ANÁLISE: Extinction

Quando boas ideias são mal executadas

Quando Extinction foi anunciado durante a E3, chamou muita atenção devido à sua jogabilidade frenética e principalmente aos inimigos gigantescos, que eram o maior diferencial para outros games que seguem a mesma mecânica de hack 'n' slash.

Como não comparar com Attack of Titan, que já está em sua segunda versão, lançada recentemente? Ou ainda - guardadas as devidas proporções - com Shadow of Colossus devido aos imensos Colossi? Pois é, várias mecânicas de Extinction seguem ideias tiradas desses dois jogos - e outros mais, mas a execução acaba por ser irritante. Uma pena.

Em Extinction o jogador é um Sentinela chamado Avil que tem o objetivo único de proteger seu planeta de monstros de outros mundos, onde apenas o Reino de Dolorum é o que resta da Humanidade. Os tais monstros variam de criaturas terrestres de tamanho normal, criaturas que voam e os enormes titãs conhecidos como Ravenii, com mais de 50 metros de altura. Basicamente é isso.

O bom

As cenas de corte que vão contando a história entre cada missão são bacanas. Embora sejam estáticas, os traços firmes e limpos lembram bastante animes e histórias em quadrinhos atuais. Os gráficos do game seguem a mesma linha gráfica, onde o estilo "cartunesco adulto" molda os cenários e os personagens. É tudo detalhado, com ótimas texturas e com uma variação de cores vivas impressionante.

Extinction é um jogo difícil. Derrotar os primeiros Ravenii serve basicamente como tutorial e traz uma sensação errada de facilidade, já que esses não possuem sequer armaduras resistentes. Devido ao Avil ser extremamente ágil, é preciso praticar bastante os movimentos do personagem antes de pular para as missões seguintes.

Na terceira missão do capítulo 1, onde já aparece Ravenii com armadura, mesmo ela sendo básica, o jogo já mostra que ali começa a elevar a dificuldade. A partir desse ponto o jogo fica mais desafiador, a ponto de você ter que repetir dezenas de vezes uma missão para poder passar pra outra, principalmente aquelas onde surgem mais de um Ravenii e possuem tempo para completar a fase.

Para quem gosta de um bom desafio, Extinction é um prato cheio! Mas lembre-se, morrer aqui é mais do que normal, porque um simples golpe de um Ravenii é quase sempre fatal. Você vai morrer dezenas de vezes, e o lado bom é que isso é infinito. Ou seja, o jogo não acaba quando o jogador morre, o personagem apenas dá respawn no local que iniciou a fase.

Falando em matar os Ravenii, essa é a melhor parte do game. No início é fácil, já que eles ou não possuem armaduras ou as armaduras são bem simples e sem resistência alguma. Os Ravenii só morrem se forem decapitados, e para isso é preciso carregar a espada de Avil chamada de Rune Strike. Uma vez carregada, o Golpe Fatal fica disponível. Mas para carregar a espada, o jogador terá que destruir as peças da armadura do Ravenii que ficam nos braços, pernas, ombros e na cabeça. Dependendo do tipo de armadura, destruí-la pode ser uma tarefa árdua já que antes é preciso detonar os cadeados para depois acabar com a peça em si.

Após destruir uma peça da armadura, aquela parte do corpo do Ravenii fica vulnerável, e assim o jogador já poderá decepar essa parte. Uma tática perfeita é fazer isso logo nas pernas, para atrasar o avanço pela cidade, uma vez que, ao ter a perna decepada, ele cai sentado no chão. Mas é preciso ser rápido já que os membros se regeneram em cerca de 20 segundos.

Além da Campanha, o jogo possui mais três modos baseados em pontuações e ranking que são: Desafio diário, onde o jogo gera uma missão aleatória; Extinção onde o jogador terá que matar o máximo de inimigos que puder e sem respawn; e Conflito onde o jogador testa as habilidades em locais aleatórios e compartilha com os amigos para ver que faz mais pontos.

O ruim

Os diálogos que acontecem após a missão carregar são extremamente chatos porque o jogo fica travado enquanto os textos vão se alternando entre os personagens que estão falando. Sinceramente não lembro de nenhum game com esse sistema de "travar" o jogo enquanto passa os diálogos. E para piorar, isso também acontece no meio da batalha. Fica feio, datado e perde-se a dinâmica.

O jogo tem sete capítulos onde cada um possui missões repetitivas ao extremo. A partir do segundo capítulo a dificuldade se eleva de forma bastante acentuada, principalmente na missão onde você tem que defender algumas torres dos enormes Ravenii. Acontece que não há dificuldade para os Ravenii, ou seja, basta ele encostar em algo para que tudo seja destruído. Agora imagina vindo três de uma vez sendo que um usa armadura indestrutível e outros dois usam armaduras douradas, que são mais demoradas para destruir? Juntando a isso, ainda tem os outros objetivos obrigatórios que é sempre salvar civis, evitando que sejam mortos pelos irritantes Chacais.

Não sabe o que são Chacais? Bom, a produtora é a Iron Galaxy, a mesma de Killer Instinct. Percebe-se que ela usou um toque do seu game de luta em Extinction, onde derrotar simples inimigos de tamanho normal, os Chacais, é uma tarefa árdua e chata. É como se um simples combate contra um Chacal fosse um round de um jogo de luta, ou seja, você terá que dar muitos e muitos golpes com a sua espada até que um inimigo seja derrotado, e isso se você não desistir da luta no meio.

No início parece interessante, mas não se enganem: depois da terceira ou quarta missão isso se torna extremamente chato e uma perda de tempo. Depois de algumas missões eu simplesmente parei de combater os Chacais. Apenas salvava as pessoas e focava nos Ravenii.

Derrotar os Ravenii é bem interessante, mas a câmera é péssima. Talvez uma das piores que já vi em um game desse estilo. Além dela ser frenética demais - ela nunca para quieta! -, por várias vezes bloqueia o golpe de Avil em um Ravenii sem motivo algum. Eu morri dezenas de vezes devido ao "mal funcionamento" da câmera, principalmente tentando acertar algum ponto especifico de um Ravenii, ou tentando evitar um golpe fatal se esquivando no tempo exato.

Isso sem falar na mania irritante do jogo focar em algo que não está nos planos do jogador. Por várias vezes eu me vi perdido em meio a uma batalha porque a câmera teimada em girar e focar em um determinado local do cenário. Ou nas vezes que, prestes a matar um Ravenii, ela simplesmente não mirava na cabeça dele. Irritante ao extremo.

Extinction é um jogo desafiador, mas que se perdeu em meio a ideias mal executadas. Poderia ter sido um ótimo jogo se a História tivesse mais profundidade, se o jogador tivesse mais liberdade e se as missões fossem mais diversificadas. No fim acabou sendo um jogo mediano, de combate em arenas fechadas e missões extremamente repetitivas.

A maneira que encontraram de mostrar os diálogos entre os personagens é péssima. Difícil imaginar como alguém teve a brilhante ideia de literalmente parar o jogo apenas para mostrar uma frase que algum personagem esteja falando, e isso acontece até no meio do jogo, não importa o que o jogador esteja fazendo.

Mas se mesmo assim você se interessou pelo game, recomendo aguardar uma boa promoção de 80% de desconto.

Conclusão

 

Avaliação: Extinction

Historia
6.0
Jogabilidade
6.5
Gráficos
8.0
Som
7.0

PRÓS
Gráficos estilizados
Jogabilidade frenética
Ravenii
CONTRA
Repetitivo ao extremo
Missões chatas
Péssima Câmera
Péssima maneira de mostrar diálogos
Valor muito alto para o que oferece
  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Já escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrid