ANÁLISE: Sharkoon Purewriter TKL RGB

Ótimo em alguns aspectos, bom em todos os outros

Sharkoon Purewriter é a linha de teclados de baixo perfil com switches Kailh Choc da Sharkoon, e atualmente há uma boa variedade nas opções desta linha, havendo modelos com ou sem teclado numérico, com ou sem RGB, e com switches Choc Red ou Choc Blue, sendo que estes switches possuem algumas diferenças consideráveis comparados a outros switches, a mais notável sendo o perfil baixo, além de serem incompatíveis com keycaps de outros teclados.

Mas o que deve ser exposto é que na verdade a fabricante deste teclado é a chinesa DAREU, e estes teclados são apenas variações da família de teclados DAREU EK820.

A Sharkoon, assim como a Havit e Gamdias, apenas remarcam estes teclados sob as especificações que quiserem (ex: Sharkoon tem um cabo extra, Havit tem um software genérico, Gamdias tem um software mais completo).

Remarcações são ruins? Não, desde que o teclado remarcado seja bom. E será que é? Veremos.

Construção Externa

O Sharkoon Purewriter TKL RGB é um teclado "low-profile", com um perfil bem menor que outros teclados mecânicos, e utiliza "teclas flutuantes", ou seja, não possui a proteção plástica ao redor dos switches como teclados de membrana e vários teclados mecânicos costumam possuir.

No verso do teclado, encontramos pés para ajuste de altura emborrachados e pés de borracha para manter o teclado no lugar. Aqui tenho uma crítica ao produto, pois todos os teclados da família DAREU EK820 (incluindo todos os Purewriter) não ficam muito firmes em cima da mesa. Ao digitar, sem problemas, mas é muito fácil mover o teclado se você tentar, e o atrito dos pés de borracha é insuficiente.

Devido aos switches Kailh Choc que o Purewriter TKL RGB utiliza, este teclado é muito mais fino do que outros teclados mecânicos convencionais, até mesmo modelos ultrafinos como o HyperX Alloy FPS RGB. E o mais curioso é que ele poderia ser ainda mais fino, mas teria que sacrificar a inclinação para isto.

Combinemos isto com o peso de 503 gramas e o cabo removível, e temos aqui um dos teclados mecânicos mais portáteis do mercado, leve para carregar, ocupa pouco espaço e pode facilmente se colocado dentro de uma mochila.

O Sharkoon Purewriter TKL RGB é um dos teclados mecânicos mais portáteis do mercado

Algo que pode ocorrer no Purewriter TKL RGB e em outros teclados da família DAREU EK820 é que se você não tiver aterramento na sua casa, encostar nas partes metálicas da lateral do teclado pode causar pequenos choques elétricos (nada alarmante, é o mesmo que alguns gabinetes dão ao encostar descalço em um gabinete sem aterramento).

Há formas de evitar que isto aconteça, tal como não usar o teclado descalço, mas no final das contas a melhor solução é sempre o aterramento, pois isto não afeta apenas o teclado, mas todos os equipamentos do seu computador e sua casa, e especialmente o microfone de seu headset.

Agora vamos falar sobre as "keycaps", o plástico com algo escrito em cima que muitos chamam de "teclas" embora este seja um termo muito amplo.

As keycaps do Sharkoon Purewriter TKL RGB são keycaps ABS Laser, mas isso não quer dizer que sejam iguais a todas as outras do mesmo material. Mesmo que ABS Laser não seja um material de alta qualidade, ainda assim há variâncias entre diferentes teclados até mesmo da mesma marca.

Por exemplo, os teclados Sharkoon SGK1/SGK2/SGK3 infelizmente estão com problemas bastante sérios de desgastes de keycaps devido à pintura de baixa qualidade aplicada. Já o Sharkoon Purewriter TKL RGB e outros teclados da família DAREU EK820, não apresentam este problema.

O Sharkoon Purewriter TKL RGB acompanha dois cabos. Um cabo de 1.5 metros para uso em PCs (embora para algumas pessoas pode ser pouco) e outro cabo de 50 cm para uso em Notebooks.

Nenhum dos cabos é reforçado e ambos podem quebrar caso o usuário não tiver cuidado, deixar raspar em quinas ou algo do tipo, o que aconteceu com o cabo do meu DAREU EK820-68.

Além disto, este cabo possui um encaixe especial, dificultando muito a troca caso necessário. Já tentei usar diversos cabos de outros teclados e outros cabos que possuo aqui, mas o único compatível acabou sendo este cabo da C3Tech.


Conector Micro-USB dos teclados da família DAREU EK820 na esquerda e o conector do Drevo Calibur na direita

Enfim, com exceção da questão do cabo, que poderia ser mais fácil de substituir se não fosse fora do padrão, a construção do Sharkoon Purewriter TKL RGB é boa. Keycaps ABS Laser aceitáveis, caracteres legíveis devido ao uso de uma boa fonte, extremamente fácil de carregar devido ao peso e tamanho reduzido em comparação com outros teclados mecânicos, cabo removível e pés emborrachados.

É uma boa construção externa. Não é excepcional, mas pelo preço não precisa ser.

Construção Interna

Como já havia dito no início da análise, este teclado é feito pela DAREU. Além de vender teclados comercialmente, a DAREU também faz trabalhos OEM para outras marcas, remarcando seus produtos para empresas como a Sharkoon, Havit, Gamdias e outras.

E sim, a marca possui uma linha de produtos licenciados do "Naruto". Vamos então depenar ele:

Assim como o Havit HV-KB395L que já analisamos, no Sharkoon Purewriter TKL RGB encontramos uma controladora Holtek HT32F52352, a qual possui um processador ARM 32 bits.

Também há uma memória EEPROM Gigantec GT24C64-2GLI-TR e quatro chips MB15020GP para controlar os LEDs do teclado, uma construção muito similar à que o Razer Blackwidow Chroma possui. E é exatamente a mesma construção que o Gamdias Hermes M3, salvo por alguns componentes elétricos que foram substituídos por peças equivalentes.

Um hardware extremamente avançado, o qual não é bem aproveitado pelo Sharkoon Purewriter TKL RGB...

As soldas do teclado são muito bem feitas, a placa é bastante organizada, e há a indicação de que pelo menos uma pessoa verificou os componentes e soldas do teclado na fábrica. Curiosamente os teclados da Havit e da própria DAREU possuíam duas assinaturas, mas não é nada que vai afetar o teclado.


Os LEDs do teclado são LEDs RGB SMD 3528 e são fáceis de substituir pois ficam montados no verso da PCB e não embaixo dos switches como em alguns concorrentes.

A construção interna dos teclados Sharkoon Purewriter TKL RGB é muito bem feita, soldas bem feitas, são utilizados componentes bastante avançados para gerenciar a iluminação do teclado e os LEDs RGB 3528 são aparentemente de boa qualidade e estão mais fáceis de substituir do que em maioria dos teclados do mercado.

Switches Kailh Choc

Vamos manter este segmento resumido, pois já comentamos sobre a história destes switches na análise de outros teclados da DAREU.

Existem duas variantes de todos os teclados Purewriter, uma com switches Choc Blue e outra com switches Choc Red. Em outros switches "Red" vs "Blue" há uma diferença na mola utilizada e no mecanismo interno do switch, mas no caso dos Kailh Choc, a diferença é a presença de um pequeno "pedaço de arame" (clicker) na parte superior do switch.

No caso da Kailh Choc Blue, a resistência das teclas se assemelha à Cherry MX Red, mas as teclas afundam apenas metade da altura. Além disso, o sistema de clique não impacta em nada o acionamento da tecla e o feedback tátil é tão macio que parece inexistente.

O sistema de clique é bastante diferente de switches Cherry/clones, produzindo um barulho menor e menos agudo, o que é extremamente agradável aos meus ouvidos. É possível ver todo o acionamento do switch sem abrir ele, desde os dois contatos na parte inferior, ao pequeno arame na parte superior que é responsável pelo clique:

Já no caso da Kailh Choc Red que temos no Purewriter TKL RGB da análise, supostamente a única diferença que deveria haver comparada com a Blue é que o "clique" deveria sumir pois não apenas é retirado a peça do "Clicker", mas não foi apenas isso que eu senti.

De alguma forma, a Choc Red parece ser menos lubrificada que os Choc Blue que temos, as teclas não são tão "suaves" quanto o modelo Blue e sinceramente não entendi muito a razão. Alguma variância de lotes? Ou será que o Choc Blue possui uma lubrificação adicional?

Porém, mesmo com uma resposta que achei inferior à Choc Blue, a Choc Red possui uma vantagem: este é o switch mecânico menos barulhentos desta faixa de preço, se assemelhando ao barulho de teclados low-profile de membrana.

O Choc Red é o switch mecânico menos barulhento desta faixa de preço

Infelizmente não tenho mais um bom microfone para gravar e fazer a análise de frequências sonoras como já fiz no passado (ex: Cherry MX Blue vs Cherry MX Brown), mas é um switch consideravelmente menos barulhento que Red/Black/Brown/Blue/Romer-G e outros, perdendo apenas para switches Silent e switches modificados.

Ou seja, minha recomendação é simples: para quem quer a melhor resposta nas teclas, compre o modelo com Kailh Choc Blue, já quem quer um teclado com menos barulho possível, os teclados da família Purewriter com Kailh Choc Red são a melhor escolha na sua faixa de preço.

Recursos e Extras

E agora entramos em algo extremamente curioso. Apenas os teclados da DAREU (com exceção do EK820-68), Havit e Gamdias possuem software, enquanto os teclados da Sharkoon não possuem nada do tipo.

Então não é possível fazer algo quanto a isso? Bom, era possível nos teclados antigos azuis, mas no caso dos Purewriter RGB já não é mais. Nos modelos RGB, a DAREU corrigiu a "falha" que permitia utilizar o software da Havit nos teclados da Sharkoon:

Também não é possível utilizar o software do Gamdias Hermes M3, mesmo ele utilizando a mesma placa e controladora.

Nos modelos RGB do Purewriter, a DAREU corrigiu a "falha" que permitia utilizar softwares de outras empresas

Não ter software quer dizer que o RGB do Sharkoon Purewriter TKL RGB é igual aos teclados RGB mais baratos da Havit e Motospeed? Não exatamente. Ele não tem nem de longe a mesma quantia de efeitos e recursos que um Ducky RGB, mas há algumas coisas que podem ser feitas através dele.

O Sharkoon Purewriter TKL RGB possui 11 efeitos de iluminação, sendo eles:

  • Cores Estáticas (FN + End)
  • Ciclo de Cores (FN + End)
  • Respiração (FN + Delete)
  • Estrelas (FN + Home)
  • Teclas Reativas (FN + Home)
  • "Cobrinha" (FN + Insert)
  • "Cobrinha 2" (FN + Insert)
  • Explosão Reativa (FN + Scroll Lock)
  • Transição RGB (FN + Print Screen)
  • Sirene RGB (FN + Print Screen)
  • Sonar RGB (FN + Print Screen)

Se você escolher uma das "Cores Estáticas", é possível ajustar as cores através das teclas FN + ASDZXC, regulando a força de cada espectro do LED RGB (Vermelho, Verde, Azul). Por exemplo, é possível ajustar a mistura de vermelho e azul para conseguir diferentes tons de roxo ou rosa.

Nas setas do teclado, encontramos o botão L↑ e outros botões direcionais. O que fazem? Uma única função: controlar a direção do efeito "ondas" (FN + Print Screen). Sim, apenas isso e nada mais, servem apenas para confundir donos do teclado e poluir a aparência dele.

No canto superior esquerdo, encontramos o botão "Set" e os perfis "L1, L2, L3 e L4". O que este botão faz, é permitir que os "perfis de iluminação" sejam editados. Igual o que ocorre em outros teclados mecânicos de baixo custo, para editar a cor de cada tecla é necessário pressionar ela múltiplas vezes até chegar na cor que você deseja:

Aliás, a iluminação do Sharkoon Purewriter TKL RGB é realmente muito boa, os LEDs são fortes e iluminam bem maior parte do caractere, e os switches Kailh Choc são parte da razão disso pois deixam as keycaps mais próximas do LED.

Enfim, o Sharkoon Purewriter TKL RGB possui o básico em termos de recursos que esperamos de um teclado RGB. É possível escolher as cores (e não ficamos limitados a 7 cores), há alguns efeitos de iluminação, a trava da tecla Windows, perfis de iluminação e funções multimídia.

É o básico, mas o fato do Gamdias Hermes M3 utilizar a mesma placa interna, mostra que na verdade ele é capaz de muito mais do que isso, mas pela DAREU e Gamdias não permitirem o uso do software da Gamdias neste modelo, acabamos não tendo todos estes recursos.

Um desafio seria extrair a ROM do Gamdias Hermes M3 e transferir ela para o Sharkoon Purewriter TKL RGB, mas não possuímos os recursos para isto e me questiono sobre a legalidade de tal operação... Mas, não parece ser impossível.

Conclusão

 

Avaliação: Sharkoon Purewriter TKL RGB

Construção Externa
8
Construção Interna
10
Recursos e Extras
7,5
Preço - R$ 280
9

O Sharkoon Purewriter TKL RGB é um ótimo teclado em vários aspectos e bom em todos os outros. Ótimos switches, ótima construção interna, boa construção externa, boas keycaps (quando comparado a outros teclados com keycaps ABS Laser) e possui um bom preço para suas características.

O verdadeiro atrativo deste teclado são os seus switches. Os Kailh Choc são muito interessantes, o Choc Blue é um switch bastante macio e curto com um sistema de click menos barulhento e mais agradável sonoramente que outros switches Blue, enquanto o Choc Red é similar a outros switches Red, porém com o diferencial de ser menos barulhento e mais curto.

O Sharkoon Purewriter RGB TKL é uma das remarcações mais limitadas do DAREU EK820-87. Devido a um bloqueio na própria controladora ou na ROM no teclado que impede de usar softwares de outras empresas, temos um teclado bem mais limitado que o Gamdias Hermes M3, o qual possui macros, perfis internos e mais efeitos de iluminação.

Por outro lado, fica evidente a razão pela qual a Sharkoon optou por não acrescentar estes recursos: para diminuir o custo de produção (é necessário pagar pela licença para utilizar o software).

O fato do Sharkoon Purewriter TKL RGB custar na faixa dos R$ 280 enquanto o Gamdias Hermes M3 custa R$ 580, mostra parte deste resultado, embora há também outras questões envolvidas com importação e quantidade que fazem o Purewriter RGB TKL ser mais barato. Com ou sem software, o Sharkoon Purewriter TKL RGB vale muito bem esse preço.

A única crítica que faço, é que ele possui capacidade para ter mais recursos, o Gamdias Hermes M3 é prova disso, mas por não termos um software, não podemos explorar todo o seu potencial.

PRÓS
Boa construção externa
Cabo removível
Excelente Construção Interna
Extremamente portátil graças aos switches low-profile e peso de 503 gramas
Switches Kailh Choc Red são os menos barulhentos desta faixa de preço
Switches Kailh Choc Blue são leves e possuem uma excelente resposta
Ótimo Custo x Benefício
CONTRA
O cabo do micro-USB do teclado é fora do padrão e é um pouco difícil conseguir cabos compatíveis
O hardware interno e o fato dos componentes serem os mesmos que o Gamdias Hermes M3, sugerem que o Purewriter TKL RGB poderia ter mais recursos do que o pouco que ele possui
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.