ANÁLISE: Motospeed V70

O primeiro mouse high-end da Motospeed

A Motospeed é uma marca bastante conhecida por seu baixo custo e pelos seus designs, nos quais realmente não faltam LEDs RGB.

Até o início de 2018, a Motospeed não tinha nenhum mouse que poderia ser categorizado como "high-end", já que todos os seus mouses utilizavam sensores de entrada ou já defasados. Isso mudou com o Motospeed V70 e a utilização do sensor Pixart PMW 3360.

Mas, para um mouse realmente ser categorizado como high-end, ele deve usar o melhor do melhor em toda sua construção, em seus componentes e em seus recursos, algo que a Motospeed também não fez até então.

Será que a Motospeed realmente criou um mouse capaz de ganhar ou pelo menos oferecer o mesmo nível de qualidade que mouses de grandes marcas? É o que veremos nesta análise.

Construção Externa

O Motospeed V70, ao contrário do V20 e V60, não é uma cópia escancarada do design de algum outro mouse. Claro, há mouses parecidos, mas nenhum é quase idêntico em visual ao V70, diferente de como era o caso do V60 e Mionix Avior.



Logitech M90, Logitech G203, Commatech Iomini, Roccat Kone Pure Owl-Eye, Motospeed V70, Cougar Revenger, SteelSeries Rival 300

Pesando 108 gramas (sem o cabo), o Motospeed V70 é um mouse um pouco "pesadinho", maior parte deste peso estando focado na traseira por este ser o local onde está localizado um chumbo interno que acrescenta peso a ele. É um peso que não é condizente com a qualidade e grossura de seu plástico, e nem com o tamanho do mouse, então várias pessoas (incluindo o autor) podem se sentir desconfortáveis com isso.

O Motospeed V70 pode ser utilizado com a pegada palm, embora pessoas com mãos grandes podem achar seu comprimento insuficiente.

A pegada claw não apresenta problema algum:

E fingertip pode ser usado, embora vários usuários desta pegada tenham preferência por mouses mais leves e o V70 pode não agradar estes:

A construção do Motospeed V70 é mais ou menos, ele tem um corpo em plástico fosco sem nenhum acabamento adicional (diferente do emborrachado do V30, que desgasta e fica feio), mas não é um plástico de alta qualidade como o visto no HyperX Pulsefire FPS ou Razer DeathAdder Elite.

Como já é costume dos mouses da Motospeed, o V70 possui uma película de plástico protegendo os teflons, que deve ser removida antes de começar usar. Infelizmente muitas pessoas não sabem disso, então é bom sempre avisar. Já havíamos removido ela na nossa unidade.

Também ele conta com um cabo de borracha extremamente grosso e não muito flexível, ao ponto de atrapalhar a movimentação do mouse. Sinceramente, se a empresa não consegue fazer um cabo em nylon tão bom quanto o utilizado pela Razer e Roccat, é melhor nem usar nylon e deixar apenas a borracha mesmo.

Eu não sou de comentar sobre a iluminação de mouses, pois acho que se ela liga e desliga já está fazendo seu serviço. Mas a iluminação do Motospeed V70 como ele estava até semanas atrás era tão irritante que minha vontade era jogar o mouse contra a parede ao usá-lo:

Sim, o Motospeed V70 piscava igual uma árvore de Natal sem a opção para desligar este recurso, além de piscar ainda mais caso você clique com o botão esquerdo/direito. Irritante é apelido.

Felizmente a Motospeed Brasil conseguiu com a fábrica um firmware que sequer consta no site da própria Motospeed e que apaga essas luzes. Mas, como todo bom programador, ao corrigir este problema, introduziram outro: agora a luz logo abaixo do LED da Motospeed fica fixa na cor branca em maioria dos efeitos.

A boa notícia é que eu, que não sou programador e nem pago pela Motospeed, consegui consertar este problema, além de corrigir vários outros problemas do software da marca:


Link para download do software modificado

Enfim, é decepcionante ver que a Motospeed ainda não aprendeu com seus erros anteriores, além de introduzir erros bizarros como o sistema de iluminação malfeito deste mouse. Sua construção não é inferior ao V20 ou V30, embora curiosamente me pareça inferior ao V60, tanto que prefiro usar o V60 do que o V70.

O problema é que enquanto Motospeed V30 consegue justificar suas falhas pelo seu preço, o Motospeed V70 é encontrado na mesma faixa de preço que concorrentes de grandes marcas e sua construção inferior, peso desbalanceado e péssimo cabo, ficam bastante aparentes.

Construção Interna

A construção interna é a principal responsável pela durabilidade de um mouse. Se forem utilizados componentes de alta qualidade, podemos dizer que o mouse foi projetado para durar. Se forem utilizados componentes de baixa qualidade, as expectativas para o mouse não serão boas.

Vamos então depenar o Motospeed V70:

Embora a maioria dos componentes seja de alta qualidade e eu aprecie muito a utilização de switches ChangeFeng White em basicamente tudo, especialmente no botão do meio que é tão menosprezado por outras marcas, há uma única peça que me causa preocupação neste mouse, e que realmente está inferior a qualquer outro mouse da marca que já tenha testado: o scroll.

Os codificadores de scroll da F-Switch não são conhecidos pela durabilidade, e a própria unidade do mouse da análise está apresentando alguns problemas com inconsistência na resistência e barulho que este scroll faz, especialmente para cima, onde ocasionalmente o scroll acaba fazendo um barulho bem estranho.

Claro, não vou dizer que todos os Motospeed V70 vão apresentar problemas no scroll, não sabemos, mas não vejo qual a razão para o novo "topo de linha" da marca utilizar um scroll inferior e mais barato que o utilizado pelo V30...

Desempenho

O Motospeed V70 usa o sensor Pixart PMW 3360, que era até poucos meses atrás o melhor sensor disponível comercialmente, não contabilizando sensores exclusivos de algumas marcas.

Agora, o sensor Pixart PMW 3389 (o mesmo do Razer DeathAdder Elite) já está disponível para uso comercial, mas ainda assim o 3360 continua sendo um dos melhores do mercado.

Começando, todos os testes foram realizados utilizando um mousepad Rise M4A1, o qual possui estampas e tem um nível de qualidade similar ao Razer Goliathus Speed.

Primeiro temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente, ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizar ele, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados do Motospeed V70 no mousepad RISE M4A1, em 1000 Hz:

Um resultado perfeito, é normal haver algumas pequenas variações nos dados devido ao polling rate alto, mas o importante é que a média esteja estável, o que realmente está.

O próximo teste é o teste de aceleração. O ideal sempre é que se o mouse for movido rapidamente 10cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do Motospeed V70 usando o mousepad RISE M4A1, em 1000 Hz:

Um resultado perfeito, como é esperado do sensor Pixart PMW 3360.

Vamos então partir agora para o software.

OK Motospeed, faz um ano desde a análise do Motospeed V60 e ainda assim não mudaram essa péssima interface? Calma aí, há uma aba nova chamada "Game"...

Sim, a Motospeed incluiu um recurso "no-recoil" na primeira versão do software do V70...

Após uma reação negativa por parte da comunidade (embora outra parte desprezível ainda quer que este recurso continue), a Motospeed removeu o recurso "no-recoil" da versão internacional do software, embora ele continue disponível na versão chinesa.

Enfim, vamos começar. A primeira aba é a aba "Key", onde pode-se configurar cada um dos botões do Motospeed V70. Cada botão é referenciado no sistema pelo seu número, e a imagem do mouse é um pouco melhor do que parece aqui na review, mas ainda assim é uma imagem bastante pequena e difícil de entender.

Há como configurar os botões do Motospeed V70 para responderem como teclas do teclado, botões do mouse, botões multimídia, combinações de teclas (ex: CTRL + ALT + DEL), macros (com opções de repetição X vezes, sempre repetir ou repetir enquanto pressiona), o Fire Key é uma função Turbo para o botão esquerdo (pode-se configurar Burst ou clicar o mais rápido o possível) e há funções para controlar as luzes e perfis do mouse.

Um bug que este software possui porém, é que ao configurar algum de seus botões como função multimídia, este botão deixa de funcionar completamente. Para que ele finalmente funcione como a função multimídia que você configurou, após configurar você deve retirar e colocar de volta o mouse da USB.

Na próxima aba temos o sistema de macros, o qual é bastante confuso, não grava intervalos entre as macros que você realiza com o teclado, e acaba sendo mais fácil inserir as macros manualmente através dos botões manuais no meio da interface. Simplesmente péssimo.

Seguindo, temos a aba "Color", onde podemos configurar maior parte dos LEDs do mouse. Os LEDs do logotipo e do scroll não podem ser configurados pois estão atrelados às DPIs, enquanto os LEDs frontais não podem ser configurados no firmware e software disponibilizado pela própria fabricante. Felizmente eu pude corrigir isso no software que vai estar logo abaixo.

Já na aba Sensor, temos as configurações gerais do mouse e do sensor, sensibilidade, DPIs, taxa de atualização e as cores que representam cada uma das DPIs do mouse.

O Motospeed V70 tem valores de DPIs fixos, o que é estranho quando o sensor PMW 3360 não apresenta isto. O que aconteceu, é que os excelentes programadores da marca não foram capazes de criar uma interface com sliders ou onde o valor possa ser digitado manualmente, e optaram pela solução mais fácil de escolher entre valores pré-definidos:

É possível editar estes valores editando os arquivos "apConfig.bin" e "apConfigD.bin" na pasta de instalação e trocando os valores das linhas "dpiValue" pelos valores que você desejar.

Mas, algo que notei após realizar os testes para ver se estas DPIs correspondiam, é que a variância entre a DPI do software e a DPI efetiva é considerável no V70, então valores que em outros mouses podem ser confortáveis para você, no V70 podem estar sensíveis demais.

  • 500 DPIs no software = 622 DPIs Efetiva
  • 800 DPIs no software = 895 DPIs Efetiva
  • 1200 DPIs no software = 1313 DPIs Efetiva
  • 1600 DPIs no software = 1713 DPIs Efetiva
  • 2400 DPIs no software = 2512 DPIs Efetiva
  • 3200 DPIs no software = 3499 DPIs Efetiva
  • 8000 DPIs no software = 8252 DPIs Efetiva
  • 12.000 DPIs no software = 12.115 DPIs Efetiva

Se você quer 400 DPIs no V70, deve na verdade escolher 300 DPIs

É normal haver esta variância, mas a diferença no V70 está um pouco acima do normal, e sempre pelo menos 100-200 DPIs acima do valor selecionado. Logo, se você quer 500 DPIs, no V70, deve na verdade escolher 400 DPIs.

Já que o Motospeed V70 continua com o mesmo software que o V60, posso também aplicar o mesmo patch para corrigir a interface que havia feito anteriormente, mas realizei algumas mudanças nele, e devido ao fato do novo software não possuir o sistema de checksum que o V60 possui, foi possível:

  • Traduzir a interface completamente para PT-BR
  • Corrigir termos incorretos utilizados pela marca
  • Troquei os nomes sem sentido dos efeitos de iluminação
  • Troquei o péssimo plano de fundo que atrapalhava a leitura
  • Coloquei o tamanho de fonte grande por padrão
  • Removi elementos confusos da interface
  • Adicionei o firmware que corrige o problema dos LEDs frontais
  • Corrigi um erro que deixava os LEDs traseiros brancos ao usar este firmware
  • Adicionei um efeito que havia sido desativado (que chamei de "Epilepsia")
  • Agora todas as zonas de iluminação do mouse podem ser customizadas na aba "Efeitos" (com exceção dos LEDs de DPI)

LINK PARA DOWNLOAD DO FIRMWARE E SOFTWARE MODIFICADO

Não foi possível corrigir o bug dos botões multimídia. Caso você configure algum dos botões/scroll como função multimídia (ex: Aumentar/Diminuir volume), você terá que primeiro clicar em "aplicar" e depois terá que remover e colocar de volta o mouse na USB. Este problema está presente tanto no software original, quanto no modificado. Também, não acrescentei o recurso "no-recoil" e não pretendo fazer isso.

Tudo isso dentro de um instalador e com instruções de como fazer o processo. Parabéns Motospeed, um brasileiro que não está sendo pago conseguiu melhorar bastante o software de vocês, e não foi difícil.

Enfim, é vergonhoso que a Motospeed não tenha melhorado sua péssima interface até agora e que a única coisa na qual a marca investiu tempo foi adicionar um recurso que tenta "quebrar" mecânicas de jogos, e que é repudiado e até proibido em diversos jogos, inclusive caracterizando "auxílio externo" e sendo passível de banimento...

Não condeno softwares que permitem a criação de macros que controlem o movimento do mouse, pois podem ser usadas para diversas aplicações diferentes além de sistemas no-recoil, mas o sistema da Motospeed não faz isso, ele literalmente incentiva o uso destas "trapaças em hardware" ao deixar elas pré prontas, e o fato de terem removido no software internacional é inútil considerando que é possível baixar o software chinês...

Conclusão

 

Avaliação: Motospeed V70

Construção Externa
6
Construção Interna
7,5
Desempenho
7.5
Preço - R$ 170
6

O Motospeed V70 é a primeira tentativa de entrada da Motospeed para o mercado de mouses "high-end", com um preço maior que seus irmãos e um sensor topo de linha Pixart PMW 3360.

E todas as falhas que a Motospeed apresenta e que são aceitáveis em modelos de entrada, deixam de ser aceitáveis em um modelo que deve competir contra mouses como o CM MasterMouse MM530, Cougar Revenger, HyperX PulseFire FPS, Logitech G203 e Logitech G403, todos os quais considero superiores a ele.

O uso de plástico barato, embora aceitável em mouses de entrada, não é legal em um modelo que se diz topo de linha, o cabo exageradamente grosso e pouco flexível é desagradável, o scroll está agora pior que o V30, o peso do mouse está extremamente desbalanceado e não preciso nem falar sobre o software da marca e sua péssima interface.

É estranho falar isso, mas a construção do Motospeed V70 está realmente inferior à do Motospeed V60.

Além disso, falhas como os LEDs frontais que piscavam o tempo todo e também ao clicar com os botões do mouse, e a inclusão do recurso "no-recoil" sujaram bastante a reputação deste mouse, embora ambos foram resolvidos em atualizações.

Sinceramente Motospeed, se vocês querem realmente entrar para o mercado de mouses topo de linha, vão precisar rever várias das políticas e estratégias que a marca vem tomando.

Ao invés de gastar tempo enfiando LEDs em cada orifício possível do mouse, ou criando recursos como o "no-recoil", que tal investir na interface do software? Em mouses com peso melhor balanceado? Em um acabamento mais caprichado? Em um cabo de nylon fino e flexível similar ao da Razer/Roccat, ou então tirar o nylon de uma vez? Em sistemas de iluminação que não pareçam ter sido tirados de um brinquedo barato?

Sim, o sensor Pixart PMW 3360 é um excelente sensor, mas ele fica desequilibrado neste mouse, pois é a única coisa "topo de linha" dele, e se não fosse a Motospeed Brasil ter ido atrás de mudanças após reclamações e eu ter feito o software modificado, a lista de problemas do mouse seria ainda maior.

Enfim, o Motospeed V70 é sim um ótimo mouse, mas será que ele é mesmo um mouse capaz de brigar contra outros mouses High-End como o CM MasterMouse MM530, Cougar Revenger, Logitech G403 e Razer DeathAdder Elite apenas por contar com o PMW 3360, já que não se destaca em sua construção, recursos, componentes ou software?

A minha resposta é não. Ele só vale a pena se estiver consideravelmente mais barato que estes concorrentes, e seu preço tanto no Brasil, quanto na China, atualmente não está muito convidativo, além de enfrentar forte concorrência do Delux M625, o qual também faremos análise em breve.

Nota: Este mouse foi enviado para análise pela Motospeed Brasil

PRÓS
Boa construção interna
Sensor Pixart PMW 3360
CONTRA
Consideravelmente mais caro que seus antecessores
Preço muito próximo a mouses superiores
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.