ANÁLISE: Commatech Iomini

O filho perdido do Microsoft Intellimouse 1.1

A Commatech é uma pequena empresa chinesa aparentemente focada no mercado entusiasta chinês, possuindo uma lista de produtos bastante limitada. Entre estes, está o Commatech Iomini:

O Commatech Iomini busca copiar de forma fiel o visual do Intellimouse 1.1, embora em termos de dimensões seja menor (116.4mm de comprimento, 64.1mm de largura e 36.4mm de altura) e mais leve, pesando 80 gramas.

Também, outra grande diferença é que este é um mouse mais moderno, com um sensor Pixart PMW 3310, mudanças de configurações na parte inferior do mouse, luzes RGB e também um software.

Será que o Commatech Iomini é bom mesmo ou é apenas saudosismo? Veremos.

Ergonomia e Construção Externa

É importante lembrar que existem formas que usuários podem manusear seus mouses, o que chamamos de pegadas. As três principais são:

Vamos começar jogando um balde de água fria para os saudosistas que se animaram pela primeira imagem do mouse: ele é bem menor que o 1.1 original.


Intellimouse 1.1 na esquerda, Iomini na direita. Créditos para "﹎謎" do fórum WSTX

Na verdade, o Commatech Iomini está mais para SteelSeries Kinzu do que para Intellimouse. Nenhum problema nisso, mas o público deste mouse é diferente do qual sua aparência faz parecer, ele é um mouse para quem gosta de mouses pequenos e leves.

O Commatech Iomini só pode ser usado com a pegada Palm por pessoas que tenham uma mão pequena, caso contrário vai faltar mouse:

A pegada Claw pode ser usada, mas a falta de apoio para a base da mão na parte traseira não é muito confortável, e é por isso que muitos outros mouses são mais altos na parte traseira:

E a pegada Fingertip fica simplesmente perfeita com este mouse:

Pesando 80 gramas, o Commatech Iomini é um mouse leve, mas nem por isto passa qualquer impressão de fragilidade.

O Commatech Iomini possui diversas versões em cores diferentes, algumas com acabamento diferente. No caso, há a versão escura emborrachada e todos os outros modelos possuem acabamento glossy (que alguns conhecem por "black piano") em maior parte do mouse. O modelo desta análise é prata glossy.

O acabamento glossy tem suas vantagens e desvantagens. A vantagem é que é extremamente fácil de limpar, pois sujeiras não grudam nesta superfície devido à sua baixa aderência. A desvantagem é a baixa aderência, a qual não gera muita segurança ao pegar o mouse e também fica horrível para segurar caso o usuário esteja suando.

É um acabamento bonito e ideal para um mouse na cor prata/branco, mas em termos de usabilidade, não é melhor que um bom plástico fosco escuro (ex: CM MasterMouse S).

Assim como o Intellimouse 1.1 original, o Commatech Iomini é ambidestro e possui botões laterais posicionados na parte frontal, um em cada lado.

Nunca fui fã desta posição dos botões laterais no MS 1.1, e continuo não sendo aqui no Iomini, mas o maior problema nem é isto, é o quão leve estes botões são. Os botões laterais utilizam switches Kailh tão leves quanto os botões esquerdo/direito, e é fácil pressionar eles acidentalmente, mesmo se você estiver apenas tentando levantar o mouse.

Claro, você se acostuma com isso após algumas semanas e os cliques acidentais diminuem bastante, mas você sempre terá que ter cuidado ao manusear este mouse para não pressionar os botões laterais, e isto é uma falha de design que poderia ser resolvida facilmente caso os botões laterais precisassem de mais força para serem pressionados, pois bastava usar switches com maior resistência.

Ao contrário do que acabou parecendo inicialmente para mim, o Commatech Iomini não é compatível com os skatez do SteelSeries Kinzu, o que tornaria muito fácil conseguir skatez para repor ele. Claro, pode-se comprar os skatez do Kinzu e cortar eles até encaixarem, mas não é a solução ideal. Felizmente ele também acompanha um conjunto de teflons extras em sua caixa.


PS: Assim como os mouses da Motospeed, há uma película de plástico protegendo os teflons, tirei esta foto quando recebi ele

Também, nesta imagem podemos ver as chaves seletoras de DPI e Taxa de Atualização, sendo que todos estes valores podem ser editados em seu software e salvos na memória interna do mouse.

O Commatech Iomini conta com um cabo de borracha fino e bastante flexível, similar ao que há em alguns mouses genéricos. Nada de errado nisso, pois um cabo de nylon pesado poderia atrapalhar e não combinaria com a estética do mouse.

Para finalizar, diferente do Intellimouse 1.1, o Commatech Iomini possui LEDs RGB, sendo que é possível configurar as cores do scroll e do logotipo da Commatech. Não é possível escolher a cor da parte onde estaria o logotipo da Intellimouse, o que seria meio heresia, mas é possível desligar este LED no software.


Também, há um pequeno espaço no meio deste LED, onde creio ser possível colocar um pequeno logotipo próprio ou até o da Intellimouse, caso você queira deixar ele mais "autêntico" em aparência ao Intellimouse 1.1.

A construção externa do Commatech Iomini é bastante caprichada, plástico de alta qualidade, um acabamento glsosy bem feito, bons cliques e ótimos pés de teflon. Minha única e principal crítica vai aos botões laterais, os quais são extremamente leves e fáceis de pressionar acidentalmente, mas ainda assim é possível se acostumar com isso.

Construção Interna

A Construção Interna é a principal responsável pela durabilidade de um mouse. Se forem utilizados componentes de alta qualidade, podemos dizer que o mouse foi projetado para durar. Se forem utilizados componentes de baixa qualidade, as expectativas para o mouse não serão boas.

Aqui encontramos sinais de que realmente o Commatech Iomini foi projetado por entusiastas. Switches OMRON 20M nos principais, codificador da TTC, laterais Kailh. A única peça que não me coloca confiança é o switch do botão do meio, o qual poderia (e não foi por falta de espaço, a PCB foi projetada para usar switches diferentes) ser de melhor qualidade.

Também, o Commatech Iomini possui duas chaves seletoras na parte inferior, e embora eu não entenda sobre a qualidade deste componentes, posso dizer que não foi bem implementado no Iominni, pois é meio duro, fica "torto" em relação às escritas e é difícil colocar o valor em "Mid"... Mas, pelo menos funciona.

Não sei se esta peça irá durar muito com o uso intenso, mas não me parece. Então, se você faz a troca constante de DPIs, sugiro usar o software do mouse ou então optar por outro mouse que tenha botões para troca de DPI.

Já se você troca estas configurações raramente, sem problema algum.

Desempenho

O Commatech Iomini utiliza o sensor Pixart PMW 3310, o mesmo que está presente em mouses como o ZOWIE EC2-A e SteelSeries Rival 300.

Começando, todos os testes foram realizados utilizando um mousepad Rise M4A1, o qual possui estampas e tem um nível de qualidade similar ao Razer Goliathus Speed.

Primeiro, temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente, ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizar ele, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados do Commatech Iomini no mousepad RISE M4A1, em 1000 Hz:

Bastante estranho a consistência em 1000 Hz, parece que este mouse não é capaz de manter esta taxa de atualização com bons resultados. No caso do Commatech Iomini, é melhor deixar ele em 500 Hz, valor no qual ele fica perfeito:

Agora vamos ao teste de aceleração.

O ideal sempre é que: se o mouse for movido rapidamente 10cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do Commatech Iomini usando o mousepad RISE M4A1, em 1000 Hz:

Resultados perfeitos, embora o resultado deste teste pode variar de acordo com a configuração de LOD que você pode configurar no software, se o valor estiver baixo demais, ele pode deixar de rastrear partes do mousepad.

Agora, chegando ao software do mouse:

Esta é a parte mais complicada do Commatech Iomini. Em primeiro lugar, não há interface em inglês, o que é o mínimo do mínimo. Claro, a Commatech é uma marca entusiasta focada apenas no mercado chinês, possivelmente até por questões legais já que a Microsoft começou vender novamente e linha Intellimouse, mas é muito chato ter que mexer na interface em chinês.

Mas, esta não é a pior parte. A pior parte é que quando questionada sobre a possibilidade da criação de uma interface em inglês, a Commatech largou a pior resposta possível:

"Só vamos fazer um software em Inglês, se encomendarem mais unidades do mouse"

Por um lado faz sentido a resposta, mas talvez o software em chinês não seria uma das razões para estrangeiros não estarem comprando este mouse?

Mas enfim, vamos pelo menos tentar utilizar o software. Em primeiro lugar, o software nem sequer instalou no meu computador inicialmente, tive que utilizar o AppLocale para simular um computador chinês e então ele instalar. Vamos à tela principal do software, o qual também precisa ser aberto com o AppLocale ou senão alguns textos chineses estarão corrompidos:

Aqui pode-se configurar cada botão do mouse para diferentes funções. Esta é também a pior parte, pois não há como entender qualquer coisa, e o pior é que assim como vários outros mouses dedicados para o mercado chinês, os botões laterais estão invertidos de fábrica (voltar e retroceder estão trocados), então querendo ou não, você provavelmente vai ter que usar esta interface, pelo menos uma vez.

Também, aqui temos a maior falha deste software. Este botão circulado, é um botão para atualizar o firmware do mouse. Você aperta este botão e seleciona um arquivo .MTP contendo o firmware novo, e aqui foi feito uma tremenda burrice por parte dos programadores deste software. Ao clicar acidentalmente neste botão e após clicar em "Cancelar", o software ao invés de cancelar o processo, simplesmente reescreve o firmware com "NULL" (nada), brickando o mouse.

Sim, ao clicar em cancelar durante a tentativa de atualização, o software faz o seu Commatech Iomini virar um peso para papel... Genial... Este tipo de erro é inaceitável e o mouse será penalizado por isso.

Após isto, você não poderá abrir o software do mouse e nem o programa para atualização. A única saída neste caso, é baixar um programa para atualização chamado "ISPTool", o qual força a atualização do firmware do mouse. O link para download é este, e eu também incluí um guia do processo junto com o último firmware lançado.

Seguindo, temos a aba para configurar as DPIs, o LOD (altura na qual o sensor deixa de rastrear) e a taxa de atualização. É possível gravar três DPIs diferentes (High, Medium, Low) e três taxas de atualização (High, Medium, Low) na memória interna do mouse e depois selecionar elas através das chaves na parte inferior do mouse.


Quanto à configuração do LOD, há como selecionar entre 0 até 60, o que é a sensibilidade do sensor quanto à superfície. Minha dica quanto a isto, é que você só mexa nisto se estiver tendo algum problema, se o mouse não está rastreando a superfície corretamente, aumente para 40, 50 ou 60.

Se você está achando o LOD dele alto, diminua para 20 ou talvez até menos, mas tenha um segundo mouse para resetar as configurações, pois caso você colocar um LOD muito baixo, o mouse pode deixar de rastrear parcialmente ou completamente o mousepad. Não coloque valores próximos a 5 pois senão ele vai parar de funcionar.

E se por acaso algo acontecer e o mouse parar de funcionar completamente, você pode usar o software de atualização para resetar ele.

Na próxima aba temos a configuração dos LEDs. Há quatro opções na parte superior, desligado, ligado, pulsando e "trocar de cor ao clicar". Logo abaixo há a seleção de cores e a pequena caixinha na parte inferior direita, desliga o LED vermelho do mouse.

Por último, há um sistema de macros o qual eu nunca consegui fazer funcionar, ele capta as teclas do teclado, mas não há indicações de onde terminar a gravação, então não consegui fazer nenhuma macro neste software.

Enfim, pode-se usar vários dos recursos deste software mesmo sem entender chinês, mas não há como usar as macros e nem como configurar os botões, a menos que você use o aplicativo do Google Translate em seu celular toda hora que for fazer isso.

Pode-se facilmente inutilizar o seu mouse caso você clique no botão para atualizar o firmware, e se você não souber sobre o arquivo de atualização que faz o unbrick, terá um bonito peso para papel em cima da mesa...  Também, as configurações de LOD podem fazer o mouse deixar de funcionar caso você coloque um valor inapropriado para a superfície onde você está usando o mouse...

E claro, com tantas armadilhas dentro desse software, é meio que pedir demais que ele esteja em inglês...

O Commatech Iomini é um mouse que apela muito para a aparência do Intellimouse 1.1, e acaba decepcionando um pouco por não ser fiel justamente no aspecto que mais agradava donos do Intellimouse 1.1, que é a questão do formato e tamanho, sendo uma versão reduzida dele.

Na verdade, ele é mais adequado como um mouse para quem gosta e/ou ainda utiliza o SteelSeries Kinzu e SteelSeries Kana. Para quem procura um sucessor destes mouses, ou quer um mouse bastante leve e pequeno, ele é uma excelente opção, mas a leveza dos botões laterais pode incomodar alguns usuários.

Em termos de acabamento, construção interna e sensor, o Commatech Iomini é um mouse extremamente competente e seu preço na faixa dos R$ 150 é justo, não é um mouse "CxB" e nem um mouse caro demais para o que ele oferece.

O que acaba sujando ele, é o seu software. Embora ele tenha diversos recursos, está apenas em chinês e alguns dos recursos disponíveis nele podem fazer o mouse deixar de rastrear (ajuste de LOD) ou simplesmente brickar o mouse apenas por ter clicado no botão, mesmo que acidentalmente (atualização de firmware). Pode-se utilizar ele com este software, evitar as armadilhas e até fazer o unbrick caso algo ocorra, mas é vergonhoso mesmo assim.

Enfim, é possível (e eu recomendo) utilizar o Commatech Iomini sem software, ou instalar ele apenas uma vez e depois apagar para sempre. Para quem ignorar esta falha, ele é um ótimo mouse, mas eu fico indignado com o descaso que empresas chinesas (ex: Commatech, James Donkey, Motospeed...) possuem quanto a softwares... O produto pode ser excelente e ter um CxB ótimo, mas essa parte é quase sempre mal feita. Isso tem que terminar.

Nota: Este mouse foi enviado para análise pela Black Falcon Store

Conclusão

 

Avaliação: Commatech Iomini

Construção Externa
8
Construção Interna
8
Desempenho
8
Preço - R$ 150
7

PRÓS
Acabamento glossy impede sujeiras de impregnar a superfície do mouse, sendo fácil limpar com um pano.
Excelente precisão graças ao sensor Pixart PMW 3310.
Ótima construção interna.
Ótima construção externa.
Seletor de DPIs e taxa de atualização via chaves na parte inferior do mouse, sendo extremamente prático para ambientes onde não é possível usar softwares.
CONTRA
Acabamento glossy não proporciona boa aderência para seus dedos.
Botões laterais são fáceis de pressionar acidentalmente.
É extremamente fácil inutilizar o mouse em seu software devido a um erro de programação, embora seja possível fazer o unbrick.
Software apenas em chinês.
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.