ANÁLISE: Corsair K63

Um ótimo teclado mecânico com todos os recursos que você pode pedir - menos RGB

Embora a numeração da Corsair não indique e seja confusa devido à quantia de modelos disponíveis, o Corsair K63 nada mais é do que uma versão compacta do Corsair Strafe, mas com o diferencial de possuir teclas multimídia dedicadas.

O Corsair K68 é parecido com ele, mas o K68 apresenta resistência a líquidos, recurso que o K63 não possui.

Também, não confundam os modelos do Corsair K63 que há no mercado. O modelo vermelho, e que estamos analisando, é um teclado com fio e custa na faixa dos R$ 300. Há também o modelo wireless, o qual possui LEDs azuis e custa na faixa dos R$ 600.

Espero que consigam entender um pouco dessa bagunça... Vamos então começar a análise.

Construção Externa

Em termos de visual, o Corsair K63 é um teclado bastante simples, embora seja maior e também mais pesado que outros teclados mecânicos compactos:

Pesando 1.120 gramas e sendo consideravelmente maior que outros teclados sem numérico, tanto em sua parte superior quanto até mesmo em sua altura, o Corsair K63 não pode ser categorizado como um teclado "portátil", já que ocupa bastante espaço e também chega a pesar o mesmo que alguns teclados mecânicos full-size (com numérico).

Embora a aparência escura faça parecer que seja de metal, a placa superior do Corsair K63, assim como a do Corsair Strafe é de plástico. E antes que alguém fale bobagem, aí vai uma afirmação polêmica, mas verdadeira:

O material da capa frontal de um teclado não afeta sua qualidade

O Corsair K63 na verdade possui uma placa de metal para suporte de seus switches assim como vários outros, é essa placa vermelha que pode ser vista entre as frestas do teclado.


O que acontece em vários teclados, é que a placa frontal de plástico é removida, enquanto a backplate é estendida e em alguns casos até trocada de aço por alumínio escovado. Mas isso não quer dizer que teclados que tenham uma placa frontal em plástico como o Corsair K63 ou o antigo modelo do Razer BlackWidow, não tenham uma placa de metal (aço) para suporte de seus switches, ela apenas está escondida atrás da capa de plástico frontal.


Créditos da imagem para Lepidus do fórum Adrenaline

A visibilidade, tamanho ou material da placa frontal não afeta em nada a durabilidade de um teclado, não faz seus switches durarem mais, não afeta a qualidade das soldas, não afeta a durabilidade de seus LEDs, não afeta a resposta de seus switches. É apenas algo estético, a única mudança será no visual, então não sejam ignorantes ao ponto de dizerem que teclado "X" é melhor que "Y" apenas por ter uma placa frontal em alumínio/aço/plástico.

Girando o teclado, temos um detalhe interessante: embora este modelo não acompanhe tal item, o Corsair K63 foi projetado para ser compatível com um apoio para punho, o qual é vendido separadamente, mas não é vendido aqui no Brasil. Já o modelo wireless, acompanha o apoio já de fábrica.

Fora isto há dois pés de ajuste emborrachados e pequenos pés de borracha para manter o teclado no lugar, os quais são pequenos demais na minha opinião, mas o peso do teclado ajuda a manter ele no lugar.

O Corsair K63 acompanha keycaps feitas pela Solid Year, são exatamente as mesmas keycaps que veremos até mesmo no Corsair K95 Platinum, assim como também em concorrentes da Cooler Master, Roccat e várias outras marcas.

São keycaps de qualidade mediana, a pintura é bastante resistente, embora tenda a ficar "brilhosa" nas teclas mais usadas após alguns anos de uso, mas não é comum apresentar desgaste ao ponto de danificar o caractere. Já o plástico em si não é dos melhores, não vai quebrar durante o uso, mas não é nada resistente a maus tratos.

A qualidade das keycaps do Corsair K63 é apenas "mediana", e não culpo a Corsair por isso, pois utilizar keycaps de melhor qualidade acabaria limitando a produção do teclado para apenas um layout (americano) ou então tornaria o preço do teclado muito mais elevado, mas é justamente por tomar este risco e não aumentar os preços, que a concorrente Redragon merece parabéns por ser a única empresa com teclados Double-Shot ABNT2.

Enfim, externamente o Corsair K63 é um teclado caprichado, mas como basicamente qualquer teclado das marcas mais populares, acaba deixando a desejar na qualidade de suas keycaps, embora a Corsair disponibilize um kit de teclas de melhor qualidade à venda, só é uma pena que custa quase o preço do teclado.

Construção Interna

Assim como qualquer outro teclado mecânico da Corsair, o Corsair K63 é produzido pela Solid Year, uma OEM (Original Equipment Manufacturer) especializada na fabricação em massa de produtos para outras empresas.

Baseando-se em experiências passadas com os produtos desta fabricante, posso falar antes mesmo de abrir o teclado que veremos um teclado com soldas bem feitas e circuitos bem organizados, pois em termos de qualidade ela realmente é uma das melhores do mercado. Vamos depenar ele então:

Para início de conversa, o Corsair K63 é um teclado um pouco chato de abrir, há cerca de 15 parafusos, alguns escondidos embaixo de seus pés. Após isso há engates de plástico na capa superior e você realmente vai acabar quebrando alguns destes engates ao abrir, embora são tantos que um ou outro acaba não fazendo falta. Perto do pesadelo que é abrir outros teclados mecânicos da marca (ex: K70), esse aqui foi easy.

Mas o que temos no interior do Corsair K63 é exatamente o que se espera da Solid Year, há indicações de que duas ou mais pessoas fizeram testes na placa, há duas etiquetas diferentes de controle de qualidade e as soldas estão todas bem feitas.

No coração do Corsair K63, encontramos a controladora NXP LPC11U37F, um processador ARM 32 Bits operando em 50 MHz e que é o responsável por controlar o teclado e também que o teclado tenha efeitos de iluminação mais complexos que muitos concorrentes RGB da mesma faixa de preço.

O cabo do Corsair K63 pode ser trocado caso venha a ser danificado, há um botão escondido para resetar as configurações do teclado (embaixo da fita preta no canto superior direito) e os botões multimídia do teclado utilizam membrana, o que não é nenhum problema já que não são botões tão utilizados.

Já nos switches, encontramos switches Cherry MX, que dispensam apresentações. São os switches originais deste design, utilizam materiais de alta qualidade e o índice de falhas é muito pequeno para a quantia de switches comercializados. Pena que o Corsair K63 só é vendido na variante Red, pois muitas pessoas (incluindo o autor) não são fãs deste modelo de switch. Seria legal ter mais variedade...

Recursos e Extras

Externamente, os recursos adicionais do Corsair K63 são bastante simples, há apenas botões multimídia no topo, um botão para regular o brilho e um botão que desativa a tecla Windows (embora ele pode desativar outras combinações também caso configurado no software).


Sem utilizar o software da Corsair, não é possível configurar nenhum efeito de iluminação, apenas regular o brilho da iluminação do teclado.

Devido à sua complexidade, se eu tentar expor cada um dos recursos do Corsair iCUE, este artigo será pelo menos 3 vezes maior, por isto farei apenas um resumo de seus principais pontos positivos e negativos

Prós:

  • A quantia de opções para binds/macros é absurda.
  • A quantia de opções para playback de macros é absurda.
  • Efeitos de iluminação complexos e que podem ser misturados em camadas para criar novos efeitos
  • É possível gerenciar todos os seus periféricos e até outras peças de hardware do seu computador através do "Painel" do iCUE
  • Todos os periféricos da Corsair podem ser configurados na mesma interface
  • Um dos poucos softwares que captura e reproduz a movimentação do mouse, possibilitando a criação de macros onde o mouse seja movimentado automaticamente.
  • Um dos poucos softwares que escala corretamente de acordo com a resolução do usuário (não fica minúsculo se usado na resolução 4k)

Contras:

  • Devido à quantia de recursos, é confuso para utilizar pela primeira vez, mesmo se você tiver experiência com softwares deste tipo.
  • Embora maioria dos termos sejam compreendíveis, há algumas traduções estranhas ainda.
  • NADA fica salvo na memória interna do teclado. NADA, pois não há memória interna. Ele precisa do software rodando no fundo para estes recursos funcionarem.

O software do Corsair K63 é simplesmente absurdo em termos de recursos, tanto que se torna confuso para utilizar, já que há tantas opções para escolher. Talvez seria melhor se este software tivesse um modo "básico" mais simples, enquanto a interface atual poderia se chamar "modo avançado".

Mas o interessante do Corsair K63 é que ele é compatível com os mesmos aplicativos externos que seus irmãos RGB, tal como o Project Aurora, tornando assim possível novos efeitos de iluminação, compatibilidade com efeitos para jogos como Battlefield 1, CS:GO, DOTA 2, Euro Truck Simulator, Guild Wars 2, GTA V, Rocket League e vários outros.

Porém, devido à limitação à cor vermelha, nem todos os efeitos podem funcionar e/ou podem ficar estranhos. Também, é possível configurar algo como "mostrar uso de CPU de acordo com os LEDs das teclas F1 ao F12", configurar algumas teclas para exibirem o uso de RAM, etc... Pena que não é possível verificar a temperatura ou uso da GPU.

E a compatibilidade com o Project Aurora e KeyboardVisualizerVC também permite que o Corsair K63 tenha efeitos capazes de reagir a músicas:

Enfim, o Corsair K63 possui uma excelente quantia de recursos em seu software, mas o melhor de tudo é que assim como outros teclados que possuem um SDK aberto, tal como vários modelos da Cooler Master, Logitech e Razer, ele é expansível, sua lista de recursos e efeitos aumenta conforme a própria comunidade desenvolve softwares e efeitos para ele, o que não é possível em muitos outros concorrentes devido a limitações de hardware e software.

Conclusão

 

Avaliação: Corsair K63

Construção Externa
8
Construção Interna
9.5
Recursos e Extras
10
Preço - R$ 330
8

O Corsair K63 é um teclado que parece relativamente simples, mas na verdade possui a mesma quantia de recursos que teclados mais caros.

Switches de alta qualidade da Cherry, um excelente software, possibilidade de integração com alguns jogos e aplicativos através de programas externos, botões multimídia dedicados e macros avançadas.

Há sim concorrentes mais baratos, tal como Havit HV-KB435 e o Redragon Kumara, mas o que eles ganham em preço, perdem na confiabilidade do switch e não possuem a mesma quantia de recursos.

Há também o Sharkoon SGK2 que é um pouco mais barato, usa bons switches e possui até teclas dedicadas para macros, mas o sistema de macros dele é inteiramente via hardware e extremamente limitado em comparação ao K63, então acaba não sendo vantagem alguma.

Seu maior concorrente é na minha opinião o Logitech G610, o qual possui diversos dos mesmos recursos e também é visto com bons preços, especialmente em promoções, mas ao mesmo tempo é bastante diferente por não ter um layout reduzido e também não possuir modelo ABNT2.

Para quem não se importa com a ausência de RGB, mas está interessado em um teclado bastante completo porém sem um preço muito alto, o Corsair K63 atende muito bem. Só é uma pena que ele só é visto em uma única variedade de switch (Red) no Brasil.

PRÓS
ABNT2
Excelente construção interna
Ótima construção externa
Preço justo para seu nível de qualidade e recursos
Sistema de iluminação e efeitos complexos quase tão bem feitos quanto seus irmãos RGB mais caros
Software extremamente completo, embora um tanto confuso
Switches de alta qualidade Cherry MX
CONTRA
Devido ao seu peso e tamanho, não é uma boa escolha como "teclado portátil"
Disponível apenas no switch Cherry MX Red
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.