ANÁLISE: ThunderX3 TK50

Um bom teclado, mas que não possui diferenciais

A ThunderX3 é uma marca "nova" no ramo de periféricos, mas muitos já devem ter se impressionado com a quantidade de produtos que ela já possui e a presença no mercado brasileiro, especialmente no ramo de cadeiras.

Porém, não se enganem, ela não é realmente "nova". A ThunderX3 nada mais é do que uma nova subsidiária da Aerocool, com maior foco no público entusiasta e em produtos high-end.

Então, o que esta marca vem a trazer de diferente ao mercado de teclados?

Antes de começarmos, acho importante eu (wetto) esclarecer algo ao público: eu fui um dos designers de um teclado que utiliza a mesma "base" que o ThunderX3 TK50: o G.FalleN Falcão-Peregrino

O uso do switch Gateron, a decisão pelo layout ABNT2, a fonte utilizada nas teclas, a barra de espaço com desenho da AWP, a inversão da impressão do numérico superior, a utilização de outras armas para modelos menores (Falcãozinho), a tecla menu com um crosshair e correções de grafia entre os protótipos e a versão final, foram sugestões minhas.

Logo, é interessante ver como outra empresa usou a mesma "base" para criar outro teclado, mas querendo ou não, eu tenho uma opinião em favor às escolhas que fiz no Falcão-Peregrino. Por isso, sejam um pouco "céticos", mas saibam que não vou encher de elogios a G.FalleN pois há questões que eu também não aprovo (em especial o preço). Vou manter o profissionalismo, apenas quero expor isto ao público para que não ocorram problemas.

Vamos então começar a análise:

Construção Externa

O ThunderX3 TK50 é um teclado mecânico com teclas flutuantes, uma placa de alumínio para capa frontal e suporte dos switches, e também possui um descanso para punho, o qual é removível.

Sendo bem honesto sobre o descanso, acho ele um tanto quanto curto demais, assim como maioria dos descansos para pulso que acompanham teclado são.

Ele é feito de plástico sem nenhum revestimento, o que na verdade é algo bom, pois o revestimento emborrachado de alguns descansos tende a desgastar e ficar com uma aparência horrível, mas ele realmente seria melhor se fosse apenas alguns centímetros mais comprido.

Algo que muitas pessoas podem gostar mais no ThunderX3 TK50, é que diferente do Falcão-Peregrino, não há nenhum excesso de branding no teclado, inclusive quase nem se nota o logotipo da ThunderX3 no canto superior direito:

Virando o teclado, há quatro pés emborrachados no teclado e mais dois no apoio para punho. Infelizmente os pés de ajuste não são emborrachados.

Assim como o Falcão-Peregrino, o TK50 possui encaixes bastante frágeis para o descanso para punho, sendo que se não houver cuidado pelo usuário, ou caso sejam removido e inserido de volta com frequência, ele vai quebrar.

Agora, vamos entrar no assunto das keycaps, o plástico com algo escrito em cima que muitos chamam de "teclas", embora este seja um termo muito amplo.

Não vou dar minha opinião subjetiva sobre o assunto, pois como já disse no início, fui responsável por esta parte no Falcão-Peregrino, apenas digo que a ThunderX3 optou por uma fonte que combinasse mais com o tema "futurista" dos produtos da empresa, enquanto a G.FalleN optou por legibilidade. Vocês leitores podem decidir qual acham melhor.



Não reparem a tecla dos acentos graves e agudos no lugar errado, eu remontei o teclado e errei o lugar por estar acostumado com teclados americanos :P

Mas curiosamente, mesmo com a fonte "futurista", o visual do TK50 é mais "limpo" que o Falcão por não ter tanto branding espalhado pelo teclado (o que aliás, não foi minha escolha).

Há um defeito na nossa unidade deste teclado, a qual nem o pessoal da ThunderX3 e nem o pessoal da G.FalleN viram ocorrer em outros teclados, basicamente caiu cola quente (provavelmente do conector USB interno do teclado) em cima da tecla Tab. Um erro do funcionário que soldou manualmente o cabo do teclado.

As keycaps do ThunderX3 TK50 são feitas em plástico ABS e com impressão laser. São feitas do mesmo material que as keycaps do Falcão-Peregrino.

A construção externa ThunderX3 TK50 é bem feita, uma placa de alumínio exposta, keycaps de qualidade razoável, plástico de boa qualidade e um bom cabo. Poderia ser melhor com keycaps Double-Shot, mas isso dificultaria para fazer o teclado com ABNT2. Enfim, boa, mas também não é excepcional.

Construção Interna

Assim como o AZIO MGK1 RGB e G.FalleN Falcão-Peregrino, o ThunderX3 TK50 é feito pela SQT Electronics e todos eles utilizam o mesmo "modelo base" para criar seus teclados por fora, mas por dentro eles podem ser bem diferentes um do outro, seja em recursos ou até mesmo qualidade.

Mas vamos então depená-lo:

Opa... Com certeza não é a mesma placa que o G.FalleN Falcão-Peregrino... Muito resíduo de limpeza (o que não é nocivo, mas fica feio nas fotos), conector soldado manualmente e sendo mantido no lugar com cola quente, fiapos de cola quente, alguns pontos de solda que parecem ter sido refeitos...

Também, esta placa não possui as conexões para colocar o controle de volume acima do numpad, algo que Falcão e Roboris possuem, mas que só está instalada no AZIO MGK1.

Enfim, ele apresenta alguns dos problemas que o antigo G.FalleN Roboris enfrentava e que foram resolvidos no Falcão-Peregrino após reclamações à fabricante e um gasto maior na placa.

O que é interessante porém, é que ao invés de ter a controladora soldada direto na PCB assim como o Falcão, a controladora é um módulo soldado na placa, o que permite que esta controladora seja trocada por outros modelos mais complexos do que o que está presente.

Por estar coberta por epoxy, não é possível ver qual é a controladora do teclado, mas segundo a própria ThunderX3 é utilizado uma Holtek HT66FB560 para o teclado, a qual permite alguns efeitos de iluminação básicos, mas não permite software. É importante lembrar que este teclado não possui RGB.

Quanto aos switches, aqui entramos em algo polêmico. Embora eu mesmo tenha elogiado muito os switches da Outemu no passado, a situação atual deles não merece elogio algum. O índice de falhas tem aumentado e o controle de qualidade da Outemu vem decaindo bastante, havendo inclusive provas de que a marca está utilizando materiais inferiores em lotes mais recentes de seus switches.

O resultado disso é que casos de Double-Click em teclados com estes switches explodiram em comparação com os primeiros anos da marca, sendo que atualmente está bastante arriscado escolher teclados com estes switches e por isto deve-se procurar concorrentes que utilizem switches como Cherry, OMRON, Kailh ou Gateron.

Mas, de acordo com a ThunderX3, este teclado já está à venda desde Setembro de 2017 e até agora não houve nenhum caso de RMA, então talvez o lote que pegaram seja um "lote bom", assim como vários dos lotes no primeiro e segundo ano da Outemu foram, mas não posso fazer promessas.

Enfim, o ThunderX3 TK50, mesmo sendo menos caprichado que o Falcão-Peregrino, possui uma boa construção interna, embora longe de perfeita, especialmente quando alguns aspectos de sua construção são feitos manualmente. Além disto, a qualidade dos switches da Outemu anda "questionável", mas fica a palavra da marca ao dizer que estes não estão dando problemas para eles.

Recursos e Extras

O ThunderX3 TK50 é um teclado que não possui RGB, além de também não possuir software. Há alguns efeitos de iluminação, mas são todos bem simples:

É importante lembrar que não há nada de errado com teclados single-color, nem todos querem ou precisam de teclados RGB, mas normalmente teclados desta faixa de preço apresentam algum outro destaque quando não há RGB.

Por exemplo, o Corsair K63 custa nesta faixa de preço e é single-color, mas apresenta como diferencial switches Cherry e um excelente software. O Sharkoon PureWriter também está na mesma faixa de preço e possui uma única cor, mas como diferencial possui switches Low-Profile.

E qual o diferencial do ThunderX3 TK50? Nenhum, e este é o maior problema deste teclado.

Conclusão

 

Avaliação: ThunderX3 TK50

Construção Externa
8
Construção Interna
7
Recursos e Extras
6
Preço - R$ 320
7.5

O ThunderX3 TK50 é um bom teclado, com uma boa construção externa, uma boa construção interna, ABNT2 e alguns efeitos básicos de iluminação, embora apenas em uma única cor, azul.

Seu preço de R$ 320 é aceitável. Não é um dos melhores teclados em questão de "Custo x Benefício" do mercado, mas também não é ruim, e em promoções pode valer muito à pena.

Sei que é irônico estas palavras vindo de quem projetou um teclado que custa na faixa dos R$ 600, mas saibam que não pude opinar sobre o preço.

O maior problema do TK50 é que embora ele seja um bom teclado, lhe falta um "diferencial". Quando um teclado desta faixa de preço não possui RGB, ele costuma ter algum outro diferencial, seja a presença de um bom software, um sistema anti-respingos, switches removíveis, switches low-profile, switches topo de linha ou então um preço muito baixo.

Às vezes, até vários destes diferenciais ao mesmo tempo. E é isso que acaba faltando no ThunderX3 TK50.

Nota: Este teclado foi enviado para análise pela Aerocool / ThunderX3 Brasil

PRÓS
ABNT2
Boa construção externa
Boa construção interna
CONTRA
A qualidade dos switches Outemu nos últimos tempos anda bastante "questionável"
Faltam diferenciais para optar por este teclado ao invés de concorrentes
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.