ANÁLISE: Corsair HS50 Stereo Gaming Headset

Uma declaração de guerra à HyperX

Algo que eu venho notando, é que nos últimos anos diversas marcas vem investindo mais e mais na qualidade de áudio de seus headsets, exemplos disso são a HyperX, Logitech, SteelSeries e Roccat.

Não canso de dizer que a HyperX mudou o mercado ao vender fones profissionais como headsets, pois antes o mercado era focado apenas em nomenclaturas que não acrescentam qualidade ao fone, tais como "5.1" e "7.1". Embora o mercado atual ainda tenha bastante disso, sendo maior parte enganação, há algo novo na área: qualidade sonora.

E aqui entra o Corsair HS50, o qual busca justamente ser superior em qualidade sonora a seus antecessores das linhas Raptor, Vengeance e VOID, os quais infelizmente deixavam a desejar neste aspecto, alguns menos e outros mais.

E como então ele se compara a seus competidores? Quais os seus pontos fortes e fracos? E será que vale o preço? É o que veremos.

Construção Externa

Em primeiro lugar, antes que falem que a Corsair "copiou" o design da HyperX, vocês sabiam que os fones HyperX Cloud (1, 2, Core, Silver, X) na verdade são variantes do Qpad QH-90, sendo que a HyperX não projetou esse fone?

E o próprio Qpad QH-90 é uma modificação do fone profissional Takstar Pro80, que por sua vez baseia seus designs nos fones da Beyerdynamic?

O "design" dos fones da HyperX é bastante genérico e diversas marcas de fones de ouvido utilizam algo similar, mas foi HyperX que popularizou esse design no mercado gamer, e por isso muitas pessoas acham que a Corsair copiou a marca, quando o próprio design da HyperX não é nada original.

Enfim, assim como o HyperX Cloud Core, o Corsair HS50 é extremamente bem feito. Engates em aço de alta qualidade nas ear-cups e uma tira de metal passando pelo interior da haste. Não é todo cheio de detalhes e luzes como alguns concorrentes, mas diferente deles, não parece um brinquedo.

Na lateral do fone há uma grade de metal, a qual da a impressão de que este seja um fone com acústica semi-aberta ou aberta, pois normalmente estas grades são uma característica deste tipo de fone. Mas, no caso do Corsair HS50, as grades são apenas estéticas, pois ele é um fone com acústica fechada.

Só me preocupo um pouco quanto à questão da pintura destas grades, tenho receios se a Corsair realmente utilizou tinta e acabamento antiferrugem nelas. Creio que sim, mas só o tempo vai responder.

O Corsair HS50 possui ajustes para a altura. Ele tem menos clamping que o HyperX Cloud Core e suporta cabeças um pouco maiores, mas não é um fone "feito para cabeçudos" igual o Corsair VOID era, o que é uma pena.

EDIT 01/07/18: Logo após a análise, me fora relatado por Victor Hugo Silva Galindo que parecem ocorrer alguns casos de Corsair HS50 onde o plástico que cobre o engate acaba quebrando após alguns meses. O HS50 tem uma estrutura que é capaz de girar um pouco, porém isso pode exercer força na peça de plástico e rachar ela:



Fonte: Amazon

Os casos são muito poucos e ainda não tenho dados suficientes para saber se isto é realmente um problema crônico e que afeta qualquer HS50, ou se é algo ocasionado por mau uso. Mas, por via das dúvidas, caso comprem este headset, mantenham sempre a papelada de garantia, a qual é de dois anos para este fone.

EDIT 02/07/18: De acordo com a Corsair, foram pouquíssimos casos no exterior até agora e apenas 1 no Brasil.

O Corsair HS50 utiliza almofadas de courino e possuem um bom conforto, embora nada excepcional. Um pouco menos recheadas que o HyperX Cloud Core e bem menos que o Cloud Alpha, mas boas mesmo assim. Infelizmente só o tempo poderá dizer se estas apresentarão desgaste e com quanto tempo.

As almofadas superiores também são em courino e embora sejam confortáveis, não são tão "recheadas" como podem parecer na imagem.

Na parte inferior da earcup esquerda encontramos um controle de volume analógico e um botão para mutar o microfone.

Embora este tipo de controle de volume seja extremamente prático e útil, volto a dizer o que já disse na análise do HyperX Cloud Stinger e que é válida para qualquer fone com este tipo de controle de volume, seja da Corsair, Logitech, HyperX, Razer, Sennheiser, ou qualquer outra marca:

Evitem utilizar controles de volume analógico

A razão para isto é porquê o uso intenso gera desgaste no potênciometro que ajusta o volume. Este desgaste gera problemas como um lado mais alto que o outro, um lado deixando de funcionar, mau contato ou pode fazer o fone parar de funcionar completamente.

E novamente, isto é válido para qualquer fone com este tipo de ajuste, desde o headset de R$ 50 que quebra de 3 em 3 meses, o HyperX Cloud Silver, e inclui até mesmo o Sennheiser G4ME One de R$ 1.500.


Créditos para Blimp @ Max-Clock.com

Minha sugestão no caso de fones que possuam controle de volume nesta forma, é evitar quando possível e optar por usar atalhos do teclado, mouse, programas como AudioSwitcher para criar atalhos com o teclado, botões físicos do celular, o "Quick Menu" do PS4, etc...

Um ponto negativo do Corsair HS50 é a utilização de um cabo de borracha. Não é um cabo que aparenta fragilidade como o SteelSeries Arctis 5, mas ainda assim seria melhor se este fosse de nylon ou então fosse removível, assim como é no concorrente HyperX Cloud Alpha.

Outra questão que poderia estar melhor, é o conector. O Corsair HS50 possui um cabo com conector P3 e há um adaptador para poder utilizar dois conectores P2 em computadores. Embora a forma como cabo fique conectado e "protegido" neste adaptador pareça legal, o problema é que o conector P3 é demasiado longo demais, e isto acaba atrapalhando para utilizar o headset em controles do PS4, Xbox One e também em Smartphones.

Esse tipo de conector "reto" e ainda por cima mais comprido que o normal, além de atrapalhar a utilização, facilita a quebra tanto do cabo, quanto do conector do aparelho/controle onde está conectado. Não canso de dizer que o melhor formato para este tipo de conexão é um conector curvado em "L":

Enfim, a construção do Corsair HS50 é bem feita, mas há alguns pontos que poderiam ser melhorados. Cabo em nylon, cabo removível, cabo mais curto e extensão maior para facilitar o uso em dispositivos móveis, conector curvado e almofadas de malha esportiva são algumas sugestões para criar um "HS50 Pro".

Também, a Corsair deve analisar esta questão da quebra do engate de plástico e tomar as devidas ações.

Áudio

A primeira coisa que pessoas pensam ao ver o Corsair HS50 é que ele tenha uma sonoridade similar ao HyperX Cloud Core, ao que posso responder: sim e não.

Em primeiro lugar, ambos são fones que utilizam alto-falantes de fones de ouvido profissionais e são muito superiores em termos de qualidade sonora aos headsets gamer 7.1 cheios de luzes que vemos nesta mesma faixa de preço, o que ironicamente inclui o próprio Corsair VOID Dolby 7.1.

A grande diferença é que o Corsair HS50 na verdade é mais parecido com o Cloud Alpha do que com o Cloud Core, tendo uma maior ênfase em graves, ele não é muito "bass-heavy" e nem se compara com os graves que o Kuba Disco possui, mas realmente é "acentuado em seus graves".

A resposta dos alto-falantes do Corsair HS50 chega parecer bizarra, tamanha a ênfase em seus graves, mas não é tão ruim quanto parece, apenas em raros momentos eles acabam "perdendo o controle" e afogando o restante das frequências, e equalização pode ajudar o fone neste casos. Todos os créditos da imagem vão para a www.hardware.info.


Créditos da imagem: Análise Corsair HS50 - www.hardware.info

Isso tem suas vantagens e desvantagens em comparação aos outros fones da linha Cloud: para uso geral é realmente um fone mais agradável, mas há ocasiões onde a maior nitidez dos agudos dos Clouds é vantajosa.

Eu não diria que é um fone "superior em FPS" ao HyperX Cloud Core pois as diferenças são pequenas e nenhum dos dois é exemplar em seu palco sonoro, mas é um fone mais agradável para uso geral, especialmente para escutar músicas, similar ao que acontece com o Cloud Alpha.

O Corsair HS50 é um fone mais "agradável" que o Cloud Core para uso geral

Não há nenhum ganhador claro na briga "HyperX Cloud Core vs Corsair HS50" na questão de áudio, mas há diferenças suficientes em outras questões como microfone, recursos adicionais e preço para que o HS50 se sobressaia.

Então com quais gêneros musicais e jogos o Corsair HS50 se dá bem? Bom, tudo.

E como já diz o ditado, "o bom em tudo, é excelente em nada". Músicas eletrônicas, Rock, jogos de FPS, jogos de terceira pessoa, RPGs, etc... Este fone fica muito bom em tudo, mas há alguns outros fones especializados que são melhores em certas tarefas naturalmente, o problema é que estes fones são mais caros ou não apresentam alguns de seus recursos.

E considerando que este é um fone de R$ 250, ele faz um excelente trabalho para seu preço. Graves com boa extensão, embora poderiam ter mais "controle", ótimos médios e agudos nítidos, embora poderiam ter um nível maior de detalhes.

Quanto ao desempenho no PS4, ele foi muito bem. O Corsair HS50 é um fone que atinge altos volumes facilmente, então pude deixar ele confortavelmente em 70% do volume conectado no controle. Em 100% fica bastante alto, ao ponto de se tornar desconfortável para mim, e o mesmo ocorre também em smartphones.

Só volto a dizer sobre o conector. O conector reto e ainda por cima mais longo que o normal, atrapalha bastante para utilizar este headset em controles e smartphones, e também pode causar problemas de mau contato e/ou quebrar devido à tensão do cabo. É sério, eu vou continuar penalizando toda e qualquer marca que diga ser "compatível com PS4/Xbox One" e não utilizar conector curvado, pois isto é uma falha de design.

Microfone

Antes de começarmos, é importante que o público saiba que o Corsair HS50 é um headset analógico. Ou seja, ele possui conectores P3/P2 (3.5mm). Isto quer dizer que o headset vai ser influenciado pela qualidade do áudio do seu computador, diferente de headsets USB que sempre tem o mesmo resultado em qualquer PC, salvo se as configurações forem diferentes.


Créditos da imagem para Guru3D.com

Acontece, que algumas placas-mães low-end não possuem nenhum isolamento elétrico em seu sistema de áudio, além de muitos usuários utilizarem as entradas frontais do gabinete, que são ainda mais suscetíveis a interferência do que os conectores traseiros. Adicione a falta de aterramento na maioria dos lares brasileiros e temos a receita para um belo ruído de eletricidade estática em qualquer headset analógico que for conectado a este computador.

O computador onde foi realizado o teste possui aterramento e o teste foi feito em uma ASUS Xonar U3, a qual consegue extrair a qualidade máxima do microfone.

Caso o microfone do seu Corsair HS50 não ficar tão bom quanto o da seguinte gravação, sugiro comprar uma placa de som da Orico (R$ 40) e caso nem isto resolver, verifique se há aterramento na sua residência, vocês não tem noção do quanto a falta disso causa de problemas para microfones.

Uma boa captação com voz limpa e clara, excelente em comparação com outros headsets desta faixa de preço, embora não entendo a razão para este fone não incluir um Pop-Filter em seu microfone. Estética, apenas?

Enfim, seu microfone se equipara ao Sharkoon B1 que tanto elogio pelo microfone, além de ser superior ao HyperX Cloud Core, Cloud Stinger e VOID Wireless. Realmente excelente para o preço.

Conclusão

 

Avaliação: Corsair HS50 Stereo Gaming Headset

Construção
8
Conforto
8,5
Qualidade Sonora
9,5
Microfone
9,5
Preço - R$ 250
10

O Corsair HS50 é uma tremenda evolução em cima do antigo HS40, além de também ser superior em termos de áudio à linha VOID, a qual se torna desnecessária devido a ele e aos seus irmãos HS60 e HS70.

Ele é uma declaração de guerra à HyperX, buscando ter algumas das mesmas características, tendo vantagens em alguns pontos e um preço mais competitivo, embora a Corsair ainda não tenha algo no mesmo nível que o HyperX Cloud Revolver e Cloud Alpha.

O Corsair HS50 não é pior e nem melhor que o HyperX Cloud Core no desempenho em jogos de FPS, mas em vários outros aspectos se mostrou superior, tais como o microfone, desempenho em músicas e recursos adicionais, sendo uma melhor escolha na minha opinião.

Já seu preço na faixa de R$ 250 é bastante agressivo. É muito claro que a Corsair está comprando uma briga com a HyperX, e quem sai ganhando nesta somos nós, consumidores, pois veremos estas duas empresas competindo e ajustando seus preços.

Espero que mais empresas sigam este mesmo ramo trazendo headsets com qualidade de estúdio a preços baixos. A Logitech só precisa fazer uma versão mais barata (e melhor construída) do G633, a SteelSeries só precisa ter preços mais competitivos, a Cooler Master parece ter novas surpresas e a Roccat já mostrou diferencial com o Roccat Renga.

O mercado de headsets fica melhor e mais competitivo a cada ano, e eu como reviewer, fico muito feliz disso.

PRÓS
Excelente Custo x Benefício
Excelente Qualidade Sonora
Excelente Microfone
Ótimo Conforto
Ótima Construção
CONTRA
Conector "reto" atrapalha a utilização em controles e smartphones
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.