ANÁLISE: Samsung Gear Fit2 Pro

Smartband fitness da Samsung perdeu o medo de piscina

A Samsung Gear Fit2 Pro é uma nova edição da smartband fitness da Samsung que adiciona mais uma capacidade: agora ela pode ser usada na natação. Enquanto a Gear Fit2 já possui resistência à água, o que significa que ela não tinha nada a temer em relação a suor ou chuva, a nova versão consegue resistir a até 5 ATM, e agora ela pode ser usada até mesmo durante suas braçadas.

Análise Samsung Gear Fit 2 - Vestível é um híbrido de smartband e smartwatch, com as qualidades e defeitos de ambos

Especificações técnicas

- Tela de 1.5" curva Super AMOLED (216 x 432)
- 500MB de RAM
- 4GB de memória interna (2GB disponível)
- WiFI 802.11b/g/n 2.4 GHz
- Bluetooth v4.2
- Sensores: GPS, Glonass, Acelerômetro, Barômetro, Sensor giroscópico, Sensor de umidade relativa
- Tamanho: 51.3 x 25 mm e 34g
- 200 mAh
- Sistema Tizen

Design


Confortável e bonita

A Gear Fit2 Pro mantém um design muito parecido com o da Gear Fit2. Se não fosse pelas pulseiras diferentes, os dois produtos poderiam ser facilmente confundidos. Foi mantida a tela Super AMOLED de 1.5" curva, um formato que se encaixa muito bem no pulso, e seu porte compacto torna ela quase imperceptível ao longo do dia. As pulseiras ainda usam o mesmo padrão de encaixe da geração anterior que possibilitam sua troca, e há uma boa variedade de modelos disponíveis a venda no Brasil e especialmente no exterior.

O aparelho conta apenas com dois botões: o de baixo alterna entre a tela inicial e a gaveta de aplicativos, enquanto o segundo botão é o equivalente a voltar e tem o duplo clique configurável, se tornado atalho para a função que o usuário deseja, e também atua como botão de pausa em exercícios. O restante das funções são feitas através de movimentos de deslizar na tela sensível a toques, com notificações à esquerda, uma barra de status no topo e telas adicionais à direita.

O display tem belas cores e mostra uma quantidade considerável de informações, se levarmos em conta que não é muito amplo. Dá para ter um resumo de exercícios e informações, mas ainda é mais confortável ver os dados no smartphone posteriormente. Ele chega a atingir bastante luminescência, mas é bom ir devagar, caso contrário a bateria irá descarregar muito rápido. Ele possui um modo para ser legível em locais mais claros, mas fez falta aqui um sensor de luminosidade para que ele se adaptasse por conta às diferentes situações pois mudar o brilho da tela não é um procedimento ágil nesse aparelho, e é um saco ficar mudando isso o tempo todo.

Como quase todo vestível, é preciso se adaptar a sua interface

A interface do Gear Fit2 leva um tempo de adaptação para compreender onde fica cada elemento, algo que tem acontecido em praticamente todo vestível que já testei. Como se trata de um tipo de produto com menos tempo no mercado comparado a smartphones, ainda é um gadget que não consolidou totalmente algumas interações. Porém, não leva muito tempo para entender os conceitos que ele "empresta" do celular como barra de status, múltiplas telas e local de notificações.

Performance e autonomia


Ágil, mas poderia ter mais autonomia

O hardware não recebeu novidades em relação ao modelo "não Pro", com os mesmos 500MB de RAM, 4GB de memória interna e mesmo SoC. Como é de se esperar, a experiência é a mesma que tivemos como o modelo anterior: as respostas são ágeis e raramente o gadget apresenta lentidão. Os comando também são bem responsivos, inclusive os baseados em movimento como o acender da tela o girar o pulso para ver as horas. Eventualmente surgem travamentos mais graves que levam o aparelho e se reiniciar, algo que acontece com uma frequência tão rara que não chega a ser relevante. 


Gear Fit2 (esquerda) e Gear Fit2 Pro (direita)

O que poderia evoluir, e não aconteceu, foi a autonomia. De acordo com o site da Samsung a Gear Fit2 Pro aguenta de 3 a 4 dias em uso constante e até 5 dias em uso baixo. Isso está longe de ser a realidade em nossos testes. Os 200 mAh seguram um, no máximo dois dias se você fizer uso intensivo de todos os recursos da pulseira, e para estender para 3 dias é preciso abrir mão de algumas de suas funcionalidades. Com o GPS ligado constantemente registrando um exercício não espere muito mais que 5 horas de duração de bateria.

Se você fizer uso intenso, é melhor carregá-la todos os dias

Se por um lado é preciso carregá-la todos os dias para ter certeza que não ficará sem carga, a pequena bateria presente nesse modelo não precisa ficar muito tempo na base de carga para voltar aos 100%. Isso é interessante pois usar essa band durante a noite traz informações sobre o sono do usuário, para quem quiser registrar esses dados.

Funcionalidades


Bastante versátil nos exercícios e no dia-a-dia

A Gear Fit2 Pro tem o foco no monitoramento e registro de exercícios, mas também amplia seu leque de funcionalidades para outras áreas. Para exercícios a pulseira é capaz de registrar diversos tipos de esportes combinando GPS, acelerômetro e o sensor de batimentos cardíacos para recolher dados. Isso pode ser feito de forma manual, iniciando um exercício, ou de forma automatizada, se você acionar essa configuração.

A Gear Fit2 Pro é muito eficiente em monitorar exercícios, e dispensa completamente um smartphone para recolher os dados

Por carregar um GPS interno, ela é totalmente independente do celular e pode registrar sua caminhada sem necessitar nenhum recurso do smartphone. Na memória interna, podem ser armazenadas músicas, porém é preciso de um fone bluetooth para ouví-las, já que não há conexão P2 nesse gadget. Alguns apps como o Spotify, inclusive, já possuem versões para a Gear Fit2 e podem deixar músicas armazenadas nela.

Ela monitora passos, exercícios, batimentos cardíacos, andares subidos e o sono automaticamente

A pulseira irá monitorar sua atividade ao longo do dia, trazendo informações como passos acumulados e com eventuais monitoramento dos batimentos cardíacos. Ela também pode atuar monitorando o sono do usuário, algo que ela faz de forma automática, e dará informações sobre tempo total da soneca e também o quanto você se mexeu, que serve como um indicativo de qualidade do sono.

Esse aparelho não tem a precisão de soluções profissionais de medição,
mas já serve como recurso motivacional para se manter mais ativo

Apesar da precisão dessas medições ficarem muito longe de soluções mais profissionais para avaliar batimentos cardíacos ou sono, eles servem como ferramenta motivacional para quem quer estatísticas de seu progresso como forma de se animar a manter uma rotina mais saudável, o que inclui a criação de metas de passos, água a ser bebida ou andares a serem subidos, metas que são comemoradas singelamente por uma vibração quando batidas.

Falando da nova habilidade desse produto, que é encarar seções de natação, a pulseira opera bem ao usar o acelerômetro para identificar cada braçada. Definindo o comprimento da piscina, ela pode criar metas e ir indicando ao usuário através de vibrações seu progresso. O sensor de batimentos também opera embaixo d'água, gerando relatórios interessantes de sua performance. Seu maior defeito é o mesmo presente em outros gadgets que usam o acelerômetro para medir o exercício: se você usar uma modalidade de nado que não use os braços, caso inclua na sua rotina um trecho só com pernadas, ela não vai registrar seus movimentos.

Todas essas informações podem ser enviadas a softwares no smartphone, como o S-Health da própria Samsung que já exibe bastante dados. A interface em geral opera bem, mas acho estranho o modo de competição entre amigos, o "together", que por algum motivo te força a cadastrar o número de telefone e autenticar via SMS, algo que além de burocrático simplesmente não funciona para algumas pessoas.

Por usar o sistema Tizen o suporte a apps é bem menor comparado a outros vestíveis, ainda assim já há alguns nomes de peso como Spotify, Endomondo, MyfitnessPal e até algumas coisas mais excêntricas como um controle remoto para a GoPro. Ainda assim, a biblioteca fica "anos-luz" do que pode ser baixado no Apple Watch e em um dispositivo Android Wear.

A Samsung fez atualizações mínimas na Gear Fit2 Pro, mantendo na essência o mesmo produto. Seu único diferencial é o suporte ao monitoramento de exercícios na água, algo que totalmente justifica sua aquisição por um consumidor que pratique natação.

A band é uma boa opção para quem quer monitorar exercícios e algumas funções adicionais, mas não quer um smartwacth

Além do monitoramento de exercícios, a pulseira é uma boa pedida para alguém que quer uma band capaz de mostrar notificações e responder rapidamente algumas, ainda que de forma bem mais limitada que um smartwatch. Sua capacidade de monitorar o sono e outras pequenas funções através de apps, como funcionar como despertador, mostrar a previsão do tempo e próximos compromissos da agenda, tornam ela uma companhia útil também nos momentos em que você não está praticando exercícios.

Seu maior problema é o preço elevado, próximo ao praticado em alguns smartwatches

Análise Motorola Moto 360 Sport 37 Boa duração de bateria e design esportivo são destaques do vestível

Seu maior impeditivo segue sendo o preço. Com custo de lançamento de R$ 1.199, ela eventualmente já aparece por R$ 800, valor que paga smartphones completos e de boa qualidade e não muito longe dos R$ 1.2 mil que eventualmente é encontrada o Moto 360 Sport. É um gadget dispensável para a maioria dos consumidores, e só se justifica para quem realmente quer um dispositivo para monitorar seus exercícios e braçadas na piscina, além de algumas funções adicionais como mostrar notificações, e está disposto a desembolsar essa grana toda.

Conclusão

 

Avaliação: Samsung Gear Fit2 Pro

Design
9
Funcionalidades
8.5
Desempenho
9
Preço
6

PRÓS
Eficiente no registro de exercícios (dentro e fora da água)
GPS embutido
Tela com belas cores e exibe várias informações
Diversas funcionalidades adicionais
Design leve e confortável
CONTRA
Preço elevado
Samsung Health é meio bugado
Poderia ter mais autonomia
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".