ANÁLISE: Mad Catz R.A.T.1

O mouse transformer gamer mais leve do mundo

Seria trágico se não fosse cômico... Ou será o contrário?

Na Black Friday de 2017 foi comprado o mouse Mad Catz R.A.T.1 para fazermos análise, e nesses oito meses até os Correios nos entregarem, a marca foi à falência, voltou dos mortos e o mouse que estamos analisando já saiu de linha. Que sorte...

Enfim, será que este transformer é bom? Será que o visual extravagante não acaba tendo pontos negativos? (spoiler: sim). É o que veremos a seguir.

 

Construção Externa

Como já podem ver a quilômetros de distância, o RAT 1 é um mouse estranho. Mas não se preocupem, mesmo sendo estranho, ele é "meio que" utilizável.

Antes de mais nada, este mouse não possui botões laterais e é ambidestro (pode ser usado por canhotos também). No lugar de botões laterais, há uma "alavanca" que pode ser usada como esses botões e também pode ter sua função configurada como botões de DPI.

Todos os componentes do mouse ficam na parte frontal, não há nenhum outro componente em suas outras peças. Seu sensor fica na parte frontal e é extremamente desalinhado do centro do mouse, o que pode ser uma das várias razões para seu rastreio ser tão "estranho".

Sem o cabo e conector, este mouse pesa 50 gramas. Cinquenta. C I N Q U E N T A. Nenhum outro mouse gamer é tão leve, os mais leves chegam na faixa de 70g, e por uma boa razão: o Mad Catz R.A.T.1 é bastante desengonçado pela falta de peso e pela maior parte dele estar situada na parte frontal, sendo um mouse extremamente desbalanceado.



Créditos da imagens para "让我用激素" do fórum WSTX

Esse peso exageradamente leve e a falta de balanço de suas peças, se mostram logo de cara na movimentação e precisão do mouse, sendo que não recomendo este mouse para quem vai jogar algo seriamente. É realmente um produto para colecionador e curiosos, e não para jogar de forma competitiva.

A sensação ao usar o R.A.T.1, é de estar usando um brinquedo

Eu amo mouses leves, mouses como o Commatech Iomini (que ainda preciso lançar análise) e Logitech G203 são mouses fantásticos e leves, mas o Mad Catz R.A.T.1 passa do nível de ser "leve" e chega em "loucura".


Logitech G Pro, Commatech Iomini, Mad Catz R.A.T.1, Motospeed V30

Antes de mostrarmos como ficam as pegadas, a carcaça traseira pode ser ajustada e há duas opções disponíveis, a primeira que faz ela ficar inclinada, e a segunda, que faz ela ficar mais reta.


A pegada Claw fica boa com a primeira posição, já que a inclinação da carcaça auxilia para apoiar a base da mão para esta pegada.

A pegada Fingertip fica melhor com a primeira posição, mas a forma como ele levanta sem nenhum esforço devido ao peso, não dá segurança para utilizar esta pegada.

A pegada Palm é complicada com este mouse, pois ele não tem muito corpo disponível, mas de alguma forma é possível utilizar ela se sua mão não for muito grande e utilizar a segunda posição que deixa a carcaça traseira "reta".

Mesmo assim, as "asas" que o mouse possui na sua frente podem incomodar para usar qualquer pegada, especialmente para o dedo anelar.

Mas calma, esta nem é a forma final deste Transformer. É possível remover a traseira do mouse e imprimir novas peças em uma impressora 3D para ele, ou então baixar algo pré-pronto.



Fonte: https://www.thingiverse.com/thing:2774152

E não apenas a traseira pode ser removida, como também toda a carcaça do mouse, gerando nada mais, nada menos do que esta baratinha:

Sim, ele se transforma em um "mini-mouse" e funciona perfeitamente desta forma, embora não gera nenhuma segurança, não é confortável e você acaba levantando ele quase que acidentalmente o tempo todo. Jamais jogaria com ele desta forma, mas por incrível que pareça, é possível.

Quando comparado com outras "baratas", posso dizer que sem sombra de dúvidas o Mad Catz R.A.T.1 é o melhor "mini-mouse" do mercado em termos de qualidade de rastreio e componentes. Já pode terminar a análise aqui.

Construção Interna

Me perdoem por não querer abrir este mouse, mas ele é raridade e terei que devolver ele para o Arthur Pinheiro após esta análise. Felizmente, há imagens dos componentes internos do mouse na internet e todos os créditos destas imagens vão para "让我用激素" do fórum WSTX.

O Mad Catz R.A.T.1 utiliza switches miniaturizados da TTC nos botões principais, e o resultado é que estes são um pouco mais "rígidos" que os OMRON que estou acostumado a ver em mouses gamer. Não é ruim, mas é diferente. O botão do meio é feito pela Kailh, enquanto a alavanca de DPI utiliza switches square genéricos. O scroll é o mesmo codificador Kailh que achamos no Logitech G203, G Pro, G403 e também no Gigabyte Aorus M3.

Uma boa construção, mas nada excepcional.

Desempenho

O Mad Catz R.A.T.1 utiliza o sensor Pixart PMW 3320, o mesmo sensor que está presente no Motospeed V30. Mas, a falta de peso dele é tão bizarra, que faz parecer que sua DPI esteja muito maior do que realmente está, 750 DPIs parecem 1000 DPIs... E o pior de tudo, é que ao fazer os testes para verificar se as DPIs realmente estão erradas utilizando o MouseTester e uma régua, notei que não há nada errado. Bizarro.

Mas fora as DPIs ficarem estranhas por causa da falta de peso dele, não há problemas no sensor deste mouse.

O teste de consistência de rastreio em 1000 Hz parece estranho, mas a média está perfeita, é apenas a forma como os dados são enviados em 1000 Hz. Diminuir para 500 Hz faz os dados ficarem mais "bonitos", mas não há problema algum em usar o Mad Catz R.A.T.1 em 500 Hz ou 1000 Hz.


E o teste de aceleração também foi perfeito:

Mas embora tenha um bom resultado e usem o mesmo sensor, é inegável que o Motospeed V30 é superior em precisão ao R.A.T.1, e podem haver várias razões para isto; por ser uma revisão mais recente do mesmo sensor, pelo sensor estar mais centralizado (mesmo que não esteja 100%) e até mesmo por ter um peso melhor distribuído e uma pegada mais firme. E possivelmente, todas as alternativas anteriores.

Infelizmente não há como baixar o software e nem atualizações para o mouse Mad Catz R.A.T.1 pelo próprio site da fabricante, a qual não oferece mais suporte para produtos que haviam sido projetados antes de sua falência, o que não é um bom sinal pois caso a marca venha a falir de novo, donos dos novos produtos provavelmente também ficarão sem qualquer suporte.

O software da Mad Catz é bastante simples, mas fácil de lidar. Não há muito o que mexer nele, mas há diversos ícones representando funções e o visual é bastante limpo, mas algumas de suas funções, tal como atualização de firmware, download de peças 3D, manual, termos de garantia e outras não funcionam mais.

Conclusão

 

Avaliação: Mad Catz R.A.T.1

Construção Externa
6,5
Construção Interna
8,5
Desempenho
8
Preço - R$ 220
4

O Mad Catz R.A.T.1 é um conceito interessante, mas não passa disso. Como mouse, ele é longe de ser ruim, mas seu formato desengonçado e peso extremamente desbalanceado, aliado ao preço que se situava próximo a mouses topo de linha de outras fabricantes, fazem ele ser uma escolha inferior a outras opções. É um mouse para colecionadores e curiosos.

É como se fosse uma GT 1030 toda enfeitada pelo mesmo preço de uma GTX 1050. É um mouse gamer de entrada que por sua aparência, faz muita gente pensar que seja acima do que realmente é, assim como tantas outras coisas da Mad Catz.

No Brasil, ele pode ser encontrado apenas em uma única loja, pelo preço de R$ 220, e a menos que você realmente esteja procurando um mouse com um visual muito estranho, há uma grande amplitude de melhores escolhas por este preço e até abaixo disso. Porém, já vi ele em queimas de estoque por R$ 90, valor pelo qual compensa, não como mouse para usar seriamente, e sim como item de colecionador.

O modelo da análise foi comprado em queima de estoque por R$ 50 do exterior, mas levou 8 meses para chegar. Por valores tão baixos assim, não dá pra reclamar de nada.

Se você é colecionador, já possui um bom mouse mas quer algo "diferente", ou é uma das raras criaturas que gostam de "mini-mouses", o Mad Catz R.A.T. 1 pode ser uma escolha interessante. Já quem quer algo para realmente usar enquanto joga, deve procurar alguma outra opção.


PRÓS
Boa construção interna
Bom rastreio graças ao sensor Pixart PMW 3320
Bom software, mesmo que sem suporte atualmente
Poder imprimir peças 3D adicionais para o mouse é um conceito interessante
CONTRA
A Mad Catz não oferece mais suporte para este mouse, não é possível baixar o software, firmwares ou manuais pela página da marca
O peso e ergonomia deste mouse são tão loucos, que mesmo estando corretas, as DPIs parecem ser muito maiores do que realmente são
Peso extremamente desbalanceado, não proporcionando segurança ao segurar o mouse
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.