ANÁLISE: AMD Ryzen 5 2600X

CPU é boa alternativa para quem vai montar um PC para jogos

O Ryzen 5 2600X é um processador intermediário para usuários domésticos, focados em usuários que não necessitam de uma quantidade tão grande núcleos como presente nos Ryzen 7, mas que estão procurando uma solução mais robusta que um Ryzen 3. Esse é um segmento muito focado por gamers, que muitas vezes tem nesses modelos as melhores opções para montagem de um PC para jogar.

Comparativo


AMD Ryzen 5 2600X

AMD Ryzen 5 2600

AMD Ryzen 5 1600X

Intel Core i5-8600K

Preços

Preço no lançamentoU$ 229,00 U$ 199,00 U$ 249,00 U$ 257,00
Preço atualizadoR$ 1.100,00 R$ 799,00 R$ 699,90 R$ 1.250,00

Especificações

Canais de memóriadual-channel dual-channel dual-channel dual-channel
Conjunto de instruções64-bit 64-bit 64-bit 64-bit
Multiplicador desbloquadoSim Sim Sim Sim
Número de núcleos6 6 6 6
Processo de fabricação12nm 12nm 14nm 14nm
SocketAM4 AM4 AM4 LGA1151 Serie 300
Threads12 12 12 6
CodinomePinnacle Ridge Pinnacle Ridge Summit Ridge Coffee Lake
TDP95 65 95 95
Cache L319 19 16 9
Clock3600 3400 3600 3600
Clock (Turbo)4200 3900 4000 4300
Memórias suportadasDDR4 DDR4 DDR4 DDR4
PCI Express3.0 3.0 3.0 3.0
Canais PCI Express24 24 24 16

Vídeo Integrado

Monitores suportados3
GPUSEM V͍DEO INTEGRADO SEM V͍DEO INTEGRADO SEM V͍DEO INTEGRADO Intel UHD Graphics 630
Clock1150
DirectX12

Características Gerais

Acompanha cooler?Sim, Wraith Spire Sim, Wraith Stealth Não Não

No Brasil ele está em pré-venda por pouco mais de R$ 1 mil, colocando ele em rota direta de disputa com o Intel Core i5-8600K, que também é encontrado nessa faixa de preço. No exterior ele é vendido por US$ 229, um pouco mais barato que o rival Intel, mostrando que passado o preço de lançamento, podemos ver ele por preços mais competitivos.

Ele é baseado na arquitetura Zen+, um refinamento da utilizada na primeira geração de CPUs Ryzen. A litografia foi reduzida e houve aprimoramentos em aspectos como latências de comunicação com as memórias, melhor performance e clocks mais altos.

Tecnologias Zen+


A segunda geração dos processadores Zen chega pouco mais de um ano após o lançamento dos primeiros produtos. Diferente da geração 1, não temos aqui um salto tecnológico com os impressionantes 3.7x mais poder de processamento por watt consumido ou o saltos em IPC de 50%, como aconteceu na primeira geração. Temos agora um modesto "refresh" da linha Ryzen, o Zen+, e as maiores inovações vão ficar para o Zen2 em 7nm.

A segunda geração Ryzen traz um
refresh modesto na microarquitetura

A principal novidade da segunda geração é o uso de uma nova litografia, os 12 nanômetros LP da GlobalFoundries (LP atende por "leading performance", uma marca utilizada na tecnologia que parece ter sido pensada pelo pessoal do marketing). A redução na litografia possibilita maior densidade de transistores e responde por uma performance entre 10 a 15% superior, segundo a AMD.

Novidades incluem mais performance, menor consumo,
clocks mais altos e latências mais baixas

O 12nm LP também viabilizou clocks mais alto, sendo que com essa nova tecnologia, a AMD afirma que há um ganho na casa dos 300MHz comparado a geração anterior, chegando a casa dos 4.3GHz em apenas um núcleo e conseguindo até 4.2GHz em todos os núcleos em situações de overclock.

Algumas tecnologias foram refinadas na segunda geração Ryzen, entre elas a segunda geração do Precision Boost. Essa tecnologia utiliza uma série de sensores que verificam consumo e aquecimento em tempo real e ajustam as frequências com mudanças precisas de 25MHz buscando o ponto ideal. O Precision Boost 2 agora busca manter frequências mais altas mesmo em funções que precisam de múltiplos núlceos, segurando os clocks em níveis mais altos enquanto for possível respeitar limites de temperatura e consumo de energia.

Na mesma balada, o Extended Frequency Range (XFR) também ganhou melhorias. Essa tecnologia aumenta os clocks de acordo com as possibilidades do sistema de resfriamento, colocando frequências mais altas se os sensores indicarem que a temperatura está baixa. Isso faz com que investir em um cooler mais potente e eficiente se reflita em ganhos maiores de desempenho, já que o XFR2 vai aumentar as frequências buscando aproveitar a margem maior térmica. Na demonstração da AMD há um ganho de 7% na performance após trocar um cooler básico por um Noctua NH-D15S.

Artigo: As tecnologias dos processadores Ryzen

No restante, esses produtos herdam outras tecnologias desenvolvidas na primeira geração como o Neural Net Prediction e o Smart Prefetch. Vocês podem ver mais sobre essas tecnologias da primeira geração Ryzen nesse artigo aqui.


Fotos


Abaixo algumas fotos do CPU, que assim como os demais modelos da série Ryzen 2000 acompanha um cooler, especificamente o modelo Wraith Spire. O fator curioso é que o cooler que acompanha o Ryzen 5 2600X requer a remoção do suporte superior do bracket, necessitando apenas a base inferior para prender o cooler, já o modelo que acompanha o Ryzen 7 2700X utiliza o antigo modo de prender o cooler, fixando nos engates sobre a base superior do bracket que acompanha as placas AM4, assim como acontecia nas gerações anteriores.


Sistema utilizado
Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes e algumas fotos do sistema ligado, mostrando o belo visual proporcionado pelo cooler que acompanha o processador.

Máquinas utilizadas nos testes:
Todas os sistemas utilizaram componentes com mesmas características técnicas para os testes, com exceção da placa-mãe que varia de acordo com a plataforma, veja a configuração utilizada:

- Placa-mãe para o CPU analisado: ASUS ROG STRIX X470-F Gaming [site oficial]
- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 1080 Founders Edition [análise]
- Memórias: 16 GB G.Skill Trident Z RGB @ 3200MHz (2x8GB) [site oficial]
- SSD: Kingston Savage 240GB Sata 6Gb/s [análise]
- HD: Seagate Barracuda 2TB 7200RPM Sata 6Gb/s [site oficial]
- Cooler: Noctua NH-U12S [site oficial]
- Fonte de energia (PSU): Thermaltake Toughpower 850W GOLD [site oficial]

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits com Updates
- GeForce 391.35

Aplicativos/Games:
- Blender [site oficial]
- CineBench R15 [site oficial]
- x264 Full HD Benchmark [download]
- HWBot x265 Benchmark [site oficial]
- V-Ray [site oficial]
- wPrime 1.55 [site oficial]
- WinRAR 5.50 [site oficial]

- 3DMark (DX11)
- Battlefield 1 (DX11)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- The Division (DX12)
- The Witcher 3 (DX11)

CPU-Z/AIDA64
Através do CPU-Z e AIDA64 vemos algumas informações técnicas do processador, como modelo, clocks, número de núcleos e threads etc. Confiram abaixo as telas principais dos dois aplicativos:


​Overclock


Assim como acontece com o Ryzen 7 2700X, não espere clocks muitos mais altos do que o modo Turbo dele. Em nossos testes com o cooler da Noctua ele alcançou 4.2GHz em todos os núcleos de forma estável, acima disso vários testes não finalizavam. Como sempre destacamos, evitamos forçar de mais a tensão, no caso chegamos em 1.475v para estabilizar, dentro do recomendado para uso contínuo, apesar de que cada overclock é um overclock, sempre variando, as vezes com mesmos componentes.

"FAÇA OVERCLOCK POR SUA CONTA E RISCO"


Consumo de energia


Fizemos os testes de consumo de energia do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe e pode variar consideravelmente de um sistema para outro com configurações semelhantes. Alguns modelos de placas de vídeo por exemplo já trazem overclock de fábrica, entregando mais desempenho e mais consumo de energia por tabela.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:


Temperatura


Começamos pelos testes de temperatura, como o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando nenhuma tarefa além das tradicionais do sistema.

Rodando o wPrime
Quando colocamos os sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

"A temperatura varia de acordo com o programa utilizado, mesmo o wPrime estressando todos os núcleos sendo uma boa opção para ver o comportamento desse cenário, alguns programas podem exigir ainda mais do processador e consequentemente esquentar mais o mesmo, como exemplo citamos o Blender."


Testes sintéticos


Abaixo temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador analisado com outros modelos do mercado e fazendo exatamente os mesmos testes.

Alguns testes podem tirar maior proveito de CPUs com clocks mais altos,
independente da arquitetura e do número de núcleos/threads,
já outros podem tirar mais proveito de mais núcleos/threads

AIDA64 Latency
O software AIDA64 tem vários testes de performance, separamos um que mostra um cenário diferente dos demais, a velocidade de latência das memórias, que quanto menor o resultado, melhor.

Blender
O aplicativo Blender é voltado a profissionais de edição de filmes e para manipulação de objetos 3D, sendo um bom teste real de como o sistema se comporta nesse tipo de cenário.

V-Ray
O teste V-Ray Benchmark utilizado consiste no resultado de renderização do CPU, quanto menor for, melhor é o desempenho.

CineBENCH R15
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core também:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

HWBot x265 Benchmark
Com o aplicativo de benchmark de renderização do HWBot, temos um teste renderizando com codec x265, tanto em FullHD como em 4K:

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, mas por enquanto com a placa de vídeo dedicada.


Teste em games


Agora vamos para os games, selecionamos alguns dos principais títulos do mercado para mostrar como os processadores se comportam utilizando configurações semelhantes, sendo sempre a mesma placa de vídeo, uma GTX 1080, e 16GB de RAM através de 2 módulos de 8GB.

Battlefield 1


Como um dos games com a melhor qualidade gráfica já lançados, agora o Battlefield 1 faz parte de nossa bateria de testes. Abaixo o comportamento dos sistemas rodando o game da DICE.


GTA V


Grand Theft Auto V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques boa qualidade gráfica. Ele é um dos games que mais faz uso do CPU, sendo um ótimo teste para ver o comportamento e diferença entre esse componente. Confiram abaixo os resultados nesse game:


The Division - DX12


O game da Ubisoft é uma proposta bastante ambiciosa de criar uma Nova Iorque "viva" em partidas com multiplayer totalmente online. The Division usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, e precisa lidar com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela, com destaque para a neve que ocasionalmente cai em alguns momentos. Ele é nosso escolhido para o teste sobre a API DX12.


The Witcher 3


The Witcher 3 foi lançado como referência em qualidade gráfica para PC, sendo um dos games mais interessantes da atualidade para medir desempenho de placas de vídeo e processador. Nesse teste temos um cenário diferente do que usamos em análises de placas de vídeo, visando forçar mais o processador. Abaixo os resultados dos sistemas comparados:

Análise do percentil

 

 

Comparativo em vídeo

O Ryzen 5 2600X traz evoluções semelhantes as que vimos no 2700X: frequências de operação mais altas, latências mais baixas e por consequência uma maior performance em single-thread, um ponto em que a Intel ainda mantém vantagem comparado com o line-up Ryzen. Essas evoluções mostram um amadurecimento da plataforma, mas não são suficientes para ser algo relevante para o consumidor que já possui um Ryzen de primeira geração, por exemplo.

A 2ª geração Ryzen traz pequenos refinamentos, e não representam
um upgrade importante para quem já tem um Ryzen

Em comparação com a Intel, é interessante ver que algumas vantagens claras da empresa vem reduzindo, e que os Ryzen vem progressivamente se aproximando dos Intel Core. Nesse segmento de preço dos Ryzen 5 e Core i5 é que muitos dos gamers voltam sua atenção na hora de montar um PC pra jogar, e ver que uma GTX 1080 não teve performance suficiente, e foi quem em alguns momentos foi gargalo do teste mesmo na resolução FullHD, mostra que esses processadores tem fôlego para encarar mesmo jogatinas em taxas acima dos 100FPS.

Os processadores Intel ainda mantém
taxas mais altas de quadros

Isso traz um trunfo interessante para o CPU Ryzen, já que diferente da Intel, a AMD não limita tanto seu segmento intermediário de CPUs. Se a performance em jogos não é tão diferente assim, contar com dois threads por núcleo, e por consequência com o dobro de threads, liberar o overclock, permitir o uso de frequências mais altas mesmo em chipsets mais baratos e manter o mesmo soquete por vários anos, dando suporte a upgrades de futuras CPUs, são diferenciais que fazem o fiel da balança pender para o lado vermelho.

A AMD não reduz tantos recursos de seus
produtos intermediários como a Intel

Enquanto os testes sintéticos e aplicações profissionais mostraram um ganho consistente próximo de 10%, foi uma pena não notar claramente essa melhoria no comparativo em games, mesmo mantendo frequências de operação mais altas que seu antecessor. Com clocks mais altos, latências mais baixas e mais potência por thread, a Intel mantém a dianteira quando avaliamos as taxas de quadros, porém com cada vez mais gamers rodando aplicativos em paralelo, seja de comunicação, de gravação ou de streaming, mais threads disponíveis se torna um recurso cada vez mais importante. 

O Ryzen 5 2600X atualmente é encontrado na casa dos R$ 1 mil, o que coloca ele em uma situação bem menos confortável que o 2700X, que já no lançamento é mais barato que rivais Intel Core. Apesar de contar com vantagens como possibilidade de overclock, dobro de threads e políticas muito mais simpáticas da AMD sobre frequências de memórias e trocas de soquete em suas placas-mãe, ele ainda sofre pressão de modelos mais baratos como o Intel Core i5-8400 e que entregam taxas superiores de quadros em diversos games. Para o gamer que quer um bom CPU para jogar e contar com mais threads, seja para rodar aplicações em paralelo, seja para eventualmente realizar renderização ou softwares profissionais, o Ryzen 5 2600X é uma boa opção.

Conclusão

 

Avaliação: AMD Ryzen 5 2600X

Performance
9.0
Tecnologias
10
Overclock
6.0
Preço
8.0

PRÓS
Bons ganhos em softwares profissionais e testes sintéticos
Frequências de operação mais altas
Melhora nas latências das memórias
Overclock desbloqueado
Dobro de threads que os i5
CONTRA
Poucos ganhos em games
Custo acima de outros bons CPUs para games da Intel
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".

  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh