ANÁLISE: Motospeed V60

O melhor mouse da Motospeed

Motospeed. Uma marca chinesa que vem conquistando o mercado Brasileiro e que agora já possui até site no Brasil.

A razão para a Motospeed estar tão presente é simples: ter combinado preços competitivos com alta qualidade e designs que chamam a atenção do público. A nossa análise do Motospeed V30 prova isto.

Mas, algo faltava nos mouses da Motospeed; um mouse com uma ergonomia e design mais ortodoxo, o que é justamente o que o V60 veio trazer:

Mas quais as novidades que o Motospeed V60 traz consigo? Ele é melhor que o Motospeed V20 e V30? E como se compara com o mercado atual de mouses?

É o que veremos a seguir

Ergonomia e Construção Externa

É importante lembrar que existem formas que usuários podem manusear seus mouses, o que chamamos de pegadas. As três principais são:

Assim como já aconteceu com vários outros mouses da Motospeed, o Motospeed V60 é apenas uma cópia de um mouse de outra marca, no caso o Mionix Castor:


Fonte: Mionix Castor Review - Enos Tech

Pessoalmente não tenho nada contra cópias de mouses de outras marcas, desde que a cópia seja bem feita e acessível em seu preço, o que é o caso do Motospeed V60, custando menos da metade do que um Mionix Castor custaria para importar, além de já estar sendo vendido no Brasil, diferente dos produtos da Mionix.

Ao contrário do que parece em algumas imagens, o Motospeed V60 não é um mouse ambidestro (aliás, parece até que a Motospeed não gosta de canhotos...), a lateral direita favorece o uso por destros ao ter encaixes para os dedos:

Mas fora isto, ele tem um design muito mais "ortodoxo" do que outros mouses da marca, sem nenhum detalhe estético que acabe atrapalhando sua ergonomia, como acontece no Motospeed V20 por exemplo.

Simples, mas bem feito, sendo bom para quem possui a pegada palm e mãos pequenas ou médias, embora possa não ser adequado para quem tem mãos grandes e esta pegada:

Bastante confortável para a pegada claw:

E a pegada fingertip fica muito boa:

O Motospeed V60 é vendido em diversas cores diferentes, o preto padrão, um modelo branco, e duas variantes que a Motospeed chama de "Van Gogh", uma com detalhes azuis e outra com detalhes roxos, que foi o primeiro modelo deste mouse que recebemos:


Sei que não devo inserir opiniões muito subjetivas na análise, mas caramba, essa beterraba é feia...

O modelo branco é bastante bonito, mas ele é feito de plástico fosco e isso representa um perigo, pois sujeiras, suor e gordura das mãos podem impregnar o material. Mouses brancos bem feitos utilizam materiais glossy, pois este material não é aderente, sujeiras não grudam, nem impregnam ele e podem ser facilmente limpadas com um pano.

O CM Storm Alcor White da direita é um exemplo de mouse branco bem feito, usando acabamento glossy:

Por isso, há vantagens no Motospeed V60 Beterra-, digo, Motospeed V60 "Van Gogh", não importa o quão sujo ele fique, não vai fazer diferença alguma.

Minha recomendação, é que optem pelo modelo preto básico.

Diferente de seus irmãos, o Motospeed V60 implementa uma iluminação do tipo underglow, focando seus LEDs na parte inferior do mouse ao invés de atirar eles na cara do usuário. Um resultado disso, é uma iluminação que na minha opinião fica muito mais bonita do que a de seus irmãos.


Embaixo do Motospeed V60 encontramos dois pés de teflon de tamanho razoável, que garantem um bom deslize, melhor distribuídos do que em seu irmão V30 por exemplo.

Falando nisso, uma prática que a Motospeed faz e que maioria das outras fabricantes não fazem, é colocar adesivos plásticos sobre os teflons, supostamente para proteger estes. Nada contra isto, mas muitos usuários acabam usando os mouses da marca sem remover eles, o que acaba prejudicando bastante o deslize do mouse. A imagem abaixo é do V20, mas o mesmo acontece no V60:

Os botões laterais do V60 estão melhores que seus antecessores. Não são feitos de algum material que cause desconforto (vide V20) e possuem uma resposta razoável. A textura da lateral é apenas plástico moldado.

O Motospeed V60 possui um design mais ortodoxo que outros mouses da linha atual da Motospeed e sinceramente é mais caprichado que seus irmãos V20 e V30 por esta razão. Plástico de boa qualidade, uma ergonomia bastante aceitável para todas as pegadas, bons cliques, bons botões e uma iluminação bonita sem exageros.

É um mouse de respeito, mas não sei se eu devo dar meus parabéns para a Motospeed ou para a Mionix...


Zalman ZM-M250, Roccat Kone Pure OE, Motospeed V60, ZOWIE ZA12, Cougar Revenger, Roccat Kone EMP

Construção Interna

A Construção Interna é a principal responsável pela durabilidade de um mouse. Se forem utilizados componentes de alta qualidade, podemos dizer que o mouse foi projetado para durar. Se forem utilizados componentes de baixa qualidade, as expectativas para o mouse não serão boas.

Ao abrir o Motospeed V60, encontramos uma construção idêntica ao Motospeed V20, com switches de ótima qualidade nos botões principais e switches um pouco inferiores em botões não muito usados, sendo exatamente a construção que se espera de um bom mouse gamer de baixo custo.

Desempenho

O Motospeed V60 utiliza o sensor Pixart PMW 3325, que é uma versão melhorada do Pixart PMW 3320, sensor de seu irmão Motospeed V30:

Ou seja, tecnicamente o Motospeed V60 é quase idêntico ao Motospeed V20 em seu interior e sensor, a principal mudança sendo apenas a carcaça.

Começando, todos os testes foram realizados utilizando um mousepad Rise, o qual possui estampas e tem um nível de qualidade similar ao Razer Goliathus Speed.

Primeiro, temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente, ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizar ele, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados mousepad RISE M4A1, em 1000 Hz:

Resultados perfeitos, sem falha alguma. Já o próximo teste é o teste de aceleração.

O ideal sempre é que: se o mouse for movido rapidamente 10cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do Motospeed V60 usando o mousepad RISE M4A1, em 1000 Hz:

Opa, algo estranho ocorreu. Não importa o quanto eu tentei, ou até mesmo com o V60 Beterraba, não consegui um resultado perfeito no teste de aceleração, embora o valor seja mínimo. É até aceitável para um mouse de baixo custo, mas não é o ideal.

Vamos então partir agora para o software.

Opa, ocorreu algo estranho... O software está disponível apenas em chinês.

OK, mais um erro de programação por parte da Motospeed, o idioma Inglês está disponível, mas ela não configurou o instalador para pedir o idioma... Há como trocar o idioma no software, mas a interface da Motospeed é tão confusa e cheia de lixo, que o botão fica escondido nela:

Primeiro, vamos tentar ignorar o esquema de cores horrível e abrir as configurações de botões, onde podemos trocar a função de cada um dos botões do Motospeed V60:


Huh... Mas o que diabos é "Key 6", qual botão é esse? O que é o "Key 8"? Na verdade, é necessário olhar bem de perto em seu monitor nesta minuscula figura de um V60 para descobrir o número de cada botão e qual a função dele.

Que sistema bem planejado, parabéns! #sarcasmo

Em seguida, temos uma interface onde podemos criar macros simples, sendo possível adicionar teclas do teclado ou do mouse. Não é muito intuitivo, mas funciona:

Na próxima janela temos um novo sistema de iluminação, que foi um pouco melhor projetado que o do V20 e V30:

Por último, a aba "Sensor", onde temos as configurações de DPI, cores para cada DPI e configurações básicas de um mouse. Há também como colocar a DPI do V60 em valores acima do que ele diz em sua caixa, mas é através de Interpolação (o equivalente a Zoom Digital em mouses), o que não é nada recomendado:

Eu desisto, Motospeed. A incompetência em criar uma interface gráfica de vocês é tanta, que eu não vou ficar simplesmente reclamando, com a ajuda do Igor Unzer eu vou refazer a interface gráfica dessa porcaria, traduzir para português e corrigir algumas bobagens escritas no software, mas é a primeira e última vez.


O link para download da versão em Inglês é este: https://drive.google.com/file/d/1Wx3X4lA602uAB5m1VW9PcmMScwiUM_N7/view?usp=sharing

Como podem ver pelas imagens, até fiz uma versão em Português mas infelizmente há uma espécie de Checksum de segurança no software do Motospeed V60, o qual eu não consegui quebrar, e embora a interface abra, as mudanças feitas no software em português não afetam o mouse.

Ao entrar em contato com a própria Motospeed e oferecer a tradução de graça, recebi a noticia de que a empresa que fez o software foi uma terceira e para adicionar o nosso idioma para ele, a Motospeed teria que pagar para esta terceira, algo que ela não se mostrou interessada em fazer.

Enfim, o software da Motospeed continua sendo um fiasco assim como é no V20 e V30, mas agora devido ao plano de fundo mal feito e fontes pequenas, virou um câncer para os olhos. Embora algumas coisas melhoraram um pouco, tal como o sistema de controle de iluminação, a configuração de seus botões se tornou ainda menos intuitiva e acrescentou-se interpolação nas DPIs do sensor.

Quem quer um mouse com software que preste, evite comprar mouses projetados por empresas chinesas.

Conclusão

 

Avaliação: Motospeed V60

Construção Externa
9.5
Construção Interna
9
Desempenho
8.5
Preço - US$ 24
8.5

Por ter as melhorias que o Motospeed V20 introduziu e uma construção sem nada "ofensivo" em seu design, considero o Motospeed V60 como sendo o atual "melhor mouse da Motospeed", e realmente gosto muito mais dele do que seus irmãos V20 e V30.

O Motospeed V60 é um passo na direção certa para a Motospeed, um design mais ergonômico e ortodoxo, com uma iluminação que consegue ser bonita e discreta ao mesmo tempo, ao contrário do carnaval exagerado que fazem seus irmãos V20 e V30. É um mouse mais "profissional" em sua funcionalidade e estética, embora não seja nada original.

Minha principal reclamação é a mesma que eu tinha desde o Motospeed V30, a marca até trocou o software, mas continua sendo quase tão ruim quanto era antes, até pior em algumas partes.

No final, o Motospeed V60 é um excelente mouse, mas por seu preço de US$ 24 já há outras opções no mercado de mouses chineses, algumas que podem até ser melhores do que ele e as quais vamos estar analisando em breve.


Delux M625

No Brasil ele pode ser encontrado na Black Falcon Store por R$ 119, o que é um preço adequado para o que ele possui, mas muito próximo ao de mouses como o CM MasterMouse S e Logitech G203, que são superiores a ele. A faixa dos R$ 100~110 seria o ideal.

Já passou da hora da Motospeed investir em carcaças de melhor qualidade, fazer mouses mais leves e finalmente começar utilizar sensores como o PMW 3330, PMW 3336 e PMW 3360.

Está mais do que na hora da marca lançar um modelo realmente "topo de linha", pois atualmente o line-up dela é uma bagunça e o público fica sem saber quais são os melhores mouses entre o V20, V30, V40, V50 e V60. (no caso, V60 > V20 > V30 > V50 > V40).

A Motospeed está ficando para trás do resto do mercado chinês, a Delux lançou o M625 com o sensor PMW 3360 por US$ 24, a E-3LUE lançou o M668 com PMW 3310 por apenas 18 dólares, e mouses como o IOMNI 1.1 são uma maravilha para saudosistas que preferem mouses bem feitos e com boa ergonomia:


Iomni 1.1

O mercado chinês está evoluindo cada vez mais, e embora a Motospeed melhorou um pouco, ela não evoluiu neste último ano e se continuar assim, em breve pode acabar ficando para trás.

Nota: este mouse foi enviado para análise pela Motospeed Brasil.

PRÓS
Bom Custo x Benefício
Excelente Construção Interna
Excelente Costrução Externa
Ótima precisão graças ao sensor Pixart PMW 3325
Software para configuração
CONTRA
Erros grotescos na interface gráfica do software
Não é tão barato quanto o V30...
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.