ANÁLISE: Kingston KC1000

Modelo é atualmente o melhor SSD NVMe da Kingston

O SSD Kingston KC1000 é um modelo em formato M.2 2280 com versões de 240GB, 480GB e 960GB. Ele é baseado em protocolo NVMe PCIe Gen 3.0 x4, usa o controlador Phison PS5007-E7 com memórias NAND Toshiba 15nm 2D Planer MLC.

É possível adquirir apenas o SSD em formato M.2 (modelo dessa análise, com capacidade de 480GB e custo médio de R$1.300 no Brasil), porém ainda existe versões com a placa PCI-Express adaptadora com conexão M.2 chamada HHHL (Half-Height, Half-Length).

Existe diferença de desempenho entre modelo de 240GB e os demais de 480/960GB

Site oficial dos SSDs Kingston KC1000

Nas versões de 960GB e 480GB, temos tempos sequencias de leitura e escrita de 2700/1600MB/s, já no modelo de 240GB temos 2700/900MB/s.

Tecnologias


Abaixo, uma tabela com todas as especificações técnicas dos SSDs KC1000 da Kingston. Atualmente esse é o SSD mais rápido com a marca "Kingston", mas a empresa optou por não usar a marca "HyperX", talvez porque mesmo com boas velocidades sequenciais e outras características positivas, modelos de concorrentes alcançam velocidades superiores, além do que a empresa pode estar analisando o lançamento de algum novo produto, visando brigar com os melhores do mercado, para ai sim lançar pela HyperX, que na prática é a marca utilizada para os "produtos premium".

Como acontece com modelos de diversos fabricantes, na medida que a capacidade muda, outras especificações mudam junto. No caso dos modelos KC1000, o modelo de 240GB tem especificações inferiores quando comparado aos modelos de 480/960GB, como tempos de leitura e IOPS. Esse é um padrão que se repete em muitos outros SSDs: os com maior capacidade são os que atingem mais alta performance.


O que é TLC e MLC?


Para explicar o que é TLC (triple-level cell flash) o ideal é, antes, explicar do que se trata o MLC, padrão ainda utilizado pela maioria dos SSD atualmente apesar da mudança que o mercado está passando para o TLC. A sigla significa multi-level cell flash (MLC) e é utilizada para descrever memórias NAND flash que tenham a capacidade de armazenar 2 bits de dados por célula. O TLC é uma evolução dessa tecnologia, e permite armazenar 3 bits de dados por célula. Há ainda o single-level cell (SLC), onde cada célula armazena apenas um bit de dados. Cada uma tem vantagens e desvantagens, que veremos a seguir.

Quais são as vantagens e as desvantagens?


A grande vantagem dos SSDs com tecnologia TLC está em seu menor preço. Isso porque drives com a tecnologia são mais densos, armazenando mais dados com a mesma quantidade de espaço. Ou seja, eles acabam tendo uma eficiência de custo maior. Mas isso, como tudo na vida, tem um preço (sem trocadilhos).

Os SSDs com a tecnologia TLC acabam não sendo tão rápidos e nem tão duráveis quanto os modelos com MLC e SLC. Por isso, eles não são indicados para uso profissional e nem para uso empresarial. Na verdade, os SSDs com TLC são mais indicados para usuários domésticos. Para esse pessoal não há uma diferença de desempenho perceptível, ao menos na grande maioria dos casos.


Fotos


O SSD é baseado em formato M.2 no tamanho 2280 como a grande maioria dos SSDs nesse formato. O modelo que analisamos não acompanha a placa HHHL PCI-Express, porém existe a opção de comprar com ela junta. Na teoria essa placa pode ser interessante para o SSD não absorver a temperatura da placa-mãe, dependendo o modelo de mainboard o posicionamento do slot M.2 não é o melhor para ajudar nesse sentido, de acordo com a empresa não há perda de desempenho ao usar o SSD na placa dedicada adaptadora.

Nas fotos abaixo colocamos o KC1000 ao lado do WD Black PCIe, ambos modelos de mesmo formato. Reparem que no caso do KC1000 existe memórias NAND em ambos os lados do PCB, já no modelo da WD as memórias estão em apenas um dos lados.


Firmware


Abaixo algumas fotos do aplicativo da Kingston utilizada para gerenciar os SSDs da empresa. Para download da versão mais atual clique aqui.

Ainda acompanha o SSD um registro do aplicativo Acronis True Image, útil para funções como backup e clone de drives de armazenamento.

O SSD acompanha uma versão do Acronis True Image


Sistema utilizado


Abaixo, detalhes completos do sistema utilizado, além de algumas fotos do SSD instalado na mainboard. Adicionamos uma foto com uma placa HHHL, porém ela não acompanha esse modelo.

Essa será nossa máquina padrão para análises de SSDs

Máquina utilizada nos testes
- Mainboard Gigabyte Z370 Gaming 7
- Processador Intel Core i7-8700K
- Memórias G.Skill TridentZ RGB 16GB (2x8GB)
- SSD Samsung 960 EVO 500GB
- HD WD Bluw 4TB Sata3
- Fonte Thermaltake 850W Toughpower Gold
- Cooler Noctua NH-U12S

Sistema Operacional e Drivers
- Windows 10 Pro 64 Bits com updates

Aplicativos/Games:
- AS SSD Benchmark 1.9.x
- ATTO Benchmark 3.x
- Battlefield 1 (DX11)
- BootRacer 7.x
- CrystalDiskMark 5.x
- DiskBench

Drives Comparados:
- WD Black PCIe SSD (512GB) - NVMe
- Kingston HyperX Predator PCIe SSD (480GB) - PCIe Gen2
- Kingston M.2 SATA G2 SSD (480GB) - Sata3
- WD Blue SSD 1TB - Sata3

Temperatura


Lembram que sempre destacamos em reviews de SSD baseados em conexão Sata que os mesmos praticamente não geram calor, com o SSD ficando com a temperatura ambiente? Em SSDs de conexão M.2 isso muda bastante, especialmente para os drivers NVMe, sendo normal ficarem acima da casa de 60º, 70º quando em operação. A temperatura vai depender do controlador, memórias e também onde o SSD ficará posicionado, se direto na mainboard ou em uma placa dedicada vertical, solução também muito utilizada atualmente, ou mesmo se a mainboard ou placa adaptadora tiver algum sistema de dissipação ajudando a resfriar.

A Kingston informa que a temperatura em operação deve ficar entre 0 e 70º ( mesma que outras fabricantes como a WD no SSD Black PCIe M.2), aqui bateu 86º no teste do CrystalDiskMark, acima dos 85º que é o limite de temperatura garantida de armazenagem dos dados (veja na tabela que adicionamos na parte de tecnologias).

Entramos em contato com a Kingston para entender esses números, Iuri Santos, especialista em tecnologia da empresa, falou que os números informados já consideram uma margem de segurança, além de que sensores fazem o trabalho de ao atingir temperaturas que possam afetar o SSD o sistema automaticamente diminui a velocidade para evitar problemas. Em nossos testes será possível ver que não houve perda de desempenho, pelo contrario, alguns dos testes mostraram velocidades superiores as informadas pela Kingston, falaremos disso adiante.

Abaixo, tela do Crystal Disk Info com alguns detalhes técnicos do SSD analisado, em seguida gráficos comparativos de temperatura com o sistema em modo ocioso e também com a temperatura máxima atingida quando rodando o aplicativo Crystal Disk Mark.


Testes sintéticos


AS SSD Benchmark
Começamos nossos testes com o AS SSD Benchmark, software específico para testes de drives SSD, HD etc.

O aplicativo faz uma série de testes em diversas situações de leitura e escrita e, no final, gera uma pontuação com a média entre todos os testes. Confiram abaixo:

ATTO Disk Benchmark
Outro famoso aplicativo para teste de desempenho de unidades de armazenamento é o ATTO. Vejam abaixo o comportamento dos modelos comparados:

CrystalDiskMark
Com o aplicativo CrystalDiskMark, outro muito famoso para testes de drives, optamos por utilizar o teste "Seq". Abaixo, os resultados em modo leitura e escrita:


Testes práticos


Carregando um game (Battlefield 1)
Outro teste interessante é o carregamento de um game. Para isso, utilizamos o Battlefield 1 com teste em cima do mapa "Avanti Savoia!" logo no início em "O La Vittoria". O conceito do teste foi simples: computar o tempo que levou da hora que clicamos até a hora em que o gameplay começa.

A segunda vez que se carrega um mesmo mapa
demora o mesmo tempo em um SSD ou em um HD

Tempo de BOOT (Windows 10 Pro 64 bits)
Com o software BootRacer, medimos o tempo necessário para inicializar o sistema operacional, um dos principais atrativos de drives SSD.

O teste consiste no melhor resultado após três boots seguidos do sistema, considerando o tempo total até finalizar na área de trabalho com o score informado pelo aplicativo.


Cópia de arquivo - SSD NVMe
Abaixo os testes de desempenho em cópia utilizando um SSD padrão NVMe de alto desempenho para enviar e também receber, sendo assim tiramos o fator limitador de velocidade de um drive mais lento como aconteceria com um HD padrão Sata3, já que o SSD utilizado, um Samsung 960 EVO, tem velocidade de leitura de até 3.200 MB/s e escrita de 1.800MB/s.

O teste utiliza o aplicativo DiskBench para o processo.

Para o cenário ideal de cópia ambos os drives precisam ser rápidos

Drive analisado para SSD Samsung 960EVO M.2 500GB NVMe (leitura)
Neste teste copiamos os arquivos do drive analisado para um SSD NVMe de alto desempenho. Este seria o teste de leitura, já que ele não escreve nada no drive analisado.

Samsung 960EVO M.2 500GB NVMe para drive analisado (escrita)
Invertendo o processo, agora copiamos os arquivos do 960EVO para o drive analisado, consistindo em um teste prático de escrita, já que os dados estão sendo gravados no drive. 


Atualmente o KC1000 é o SSD NVMe mais rápido da Kingston, curiosamente a empresa não utilizou a marca HyperX nele, sendo assim imaginamos que em breve aconteça algum lançamento de modelo mais rápido, já que a empresa vem posicionando os produtos premium para entusiastas e gamers com a marca HyperX.

Em se tratando do KC1000 (modelo de 480GB), ele é um bom SSD, até o momento o mais rápido que analisamos (estamos finalizando a análise do Samsung 960 EVO), mas de acordo com especificações técnicas de outros modelos que temos aqui, isso vai mudar na próxima analise já que o KC1000 tem tempos de leitura/escrita de 2700/1600MB/s em modo sequencial, e leitura/gravação aleatória em 4K de 190.000/160.000 IOPS no modelo analisado (o modelo de 240GB é mais lento), como base de comparação, o Samsung 960 EVO de 500GB tem tempos de leitura/escrita sequencial de 3200/1800MB/s, e leitura/gravação aleatória em 4K o modelo da Samsung alcança 330.000 IOPS, mais do que dobra a velocidade de escrita do KC1000.

O controlador utilizado é o Phison PS5007-E7, já as memórias NAND são Toshiba 15cm 2D Planer do tipo MLC, como já explicado, que tendem a ser mais rápidas e também aumentar o tempo de vida do SSD, porém também tornam ele mais caro quando comparado a modelos com memórias do tipo TLC. O modelo analisado é de 480GB, que possui especificações mais próximas do modelo de 960GB apesar de uma pequena diferença em gravação aleatória 4K. Já o modelos de 240GB tem como principal diferença o fato de ser consideravelmente mais lento em escrita sequencial, não que isso na prática vá mostrar diferença para a maioria dos usuários, especialmente para quem usa para trabalhos cotidianos simples e games, esse tipo de especificação faz diferença em grande escala de trafego de dados, especialmente para editores de vídeos, etc.

O atual SSD M.2 NVMe é bom, mas caro e com
especificações inferiores a modelos concorrentes

Duas situações me chamaram a atenção durante a análise, uma que o desempenho em alguns testes supera o informado pela Kingston, pesquisando em análises internacionais reparei que outros sites tiveram a mesma situação, de acordo com Iuri Santos, especialista em hardware da Kingston, isso acontece porque a empresa optou por informar tempos seguros para garantia do desempenho e em alguns casos os mesmos podem ser maiores do que os informados. O outro ponto que me chamou a atenção foi a alta temperatura, novamente Iuri colocou que a empresa também informou temperaturas mais baixas do que ele realmente aguenta, então mesmo no teste onde a temperatura chega a 86 graus, um a mais do máximo seguro informado pela empresa, ainda dentro de uma margem de erro, esse resultado é abaixo do que o SSD aguenta de forma segura, mas não tem como não assustar um pouco, especialmente para um produto tão caro. Felizmente a garantia é de 5 anos.

Valor alto faz ele competir com drives teoricamente
mais rápidos como o Samsung 960 EVO

No mercado nacional o modelo analisado de 480GB varia de R$1.400 à R$1.500, valores altos considerando que um Sansung 960 EVO está custando na casa de R$1.500, ou um pouco mais. O Corsair MP500 é outro modelo de alto desempenho, mas está custando um pouco mais caro que eles atualmente. Modelos da Samsung são o sonho de consumo entre usuários entusiastas, e pela pouca diferença de preço isso complica a vida do KC1000.

Enfim, é um bom SSD, mas mais indicado para usuários que trabalham com aplicações profissionais. Para usuários normais e gamers o SSD indicado é qualquer SSD, mesmo modelos com menos performance que esse baseados em padrão Sata por exemplo, porque a grande diferença no uso prático já acontece na troca do HD por um SSD. Em situações como carregar aplicativos, jogos, não muda muito o desempenho de um SSD mais poderoso para um mais básico como já mostramos em vários testes, então optar por modelos tão rápidos como esse pode acabar não fazendo diferença alguma dependendo o uso.

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Estamos terminando os testes com o Samsung 960 EVO e em breve iremos receber outros modelos, gerando uma base de comparativo melhor e mais interessante.

Conclusão

 

Avaliação: Kingston KC1000

Tecnologias
8
Desempenho
8
Preço
7

PRÓS
Bons tempos de leitura e escrita
Protocolo NVMe Pcie 3.0 x4
Garantia de 5 anos
CONTRA
Valor alto
Desempenho abaixo de modelos concorrentes
Baixa velocidade em 4K
Temperatura alta em com uso contínuo
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Mundo Conectado é responsável pelas análise de drones e alguns gadgets relacionados a fotos e vídeo, como Action Cams.