ANÁLISE: Intel Core i7-8700K

Enfim a Intel sai do marasmo e entrega um dos melhores CPUs do mercado

O Core i7-8700K é um processador de alto desempenho para consumidores domésticos, sendo o topo da linha Coffee Lake, codinome da 8ª geração de processadores Intel Core. Ele chega ao mercado internacional com preço de US$359, por aqui deve ficar na casa de R$1400+/-.

Depois de anos sem grandes mudanças em seus produtos, a Intel introduz a sua nova geração Core precisando reagir ao lançamento dos processadores Ryzen, que reduziram a diferença de IPC e aumentaram a performance por núcleo, ao mesmo tempo trazendo maior quantidades de núcleos em seus produtos.

O movimento da Intel fica evidente: ainda mantendo a mesma litografia de 14 nanômetros (a próxima redução ficou mesmo para as CPUs codinome Cannon Lake) a novidade foi um aumento no número de núcleos em seu line-up, com os Core i5 trazendo 6 núcleos e 6 threads e, mantendo a tradição de acionar o Hyperthread apenas nos modelos mais caros, um total de 6 núcleos e 12 threads na linha Core i7.

Intel Core i7-7740X - Processador é opção para quem quer iniciar na plataforma X299
AMD Ryzen 7 1700X - O melhor CPU de alto desempenho do mercado por ter uma ótima relação custo x benefício

Comparativo


Intel Core i7-8700K

Intel Core i7-7700K

Intel Core i7-7740X

AMD Ryzen 7 1700X

Preços

Preço no lançamentoU$ 359,00 U$ 339,00 U$ 339,00 U$ 399,00
Preço atualizadoR$ 1.925,00 R$ 1.260,00 U$ 339,00 R$ 1.900,00

Especificações

Canais de memóriadual-channel dual-channel dual-channel dual-channel
Conjunto de instruções64-bit 64-bit 64-bit 64-bit
Multiplicador desbloquadoSim Sim Sim Sim
Número de núcleos6 4 4 8
Processo de fabricação14nm 14nm 14nm 14nm
SocketLGA1151 Serie 300 LGA1151 LGA2066 AM4
Threads12 8 8 16
CodinomeCoffee Lake Kaby Lake Kaby Lake-X Summit Ridge
TDP95 91 112 95
Cache L312 8 8 16
Clock3700 4200 4300 3400
Clock (Turbo)4700 4500 4500 3800
Memórias suportadasDDR4 DDR4 DDR4-2666 DDR4
PCI Express3.0 3.0 3.0 3.0
Canais PCI Express16 16 16 24

Vídeo Integrado

Monitores suportados3 3
GPUIntel UHD Graphics 630 Intel HD 630 SEM V͍DEO INTEGRADO SEM V͍DEO INTEGRADO
Clock1200 1150
DirectX12 12

Características Gerais

Acompanha cooler?Não Não Não Não

Tecnologias Intel Coffee Lake

A nova geração de processadores Core da Intel tem como destaque a introdução de mais núcleos, porém também são acompanhadas de algumas outras evoluções. Apesar de manter a conexão com memórias em até dois canais, o suporte a memórias foi ampliado para até 2666MHz nos modelos Core i7 e Core i5, enquanto os modelos Core i3 estão restritos a 2400MHz. Sempre bom lembrar que isso é o suporte oficial da própria Intel, e que mainboards e memórias podem alcançar bem mais que esses valores, como já é comum em gerações anteriores.

Outra evolução é relacionada ao chipset Z370. Essa nova geração traz um total de 40 linhas PCI Express 3.0, porém é importante destacar que esse é o total presente no sistema. O processador em si continua contando com 16 linhas PCIe para se comunicar com placas de vídeo em arranjos 1x16, 2x8, 1x8 + 2x4. O restante das linhas PCIe ficam por conta do PCH (Platform Controller Hub) presente no chipset, que oferecem mais 24 linhas. Esse arranjo é interessante por dar conexões adicionais para SSDs NVMe, por exemplo, sem disputar espaço diretamente com as placas de vídeo.


Fotos


O Core i7-8700K tem o mesmo tamanho dos processadores Skylake e Kaby Lake, que também são modelo socket LGA1151, porém eles não são compatíveis com as mesmas placas-mãe, ou seja, os processadores Coffee Lake (leia-se os modelos Core de 8ª geração), não funcionam em placas-mãe com chipset série 100 e 200 (ex.: B250, H170, Z270 etc), é necessário uma mainboard com chipset série 300, atualmente disponíveis apenas através dos modelos com chipset Z370.

CPUs Intel Core de 8ª geração funcionam
apenas em placas-mãe com chipset série 300


Sistema utilizado
Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes, antes algumas fotos do socket aberto sem e depois com o Core i7-8700K encaixado:

Máquinas utilizadas nos testes:
Todas os sistemas utilizaram os mesmos hardwares para os testes, com excesão da placa-mãe que varia de acordo com a plataforma, veja a configuração utilizada:

- Placa-mãe para o CPU analisado: Gigabyte Z370 AORUS Gaming 7 [site oficial]
- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 1080 Founders Edition [análise]
- Memórias: 16 GB G.Skill Trident Z RGB @ 3200MHz (2x8GB) [site oficial]
- SSD: Kingston Savage 240GB Sata 6Gb/s [análise]
- HD: Seagate Barracuda 2TB 7200RPM Sata 6Gb/s [site oficial]
- Cooler: Noctua NH-U12S [site oficial]
- Fonte de energia (PSU): Thermaltake Toughpower 850W GOLD [site oficial]

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits com Updates
- Intel INF 10.1.1.44
- GeForce 385.69

Aplicativos/Games:
- Blender [site oficial]
- CineBench R15 [site oficial]
- x264 Full HD Benchmark [download]
- HWBot x265 Benchmark [site oficial]
- wPrime 1.55 [site oficial]
- WinRAR 5.50 [site oficial]

- 3DMark (DX11)
- Battlefield 1 (DX11)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- The Division (DX12)
- The Witcher 3 (DX11)

REFIZEMOS NOVAMENTE TODOS OS TESTES PARA ESSA ANÁLISE NOS MESMOS CENÁRIOS PARA TODOS OS SISTEMAS

CPU-Z/AIDA64
Através do CPU-Z e AIDA64 vemos algumas informações técnicas do processador, como modelo, clocks, número de núcleos e threads etc. Confiram abaixo as telas principais dos dois aplicativos:

O primeiro Core de 6 núcleos sem ser da linha Extreme

Como é possível notar utilizamos a BIOS versão F4a, mais recente durante os testes.


​Overclock


O processo de overclock que aplicamos foi bastante simples, apenas mudamos o multiplicador até o clock que desejamos testar. Primeiro colocamos em 4.9GHz alterando o multiplicador para 49x e mantendo a tensão em modo automático, com o sistema de comportando normalmente apesar da temperatura alta quando rodando testes mais exigentes. Após esse teste subimos para 5GHz, sendo que apenas dois testes não rodaram nesse clock, o Blender e o HwBOT x265 Benchmark.

Mantivemos os resultados em 5GHz dos testes que finalizaram nesse clock, nos demais deixamos o clock que passou, 4.9GHz. Provavelmente achando a tensão ideal todos os testes passariam, mas por se tratar de um overclock em todos os núcleos sequer é recomendado manter esse clock assim continuamente. Outro detalhe é que sempre usamos um cooler a ar, para overclocks altos é indicado um liquid cooler que pode dissipar melhor o calor e consequentemente proporcionar um cenário melhor. As memórias mantivemos em seu clock máximo via perfil XMP, 3200MHz.

Quando overclockado a temperatura pode subir bastante

Temos uma consideração bem importante aqui. Sempre procuramos em nossas análises chegar ao limite de overclock com um cooler a ar. Mas é importante deixar claro que não recomendamos de forma nenhuma manter esses overclock por uso contínuo, visamos achar o limite em situação normal, sem overclock extremo, sempre validando todos os testes de nossa bateria.

Se você pretende overclockar o CPU, é recomendado o uso de um liquid cooler de alto desempenho para atingir clocks mais altos sem gerar um desgaste para o processador.

ATUALIZAÇÃO: Fizemos testes com o mesmo overclock de 5GHz em todos os núcleos utilizando um liquid cooler Thermaltake Floe Riing 360, dessa forma os testes que não tinham finalizado passaram normalmente. Adicionamos os testes nos gráficos.

Nas screens abaixo temos o CPU-Z e AIDA mostrando o resultado do overclock aplicado.


Consumo de energia


Fizemos os testes de consumo de energia do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe e pode variar consideravelmente de um sistema para outro com configurações semelhantes. Alguns modelos da Asus como da série Strix por exemplo, já aplicam overclock automaticamente no sistema, entregando mais desempenho e mais consumo de energia por tabela.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:


Temperatura


Começamos pelos testes de temperatura, como o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

Reparem que apesar do campo Package mostrar uma temperatura mais alta, o core que fica com a temperatura mais alta sempre fica 6º abaixo.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando nenhuma tarefa além das tradicionais do sistema.

Rodando o wPrime
Quando colocamos os sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

"A temperatura varia de acordo com o programa utilizado, mesmo o wPrime estressando todos os núcleos sendo uma boa opção para ver o comportamento desse cenário, alguns programas podem exigir ainda mais do processador e consequentemente esquentar mais o mesmo, como exemplo citamos o Blender."

OBS.: Atualizamos os testes e adicionamos testes com o liquid cooler Thermaltake Floe Riing 360. Refizemos também os testes em 5GHz com o liquid cooler nos que não tinham passado com o air cooler, além de refazer os que tinham passado para ver se acontecia mudanças, o que não aconteceu.


Testes sintéticos


Abaixo temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador analisado com outros modelos do mercado e fazendo exatamente os mesmos testes.

Alguns testes podem tirar maior proveito de CPUs com clocks mais altos,
independente da arquitetura e do número de núcleos/threads,
já outros podem tirar mais proveito de mais núcleos/threads

Blender
O aplicativo Blender é voltado a profissionais de edição de filmes e para manipulação de objetos 3D, sendo um bom teste real de como o sistema se comporta nesse tipo de cenário.

V-Ray
O teste V-Ray Benchmark utilizado consiste no resultado de renderização do CPU, quanto menor for, melhor é o desempenho.

CineBENCH R15
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core também:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

HWBot x265 Benchmark
Com o aplicativo de benchmark de renderização do HWBot, temos um teste renderizando com codec x265, tanto em FullHD como em 4K:

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, mas por enquanto com a placa de vídeo dedicada.


Teste em games


Agora vamos para os games, selecionamos alguns dos principais títulos do mercado para mostrar como os processadores se comportam utilizando configurações semelhantes, sendo sempre a mesma placa de vídeo, uma GTX 1080, e 16GB de RAM através de 2 módulos de 8GB.

Battlefield 1


Como um dos games com a melhor qualidade gráfica já lançados, agora o Battlefield 1 faz parte de nossa bateria de testes. Abaixo o comportamento dos sistemas rodando o game da DICE.


GTA V


Grand Theft Auto V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques boa qualidade gráfica. Ele é um dos games que mais faz uso do CPU, sendo um ótimo teste para ver o comportamento e diferença entre esse componente. Confiram abaixo os resultados nesse game:


The Division - DX12


O game da Ubisoft é uma proposta bastante ambiciosa de criar uma Nova Iorque "viva" em partidas com multiplayer totalmente online. The Division usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, e precisa lidar com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela, com destaque para a neve que ocasionalmente cai em alguns momentos. Ele é nosso escolhido para o teste sobre a API DX12.


The Witcher 3


The Witcher 3 foi lançado como referência em qualidade gráfica para PC, sendo um dos games mais interessantes da atualidade para medir desempenho de placas de vídeo e processador. Nesse teste temos um cenário diferente do que usamos em análises de placas de vídeo, visando forçar mais o processador. Abaixo os resultados dos sistemas comparados:

Análise do percentil

 

Comparativo em vídeo

A Intel por muito tempo estagnou na configuração de quatro núcleos e oito threads nos Intel Core i7 para consumidores mainstream, restringindo essa especificação apenas para modelos de segmentos mais entusiastas. Graças ao retorno da concorrência com a introdução dos processadores Ryzen, a empresa enfim se mexeu e temos um dos melhores processadores dos últimos tempos. O Intel Core i7-8700K consegue aliar o ponto forte da empresa, a alta performance por thread, com o potencial de uma maior quantidade de núcleos.

Mesmo contando com dois núcleos a menos que seu concorrente direto, o Ryzen 7 1700X, o 8700K conseguiu alcançar o processador rival mesmo nas aplicações que fazem uso de múltiplos threads, como os apenas 10% de diferença no CineBENCH e situações onde ele chegou a se sair melhor, como em Blender.

Por conta de sua maior quantidade de núcleos, ele roda em frequências menores que o Core i7-7700K, porém isso não representou uma perda notável em desempenho comparado ao modelo Kaby Lake. Em nosso comparativo em vídeo é possível notar que ele entrega, por uma pequena margem, mais desempenho que o 7700K, sendo que GTA V foi a única exceção.

Por conta dessas características, ele conseguiu unir duas características: excelente performance multithread dado sua maior quantidade de núcleos e manteve o bom desempenho single-thread, tão necessário para muitos games. Dessa forma ele transita de forma eficiente entre os jogos (algo que o 7700K consegue) e aplicações profissionais que utilizam mais threads (como os Ryzen conseguem) ao mesmo tempo.

Diferente do modelo de seu antecessor que testamos, o 8700K não apresentou um aquecimento excessivo em sua configuração padrão. O overclock atingiu facilmente os 5.0GHz, rodando alguns dos testes mas travando no Blender. A temperatura atingiu os 100ºC é um sinal claro que atingimos o limite da eficiência do nosso sistema de resfriamento e o 8700K atingiu um estado em que o thermal throttling (redução de frequências para controlar superaquecimento) passou a limitar a performance do CPU. Não é recomendável usar esse clock por longos períodos, e quem pretende chegar a esse tipo de frequência deve cogitar soluções de resfriamento mais potentes como com liquid coolers ou, para os realmente entusiastas afim de correr riscos, realizar o delid (arggggg, SQN).

O preço é fator crucial após uma análise do desempenho e tecnologias oferecidas, ai temos uma situação bem interessante. Até hoje o Ryzen 7 1700X estava custando US$399, com isso ele ficaria US$40 mais caro que o Core i7-8700K, porém a AMD fez um corte de nada menos que US$100 no preço final do 1700X, que passa a custar US$299 nas lojas internacionais à partir de hoje. Mesmo assim o preço do novo topo de linha da 8º geração justifica pelo seu bom resultado final, especialmente se a proposta principal do sistema for para jogos, porém estamos falando de um corte de 25% que a AMD fez no principal concorrente, que naturalmente torna o produto da AMD uma opção tão interessante quanto.

Conclusão

 

Avaliação: Intel Core i7-8700K

Performance
9.5
Tecnologias
9.5
Overclock
9.5
Preço
9

PRÓS
Alta performance em games
Temperaturas melhores que as do Core i7-7700K
Bom potencial de overclock
Excelente performance em single-thread
Próximo aos Ryzen 7 mesmo com menos núcleos
CONTRA
Menos núcleos que concorrentes Ryzen
Outra troca de chipsets obrigatória
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Mundo Conectado é responsável pelas análise de drones e alguns gadgets relacionados a fotos e vídeo, como Action Cams.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber