ANÁLISE: Gigabyte AORUS K7

Um teclado extremamente bem feito, mas com alguns problemas

A Gigabyte é uma marca que já está presente no ramo de periféricos há alguns anos, mas resolveu aumentar o foco nesta área com o lançamento dos novos produtos da linha AORUS, que buscam aumentar o mercado da marca com componentes de alta qualidade e um visual bastante chamativo.

Mas antes de começarmos a análise, é importante que o público não se engane entre o Gigabyte AORUS K7 que estamos fazendo análise e outros teclados como o Gigabyte Force K7 ou com o Gigabyte AORUS THUNDER K7, que são teclados bastante diferentes.


Gigabyte FORCE K7

Gigabyte AORUS THUNDER K7

É uma verdadeira confusão do K7...

Mas enfim, chega de trocadilhos ruins e vamos começar a análise:

Construção Externa

O Gigabyte AORUS K7 possui um visual bastante caprichado, uma placa de alumínio de alta qualidade (bem mais caprichada que a de alguns teclados chineses) com uma pequena listra laranja nas pontas, o que dá um bom contraste ao teclado sem "descombinar" com o conjunto:

Também, outro indício de que a capa frontal do teclado fora bem feita, é que há isolamento elétrico entre a placa de alumínio e a conexão USB. Em outras palavras, você não vai tomar choques se encostar no AORUS K7 descalço (embora estes choques sejam indícios que você não possui aterramento elétrico na sua casa, o que também é um problema!).

Fora isto, os únicos diferencias na frente do AORUS K7, é que as teclas da linha de função (ESC, F1, F2, F3, F4...) ficam mais próximas do que em outros teclados, além de estarem em uma altura menor, o que é um pouco estranho, mas não atrapalha na prática.

No canto superior direito há o símbolo da AORUS e também LEDs indicando quais funções do teclado estão ativas, incluindo a tecla "Win Lock", que trava a tecla Windows.

Atrás do AORUS K7 temos 4 enormes pés de borracha, que realmente mantém o teclado no lugar, e um dos diferenciais do teclado:

O Gigabyte AORUS K7 não possui pés para ajuste de altura. Ao invés disso, você gira estas pequenas engrenagens para regular um pouco a altura do teclado. A marca coloca isto como um "diferencial" do teclado, mas é algo quase irrelevante.


 

É apenas um parafuso que regula a altura desta peça inferior:

Agora, vamos entrar no assunto das keycaps, o plástico com algo escrito em cima que muitos chamam de "teclas", embora este seja um termo muito amplo.

A começar pela fonte: me surpreendo pela Gigabyte não ter seguido o mesmo caminho que outras marcas. Ela optou por uma fonte bastante simples e legível.

Outro diferencial é o tamanho da fonte de algumas (não todas) teclas de função, que é menor e descentralizada, como pode ser visto nas teclas CTRL, Win Lock, Alt e FN.

As keycaps do AORUS K7 são fabricadas pela iOne, feitas em plástico ABS e com a impressão a laser. Algo que estranhei bastante é a facilidade de remoção das keycaps. Basta passar um pincel no teclado para que várias keycaps se desencaixem. A princípio não é algo nocivo, mas também não é o ideal.

É possível encontrar keycaps da mesma fabricante em teclados concorrentes, como o Logitech G610, HyperX Alloy FPS e Razer Blackwidow (e todas suas variantes). A impressão é bastante durável, porém, elas sujam facilmente.

A construção externa do Gigabyte AORUS K7 é extremamente bem feita. A placa de suporte foi isolada da corrente elétrica, algo que infelizmente muitos outros teclados não possuem, a estética do teclado foi bem projetada para que ele tenha diferenciais sem que acabe sendo "espalhafatoso" ou descombinando por ter cores excessivas.

A única coisa que o impede de gabaritar esse segmento são suas keycaps que possuem qualidade apenas "mediana", o que é normal em teclados desta categoria "gamer".

Construção Interna

O Gigabyte AORUS K7 é produzido pela veterana iOne, a mesma fábrica que faz os teclados mecânicos da Razer, HyperX, Logitech, Tesoro e diversas outras marcas. Conhecendo como esta empresa é, posso afirmar que vamos ver soldas bem feitas, mas com bastante resíduo de limpeza no interior (texto escrito antes de abrir o teclado).

Vamos então depenar ele:

E como já esperava de teclados da iOne, uma grande quantia de resíduo de limpeza (que não é nocivo), aparentemente há também uma camada de resina, soldas bem feitas e uma placa organizada. Não é um teclado "bonito aos olhos" por dentro, mas é bem feito.

No coração do AORUS K7, encontramos a MCU "Holtek HT32F1654", a mesma que é usada no Ducky Shine 6 e no CM MasterKeys Pro L. É uma microcontroladora baseada no processador ARM Cortex M3, possuindo também memória RAM e ROM interna. É basicamente um microcomputador dentro do seu teclado.

E para efetuar o controle dos LEDs, há quatro controladoras "MBI5043GP", similar ao que teclados como o Corsair K70 RGB, G.SKILL KM780 e Razer Blackwidow Chroma possuem.

Quanto aos switches, creio que não preciso falar muito sobre os Cherry MX. São alguns dos melhores switches do mercado, mas também alguns dos mais caros. Atualmente o Gigabyte AORUS K7 só está disponível no modelo Cherry MX Red, o qual é um switch extremamente leve e suave, excelente para jogos, mas não é o ideal para digitação exatamente por ser leve demais e aumentar o índice de erros de digitação por esta razão.

Enfim, em termos de hardware o Gigabyte AORUS K7 é um teclado topo de linha, tendo uma excelente construção externa, switches Chery MX, componentes muito mais avançadas que teclados mecânicos de marcas chinesas e que lhe permite em teoria ter as mesmas capacidades que teclados de concorrentes como a Corsair, Logitech e Razer.

Falta apenas saber se todo este potencial foi bem aproveitado.

Recursos e Extras

Agora, chegando ao software do teclado:

Ele parece simples, mas não é bem assim... Primeiro de tudo, as principais configurações do teclado ficam no canto inferior direito. E antes que achem que o texto distorcido dos botões "LED" e Key Assign" seja algo causado pela compressão de imagem ou por eu estar com uma resolução estranha, não, eles realmente ficam assim.

Vamos então abrir a primeira opção, LED. Já que este é um teclado com hardware topo de linha, ele é em teoria capaz de realizar efeitos de iluminação muito avançados, reagir a músicas, etc, etc...

Mas na prática, ele tem menos efeitos e configurações que um Motospeed CK103 de menos da metade do preço:

Sei que parece besteira estar reclamando por causa da forma como os LEDs do teclado piscam, mas maioria da concorrência oferece uma quantia maior de recursos nesta parte e é complicado saber que um Motospeed CK103 é mais completo nesta parte mesmo tendo um hardware muito mais simples e um preço muito mais baixo.

Em seguida é possível definir funções para cada uma de suas teclas, para isto basta apenas clicar em "Key Assign" (o botão no formato de uma caixa no canto inferior esquerdo) e pode-se trocar a função de cada uma de suas teclas para o que o usuário quiser, desde funções multimídia, combinações de teclas, atalhos para programas... Enfim, é o básico que se espera de um software de um teclado tão caro.

Há também uma interface de macros, a qual possui como diferencial o fato dela também ser capaz de capturar e simular o movimento do mouse, um recurso que poucas marcas fazem no mercado, mas as que testei até agora fazem melhor.

De resto, é apenas uma interface bastante básica de macros, porém com um visual mal projetado e uma área de trabalho muito pequena.

Mas, o pior aspecto do AORUS Graphics Engine nem é sua péssima interface gráfica ou os poucos modos de iluminação do teclado.

O maior problema do Gigabyte AORUS K7, é que o software que gerencia e iluminação do teclado é o mesmo que a Gigabyte utiliza para gerenciar as configurações de placas de vídeo, ou seja, ao abrir o software do teclado, qualquer configuração que você tiver em outro software de gerenciamento (ex: MSI Afterburner) é sobrescrita pela configuração do AORUS Graphics Engine.

E isso não é nada agradável pois a interface da Gigabyte é extremamente inferior à de seus concorrentes.

Ou seja, se você abrir o software para trocar a iluminação do seu teclado, as configurações de overclock da sua placa de vídeo também serão trocadas automaticamente.

Não tenho problemas com um software onde é possível gerenciar as configurações e iluminação de produtos da mesma marca, o que é a função do AORUS Graphics Engine, mas gostaria da opção de não gerenciar a placa de vídeo, apenas os periféricos da marca que estão conectados no computador.

Do jeito que está, a única forma para não utilizar o péssimo software de configuração de GPU da Gigabyte, é não instalar ele, o que limita as funções do teclado, ou optar por um concorrente. É vergonhoso que a Gigabyte não permita que o software do teclado possa ser instalado sem este recurso.

Mas há duas boas notícias, a primeira é que a Gigabyte já lançou o SDK deste software para o público, o que pode permitir que softwares como o Aurora ganhem compatibilidade para ele:

A segunda é que a Gigabyte parece estar trabalhando em uma versão atualizada deste software já desde o final do ano passado, o que é uma excelente notícia, mas precisamos analisar o que já existe, e o que há está ruim mesmo.

Conclusão

 

Avaliação: Gigabyte AORUS K7

Construção Externa
8
Construção Interna
10
Recursos e Extras
6
Preço ABNT2 - R$ 400
9
Preço Importador - R$ 800
5

O Gigabyte AORUS K7 é um teclado mecânico que busca um bom equilíbrio entre sobriedade e beleza, como fica evidenciado pela sua capa frontal em alumínio estilizada, mas sem exageros, e mesmo assim tendo teclas cujos caracteres podem ser interpretados por seres humanos, diferente de alguns concorrentes.

Tendo switches Cherry MX, iluminação RGB com 16.8 milhões de cores e memória interna, o maior ponto fraco do teclado é seu software, o qual além de ser limitado em comparação com concorrentes de grandes marcas, possui uma das piores interfaces gráficas do mercado, mas isto pode ser apenas uma questão temporária pois a Gigabyte já divulgou um SDK para que a própria comunidade possa fazer alguma alternativa.

E realmente espero que a comunidade faça um novo software para o Aorus K7, pois além disso, o software também chega ao absurdo de sobrescrever configurações de sua placa de vídeo. A Gigabyte deveria atualizar este software para que seja possível utilizar ele sem o controle de GPUs...

O AORUS K7 é um infeliz caso de um teclado com hardware topo de linha, mas com um software que não consegue tirar proveito de tudo o que ele é capaz de fazer. Mas, por se tratar de um problema de software, isto pode ser um problema temporário.

A Gigabyte chegou a prometer que traria este teclado em ABNT2 para o Brasil e custando R$ 400, o que o faria um forte concorrente para outros teclados mecânicos, mas tenho dúvidas se este não seria apenas o custo de importação de cada teclado, não estando presentes alguns impostos adicionais e lucros de lojistas na conta.

Um teclado com as características do Gigabyte AORUS K7 por R$ 400 estaria com um preço abaixo da média do mercado. Resta apenas saber se ela irá cumprir esta promessa, pois atualmente o Gigabyte Aorus K7 é encontrado na faixa de R$ 800~1.000 pela versão americana do teclado, o que está caro pra K-, digo, caro pra caramba.

Combine isso com o software da marca e não há razões para recomendar o teclado por R$ 800~1.000, especialmente quando há concorrentes com qualidade similar e recursos melhor implementados.

Nota: Este teclado foi enviado para análise pela Gigabyte Brasil

PRÓS
Excelente construção interna
Modelo vendido oficialmente no Brasil será ABNT2 e "supostamente" custará na faixa dos R$ 400
Ótima construção externa
Switches de altíssima qualidade Cherry MX
CONTRA
Software para configurações limitado e com péssima interface gráfica
Software do TECLADO sobrescreve configurações da placa de vídeo quando é aberto
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.