ANÁLISE: Intel Core i5-8400

Dois núcleos a mais dão o folego que faltava aos i5 para games

O Intel Core i5-8400 é um processador do segmento intermediário voltado a consumidores domésticos. Baseado na microarquitetura Coffee Lake, ele mantém a litografia de 14nm com alguns aperfeiçoamentos. Em cenário internacional ele foi lançado por US$182, cerca de US$10 dólares acima do que custa o Ryzen 5 1600 por lá. Já no Brasil ele chegou custando pouco menos de R$860, cerca de R$55 acima do que o Ryzen 5 1600 custa por aqui atualmente. Essa diferença deve cair com o tempo já que no caso do 8400 se trata de um lançamento.

Depois de anos sem grandes mudanças em seus produtos, a Intel introduz a sua nova geração Core precisando reagir ao lançamento dos processadores Ryzen, que reduziram a diferença de IPC e aumentaram a performance por núcleo, ao mesmo tempo trazendo maior quantidades de núcleos em seus produtos.

Apesar da concorrência dos Ryzen terem enfim forçado a Intel a sair de sua zona de conforto, fazendo a empresa partir para configurações novas como seis núcleos nos Core i5 e i7, algumas estratégias de mercado foram mantidas, e para o azar desse CPU, vários recursos presentes nos Core i7 "dançaram" na medida que vamos em direção a base do line-up.

Análise Intel Core i7-8700K
Análise AMD Ryzen 5 1600X

No caso do Core i5-8400, apesar de manter seis núcleos, o hyperthreading foi desativado, o que significa que esse processador conta com 6 threads, não sendo capaz de aproveitar partes ociosas dos núcleos para gerar um thread adicional. Como não se trata de um produto da linha K, o multiplicador não está destravado, o que também impede o overclock de forma prática para os consumidores.

Comparativo


Intel Core i5-8400

Intel Core i5-7400

AMD Ryzen 5 1600

AMD Ryzen 5 1500X

Preços

Preço no lançamentoU$ 182,00 U$ 182,00 U$ 219,00 U$ 189,00
Preço atualizadoR$ 890,00 R$ 700,00 R$ 860,00 R$ 710,00

Especificações

Canais de memóriadual-channel dual-channel dual-channel dual-channel
Conjunto de instruções64-bit 64-bit 64-bit 64-bit
Multiplicador desbloquadoNão Não Sim Sim
Número de núcleos6 4 6 4
Processo de fabricação14nm 14nm 14nm 14nm
SocketLGA1151 Serie 300 LGA1151 AM4 AM4
Threads6 4 12 8
CodinomeCoffee Lake Kaby Lake Summit Ridge Summit Ridge
TDP65 65 65 65
Cache L39 6 16 16
Clock2800 3000 3200 3500
Clock (Turbo)4000 3500 3600 3700
Memórias suportadasDDR4 DDR4 DDR4 DDR4
PCI Express3.0 3.0 3.0 3.0
Canais PCI Express16 16 24 24

Vídeo Integrado

Monitores suportados3 3
GPUIntel UHD Graphics 630 Intel HD 630 SEM V͍DEO INTEGRADO SEM V͍DEO INTEGRADO
Clock1050 1000
DirectX12 12

Características Gerais

Acompanha cooler?Sim Sim Sim Sim

Tecnologias Intel Coffee Lake

A nova geração de processadores Core da Intel tem como destaque a introdução de mais núcleos, porém também são acompanhadas de algumas outras evoluções. Apesar de manter a conexão com memórias em até dois canais, o suporte a memórias foi ampliado para até 2666MHz nos modelos Core i7 e Core i5, enquanto os modelos Core i3 estão restritos a 2400MHz. Sempre bom lembrar que isso é o suporte oficial da própria Intel, e que mainboards e memórias podem alcançar bem mais que esses valores, como já é comum em gerações anteriores.

Outra evolução é relacionada ao chipset Z370. Essa nova geração traz um total de 40 linhas PCI Express 3.0, porém é importante destacar que esse é o total presente no sistema. O processador em si continua contando com 16 linhas PCIe para se comunicar com placas de vídeo em arranjos 1x16, 2x8, 1x8 + 2x4. O restante das linhas PCIe ficam por conta do PCH (Platform Controller Hub) presente no chipset, que oferecem mais 24 linhas. Esse arranjo é interessante por dar conexões adicionais para SSDs NVMe, por exemplo, sem disputar espaço diretamente com as placas de vídeo.


Fotos


O Core i5-8400 tem o mesmo tamanho dos processadores Skylake e Kaby Lake, que também são modelo socket LGA1151.

CPUs Intel Core de 8ª geração funcionam
apenas em placas-mãe com chipset série 300

Como já destacamos bastante na análise do Core i7-8700K e da placa-mãe Gigabyte Z370 Gaming 7, apesar do socket também levar o mesmo nome LGA1151 dos processadores de 6ª e 7ª geração, os modelos de 8ª geração não são compatíveis com as placas-mãe chipset série 100 e 200, mas apenas das série 300.

Abaixo mais algumas fotos com a mainboard utilizada mostrando a parte interna do socket e o CPU encaixado:


Sistema utilizado
Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes, antes algumas fotos do sistema testado:

Máquinas utilizadas nos testes:
Todas os sistemas utilizaram os mesmos hardwares para os testes, com excesão da placa-mãe que varia de acordo com a plataforma, veja a configuração utilizada:

- Placa-mãe para o CPU analisado: Gigabyte Z370 AORUS Gaming 7 [análise]
- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 1080 Founders Edition [análise]
- Memórias: 16 GB G.Skill Trident Z RGB @ 3200MHz (2x8GB) [site oficial]
- SSD: Kingston Savage 240GB Sata 6Gb/s [análise]
- HD: Seagate Barracuda 2TB 7200RPM Sata 6Gb/s [site oficial]
- Cooler: Noctua NH-U12S [site oficial]
- Fonte de energia (PSU): Thermaltake Toughpower 850W GOLD [site oficial]

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits com Updates
- Intel INF 10.1.1.44
- GeForce 385.69

Aplicativos/Games:
- Blender [site oficial]
- CineBench R15 [site oficial]
- x264 Full HD Benchmark [download]
- HWBot x265 Benchmark [site oficial]
- V-Ray [site oficial]
- wPrime 1.55 [site oficial]
- WinRAR 5.50 [site oficial]

- 3DMark (DX11)
- Battlefield 1 (DX11)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- The Division (DX12)
- The Witcher 3 (DX11)

REFIZEMOS NOVAMENTE TODOS OS TESTES PARA ESSA ANÁLISE NOS MESMOS CENÁRIOS PARA TODOS OS SISTEMAS

CPU-Z/AIDA64
Através do CPU-Z e AIDA64 vemos algumas informações técnicas do processador, como modelo, clocks, número de núcleos e threads etc. Confiram abaixo as telas principais dos dois aplicativos:

O primeiro Core i5 de 6 núcleos junto com o 8600K

Como é possível notar utilizamos a BIOS versão F4a, mais recente durante os testes.


​Overclock


Como se trata de um modelo que tem o multiplicador bloqueado, não será possível fazer overclock como os modelos da série "K". Porém ainda é possível conseguir elevar um pouco o clock, mas mudando a frequência, situação mais complexa e que tem mais variantes para atingir bons resultados.

Core i5-8400 é bloqueado para overclock


Consumo de energia


Fizemos os testes de consumo de energia do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe e pode variar consideravelmente de um sistema para outro com configurações semelhantes. Alguns modelos da Asus como da série Strix por exemplo, já aplicam overclock automaticamente no sistema, entregando mais desempenho e mais consumo de energia por tabela.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:


Temperatura


Começamos pelos testes de temperatura, como o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando nenhuma tarefa além das tradicionais do sistema.

Rodando o wPrime
Quando colocamos os sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

"A temperatura varia de acordo com o programa utilizado, mesmo o wPrime estressando todos os núcleos sendo uma boa opção para ver o comportamento desse cenário, alguns programas podem exigir ainda mais do processador e consequentemente esquentar mais o mesmo, como exemplo citamos o Blender."


Testes sintéticos


Abaixo temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador analisado com outros modelos do mercado e fazendo exatamente os mesmos testes.

Alguns testes podem tirar maior proveito de CPUs com clocks mais altos,
independente da arquitetura e do número de núcleos/threads,
já outros podem tirar mais proveito de mais núcleos/threads

Blender
O aplicativo Blender é voltado a profissionais de edição de filmes e para manipulação de objetos 3D, sendo um bom teste real de como o sistema se comporta nesse tipo de cenário.

V-Ray
O teste V-Ray Benchmark utilizado consiste no resultado de renderização do CPU, quanto menor for, melhor é o desempenho.

CineBENCH R15
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core também:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

HWBot x265 Benchmark
Com o aplicativo de benchmark de renderização do HWBot, temos um teste renderizando com codec x265, tanto em FullHD como em 4K:

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, mas por enquanto com a placa de vídeo dedicada.


Teste em games


Agora vamos para os games, selecionamos alguns dos principais títulos do mercado para mostrar como os processadores se comportam utilizando configurações semelhantes, sendo sempre a mesma placa de vídeo, uma GTX 1080, e 16GB de RAM através de 2 módulos de 8GB.

Battlefield 1


Como um dos games com a melhor qualidade gráfica já lançados, agora o Battlefield 1 faz parte de nossa bateria de testes. Abaixo o comportamento dos sistemas rodando o game da DICE.


GTA V


Grand Theft Auto V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques boa qualidade gráfica. Ele é um dos games que mais faz uso do CPU, sendo um ótimo teste para ver o comportamento e diferença entre esse componente. Confiram abaixo os resultados nesse game:


The Division - DX12


O game da Ubisoft é uma proposta bastante ambiciosa de criar uma Nova Iorque "viva" em partidas com multiplayer totalmente online. The Division usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, e precisa lidar com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela, com destaque para a neve que ocasionalmente cai em alguns momentos. Ele é nosso escolhido para o teste sobre a API DX12.


The Witcher 3


The Witcher 3 foi lançado como referência em qualidade gráfica para PC, sendo um dos games mais interessantes da atualidade para medir desempenho de placas de vídeo e processador. Nesse teste temos um cenário diferente do que usamos em análises de placas de vídeo, visando forçar mais o processador. Abaixo os resultados dos sistemas comparados:

Análise do percentil

 

Comparativo em vídeo

A linha de processadores Core i5 são uma referência para consumidores buscando bons CPUs para jogos, principalmente entre aqueles que não buscam os recursos avançados presentes nas linha mais caras Core i7. Tanto que já foi escolhido por nós, quando montamos um PC equilibrado para jogos. Porém a verdade é que a linha vinha "suando" para lidar com jogos cada vez mais pesados em CPU, com destaque para jogos com mundos muito amplos. O gameplay desastroso com Ghost Reccon Wildlands é um exemplo interessante dessas dificuldades que a linha começava a apresentar para lidar com jogos mais complexos (updates futuros do jogo melhoraram seu desempenho). Jogos como Watchdogs 2 ou Witcher 3, em alguns trechos, também não foram carinhosos com os modelos Core i5 recentemente.

Ghost Recon Wildlands e seu péssimo desempenho no PC Adrenaline Custo x Benefício!

A introdução de mais dois núcleos e clocks mais altos trouxe um impacto considerável para a performance dos i5 na oitava geração. Isso fica evidente em alguns pontos críticos de nossa bateria de testes, com o ganho de desempenho médio de 23% em Witcher 3 e 16% em GTA V comparado ao Core i5-7400, dois games com uso crítico de CPU e que trazem momentos em que os i5 "não estavam mais dando conta". Por conta de sua maior performance por núcleo, mesmo não possuindo SMT ou capacidade de overclock, esse processador também tem uma vantagem sobre os modelos Ryzen concorrentes quando assunto é games, já que essas são aplicações que fazem mal uso de grandes quantidades de threads e vão se beneficiar de aspectos como mais performance por núcleo ou latências menores nas memórias.

A adição de mais dois núcleos e aumento das frequências
trouxe ganhos notáveis de desempenho em games

Quando olhamos para outros aspectos, porém, o Core i5-8400 tem claras desvantagens comparado ao Ryzen 5 1600, principalmente. Os rivais da AMD contam com mais de um thread por núcleo, e isso faz com que o 1600 abra clara vantagem sobre o 8400 em aplicações profissionais e de renderização, softwares que fazem excelente uso de muitos threads. Nesse perfil de aplicação o Ryzen 5 1600 é de 10 a 20% melhor que o Core i5-8400, com potencial de aumentar ainda mais a vantagem se overclockado.

Em aplicações profissionais ou que usam muitos threads, o i5 fica em desvantagem comparado aos Ryzen

No quesito temperatura o Core i5-8400 está em patamares excelentes, em um nível similar ao que vemos nos modelos Ryzen concorrentes e também no seu antecessor, o Core i5-7400. Sem possibilidade de ser oveclockado o i5 acaba se salvando da "prova de fogo" para a interface térmica entre o dissipador de calor e die. Em modelos desbloqueados (linha K) vemos aumentos gritantes nas temperaturas após o overlock. Sem possibilidade de sair de seu clock padrão, o 8400 se sai bem, mesmo em nossos testes de estresse.

Hoje o Core i5-8400 é comercializado por R$ 850, aproximadamente 50 reais mais caro que o Ryzen 5 1600. Mesmo custado em torno de R$ 150 mais caro que seu antecessor, há claras vantagens em adquirir esse processador. Na disputa com os Ryzen, porém, a coisa complica. Com o rival custando mais barato e entregando mais recursos como overlock, dois threads por núcleo e um desempenho superior em aplicações que fazem bom uso de vários threads, como softwares de renderização ou streaming de games, o 8400 se apresenta como um excelente processador para quem quer alta performance em games, mas que perde brilho ao lado do rival que oferece mais capacidades por menos. Mesmo atingindo taxas de quadros mais baixas, o Ryzen 5 1600 atinge um nível de performance suficiente para games e conta com mais versatilidade para outras aplicações.

Apesar dessas desvantagens frente aos Ryzen, o Core i5-8400 traz evoluções importantes para a linha i5 da Intel, e traz novamente esses CPUs para um patamar de desempenho em jogos que será o ponto ideal entre custo e benefício para um bom PC Gamer.

Conclusão

 

Avaliação: Intel Core i5-8400

Performance
9.5
Tecnologias
9.5
Overclock
SEM SUPORTE
Preço
9

PRÓS
Alta performance em games
Excelente performance em single-thread
Boa relação entre custo e benefício para um PC Gamer
CONTRA
Não é desbloqueado para overclock
Sem hyperthreading
Desvantagem em aplicações multi-thread
Outra troca de chipsets obrigatória
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Mundo Conectado é responsável pelas análise de drones e alguns gadgets relacionados a fotos e vídeo, como Action Cams.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber