ANÁLISE: A Way Out

Um jogo ótimo de se assistir, mas que poderia ser mais interessante de se jogar

A Way Out é um game de ação e aventura desenvolvido pela Hazelight e distribuído pela EA em seu programa Originals, de onde já saíram games bastante exóticos como Fe e Unravel. Traz uma proposta interessante: em tempos que a indústria parece ter olhos só para os multiplayers massivos ou games com espaço para microtransações de alguma forma, ele foca na experiência do gameplay cooperativo (de sofá ou online) entre apenas dois jogadores e uma história bastante linear sendo contada.

Os dois jogadores assumem a pele de Vicent e Leo, ambos presidiários que planejam em conjunto uma forma de escapar da prisão e dar um jeito na pessoa responsável pelos problemas de ambos. 

Seguindo a sugestão vencedora de uma enquete que rolou por aqui, vou experimentar um formato dividido em prós, contras e um veredito final. Aproveite a caixa de comentários para deixar seu feedback sobre esse formato!

O bom

A Way Out chega com o objetivo de ser uma história para ser jogado a dois, e ele entrega isso. A ambientação de um thriller criminal que se passa anos 70, com ambos os jogadores tentando fugir da prisão e a busca por vingança fazem com que descobrir qual será o final do enredo seja o principal motivador para jogar. Mesmo para quem não está jogando, acompanhar o gameplay é interessante, e o co-op de sofá a 2 pode virar um co-op a 7 ou 8 pessoas. As cenas tem um cuidado cinematográfico com composição e movimentos de câmera, e algumas cenas são memoráveis.

O game tem boa ambientação
e um enredo bem trabalhado

Apesar dos clichês e algumas cenas beirando ao pastelão típico dos filmes de ação, o resultado final é divertido e alguns saltos com motos ou capotamentos dão o tom "for fun" para o game. Apesar da narrativa se levar a sério, tem vários minigames para os jogadores se enfrentarem ao longo da história, com direito a queda de braço, jogo de dardos ou ver quem se equilibra em uma cadeira de rodas por mais tempo.

As mecânicas vão variando ao longo do gameplay,
tornando o jogo bastante dinâmico

De tempos em tempos a mecânica muda, e você vai passar por momentos de investigação no cenário para cenas de fuga em carros, tiroteios tradicionais e até um pouso de paraquedas. A tela dividida também dá muita dinamicidade ao jogo, com os jogadores avançado o enredo através de diálogos paralelos acontecendo simultaneamente com cada um, e também há momentos que é preciso sincronizar as ações dos dois jogadores para resolver os desafios do jogo.

A tela dividida nesse game traz um jeito diferente de jogar, já que cuidar da tela do outro jogador não é o famigerado "telando", já que estamos jogando cooperativamente. Na maior parte do jogo, você precisa cuidar o que o outro jogador está fazendo para conseguir completar a missão.

O ruim

Como um jogo bastante trabalhado no enredo e com várias partes cinematográficas, A Way Out precisa manter os gamers "nos trilhos" para encaixar as cenas. O resultado é um game que muitas vezes passa a sensação de que você não está jogando, já que você passa a maior parte do tempo levando seu personagem para o próximo passo óbvio na narrativa. A exploração raramente é recompensada, com exceção de alguns minigames ou diálogos engraçados fora da história principal. Vários momentos são resolvidos através de Quick Time Events que nem chegam a ser variados ou interessantes, já que a maior parte do tempo você só aperta "X" para dar um soco.

Em muitos momentos você
não se sente jogando o A Way Out

Outra falha do jogo são os momentos que a imersão se perde. A narrativa claramente se leva a sério, porém alguns desdobramentos e cenas são meio forçadas, algo que funcionaria melhor se o jogo se decidisse por um dos dois estilos, um com tom mais sério e outro com jeitão "cinema pipoca". O gameplay também falha em alguns momentos, sendo que eventualmente você é subitamente teletransportado para outro lugar porque não estava onde o desenvolvedor havia pensado "para a próxima explosão". 

Como possui diversas mecânicas ao longo da história, fica uma sensação que o jogo não se aprofunda em nenhuma delas. O trecho mais consistente do jogo é o tradicional tiroteio, hegemônico na indústria de games. Diferente de Brothers: Tale of Two Sons, game anterior da equipe por trás desse jogo e que tinha como pilar central uma jogabilidade interessante, mesmo a variedade de formas de se jogar que surgem ao longo das missões não são suficientes para tornar o gameplay em si interessante.

Não gosto de medir qualidade de jogos baseado em horas jogadas, afinal uma história precisa durar o quanto for necessário para contá-la, sem ficar esticando pra parecer que teve mais conteúdo (fica a dica para vários seriados que tiveram temporadas demais). A desenvolvedora estima que é preciso entre 6 a 8 horas para finalizar o game, sendo que levei 6 horas para fechar a história. Não é um game muito longo, e isso pode acabar tornando desinteressante comprá-lo agora por seu preço de lançamento, que é de R$ 110.

A Way Out é com certeza um jogo para entrar em sua fila se está buscando algo para jogar com um amigo, mesmo que a maior parte do tempo vocês na verdade passam assistindo cutscenes e lendo diálogos. Várias missões vão precisar de trabalho em equipe e coordenação entre os jogadores, algo que cria bons momentos no jogo, mas que não parecem ter sido aprofundadas o suficiente para realmente serem interessantes, e não são suficientemente trabalhadas para se tornarem gratificantes. 

A ambientação do jogo, o que inclui gráficos, áudio e também as trilhas sonoras, foram muito bem trabalhadas, assim como alguns enquadramentos, jogo de câmeras e sequências que dão a impressão que você está assistindo um ótimo filme. Em combinação com o enredo, esses são os principais motivos para se jogar o game. Se não for agora, com seu preço elevado de lançamento, talvez no futuro em uma promoção com um valor mais simpático.

Conclusão

 

Avaliação: A Way Out

História
9.0
Gameplay
7.0
Gráficos
9.0
Som
9.0

PRÓS
Boa ambientação
Mecânicas variadas e criativas
Diferentes maneiras de resolver missões
História bastante trabalhada
Excelente game para quem busca um co-op
CONTRA
Muito tempo de cutscenes, pouco de gameplay
Linearidade um pouco forçada para manter o enredo
Alguns furos e coisas manjadas na história
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".