ANÁLISE: Crucial MX500 1TB SSD

Opção com alta capacidade e preço melhor que concorrência

A Crucial lançou no Brasil a linha de SSDs MX500, que utiliza o controlador Silicon Motion SM2258 e tecnologia de memórias 3D NAND de segunda geração da Micron, dona da marca Crucial. Essa linha possui modelos SATA de 2,5'' e 7mm de espessura com capacidades de 250GB, 500GB, 1TB e 2TB, e modelos em formato M.2 2280 com capacidades de 250GB, 500GB e 1TB, sendo todos eles baseados no protocolo SATA, com leitura/escrita sequencial de 560 MB/s e 510 MB/s respectivamente. A leitura/escrita randômica ficam em 95.000 IOPS e 90.000 IOPS, exatamente igual para todas as capacidades e modelos, seja SATA3 ou M.2.

Site oficial do SSDs Crucial MX500 1TB

Iremos analisar o modelo de 1TB, que tem custo médio na casa de R$ 1350. O modelo mais barato é o de 250GB, com preço médio pouco acima dos R$ 400.


Tecnologias


Diferente de grande parte dos modelos de SSD, a Crucial manteve as mesmas especificações técnicas para as diferentes capacidades, como colocado na introdução, todos são idênticos.

Como principais especificações técnicas a empresa destaca:
- 2ª geração da tecnologia 3D TLC NAND com 64 camadas da Micron
- Sequência de leitura/escrita de até 560/510 MB/s
- Velocidade de leitura e gravação de até 95K/90K IOPS1
- Capacidade de até 2 TB de armazenamento
- Formatos em 2,5 polegadas e M.2 2280
- 5 anos de garantia limitada

A Crucial optou por abandonar os controladores Marvell utilizado em linhas como MX200 e MX300, optando pelo Silicon Motion SM2258 na linha MX500. As memórias são no padrão TLC, mais baratas que as MLC (ver explicação das tecnologias abaixo).

Abaixo as especificações de todos os modelos da linha, baseados em conexão SATA3 e M.2:


O que é TLC?


Para explicar o que é TLC (triple-level cell flash), o ideal é, antes, explicar do que se trata o MLC, padrão ainda utilizado pela maioria dos SSD atualmente, apesar da mudança que o mercado está passando para o TLC. A sigla significa multi-level cell flash (MLC), e é utilizada para descrever memórias NAND flash que tenham a capacidade de armazenar 2 bits de dados por célula. O TLC é uma evolução dessa tecnologia, e permite armazenar 3 bits de dados por célula. Há ainda o single-level cell (SLC), onde cada célula armazena apenas um bit de dados. Cada uma tem vantagens e desvantagens, que veremos a seguir.

Quais são as vantagens e as desvantagens?


A grande vantagem dos SSDs com tecnologia TLC está em seu menor preço. Isso porque drives com a tecnologia são mais densos, armazenando mais dados com a mesma quantidade de espaço. Ou seja, eles acabam tendo uma eficiência de custo maior. Mas isso, como tudo na vida, tem um preço (sem trocadilhos).

Os SSDs com a tecnologia TLC acabam não sendo tão rápidos e nem tão duráveis quanto os modelos com MLC e SLC. Por isso, eles não são indicados para uso profissional e nem para uso empresarial. Na verdade, os SSDs com TLC são mais indicados para usuários domésticos. Para esse pessoal, não há uma diferença de desempenho perceptível, ao menos na grande maioria dos casos.


Fotos


Analisamos o modelo em formato 2,5'' de 1TB (CT1000MX500SSD1), com espessura de 7mm. Como praticamente todos os SSDs nesse formato, sem grande destaque na parte visual, diferente do modelo da Team Group com RGB, anunciado há poucos dias.

Nas fotos abaixo o modelo analisado ao lado do WD Blue, também de 1TB. A mudança fica por conta do material utilizado na carcaça, mais refinado no modelo da Crucial.

Dando sequência agora algumas telas do aplicativo Storage Executive, um aplicativo "Toolbox" com ferramentas diversas para gerenciamento do SSD, inclusive atualização de firmware. Em nosso caso não foi necessário nenhuma atualização já que o mesmo veio com a versão mais recente, mas caso haja uma nova versão detectada pelo software, é recomendada a atualização.


Sistema utilizado


Abaixo, detalhes completos do sistema utilizado em todos os modelos utilizados nos comparativos.

Máquina utilizada nos testes
- Mainboard Gigabyte Z370 Gaming 7
- Processador Intel Core i7-8700K
- Memórias G.Skill TridentZ RGB 16GB (2x8GB)
- SSD Samsung 960 EVO 500GB
- Fonte Thermaltake 850W Toughpower Gold

Sistema Operacional e Drivers
- Windows 10 Pro 64 Bits com updates

Aplicativos/Games:
- AS SSD Benchmark 2.0.x
- ATTO Benchmark 3.x
- Battlefield 1 (DX11)
- BootRacer 7.x
- CrystalDiskMark 5.x
- DiskBench

Drives Comparados:
- Crucial MX500 (1TB) - SATA
- WD Blue SSD 1TB - SATA
- HyperX Predator PCIe SSD (480GB) - PCIe Gen2
- Kingston M.2 SATA G2 SSD (480GB) - Sata3
- Kingston KC1000 480GB - NVMe

Temperatura


Como estamos falando de um SSD padrão SATA, a temperatura dele é a temperatura ambiente de onde ele estiver, diferente dos novos SSDs M.2 NVMe por exemplo, que esquentam bastante e em muitos cenários ainda "absorvem" o calor da mainboard onde eles ficam instalados.

Apesar dos novos SSDs M.2 normalmente ficarem dentro de uma margem segura de acordo com seu fabricante, não será incomum alguns modelos atingirem temperaturas altas, acima de 80º por exemplo, sendo esse um dos poucos pontos negativos desse novo padrão comparado ao SATA.

Abaixo, tela do Crystal Disk Info com alguns detalhes técnicos do SSD analisado, em seguida gráficos comparativos de temperatura com o sistema em modo ocioso e também com a temperatura máxima atingida quando rodando o aplicativo Crystal Disk Mark.


Testes sintéticos


AS SSD Benchmark
Começamos nossos testes com o AS SSD Benchmark, software específico para testes de drives SSD, HD etc.

O aplicativo faz uma série de testes em diversas situações de leitura e escrita e, no final, gera uma pontuação com a média entre todos os testes. Confiram abaixo:

ATTO Disk Benchmark
Outro famoso aplicativo para teste de desempenho de unidades de armazenamento é o ATTO. Vejam abaixo o comportamento dos modelos comparados:

CrystalDiskMark
Com o aplicativo CrystalDiskMark, outro muito famoso para testes de drives, optamos por utilizar o teste "Seq". Abaixo, os resultados em modo leitura e escrita:


Testes práticos


Carregando um game (Battlefield 1)
Outro teste interessante é o carregamento de um game. Para isso, utilizamos o Battlefield 1 com teste em cima do mapa "Avanti Savoia!" logo no início em "O La Vittoria". O conceito do teste foi simples: computar o tempo que levou da hora que clicamos até a hora em que o gameplay começa.

A segunda vez que se carrega um mesmo mapa
demora o mesmo tempo em um SSD ou em um HD

Tempo de BOOT (Windows 10 Pro 64 bits)
Com o software BootRacer, medimos o tempo necessário para inicializar o sistema operacional, um dos principais atrativos de drives SSD.

O teste consiste no melhor resultado após três boots seguidos do sistema, considerando o tempo total até finalizar na área de trabalho com o score informado pelo aplicativo.


Cópia de arquivo - SSD NVMe
Abaixo os testes de desempenho em cópia utilizando um SSD padrão NVMe de alto desempenho para enviar e também receber, sendo assim tiramos o fator limitador de velocidade de um drive mais lento como aconteceria com um HD padrão Sata3, já que o SSD utilizado, um Samsung 960 EVO, tem velocidade de leitura de até 3.200 MB/s e escrita de 1.800MB/s.

O teste utiliza o aplicativo DiskBench para o processo.

Para o cenário ideal de cópia ambos os drives precisam ser rápidos

Drive analisado para SSD Samsung 960EVO M.2 500GB NVMe (leitura)
Neste teste copiamos os arquivos do drive analisado para um SSD NVMe de alto desempenho. Este seria o teste de leitura, já que ele não escreve nada no drive analisado.

Samsung 960EVO M.2 500GB NVMe para drive analisado (escrita)
Invertendo o processo, agora copiamos os arquivos do 960EVO para o drive analisado, consistindo em um teste prático de escrita, já que os dados estão sendo gravados no drive. 


Como sempre destacamos em análises de SSDs, o mais importante de tudo atualmente é você ter um, mesmo que ele seja um dos modelos mais baratos do mercado. Os modelos de conexão padrão SATA como esse Crucial MX500 analisado atingiram o limite da plataforma, então praticamente todos terão tempos de leitura e escrita próximos do limite, na casa dos 500 MB/s, tanto para escrita como leitura, na prática isso é muito melhor quando comparado a um HD por exemplo, sem contar a aceleração ao carregar o sistema operacional e outros softwares, em nossa opinião um dos maiores benefícios de se ter um SSD.

Ainda como destaque desse modelo as boa taxas de leitura e escrita randômica, na casa dos 90K IOPS, também dentro do que existe de melhor em modelos de conexão SATA. Nós analisamos o modelo com capacidade de 1TB, essa linha possui modelos de 250GB, 500GB, 1TB e 2TB. Com as novas memórias NAND 3D TLC ficou mais comum lançamentos de capacidades maiores como esse anunciado, com um preço mais atrativo do que alguns anos atrás, apesar de ainda bastante alto. Um detalhe curioso é que independente da capacidade, TODOS possuem mesmas especificações técnicas, algo bastante incomum já que as empresas sempre mudam um pouco as especificações de leitura/escrita favorecendo os modelos de maior capacidade quase que por padrão.

É importante destacar também que mesmo os modelos M.2 da linha MX500 são baseados em interface SATA, sendo assim as velocidades de leitura/escrita são as mesmas e não atingem números como modelos NVMe em formato M.2. O controlador como destacamos no inicio na análise é o Silicon Motion SM2258, considerado uma boa opção custo/benefício, entrando boas especificações e proporcionando preço mais baixo para o produto final. As memórias NAND são do tipo 3D TLC, também utilizadas pela grande maioria dos drives que buscam o custo/benefício.

Boa alternativa para quem quer um SSD de alta capacidade

Outra coisa que chamou muito a atenção é o comparativo dele com o WD Blue, também de 1TB. O Crucial MX500 custa atualmente R$ 1.340, já o WD Blue está custando absurdos R$ 1.880, nada menos que R$ 540 de diferença. Dá pra comprar uma série de coisas com essa diferença. São produtos bem semelhantes e competem pelo mesmo público, a indicação é clara para optar pelo modelo da Crucial. Quando fizemos a análise do WD Blue ele custava na casa de R$ 1.500, ao invés de diminuir seu preço, que já era alto, aumentou.

Um modelo com essa capacidade é indicado para quem tem notebook e quer fazer um upgrade, porque é um drive que não requer outro HD em conjunto para oferecer mais espaço de armazenamento e a questão de compatibilidade por se tratar de interface SATA é o que existe de melhor.

Caro pela alta capacidade de armazenamento,
mas bem mais barato que alguns concorrentes

As taxas de leitura e escrita de drives formato SATA são consideravelmente mais baixas que os novos modelos NVMe, que já ultrapassam os 3000 MB/s, porém na prática situações como de boot  do sistema operacional, carregar um aplicativo ou game mais rápido a diferença é praticamente nula em grande parte dos testes. É sempre bom destacar que para cópias de arquivo entre drives o limitador sempre será o mais lento, então se você quiser usar o máximo que um SSD NVMe pode oferecer em se tratando de cópia, a ponta que vai receber os dados tem que ser rápida também.

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Conclusão

 

Avaliação: Crucial MX500 1TB SSD

Tecnologia
8.0
Capacidade
10
Desempenho
8.0
Preço
7

PRÓS
Bons tempos de leitura e escrita
Alta capacidade permite ser drive único para muitos usuários
Garantia de 5 anos
CONTRA
Valor alto
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Mundo Conectado é responsável pelas análise de drones e alguns gadgets relacionados a fotos e vídeo, como Action Cams.