... em 2003.

Se em geral a Capcom parece ter seguido a máxima do mínimo esforço nesse remaster, a trilha sonora é algo que ficou acima do restante. O áudio está visivelmente mais claro e de melhor qualidade que o game original, e a adição mais trilhas deram mais corpo ao game. 


As cutscenes pré-renderizadas (acima) ficam piores que o game em tempo real (abaixo)

É uma pena que um clássico com tantos fãs tenha recebido tão pouca atenção. Nem mesmo uma coletânea com artes originais, linha do tempo e curiosidades como foi feito no Anniversary Collection do Street Fighter. Esses remasters são um espaço onde gamers mais novos tem a chance de conhecer a franquia ou saudosistas podem revisitar um game que marcou um período de suas vidas, mas a falta de modernizações no jogo afastam o primeiro caso, enquanto o segundo vai encontrar pouco esmero da Capcom em aproveitar a chance de tornar esse jogo um espaço para celebrar um antigo sucesso.

Gameplay Adrenaline - pancadaria retrô com Street Fighter 30th Anniversary Collection!

Eu me diverti com Onimusha. Mesmo não tendo jogado na época do lançamento, convivi com muitos jogos no estilo horror de sobrevivência com essa câmera fixa, algo que tornou jogar esse clássico em algo nostálgico mesmo para mim. Os controles sobreviveram aceitavelmente à passagem do tempo enquanto os gráficos são passáveis. De positivo, se por um lado a Capcom não colocou muito esforço nesse remaster, o preço também não é dos piores. No PC o jogo é vendido por R$ 39,99 na Steam já no seu (re)lançamento. Para Xbox fica um pouco mais salgado, por R$ 61, e a Sony nunca decepciona em decepcionar e está vendendo mais caro, por R$ 71. Mesmo não estando nas prioridades, pode sim ser um game para visitar ou revisitar, quem sabe quando houver uma promoção, e uma pedida sem erro para os fãs desse estilo de game que fez sucesso com clássicos como os primeiros games da série Resident Evil.

PRÓS
Retorno de um clássico
Melhorias nos gráficos
Preço de lançamento
CONTRA
Gráficos ainda bem datados
Sem modernização no gameplay
Nada de conteúdo adicional
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".