ANÁLISE: The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel

Um bom JRPG para quem curte esse gênero de jogo

Para os donos de PCs que são fãs de JRPGs, tal como o autor, a cada ano que se passa são mais e mais alegrias. Cada vez mais, jogos e séries que antes eram exclusivas para consoles estão sendo portadas para PC ou até sendo lançados simultaneamente.

Claro, o PC sempre foi uma boa plataforma para JRPGs devido à emulação, mas nos últimos 3 anos houve um verdadeiro estouro na quantia de jogos disponíveis, especialmente depois que os japoneses finalmente notaram que se colocarem um jogo bom na Steam, ele vende e muito bem.

Um tremendo artigo que recomendo aos fãs de JRPGs é este da PC Gamer, é uma leitura que chega a fazer suor masculino escorrer dos olhos. Agora, vamos ao que interessa: The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel.

História e Ambientação

A série “The Legend of Heroes” não é nova no PC, embora haja vínculos entre os eventos de “Trails in the Sky The 3rd” e “Trails of Cold Steel”, não é necessário ter jogado nenhum jogo anterior da série para curtir e entender a história.


The Legend of Heroes: Trails in the Sky The 3rd

O “Trails of Cold Steel” foi um jogo de 2013 que fez uma transição do estilo de gráficos 2D dos jogos anteriores, projetados para serem compatíveis com o hardware limitado do PSP, para gráficos em 3D, sendo um jogo para PS3 e Vita. O que temos aqui é a versão da Steam, embora eu já tenha jogado ele e sua continuação no meu falecido PS3.

A história do Trails of Cold Steel é bastante simples. Você é Kazuto Kirito, digo, Rean Schwarzer, protagonista genérico número 181.392, um novo estudante da “Academia Militar Thors”.

Ao finalmente chegar em Thors, o protagonista descobre que foi colocado na "Turma 7", uma classe onde "nobres" e "plebeus" foram misturados, sendo que no mundo do jogo há segregação entre membros destas duas classes sociais.

O Kirit-, digo, Rean, não tem nada de interessante fora ser o “protagonista perfeito até demais” para o jogador fazer um “self-insert” (imaginar que você seja o protagonista). Mas o que realmente torna o jogo interessante são outros aspectos, tal como a ambientação, os membros da "Turma 7" e o próprio mundo do jogo.


Cada personagem possui uma boa história por trás (salvo exceções) e é bastante interessante conhecer e interagir com cada um. É um JRPG bem "easy-going", tranquilão em seu ritmo, especialmente no início, embora haja momentos de tensão mais tarde.

Trails of Cold Steel é um jogo grande (60-80 horas, mas que podem ser encurtadas usando o "Modo Turbo"), mas não tanto por grinding ou exploração, e sim por horas e mais horas de diálogo e história, por isso é normal que nas primeiras 10 horas de jogo você tenha pouca experiência em batalha.

Trails of Cold Steel possui um início bastante lento

Mas é esse tempo desenvolvendo amizades com colegas, jogando jogos de cartas em um trem e viajando em excursões com sua turma, que acabam tornando este jogo memorável. É quase um anime de Slice-of-Life (vida cotidiana) jogável.

A história começa pegar bastante embalo a partir da metade do jogo, e nesse ponto ele puxa você para dentro dela, e quando você olhar o relógio, verá que jogou o jogo por 20 horas seguidas e já é segunda-feira. #vozdaexperiencia

Um sistema diferenciado do jogo é o sistema de notas, que variam de acordo com as missões principais, missões extras e ações que você fez durante um capítulo.

Embora esse sistema possa parecer interessante, sugiro ignorar ele, pois as vantagens não são tão grandes e os itens de carry-over para o segundo jogo são patéticos. Então não faça como eu, que fiquei lendo um "detonado" para ter a maior pontuação possível. Curta o jogo, faça o que quiser e não se preocupe com a nota.

Chegando ao que realmente interessa, o jogo possui um sistema de “relacionamentos” e há uma coleção de waifus para escolher, assim como também é possível optar pelo Bromance caso você esteja interessado no olhar sedutor do Gaius, embora este relacionamento infelizmente não passe de amizade neste caso.

Entre os eventos do jogo, você possui um tempo livre limitado e pode decidir com quem irá gastar este tempo, normalmente com apenas 2 ou 3 pessoas. Nesta parte, o jogo é bastante similar à série Persona e outros jogos com elementos de Dating Sims.

waifus de todo tipo: a irritadinha Tsundere, a quieta Kuudere, a Joana d'Arc que na verdade é doce por baixo... e claro, a presidente do conselho estudantil, por que não? Uma pena não ter a tia da merenda como escolha...

Felizmente, a Tsundere deixa de ser irritante após algumas horas... embora a história do jogo tentar forçar um relacionamento com ela como se fosse a escolha canônica, seja igualmente irritante.

Todas possuem histórias interessantes e suas personalidades acabam se abrindo ao protagonista de acordo com eventos. Mas se há algo que Trails of Cold Steel e Persona 5 me ensinaram, é que a “Best Girl” é sempre a professora. SEMPRE.

Jogabilidade

O sistema de batalhas do Trails of Cold Steel lembra bastante o sistema de jogos da série Neptunia, pois trata-se um sistema por turnos, mas com personagens tendo áreas de movimento limitadas e alguns ataques são capazes de afetar uma área com diversos inimigos (AoE).

Um dos elementos chave do jogo, é o sistema de "Orbment", que dá os superpoderes dos membros da Classe 7 e permite equipar o que o jogo chama de "Quartz".

O grande problema é que o jogo lhe força entre escolher Quartz que dão acesso à magias (ex: Fire Bolt), ou Quartz que dão buffs aos stats do personagem (ex: +10 strength), sendo a segunda escolha mais útil na maior parte do tempo.

Há Quartz que dão ambos ao mesmo tempo, mas estes são raros e só se tornam comuns após a metade do jogo, quando você já se acostumou a simplesmente ficar pressionando "A" feito um louco para ganhar qualquer batalha.

Alie isto ao tempo que até magias simples levam para serem executadas e o sistema de magias (Arts) do jogo acaba sendo bastante prejudicado, especialmente quando ataques especiais (Crafts) de vários personagens também possuem efeito de AoE e alto dano, mas sem nenhum delay na execução.

Há também um sistema de "Linking", onde personagens formam pares (eficaz especialmente quando dois personagens são amigos, bem estilo Fire Emblem) e há alguns bônus que podem dar a seu companheiro, tal como defesa de ataques, um ataque adicional, maior resistência a ataques, etc...

Enfim, o sistema de batalhas do Trails of Cold Steel não é ruim, os especiais são legais e algumas batalhas podem ser intensas, especialmente em dificuldades maiores, mas chamar ele de "bom" seria forçar a barra, há muitas coisas que poderiam ser melhoradas nele, algumas até foram no Trails of Cold Steel II, mas não todas.

Gráficos

O que fazer para evitar o lançamento de um port mal feito para PC? Simples, chamar alguém especializado em consertar estes ports. A XSEED Games contratou ninguém menos do que o modder "Durante", responsável pelo famoso (e praticamente obrigatório) DSFix, que corrige e melhora muito o port mal feito do primeiro Dark Souls no PC:

Há uma série de posts muito interessantes sobre as melhorias que o Durante realizou no Trails of Cold Steel.

Na versão de PC há opções gráficas, filtros e efeitos que são esperados da versão para PC, suporte a 4K, resoluções Ultrawide, um sistema bem intuitivo mostrando a diferença de cada opção e também a escolha do layout de botões usados, seja botões do Xbox ou do Playstation.

E para melhorar, há um "Modo Turbo", onde ao pressionar o gatilho direito de seu controle, o jogo roda em uma velocidade muito maior, o que é extremamente útil para cortar o tempo de grinding ou de exploração dos mapas sem graça do jogo. Se lembram que eu falei que o jogo seria entre 60~80 horas? Com o Modo Turbo, acredito que seja possível fechar o jogo com bem menos.

A única edição no vídeo, foi a música na metade

Sinceramente, The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel no PC parece ser um port muito bem feito, e com o "Durante" trabalhando do início ao fim do projeto, é o resultado que se esperava.

Mas mesmo com melhorias gráficas, o jogo não impressiona. Fora o campus e algumas cidades, os cenários do jogo são genéricos, passando aquela mesma impressão que jogos da série Neptunia, com a menor quantia possível de polígonos e objetos em mapas grandes, para que sejam compatíveis com o PS Vita.

Há várias partes do mundo de Trails of Cold Steel que não transmitem realismo, são apenas sandboxes para ir de ponto A até ponto B fazendo grinding de inimigos. Quem está atrás de um mundo imersivo nos estilos de Final Fantasy XV, Skyrim ou The Witcher III, não vai encontrar nada disso aqui.

Mas claro, Trails of Cold Steel é um jogo estilizado, com gráficos que devem se assemelhar a um Anime, algo que foi feito com um bom grau de sucesso, sendo similar em seus pontos fracos e fortes a jogos mais antigos da série "Tales of".

Mas assim como a série Tales está tendo um maior capricho em seus cenários, espero que o Trails of Cold Steel III, que será lançado como exclusivo do PS4 (por enquanto), venha a ter diversas melhorias gráficas.

Áudio

A trilha sonora do Trails of Cold Steel é boa, mas não há nada memorável e as poucas boas faixas são tão usadas que você começa a ignorar elas. Algo que mais séries deveriam tentar, é intercalar versões diferentes da mesma música, como é o que acontece em Persona 5.

Oficialmente, Trails of Cold Steel não permite escolher entre o áudio japonês ou inglês, mas um ponto positivo é que a dublagem em inglês é muito bem-feita, embora com o PC sendo PC, apenas dois dias depois do lançamento do jogo, a própria comunidade disponibilizou um mod que permite ter o áudio japonês no jogo.

Baixei o mod para áudio japonês e sinceramente ele me deixou conflitado, pois por mais puritano que meu lado Otaku seja, há casos onde a dublagem inglesa fica tão boa ao ponto de encaixar melhor nos personagens do que as vozes exageradamente “kawaii” de algumas dubladoras japonesas.

Ah, e para melhorar a situação do PC, há melhorias na dublagem inglesa, com novas linhas gravadas exclusivamente para a versão de PC:

Foram adicionadas cerca 5.000 novas linhas de diálogo gravado, um aumento em torno de 50% sobre o número original de linhas do jogo. Isso é impressionante para um "simples port para PC", mas creio que a XSEED Games esteja planejando portar ele para consoles da geração atual assim que terminarem de portar os dois jogos para PC.

The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel é um jogo que não inova e nem se destaca em aspectos técnicos, além de possuir um início bastante lento. É um jogo que eu não indicaria como “primeiro JRPG” ou para pessoas que não curtem este gênero de jogo.

Mas quem procura um JRPG com foco em história e relacionamentos, será fisgado, pois toda a temática e seus personagens são bastante cativantes, embora o jogo não tenha medo de usar quase todos os clichês disponíveis.

Trails of Cold Steel é um bom jogo e houve um excelente trabalho para fazer o port e tornar a versão de PC superior às outras, mas não recomendo comprarem ele pela faixa de R$ 72,90 na qual está atualmente situado, pois além de ser um jogo já com idade, ele também termina em um cliffhanger mal feito.

Ele deveria custar entre R$ 40~50 pois a compra do Trails of Cold Steel II é praticamente obrigatória. Agora, o que não é obrigatório e nem aconselhado, é a compra das DLCs do jogo, pois além das DLCs cosméticas que não valem nem R$ 1 todas juntas, as outras servem apenas para deixar um jogo que já é fácil no Normal, totalmente quebrado.

Não sei se a XSEED Games sabe, mas diferente dos consoles, no PC há uma ferramenta chamada "Cheat Engine" para quando queremos tirar a graça de um jogo Single-Player.

O Trails of Cold Steel II deve ser lançado em breve para PC pois ele nada mais é do que uma expansão do primeiro jogo com bastante reciclagem, por isso recomendo para qualquer um que se interessou pelo Trails of Cold Steel, que espere o segundo jogo e só então compre ambos em um único pacote, de preferência pagando menos que R$ 120 pelos dois.

Conclusão

 

Avaliação: The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel

História
8.5
Jogabilidade
6.5
Gráficos
7.5
Áudio
8

PRÓS
Dublagem em inglês muito bem feita
História e ambientação bem desenvolvida, embora nada original
Personagens interessantes e com bom desenvolvimento
Versão para PC contém uma quantia significante de melhorias
CONTRAS
Mesmo com melhorias gráficas, é visível que é um jogo de PS Vita portado para outras plataformas.
O ritmo lento do início da história tende a afastar pessoas não acostumadas com JRPGs
O sistema de batalhas possui falhas
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

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