ANÁLISE: Team Xtreem Gold DDR4 16GB 4000MHz

Alta frequência, alto preço e pouca diferença de desempenho

Com a chegada das memórias DDR4, subiu muito a frequência que elas podem alcançar comparado as memórias DDR3, algumas marcas anunciaram kits acima de 4500MHz, enquanto poucas DDR3 passaram dos 3200MHz.

Hoje iremos analisar o kit Team Xtreem Gold DDR4 4000MHz de 16 GB (2x8GB) [TXGD416G4000HC18EDC01], frequência já considerada bastante alta pelos padrões normais de memórias de alto desempenho comercializadas, que ficam entre 2666MHz e 3200MHz em sua maioria, e esses kits são mais raros e caros. Além da alta frequência, esse kit de memórias tem os timing CL18-20-20-44 e tensão de 1.35v.

Site oficial da Xtreem DDR4 Gaming Memory

E quando falamos em um kit com essa frequência, ao menos por enquanto, já eliminamos plataformas AMD, sendo que as atuais AM4 e TR4 não suportam frequências tão altas, ficando em no máximo 3400MHz por enquanto.

O kit analisado


A TeamGroup nos enviou um de seus melhores kits de memória da linha XTREEM, com frequência de 4000MHz e latências CAS CL18-20-20-44, altas, mas normais para frequências nesse nível. A mesma linha possui com frequências mais baixas e consequentemente latências menores, como o kit de 3600MHz com CL 16-18-18-38.

Outro detalhe é que nesse padrão de frequências, ainda são raros kits com mais de 2 módulos devido questões de compatibilidade.

Diferente de muitos modelos atuais, essa linha não possui LEDs RGB, tem um visual muito refinado e bonito, vai agradar quem não curte essas luzes em seu hardware. Apesar de que é sempre bom lembrar que LEDs RGB, em geral, podem ser desligados.

Nas fotos podemos ver que ele é alto, sendo assim é necessário ter atenção com a compatibilidade com alguns coolers a ar que avancem sobre os slots de memória, se o sistema for com um water cooler não tem com o que se preocupar, afinal essas soluções não geram incompatibilidades devido o block ficar apenas sobre o CPU.

Compatibilidade


Utilizamos uma plataforma Intel com chipset Z370 para os testes, sendo que já a bastante tempo a AMD deixa a desejar quando se fala de alta frequência de memórias em suas plataformas, isso já acontecia em sockets anteriores como AM3/FM2+, e continuou acontecendo em AM4 e TR4, onde o máximo alcançado fica na casa de 3400MHz, sendo raros os modelos e kits que efetivamente se comportam bem nesse cenário.

Já quando falamos de plataformas Intel as frequências podem ultrapassar 4400MHz, ao menos na teoria, já que memórias de alta frequência sempre foi um assunto que existe a teoria e a prática. Como colocamos, optamos por utilizar uma plataforma Z370 por ser nova e trazer suporte a kits de alta frequência, utilizamos 3 mainboards no total, uma Gigabyte Z370 AORUS Gaming 7, que apesar de funcionar com a frequência máxima do kit se mostrava instável nos resultados dos testes, mudamos para uma ASRock Z370 Taichi, que apesar de aceitar a seleção dos perfis via BIOS simplesmente não aplicava na prática as frequências, mesmo quando diminuímos para 3400MHz, por fim mudamos para a pequenininha, mas longe de ser uma placa-mãe de entrada, Gigabyte Z370N-WIFI, que também tem suporte a memórias de até 4400MHz, ai o sistema passou a se comportar bem e conseguimos dar sequências em todos os testes e cenários.

Agora fica a dica, não espere que kits com frequências assim tão altas funcionem bem, e sempre mantenha a BIOS de sua mainboard atualizada, isso pode ajudar a resolver alguns problemas de incompatibilidade. Vale destacar que em algumas situações o sistema vai dar boot, porém você pode não alcançar as frequências máximas que ele oferece.

Sistema utilizado


Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes, antes algumas fotos:

- Processador: Intel Core i7-8700K [análise]
- Placa-mãe: Gigabyte Z370 AORUS Gaming 7 [site oficial]
- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 1080 Founders Edition [análise]
- Memórias: Team Xtreem Gold DDR4 16GB @ 4000MHz (2x8GB) [site oficial]
- SSD: Kingston Savage 240GB Sata 6Gb/s [análise]
- HD: Seagate Barracuda 2TB 7200RPM Sata 6Gb/s [site oficial]
- Cooler: Noctua NH-U12S [site oficial]
- Fonte de energia (PSU): Thermaltake Toughpower 850W GOLD [site oficial]

Por que usaram plataforma Intel?
Porque AMD não suporta esse nível de frequências de memórias

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits com Updates

Aplicativos/Games:
- Blender [site oficial]
- CineBench R15 [site oficial]
- x264 Full HD Benchmark [download]
- HWBot x265 Benchmark [site oficial]
- wPrime 1.55 [site oficial]
- WinRAR 5.50 [site oficial]

- 3DMark (DX11)
- Battlefield 1 (DX11)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- The Division (DX12)
- The Witcher 3 (DX11)

CPU-Z/AIDA64
Abaixo as telas do CPU-Z mostrando dados técnicos das três frequências testadas, mostrando uma leve mudança nos tempo de 4000MHz para 3200MHz, e uma diferença bem maior quando usando a frequência padrão ao se montar o sistema, 2133MHz.

Reparem que o CPU-Z mostra a latência em 4000MHz com 19-20-20-44 ai invés de 18-20-20-44 como a principio ela é baseada de acordo com dados oficial da Teamgroup.

Estamos finalizando um artigo comparando também latências


Consumo de energia


Fizemos os testes de consumo de energia do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema. Nesses testes o sistema está com uma NVIDIA GeForce GTX 1080 Founders Edition (referência).

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe, processador e placa de vídeo, podendo variar consideravelmente de um sistema para outro com configurações de hardware semelhantes.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:


Testes sintéticos


Abaixo temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador analisado com outros modelos do mercado e fazendo exatamente os mesmos testes.

Alguns testes podem tirar maior proveito de frequências mais altas,
jás outros de timing menores

AIDA64
Começamos pelo teste que tende a mostrar as maiores diferenças entre todos os demais, o AIDA64. Esse software tem um benchmark específico de memórias que mostra a velocidade de leitura, escrita, cópia e latência, mostrando bem a variação entre as diferentes frequências e latências.

Blender
O aplicativo Blender é voltado a profissionais de edição de filmes e para manipulação de objetos 3D, sendo um bom teste real de como o sistema se comporta nesse tipo de cenário.

V-Ray
O teste V-Ray Benchmark utilizado consiste no resultado de renderização do CPU, quanto menor for, melhor é o desempenho.

CineBENCH R15
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core também:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

HWBot x265 Benchmark
Com o aplicativo de benchmark de renderização do HWBot, temos um teste renderizando com codec x265, tanto em FullHD como em 4K:

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, mas por enquanto com a placa de vídeo dedicada.


Teste em games


Agora vamos para os games, selecionamos alguns dos principais títulos do mercado para mostrar como os processadores se comportam utilizando configurações semelhantes, sendo sempre o mesmo sistema com a placa de vídeo GTX 1080, apenas mudando a frequência das memórias.

Battlefield 1


Como um dos games com a melhor qualidade gráfica já lançados, agora o Battlefield 1 faz parte de nossa bateria de testes. Abaixo o comportamento dos sistemas rodando o game da DICE.


GTA V


Grand Theft Auto V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques boa qualidade gráfica. Ele é um dos games que mais faz uso do CPU, sendo um ótimo teste para ver o comportamento e diferença entre esse componente. Confiram abaixo os resultados nesse game:


The Division - DX12


O game da Ubisoft é uma proposta bastante ambiciosa de criar uma Nova Iorque "viva" em partidas com multiplayer totalmente online. The Division usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, e precisa lidar com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela, com destaque para a neve que ocasionalmente cai em alguns momentos. Ele é nosso escolhido para o teste sobre a API DX12.


The Witcher 3


The Witcher 3 foi lançado como referência em qualidade gráfica para PC, sendo um dos games mais interessantes da atualidade para medir desempenho de placas de vídeo e processador. Nesse teste temos um cenário diferente do que usamos em análises de placas de vídeo, visando forçar mais o processador. Abaixo os resultados dos sistemas comparados:

Testes gráfico integrado


Tiramos a GeForce GTX 1080 e seguimos por conta do gráfico integrado Intel UHD Graphics 630 presente no Core i7-8700K. Como já mostramos na análise do AMD Ryzen 5 2400G com seu vídeo integrado Radeon Vega 11, as soluções Intel não chegam nem perto das novas Vega integradas da AMD, mas como já explicamos, para usar um kit com frequências altas como 4000MHz, só usando Intel por enquanto.

Vídeos integrados Intel não passam de 1GB de memória

Antes dos benchmarks, abaixo o consumo de energia do sistema utilizado sem a placa de vídeo, apenas com as mudanças de frequência das memórias e o sistema rodando sobre o vídeo integrado:

Na sequência, rodamos testes sintéticos do 3DMark, incluindo o Fire Strike e o Sky Diver:

E fechando a sequência, rodamos novamente games, porém adaptando as configurações para uma realidade mais compatível com o nível de performance disponível em uma solução de gráficos integrados, no caso o Intel UHD Graphics 630 presente no Core i7-8700K.

Mas ai vem a pergunta, mas porque não testar com o vídeo integrado do Ryzen 5 2400G? Porque ele não suporta frequências altas como já falamos bastante na análise, que pode ser vista aqui.

Todos os jogos rodaram em qualidade média e resolução 1280x720p, já que o vídeo integrado da Intel não tem o mesmo desempenho dos novos CPU Ryzen 2000G com vídeo integrado Vega. Rodamos os games BioShock Infinite (DX11), GRID 2 (DX11) e Rise of Tomb Raider (DX12).

Vale ainda ressaltar que para rodar o Rise of Tomb Raider tivemos que testar várias vezes, já que o sistema travava bastante, provavelmente por se tratar de um game mais recente e que exige mais memória do que os 1GB disponíveis por esse vídeo integrado, e ai vem a pergunta: O DX12 não deveria justamente melhorar nesse tipo de situação?

Conclusão


É sempre interessante ver novas barreiras de especificações sendo alcançadas, e esse é um belo kit de memórias, com visual refinado e sóbrio, mas acima de tudo com uma frequência altíssima mesmo para quem já está acostumado com hardwares de alto desempenho, mas que infelizmente acaba esbarrando em alguns problemas, valor alto, dificuldade de ser encontrado e compatibilidade com outros hardwares.

Como colocamos durante a análise, um kit desse nível tem como primeiro desafio passar pela questão de suporte na plataforma que vai ser utilizado. Testamos aqui em uma plataforma Z370, sendo que funcionou bem na terceira placa-mãe que testamos, apesar das duas anteriores também suportarem kits acima de 4000MHz.

Alcançar altas frequências é difícil mesmo em placas-mãe
que teoricamente trazem compatibilidade

Para questão de compatibilidade também colocamos em uma mainboard Intel X299, a principio tudo normal também, já quando se trata de AMD AM4 ou TR4 a brincadeira muda, usuários dessas plataformas não irão conseguir usufruir de kits de memória com esse nível de frequência, de acordo com vazamentos, mesmo as novas mainboards com chipsets X470 não devem subir muito mais do que as atuais X370 e X399.

Memórias desse nível de frequência não funcionam em plataformas AMD

Apesar da especificação impressionante, kits com frequências tão altas assim normalmente possuem latências também mais altas, na prática várias aplicações se comportam melhor com latências mais baixas, por isso em alguns testes vemos o mesmo kit quando rodando em 2133MHz se saindo bem frente a 3200MHz e 4000MHz, já que na frequência mais baixa ele atinge latências mais baixas, também.

Infelizmente na prática a diferença de resultado
é quase sempre injustificável frente ao preço

Agora a pergunta crucial: faz muita diferença? Como mostramos em nossos testes na maioria dos casos não, na grande maioria. Kits com esse nível de frequência farão diferença em aplicações bem específicas, que não são utilizadas pela grande maioria dos usuários de PC, e mesmo nelas vemos margens mínimas de ganho. Outro detalhe muito importante, como elas tem baixa demanda de venda, tem preços bem mais altos, e a diferença de custo comparado a diferença de desempenho para um kit com 3200MHz não justifica, na grande maioria dos casos o desempenho varia entre nada e 3%, já o preço costuma ser 50% maior. Esse custo adicional pode trazer ganhos muito mais significativos investindo em um CPU ou uma placa de vídeo melhor.

Usar com vídeo integrado? Novamente sem sentido pelo preço, fizemos testes apenas para comparativo, mas logicamente faz muito mais sentido pegar um kit de frequência menor, ainda alta, e pegar a diferença e investir em uma placa de vídeo dedicada. Considerando o custo elevado dessas memórias, vai dar para comprar uma bela placa. Enfim, os outros hardwares que dão para comprar com a diferença para um kit de menor frequência são variados, todos eles podendo entregar benefícios bem mais importantes ao sistema.

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O Team XTREEM Gold DDR4 16GB (2x8GB) 4000MHz é um belo kit, faz o que se propõe e funcionou até melhor do que esperava em questão de compatibilidade pela frequência muito alta, como fazemos muitos testes e temos uma série de placas-mãe e kits de memória, imaginava que teria mais problemas, mas apesar da incompatibilidade com a mainboard da ASRock, me parece mais um problema da mainboard do que do kit em si, e esse tipo de coisa que atualizações de BIOS podem resolver. Agora não temos como indicar um kit que custa 50% mais do que um modelo de 3200MHz sendo que o ganho de desempenho médio é inferior a 5% e que há alta possibilidade de você encontrar dificuldade em atingir suas frequências máximas, mesmo em placas-mãe do segmento entusiasta.

O kit é ruim? Não, é um belo kit e faz o que promete, mas nem ele como nenhum outro nessa frequência vai justificar a compra enquanto a diferença de preço para memórias mais lentas não cair consideravelmente. Como não esperamos que isso aconteça a curto/médio prazo, a recomendação é procurar um bom kit de 3200MHz, que já é um sonho mesmo para alguns entusiastas, acima dessa frequência é pagar mais por quase nada, se justificando apenas para aquele aficionado que vai gastar tudo o que for necessário para ter o hardware mais potente disponível, independente do quanto ele custe, e já fez todos os upgrades possíveis nos demais componentes.

PRÓS
CONTRA
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Mundo Conectado é responsável pelas análise de drones e alguns gadgets relacionados a fotos e vídeo, como Action Cams.